Al Horford não está rendendo em Boston. De quem é a culpa?

BOSTON, MA - OCTOBER 26: Al Horford #42 of the Boston Celtics looks on during the second quarter against the Brooklyn Nets at TD Garden on October 26, 2016 in Boston, Massachusetts. NOTE TO USER: User expressly acknowledges and agrees that, by downloading and/or using this photograph, user is consenting to the terms and conditions of the Getty Images License Agreement. (Photo by Maddie Meyer/Getty Images)

No jogo de ontem, vimos o Boston Celtics morrer aos poucos, ao perder a confortável liderança de 17 pontos que chegara a construir no segundo quarto da partida. Também ontem, assistimos à ressurreição do Toronto Raptors, que mostrou resiliência e ânimo renovado com seus últimos reforços: Serge Ibaka e P.J. Tucker.

O confronto de ontem foi o último entre as equipes pela temporada regular de 2016/2017. A equipe canadense levou a melhor em 3 dos 4 duelos, e caso o Celtics queira reverter esse recente histórico desfavorável, precisa começar pela melhor utilização do big man Al Horford.

No jogo em discussão, Horford, que recebe contrato máximo (mais de US$ 30 milhões), efetuou apenas 5 arremessos em 30 minutos de atuação. Seus números finais foram de meros 8 pontos e 5 rebotes. Em um jogo no qual Isaiah Thomas foi muito bem marcado, chegando a receber marcações dobradas, Horford, se procurado, seria uma boa válvula de escape para o time seguir pontuando.

Entretanto, isso não ocorreu. O Celtics preferiu morrer abraçado com os arremessos de longa distância (foram 26 arremessos errados em 38 tentados, incluindo 4 acertos em 17 tentativas para Thomas e Smart somados). O Celtics está viciado nas bolas de três e faz com que Horford atue longe do garrafão, para também tentar essa espécie de arremesso. O ataque de Boston é baseado em movimentação de bola e tiros do perímetro, mas é amplamente sabido que o jogo forte do dominicano não reside nessa região, mas na área próxima à cesta. Atuando longe dela, o camisa 42 não consegue pontuar, tampouco brigar pelos rebotes.

Portanto, já passou da hora do Celtics descobrir novas formas de pontuar, especialmente quando o adversário neutralizar Isaiah Thomas, que terminou a noite de ontem com 6/17 FG e apenas 4 pontos no período derradeiro.

Voltando a falar de Horford, o mesmo só realizou um único arremesso no último quarto e não coletou nenhum rebote no quarto mais decisivo do jogo. Al Horford é um jogador que precisa ser alimentado para conseguir impactar no jogo e ele permanecerá inútil, até seus companheiros e Stevens o incluírem mais no plano de jogo celta. Quando o fizerem, a marcação adversária passará a se preocupar mais com ele, e os demais, inclusive Thomas, terão mais liberdade para atacar.

Com Avery Bradley ainda afastado das quadras, o Celtics, desesperadamente, procura um segundo cestinha e o dominicano, 4 vezes convocado para o All-Star Game, tem comprovada capacidade para exercer esse papel.

Justiça seja feita, Al Horford também tem culpa na história. Ele precisa ter personalidade e pedir a bola. Ele precisa ser mais ativo na briga pelos rebotes, conseguir cestas no garrafão adversário e ir mais vezes para a linha do lance-livre. Ontem, o pivô arremessou apenas 2 lance-livres; na temporada, foram apenas 90 em 46 partidas, o que dá uma média inferior a 2 por jogo.

O dominicano nunca foi conhecido por arremessar muitos FT’s, mas assusta perceber que ele cobrou apenas 3 a mais que Jaylen Brown, mesmo tendo atuado 650 minutos a mais que o calouro celta até o presente momento.

Já que o presidente de operações do Celtics, Danny Ainge, resolveu ficar inerte na Trade Deadline, cabe ao treinador Brad Stevens tentar extrair o máximo de seu elenco, sobretudo da aquisição mais cara da história da franquia, que foi justamente o camisa 42.

“Não há dúvidas, nós precisamos envolver mais o Al (Horford) em nosso jogo. Eu preciso fazer um melhor trabalho nisso”, declarou Thomas. “Contra o Pistons (próximo adversário celta), eu vou buscá-lo mais vezes e tentar fazer com que ele fique mais a vontade em quadra. Ele é fundamental não só na defesa, mas no ataque também”.

Quando perguntado se precisa mais do que 5 arremessos para impactar no jogo, Horford foi sincero:

“Eu penso que sim. Eu acho que, da forma que eles (Raptors) estavam atuando, seria difícil meus companheiros conseguirem me proporcionar boas situações para pontuar. No entanto, sim, eu preciso ser mais procurado. Não há dúvidas”.

Al Horford tem se mostrado um excelente companheiro de time, sacrificando seu jogo individual para ajudar o sistema coletivo do Celtics, mas, cada vez mais, está ficando claro que o time está saindo prejudicado com essa escolha. O dominicano precisa exercer um papel mais central no time e isso também passa por ele próprio, demandando mais jogadas para si. O jogo de ontem foi o sétimo na temporada que o camisa 42 não atingiu dígitos duplos em pontuação, como também foi o 40°(em 46 atuações) que coletou menos que 10 rebotes.

Como você acha que Al Horford precisa ser utilizado pelo Celtics? A maior culpa é de quem? Do próprio Horford (pela passividade), dos companheiros de time (por não envolvê-lo mais vezes no jogo), de Stevens (por utilizar um plano de jogo que não extrai o máximo do dominicano) ou de Danny Ainge (por não ter trago um reforço para o garrafão, que ajudasse Horford a atuar mais na área próxima à cesta)? Opine abaixo.

