15

abril

2017

17

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Celtics x Bulls – Análises e Palpites

Pela quinta vez na história, Boston Celtics e Chicago Bulls – duas das mais tradicionais equipes da NBA – vão medir forças no grande palco da maior liga de basquete do mundo: os playoffs.

De 1947 a 2017, Boston e Chicago já se enfrentaram 238 vezes, sendo que 221 partidas foram em temporadas regulares e o restante, obviamente, em pós-temporadas.

No histórico geral, o Celtics leva a melhor, ao ter derrotado o Bulls em 133 oportunidades, que, por sua vez, saiu vencedor em 105 jogos. Contudo, quando a análise é restrita aos playoffs, o domínio da equipe de Massachusetts é inquestionável: são 14 resultados positivos em 17 confrontos.

Abaixo, as quatro séries já disputadas entre Celtics e Bulls:

  • Semifinais da Conferência Leste de 1981: Boston Celtics 4 x 0 Chicago Bulls;
  • Primeira rodada da Conferência Leste de 1986: Boston Celtics 3 x 0 Chicago Bulls;
  • Primeira rodada da Conferência Leste de 1987: Boston Celtics 3 x 0 Chicago Bulls;
  • Primeira rodada da Conferência Leste de 2009: Boston Celtics 4 x 3 Chicago Bulls.

Por fim, para introduzir, da melhor maneira possível, o leitor à série porvir, o Celtics Brasil convocou alguns de seus colunistas para analisarem o confronto contra a equipe de Illinois e darem seus palpites sobre o resultado final da série. Confira abaixo a opinião de cada um dos nossos colaboradores.

Veja também o calendário detalhado da série, com dias e horários dos jogos, além de informações a respeito de suas transmissões na televisão.


Rômulo Portugal: Celtics 4×2 Bulls

Em seus 70 anos de vida, a NBA só viu o oitavo colocado derrotar o primeiro em cinco oportunidades. E, muito embora parte da mídia veja o Boston Celtics de 2017 como o pior primeiro colocado da história, não será desta vez que veremos o sexto triunfo do pior contra o melhor.

Contudo, não pense que a série será fácil. Para começo de conversa, Celtics e Bulls se encontraram quatro vezes na última temporada regular, tendo cada equipe vencido dois jogos. Outrossim, o elenco de Chicago tem algo que sobra por lá, mas falta por aqui: experiência em playoffs.

Eu sei, disputamos as duas últimas pós-temporadas (10 jogos se somarmos os dois anos), mas ainda não conseguimos superar a primeira fase. Falta descobrir o caminho das pedras. Quando olhamos para o plantel da franquia de Illinois, porém, vemos Jimmy Butler (32 jogos em playoffs), Rajon Rondo (94 jogos em playoffs e 1 título) e, claro, Dwyane Wade (166 jogos em playoffs e 3 anéis). Isso pesa e muito. Eles sabem os atalhos para conquistar a vitória na pós-temporada.

Ademais, conforme debatido na última edição do PodCeltics (que você pode ouvir aqui), cogitamos a possibilidade do poderoso Cleveland Cavaliers ter fugido do encontro com o nosso rival, que derrotou LeBron James e cia. em todas as quatro partidas disputadas em 2016/2017. Não dá para subestimar uma equipe dessa.

Todavia, não terminamos na primeira posição do Leste por acaso. Conforme ilustrado no texto de Marcus Smart, publicado na Players’ Tribune (e brilhantemente traduzido e trago ao Celtics Brasil pelo amigo Gustavo Arruda), o elenco desse ano é diferente: temos mais experiência, temos um Isaiah Thomas vivendo o melhor ano de sua carreira, mas, acima de tudo, temos mais fome. Queremos, mais do que nunca, avançar nos Playoffs. Isso também pesa, porque ninguém nos superará na vontade. Ninguém suará mais que a gente.

Partindo dessa premissa e do fato de termos um elenco (bem) mais qualificado que o do Bulls, é seguro dizer que 2017 será lembrado como o ano no qual tivemos a melhor chance de primeira escolha-geral do Draft, no qual conquistamos a liderança do Leste, mas também como o ano no qual, finalmente, rompemos a barreira da primeira fase dos playoffs.

