Celtics x Knicks – Parte 3 (Final)

Com o fim da Era Bird, em 1992, e a trágica morte de Reggie Lewis, no ano seguinte, o Celtics sofreu, por anos, atrás de um franchise player. Um ídolo que fosse capaz de traçar os mesmos passos de Bill Russell e Larry Bird. A equipe de Boston acreditou que esse jogador fosse Antoine Walker.

Walker foi draftado pelo Celtics, em 1996, com a sexta pick daquele recrutamento. Jogou por 8 anos, pelo maior campeão da NBA, sendo eleito para o time de calouros em 1997, além de liderar a franquia em pontos e rebotes naquela que foi a pior temporada da história da franquia (67 derrotas em 82 jogos). Na temporada seguinte, Antoine Walker havia sido eleito para o All-Star Game, ratificando o seu desenvolvimento na liga. Contudo, o General Manager, da época – Chris Wallace -, acreditava que Walker e o Celtics precisavam de mais um grande jogador.

Sob esse cenário, Paul Pierce, ala oriundo da Universidade de Kansas, foi draftado, com a décima pick, no ano de 1998. Walker e Pierce conseguiram um relativo sucesso juntos, levando a franquia a disputar, pela primeira vez desde 1988, a Eastern Conference Finals de 2002, perdendo para o New Jersey Nets, de Jason Kidd, em 6 jogos. Já em 2003, o Celtics mudou por completo. Foi adquirido por um novo grupo de empresários (que permanecem até hoje), bem como contrataram o ex-jogador Danny Ainge para substituir Chris Wallace, como GM da equipe. Por fim, Ainge acreditava que o elenco celta havia atingido o seu clímax e, por isso, trocou Antoine Walker com o Dallas Mavericks. Ainge havia dado o recado: o Celtics seria, sob a gerência dele, o time de Paul “The Truth” Pierce.

Após difíceis anos entre 2004 e 2007 (sendo que nesse último, o Celtics sofreu com a morte da lenda Red Auerbach, com a grave lesão de Paul Pierce e com a campanha de 24 vitórias em 82 jogos), Ainge resolveu implodir o time e, naquela offseason, fez duas transações importantíssimas para a história da franquia: adquiriu o ala-armador Ray Allen e o ala-pivô Kevin Garnett. Com esses dois craques juntando-se ao, já ídolo, Paul Pierce, Ainge e a cidade de Boston declararam: ”temos um novo Big 3 em Boston!”

Em sua primeira temporada, o novo Big 3 proporcionou aos fãs celtas a maior reviravolta de uma equipe na história da NBA: Boston que havia tido a campanha de 24-58, na temporada anterior, terminou a season de 2007/2008 com 66 vitórias e apenas 16 derrotas, sendo o time de melhor desempenho na temporada regular. No final dessa temporada, o Celtics acabou conquistando o 17º título de sua gloriosa história, tendo Paul Pierce, a aposta de Ainge e de Boston, sido coroado o MVP Finals naquela oportunidade.

O New York Knicks, por sua vez, após o fim da era Ewing, em 2000, entrou na pior fase de sua história. O Knicks ficou sem vencer uma única partida de pós-temporada por 11 anos (de 2001 a 2012). Nesse intervalo de tempo, viu o ressurgimento do rival de Boston, que, na mesma temporada que conquistou seu último título, derrotou a franquia da Big Apple por um impiedoso placar de 104×59, em 29/11/2007, no TD Banknorth Garden. Por muito pouco, o Celtics não foi o responsável pela menor pontuação da história dos Knickerbockers (Nate Robinson acertou uma cesta de 3, do meio da quadra, no último segundo, impedindo a concretização do recorde negativo).

Após assistir a mais uma ida do Celtics a NBA Finals, em 2010, o Knicks resolveu largar o papel de coadjuvante na liga, ao adquirir o All-Star Amar’e Stoudemire, na offseason para a temporada de 2010/11. Durante essa season, Celtics e Knicks fizeram um dos jogos mais memoráveis dos últimos tempos, no qual a franquia de Boston levou a melhor, em pleno Madison Square Garden, por 118×116, com um game-winner de Paul Pierce, a quatro décimos do estouro do cronômetro. Não satisfeito com a aquisição de Stoudemire, o Knicks, ainda em 2011, resolveu, novamente, ir às compras e trouxe um dos melhores jogadores da liga: Carmelo Anthony. Agora, o time nova-iorquino achava-se capaz de fazer frente ao Big 3 de Boston.