Rômulo Portugal
Rômulo Portugal

Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

12 Comentários

  1. Kenderson disse:

    O fato é que o Celtics na TD se preocupou em negociar com estrelas e não percebeu nossa maior carência que é um bom PF pra que Horford pudesse ter um desempenho melhor perto do garrafão como um Center all star . Não acho correto sacrificar uma estrela fora do seu “habitat” que é na posição 5. Tem ainda o terrence Jones como FA. Dá pra trazer

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  2. Fernando C Silva disse:

    Rômulo, parabéns pelo texto.

    Mesmo antes do Phabio rasgar o Stevens, o que não acho que seja o caso, alguns colegas tem questionado o unidemensionamento do ataque.

    O ideal é temperar as jogadas de perímetro com a área pintada.

    Podemos centrar pelo menos 30% mais nosso jogo no garrafão, hoje quase inexistente.

    Não só o AH vai crescer com a mudança de postura, o Amir também.

    A produção do Amir nesse sistema é outro dado a ser observado.

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  3. Gustavo Miglioretti disse:

    Nao acho que nao esteja rendendo nao… isso aí é o Horford, tá fazendo o que sempre fez na NBA… ele é apenas um complemento, nunca vai ser FP ou algo do tipo. Mas é um excelente complemento, versátil e inteligente. Só poderia ter uma média de rebote melhor… 6.5 pra um big man que joga 30 mins é pouco

    Teve várias partidas na temporada que ele participou pouco do ataque, arremessando.. mas sempre participou criando pros companheiros… ontem ele realmente desapareceu, nem com os passes ele se destacou… eu dou mérito ao Raptors que defendeu muito bem no 2 tempo. Thomas talvez tenha feito a sua pior partida da temporada mesmo chegando aos 20 pontos.

    Essas coisas sao corrigidas de jogo a jogo, aposto que ele vai ter uma boa partida contra o Pistons

    Mas nao esperem muita coisa dele… esses 15/7/4 é o que ele sempre fez, esqueçam o salário alto, com esse novo CAP qualquer jogador all star vai ganhar proximo disso

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  4. Barros disse:

    Em Atlanta jogava com o Millsap, já em Boston joga com Amir. FIM

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    • A questão nem é a qualidade de seu companheiro e sim a posição.

      Em atlanta ele era pivô, em Boston o Stevens sei lá porque inventou Amir de pivô e ele de PF…aí fica difícil.

      Horford jogou quase toda a carreira da NBA de Pivô. Ele está adaptado a aquela posição. Como PF já ta mais do que provado que ele ta perdido e o Stevens continua insistindo.

      Um dos melhores momentos do Horford em Boston, foram quando Jerebko foi titular, empurrando Horford pra 5

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      • Luiz Amaro disse:

        Perfeito Daniel. O dilema do cobertor curto…desloca o AH para PF e perdemos um ótimo center pra ter um PF mediano. E ainda assim continuamos com problemas no rebote mesmo jogando com dois pivôs. Na minha opinião, o melhor seria maximizar o que temos de melhor, que são jogadores de perímetro com defesa sufocante e intensa troca de passes.
        Assumi o Small e vai de IT, AB, Smart, Crowder e AH… claro que em determinados momentos/jogos vai ter que jogar com dois pivôs de ofício, mas em outros momentos, os adversários terão que se adaptar ao nosso estilo.

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        • Fernando C Silva disse:

          Correto. AH na 5 é o ideal. Vamos ter problema na 4, mas o Stevens pode revezar. Tem partida que o Crowder vai resolver, outras o KO, outras o Jerebko e outras vamos perder sabendo do buraco na posição.

          Mas, se o AH jogar na 5 e tiver que espaçar quadra e chutar de 3… vai continuar mandando uma tijolada por jogo e um air ball.

          AH na 5 e um pouco mais de jogo de garrafão. Deixa o Amir no bench e vamos revezando na 4.

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  5. Paulo disse:

    O Terrence Jones demonstrou desejo de jogar no Celtics. Poderá vir e jogar na 4 da primeira unidade. JJ8 perderia tempo de quadra, o que já seria uma evolução gigantesca para nós. Isso se não for dispensado com a vinda do mesmo.

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  6. Ranieri disse:

    Bom galera como eu já falei em outros post não dá pra o Al jogar na posição ele não tem a explosão e nem a velocidade pra tá marcando o seu matchup na entrada do garrafão e brigar pelo rebote, a não ser que a bola espirre pra fora da área pintada, o que eu acho é que o fato de ter um pick and roll e um pick and pop mas eficiente que o Amir, fora o arremesso faz com que ele jogue na posição 4, fora a importância dos bloqueios do Al para as infiltrações do IT, Amir não tem a qualidade pra fazer isso, por isso se não me falhe a memória o Al teve uma relativa melhor nos jogos em que começou o jogo com Jerebko ao seu lado onde ele ficou mas perto do garrafão, ja defensivamente seja a ser indiscutível a qualidade do Al porém tem alguns jogadores velozes e explosivos na posição 4 na liga que podem tirar vantagem desse aspectos dele, eu acho que o ideal seria Danny tentar logo os dois, Jones e Bogut, ambos seriam complementos perfeitos para Al seja ele jogando na 4 ou na 5, acho que os contratos tanto de Amir como de Zeller tenha o mesmo valor que tinha antes da tradedeadline, tbm não sei se pode ter um buyout nos 3, mas eu faria se possivel

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