Afinal, eles podem ter mais experiência (o que deve lhes render algumas vitórias), mas nós temos o mando de quadra, o melhor elenco e, acima de tudo, mais fome. Até à segunda rodada!


Bruno Penna: Celtics 4×2 Bulls

Jogo coletivo. Isaiah Thomas. Elenco de apoio.

Três fatores que colocam o Celtics em vantagem para o confronto contra o Bulls na primeira rodada dos Playoffs. Baseado nisso, meu palpite é que avançamos em 6 jogos. O ponto-chave para Boston reduzir as dificuldades do confronto reside na briga pelos rebotes. Nas 2 derrotas para o Bulls, durante a temporada regular, a equipe do Celtics sofreu demais com o alto garrafão do adversário, permitindo muitos rebotes ofensivos e, consequentemente, muitas segundas chances a Jimmy Butler e seus companheiros.

Para a sorte do maior campeão da NBA, a franquia de Illinois não conta mais com o ala-pivô Taj Gibson, trocado para o Oklahoma City Thunder na Trade Deadline. Sem os esforços de Gibson, o Bulls não deve ter essa mesma vantagem que teve nos dois jogos que venceu durante a temporada regular contra o Celtics.

Por outro lado, a equipe conta com jogadores experientes e que costumam crescer na pós-temporada – casos de Rajon Rondo e Dwyane Wade. É basicamente por isso que coloco Chicago com duas vitórias nessa série. Não me surpreenderia ver o Celtics levando essa série por 4 x 1, mas com Avery Bradley ainda buscando voltar ao seu melhor basquete (visto no início da temporada) e com as oscilações da equipe durante os jogos, a cautela me aconselha a apostar em um 4 x 2 com bons jogos disputados, o que dará ainda mais confiança para o jovem elenco do treinador Brad Stevens seguir seu caminho até às Finais de Conferência.


Daniel Emiliano: Celtics 4×1 Bulls

O 4×1 no palpite pode sugerir que será uma série relativamente fácil, o que no fim das contas, creio que não será.

Dá para contar nos dedos de uma mão quantas vitórias fáceis o Celtics teve durante a temporada regular (de cabeça, me lembro de três, apenas), e não vai ser nos playoffs que isso vai ser diferente.

Prevejo jogos suados, tensos, decididos nos minutos finais e com muita, MUITA catimba.

Mas embora o Bulls tenha jogadores experientes em playoffs, e, inclusive, alguns atletas que sobem muito de rendimento nessa fase, como Rondo, eu não vejo como o Bulls poderia vencer uma série de playoffs contra o Celtics.

Embora o placar entre as equipes na regular aponte um empate em 2×2, eu não creio que isso indique um equilíbrio entre as equipes suficiente para levar a série à sete jogos, por exemplo.

A primeira vitória do Bulls contra o Celtics foi logo na segunda rodada da temporada, onde o Celtics, vindo de back-to-back, e com jogadores longe de sua melhor forma física, ainda estava se adaptando a importantes mudanças no elenco (como a chegada de Horford e Brown, e a saída de Turner, que nos anos anteriores dividia com Thomas a responsabilidade da armação de jogadas).

A outra vitória do Bulls foi em partida onde o Celtics não contava com Bradley e Brown e sofreu um dos piores assaltos da temporada, por conta da arbitragem.

Já o Celtics, quando venceu, venceu de forma convincente, e no único jogo em que ambas as equipes estavam completas, o Celtics passeou com 20 pontos de vantagem, no que foi um daqueles três jogos fáceis que citei logo acima.


Fábio Malet: Celtics 4×1 Bulls

A superioridade do Boston Celtics sobre o Chicago Bulls é diretamente propocional a suas posições finais na Conferência Leste, após o término da temporada regular. Inclusive, acho uma varrida neste enfrentamento tão ou mais provável que o meu palpite de término da série em 5 confrontos. No entanto, preferi seguir os ensinamentos do Mestre Celso Juarez Roth, e adotei uma maior cautela no momento de definir um prognóstico.

