12

fevereiro

2017

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Brad Stevens tem um novo desafio: melhorar a defesa do Celtics

O Boston Celtics vive uma curiosa situação na temporada 2016/2017.

Essa afirmação se baseia no fato de que a franquia corresponde as expectativas que lhe foram colocadas antes do começo da competição, ao ocupar a segunda colocação do Leste, mas também desaponta a todos, ao chegar a esse posto com uma das piores defesas da liga, setor esse que era um dos mais fortes da NBA até o último ano.

Em 2015/2016, vimos a defesa celta carregar um ataque anêmico aos playoffs. Com a chegada do dominicano Al Horford, a perspectiva era que o Celtics deixasse de ser uma das melhores defesas e virasse a melhor de toda a liga. Infelizmente, esse cenário não ocorreu, mas, sim, o oposto: o maior campeão da NBA tornou-se um time fraco defensivamente e, se chegou à vice-liderança do Leste, muito se deve ao seu forte ataque.

Como já noticiado anteriormente, o grande problema defensivo do Celtics são os rebotes. O elenco da equipe não possui um reboteiro que seja sequer mediano nesse quesito, o que faz com que Boston permita muitas segundas chances para os adversários pontuarem. Por via de consequência, cedo ou tarde, as outras franquias vão conseguir seus pontos.

Desse modo, superada a discussão sobre nossa fraqueza nos rebotes, também devemos encarar outros regressos ocorridos, ao compararmos a defesa atual com a da última edição da liga. Em 2015/2016, o Celtics era mais frágil na proteção do seu aro e cedia pontos no garrafão com mais frequência. Como remédio para isso, o maior campeão da NBA fazia questão de sempre ser a equipe mais aguerrida em quadra, usando sua intensidade na defesa para forçar turnovers dos adversários (o Celtics foi a equipe que mais forçou erros dos oponentes na última temporada). Assim, Boston compensava os pontos fracos supracitados com sua raça, o que lhe alçou ao posto de uma melhores defesas da competição.

Todavia, na atual temporada, o Celtics não está mais conseguindo tantos roubos de bola e ainda não encontrou outro modo de elevar seu rendimento defensivo. Outrossim, a equipe não aparenta jogar com a mesma intensidade defensiva que apresentara em 2015/2016. Por fim, com as lesões insistindo em dar as caras em Boston, o time não consegue manter uma unidade titular por uma boa sequência de jogos, prejudicando o entrosamento da equipe. Destarte, os problemas vão muito além dos rebotes.

Por outro lado, o Celtics está com ataque digno de dar orgulho aos seus torcedores. Se no último ano, as bolas de longa-distância foram uma das principais causas para nossa precoce eliminação nos playoffs, em 2016/2017, vemos Boston ter uma das melhores movimentações de bola da liga e ser uma das equipes que menos comete desperdícios de posse na competição. Para concluir, vemos Isaiah Thomas se tornar o Rei do Quarto Período e jogar como nunca jogou.

No entanto, torcedores experientes e, até mesmo, o próprio Celtics sabem que é importante ter um bom ataque, mas que sem uma boa defesa, as esperanças de uma longa participação na pós-temporada podem ruir cedo mais uma vez.

Justiça seja feita: a defesa do Celtics tem mostrado avanços ao longo desta edição da NBA. Se por um lado, estamos condenados a ser um dos piores times da liga (quando o assunto são rebotes), por outro, vemos o progresso do maior campeão em outros setores.