O destino tratou de proporcionar, aos fãs do basquete, o reecontro entre as franquias nos Playoffs de 2011, para decidir quem era o Rei da Divisão do Atlântico. Pobre Knicks. Pela primeira vez na história, houve uma varrida na série entre as franquias. Após ganhar o Game 1, em Boston, com uma cesta decisiva de Ray Allen, a 15 segundos do fim, o Celtics sobrou no restante da série, prologando o sofrimento e a freguesia nova-iorquinas.

Após a saída de Ray Allen, em 2012, e o inevitável envelhecimento de Pierce e Garnett, Rajon Rondo assumiu, de uma vez por todas, o papel de franchise player em Boston. Pelo lado de New York, o Knicks continuava se reforçando, com a contratação do imponente pivô Tyson Chandler e do guard J. R. Smith. Os ares começavam a mudar de direção na Divisão do Atlântico. O Boston Celtics, que havia conquistado todos os títulos de divisão na era Big 3 (2008-2012), perdeu o posto para o rival de New York em 2012/2013. Entretanto, isso não bastava para o Knicks. Eles precisavam exorcizar o fantasma da freguesia e se vingar da varrida de dois anos atrás. Assim, Knicks e Celtics se encontraram, pela 15ª vez, nos Playoffs.

Após abrir um incontestável 3×0 na série, o Knicks permitiu a reação celta, que, com duas grandes vitórias (com direito a OT no Game 4), voltou a acreditar na virada histórica. Nunca um time, na história da NBA, havia virado uma série após estar perdendo por 3×0. O Celtics buscou inspiração no baseball, esporte no qual o Red Sox já havia realizado tal feito sobre o eterno rival Yankees. Entretanto, o tabu persiste na NBA. Após debocharem nos dois jogos anteriores (o elenco do Knicks chegou a vestir-se todo de preto, às vésperas do Game 5, em alusão ao enterro/à eliminação, do Celtics), o time nova-iorquino concentrou-se no jogo 6, em Boston, e evitou um eventual Game 7 no Madison Square Garden. Apesar da inesquecível recuperação celta, no 4º quarto (quando chegou a fazer um run de 20-0), o Knicks, através de Carmelo Anthony, conseguiu assegurar a vitória. Foi a primeira vitória de uma série de Playoffs, do time de New York, desde 2000.

Esse foi o definitivo fim do Big 3 de Boston. Foi a última partida de Paul Pierce e Kevin Garnett com a camisa do maior campeão da NBA. Paul Pierce despediu-se do Celtics, após 15 anos, sendo o segundo maior cestinha da história da franquia. KG saiu, deixando aceso e mais vivo que nunca o Celtics Pride. Ademais, uma coisa é certa: fatalmente, teremos as camisas 34 e 5 aposentadas em um futuro bem próximo. O Celtics começou o sempre difícil rebuilding em 2013/2014. O Knicks rejuvenesceu seu elenco, após as saídas de diversos veteranos, acreditando no título e entrando na temporada como Contender. E, amanhã, farão o primeiro duelo da temporada, brigando pela liderança da Divisão.

Tivemos a Era Russell, a Era Bird e a Era Pierce contra o Knicks. Será Rajon Rondo o eleito para continuar essa história? A torcida do Celtics aguarda ansiosamente por essa resposta.

 

 

Rômulo Portugal
Rômulo Portugal

Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

4 Comentários

  1. Rafael Taborda disse:

    Acredito que Rondo fará uma Era a mais para o Celtics… Impossível não se emocionar com a era Pierce e principalmente nos Games Winners e Contests Shots deles…!

    0

    0
  2. luiz eduardo disse:

    belisseo texto cara, parabéns !

    0

    0
  3. […] deem uma conferida na trilogia especial que o Celtics Brasil fez sobre essa eterna rivalidade entre Celtics e Knicks. Tweet (function() { var po = document.createElement('script'); po.type = 'text/javascript'; […]

    0

    0

Deixe um comentário