O Boston Celtics não terminou como líder do Leste, com duas vitórias de vantagem sobre o segundo colocado, à toa. No contexto geral da conferência, a equipe do estado de Massachusetts foi a que teve o melhor desempenho na média dos seis meses de temporada regular. E esta vantagem pequena sobre os demais é até um pouco mentirosa. Ela poderia ter sido ainda maior.

O Celtics começou a temporada, em outubro, em uma desvantagem considerável em relação às demais equipes postulantes a liderança do Leste: enquanto Cleveland Cavaliers e Toronto Raptors mantiveram a base que os colocara com 57 e 56 vitórias, respectivamente, na ponta da conferência na temporada anterior, o Celtics mudava drasticamente sua equipe com a aquisição de Al Horford, e um novo sistema de jogo construído para encaixar o dominicano e beneficiar o jogo de Isaiah Thomas.

A equipe de Boston demorou a se acostumar com a nova equipe formada e começou a temporada com oscilações. Além disso, as lesões também perseguiram o Celtics. Al Horford no começo da temporada, Isaiah Thomas em dezembro, Crowder após o All-Star Game, um estranho surto de infecção alimentar e de virose, e principalmente, Avery Bradley, durante toda a temporada, atrapalharam a continuidade da equipe, que quase nunca permitiu a Brad Stevens ter o elenco todo a disposição.

Ou seja, as 53 vitórias de Boston, com o elenco completo e entrosado desde o começo, poderiam facilmente ter excedido as 60. Mas isso não importa tanto. Mesmo com estes contratempos, o Celtics terminou a temporada regular com a melhor campanha da conferência. A boa notícia é que o Celtics chega com o elenco completo, saudável, em condições plenas e bastante entrosado para o momento que realmente interessa: a pós-temporada.

Já o Chicago Bulls, por outro lado, é uma das equipes mais desorganizadas da NBA. Também pudera, a equipe do estado de Illinois tem um dos piores técnicos da liga, senão o pior deles. Fred Hoiberg só ganhou sobrevida no cargo por conta dos nomes experientes do Bulls, que tomaram as rédias do time e o levaram aos playoffs. Além da temporada espetacular de Jimmy Butler e da experiência vencedora de Dwyane Wade, deve-se destacar também Rajon Rondo, que foi importantíssimo para o Bulls pós All Star Game.

Rondo fez uma reta final de temporada estupenda. Relembrou o armador espetacular de Boston, com defesa sufocante e um general na quadra ofensiva. Só que ele ainda adicionou algo surpreendente ao seu jogo: as bolas de 3. Após a pausa para o Jogo das Estrelas, Rondo foi um dos dez melhores arremessadores de longa distância da liga, com 47% de aproveitamento. E como sabemos como Rajon cresce na época dos playoffs, ele é um dos jogadores que mais o torcedor do Celtics deveria temer.

Só que o elenco de apoio do Bulls é tão fraco quanto seu treinador. Ou seja, o Bulls dependerá exclusivamente de um dia inspiradíssimo do trio Rondo-Wade-Butler para conquistar uma vitória na série.

Nos quatro confrontos de temporada regular, Celtics e Bulls empataram com duas vitórias cada. Mas foram resultados bastante enganosos. Enquanto o Bulls jogou completo em todas as 4 partidas, o Celtics contou com todos os seus titulares em apenas um dos confrontos, no qual Boston venceu facilmente por 20 pontos. Além disso, em uma das vitórias do Bulls, o Celtics foi absurdamente assaltado pela arbitragem da partida, com uma chamada patética no último lance do jogo.

Em síntese, ficarei extremamente surpreendido se o embalado e saudável Celtics tiver dificuldades nesta série contra um cambaleante, instável e bagunçado Bulls.