Inicialmente, cabe frisar que não são avanços de encher os olhos, mas, hoje, a equipe de Massachusetts é a 9ª na liga, no ranking de média de pontos sofridos por jogo (105.8). Ademais, embora a franquia tenha caído, um pouco, em eficiência defensiva, nos últimos jogos, Boston permanece no meio do ranking, em mais esse quesito. Outrossim, o Celtics tem feito um trabalho decente, ao limitar o aproveitamento dos oponentes, nos arremessos, a 45.4%, que o deixa em 12° nessa análise. Por fim, o ponto mais forte da defesa celta é a proteção contra os arremessos de três. Por ter muitos defensores polivalentes, o Celtics, dificilmente, não contesta um arremesso de longa-distância realizado contra si. Por conseguinte, Boston permite apenas 34.5% de êxito aos rivais, quando tentam bolas de três. Tal rendimento o inclui no top-5 de defesas da liga contra esse tipo de arremesso.

Desta forma, ao compararmos a média de pontos sofridos pelo time, com o baixo aproveitamento dos adversários, em seus arremessos, percebemos como os rebotes têm sido prejudiciais para nossa equipe. Isso porque os dados expostos acima acusam que o problema não está na defesa celta contra a primeira posse de bola do oponente, mas, sim, nas posses extras, conseguidas atrás dos rebotes ofensivos concedidos. As outras equipes não nos derrotam pela eficiência, mas pelas novas oportunidades que possuem para pontuar. É a velha história do “água mole em pedra dura…”.

O Boston Celtics já se conscientizou que não vai melhorar sua defesa através dos rebotes, muito embora reconheça que esse seria o melhor caminho para voltar a ter uma defesa de elite. Logo, cabe a Brad Stevens encontrar um modo alternativo que alavanque o desempenho defensivo da equipe e que camufle seus pontos fracos.

Por ora, o ponto mais alarmante da defesa celta é a pequena capacidade de forçar erros dos adversários. Hoje, o Celtics é a apenas 15ª melhor franquia nesse quesito, ao forçar 13.6 turnovers por jogo. Portanto, eis a primeira área na qual o maior campeão da NBA deve mostrar progresso. E os torcedores celtas podem acreditar: há muito potencial para melhora nesse setor.

A última afirmação se deve ao fato de termos ótimos defensores individuais. Some isso à personalidade e à evolução demonstradas por Marcus Smart e Jaylen Brown, que cobrem as ausências dos titulares Avery Bradley e Jae Crowder, e percebemos que, quando tivermos todo o elenco saudável – o que deve ocorrer após o All-Star Break -, o teto para evolução será alto.

Brad Stevens está em sua quarta temporada a frente do comando do Celtics e, nas três anteriores, vimos avanços no jogo coletivo do time, após a parada para o Jogo das Estrelas. O Celtics ainda persegue o auge do seu potencial defensivo. Nos últimos jogos, vimos a segunda unidade do time aparecer, e bem, demonstrando estar pronta para ajudar a equipe a atingir seus objetivos.

Portanto, o intervalo concedido pelo All-Star Break pode fazer com que Stevens descubra como formar uma defesa impenetrável, estruturando-a nos três pilares defensivos do time titular (Bradley, Crowder e Horford), e como integrar a segunda unidade do elenco a esse sistema. O garrafão celta não tem muito mais a oferecer defensivamente, mas a versatilidade demonstrada por Brown e Smart e o dinamismo oferecido por Rozier podem ser de extrema utilidade para a melhora defensiva de Boston.

O cenário atual ainda não é para causar pânico, as nossas fraquezas de hoje são menos graves que as da temporada passada. Como dito ao longo da matéria, a intensidade defensiva deve aumentar, a fim de que melhoremos nosso rendimento desse lado da quadra. No entanto, como também exposto acima, essa não é a única solução para termos um time mais equilibrado, cabendo a Stevens encontrar esquema e rotação ideais, entre titulares e segunda unidade, a partir do momento em que tivermos todos disponíveis.

Brad Stevens já foi o quarto treinador mais votado para o prêmio de treinador do ano e acaba de ser eleito o comandante da Conferência Leste para o 2017 NBA All-Star Game. Que ele tem capacidade para extrair o máximo do elenco que dispõe, eu não tenho dúvidas. E acredito que você também não.

Que nosso treinador não desperdice o nosso voto de confiança.