Gustavo Arruda: Celtics 4×2 Bulls

Não vou mentir aos amigos leitores do Celtics Brasil (e torcedores de outras franquias que volta e meia espiam o que a gente comenta por aqui): abri um enorme sorriso quando vi que o Boston Celtics enfrentaria o Chicago Bulls no primeiro round dos playoffs em 2017. Perto de um Miami Heat que melhorou muito na reta final da temporada regular, um Indiana Pacers que foi muito bem em abril e um Milwaukee Bucks responsável por dois jogos difíceis contra o Celtics nesta edição da liga, o Bulls parece realmente ser um adversário mais tranquilo. Não fiquei feliz só pela maior facilidade (apenas teórica, bom deixar claro), mas também por essa ser uma série de duas camisas extremamente pesadas: de um lado, Boston com seus 17 títulos, e Chicago hexacampeão com o maior jogador de basquete de todos os tempos. O Bulls pode não viver o seu melhor momento, mas é um adversário que merece respeito.

O Boston Celtics chega a essa edição dos playoffs com a moral elevadíssima depois do primeiro lugar na Conferência Leste, mas não é só isso. O Alviverde tem um time calejado pelas eliminações nas últimas duas participações de pós-temporada, terá o mando de quadra, fato importante para um time que tem um caldeirão e ótimo aproveitamento em seus domínios, tem um experiente Al Horford pronto para ajudar, tem um Isaiah Thomas no modo MVP (“capeta em forma de guri”, diria Rômulo Mendonça), tem Avery Bradley para marcar, tem Jae Crowder querendo mostrar de qualquer jeito que não precisamos de Gordon Hayward ou Paul George. E de bônus, o time está mordido com os comentários deselegantes da imprensa norte-americana, que já chama o elenco comandado por Brad Stevens de “pior primeiro colocado da história”. Quando subestimado, esse time rende muito mais (o Warriors não me deixa mentir).

Já o Chicago Bulls… bom, peço perdão aos amigos torcedores da franquia de Illinois, mas é uma bagunça e não merecia a classificação para os playoffs. Merecia uma administração bem melhor, isso sim: Fred Hoiberg, que foi uma tentativa da diretoria do Bulls de repetir o fenômeno que foi Brad Stevens em Boston, é um treinador muito fraco. Além disso, o Bulls teve vários problemas de relacionamento durante a temporada, os dirigentes negociaram nomes como Taj Gibson e Doug McDermott a preço de uma bala Juquinha, o elenco sofreu com lesões, fora a desconfiança (óbvia) de todo mundo. Parece mais um time de tank, mas vai para os playoffs, levado pela camisa que jogou sozinha. Camisa pesada essa do Bulls.

Quem leu o parágrafo anterior, deve estar pensando: “mas Gustavo, vai ser 4 a 0 fácil para o Celtics, né?”. Errado. Além da tradição do Bulls, temos que levar em conta que Chicago tem dois nomes experientes em playoffs: Rajon Rondo (que a lei do ex não nos ataque) e Dwyane Wade. Além disso, tem Jimmy Butler, que é um jogador espetacular, e Robin Lopez, que pode aproveitar a notória fragilidade do garrafão celta e atrapalhar nossa vida. O confronto direto na temporada regular também serve de alerta: foram duas derrotas celtas para o Bulls em quatro jogos. Ok, em um deles o Celtics estava desfalcado, e no outro foi assaltado, mas fica a lição.

Enfim, entre mortos e feridos, acho que o Celtics vai se salvar, mas não sem aquela dose de sufoco e drama que todo torcedor verde e branco conhece muito bem. Boston fez uma grande campanha, mas foi muito inconstante em alguns momentos, acredito que isso se repetirá nessa série contra o Bulls. Como tem muito mais time, acredito que o Celtics acorda para a vida a partir do jogo 5 e fecha a série em um jogo 6, que será em Chicago. A princípio, parece ruim, até mesmo decepcionante, mas vai fortalecer demais a mente da equipe para o restante da competição. Sem falar na doce lembrança de 2008: o Celtics foi campeão, mas só foi eliminar um Atlanta Hawks com campanha negativa no jogo 7. Se o preço pelo 18º título for o sofrimento até mesmo contra um Bulls bagunçado… vamos lá, que a gente aceita sorrindo.