06

abril

2015

17

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Celtics x Pistons – Parte 2

Na próxima quarta-feira (dia 08/04/2015), Boston Celtics e Detroit Pistons realizarão o terceiro, e último, confronto entre as equipes na temporada 2014/2015. Até o momento, cada equipe saiu vencedora em um jogo, na atual temporada. Entretanto, o equilíbrio na rivalidade, entre essas históricas franquias, vem de longa data, como começou a ser mostrado por esse especial, em sua Parte 1, que terminou com o encontro entre Celtics e Pistons, na 1987 Eastern Conference Finals.

As expectativas para um novo encontro, entre Celtics e Pistons, monopolizavam as atenções no Leste. Claro, havia outras equipes fortes, com jogadores geniais, cabendo citar o Bulls de Michael Jordan, o 76ers de Charles Barkley e o New York Knicks, de Patrick Ewing. No entanto, todos sabiam que a temporada regular seria apenas o aperitivo para o prato principal que viria nos Playoffs: a revanche entre Boston e Detroit.

Precavidos e dispostos a não facilitar o trabalho do rival, ambas as franquias se reforçaram para a temporada 1987/1988. O maior reforço da franquia de Massachusetts veio no 1987 NBA Draft, através da 22ª escolha daquele recrutamento, convertida em Reggie Lewis, que seria visto, anos depois, como o sucessor de Larry Bird. A franquia do Michigan, por sua vez, teve como maior reforço a vinda de James Edwards, através de uma troca com o Phoenix Suns, durante aquela temporada.

Confirmando as expectativas, Celtics e Pistons sobraram no Leste, ao terminarem, respectivamente, em 1º e 2º colocados da forte Conferência. A equipe de Boston terminou com uma campanha de 57 vitórias em 82 jogos, mostrando que ainda tinha apetite por títulos e estava disposta a caminhar rumo a sua quinta NBA Finals consecutiva. O Pistons não ficou muito atrás, ao terminar a temporada regular com 54 vitórias (o recorde de vitórias da franquia, em uma única temporada, até então). Outrossim, o Pistons já havia posto fim a um jejum durante a temporada regular: depois de 33 anos, a equipe de Isiah Thomas voltava a ser campeã da divisão Central. Contudo, isso era pouco para o elenco que o Pistons tinha. Era pouco para a gana e desejo de vingança – contra o Celtics – que aquele time tinha.

Tamanha superioridade, de ambas as equipes, só poderia resultar em uma coisa: Celtics e Pistons encontrar-se-iam, pela terceira vez (em 4 anos), nos Playoffs. Pelo segundo ano consecutivo nas Finais do Leste. O Detroit Pistons já sabia o que o aguardava: um time lendário e uma torcida apaixonada que, juntos, impunham medo e transformavam a Eastern Conference Finals em algo hostil e difícil. No entanto, quem melhor para lidar com hostilidade e dificuldade, do que um time conhecido como Bad Boys? O Pistons, que havia chegado àquelas Finais do Leste com um retrospecto de 21 derrotas consecutivas em Boston, pôs fim ao reino de Bird e cia. no Leste, ao derrotar o Celtics por 4×2 naquela série. O Celtics sentiu a derrota, só voltando a disputar uma final de conferência já no novo milênio.

Aquela série ficou marcada por uma série de fatores. Como dito, o Pistons sempre sofria ao ter que enfrentar o Celtics no extinto Boston Garden. Entretanto, Isiah Thomas e cia. usaram aquela temporada para exorcizar todos os fantasmas do passado: a equipe de Detroit conseguiu 2, de suas 4 vitórias naquela série, em Boston, nos jogos 1 e 5. Não obstante, conseguiram algo até então inimaginável na NBA: a forte defesa dos Bad Boys conseguiu neutralizar o eterno ídolo celta (e um dos melhores arremessadores da história) Larry Bird. O camisa 33, que havia terminado a temporada regular com 29.9 pontos por jogo, de média, viu-se limitado a 19.8, por jogo, naquela série, com um aproveitamento sofrível de 35.1% nos arremessos e ridículos 28.6% nas bolas de 3. O Pistons deixou bem claro o seu recado: o reinado de Bird havia acabado; O Leste tinha um novo dono. A seguir, os melhores momentos (incluindo uma briga provocada por Dennis “The Worm” Rodman) do fatídico jogo 6 da 1988 Eastern Conference Finals:

O jogo 5 foi o ponto decisivo naquela série. O Celtics chegou a liderar a partida por 16 pontos, mas a forte defesa de Detroit, somada ao bom desempenho ofensivo de Isiah Thomas (o camisa 11 marcou 29, de seus 35 pontos, no segudo tempo daquele confronto), recolocaram os Bad Boys no jogo, que venceram na prorrogação por 102×96. Assim, o Pistons chegava a sua primeira NBA Finals, mas o final não foi feliz: a franquia caiu para o Los Angeles Lakers, de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar, em 7 jogos. O fato mais histórico, daquela série, ocorreu no Game 6, quando Isiah Thomas, apesar de uma gravíssima torção de tornozelo sofrida, não só continuou no jogo, como terminou o duelo com 43 pontos (sendo 25 apenas no 3º quarto) e 8 assistências, em uma das atuações individuais mais famosas, até hoje, ocorridas na NBA Finals.

A temporada seguinte – 1988/1989 – representou uma série de mudanças para ambas as franquias. O Celtics, desolado após a queda para os Bad Boys, na temporada anterior, sofreu diversos golpes antes e durante a citada temporada: o treinador K. C. Jones anunciou sua aposentadoria durante a offseason, e o capitão Larry Bird só foi capaz de disputar 6 partidas naquele ano, já que foi submetido a cirurgias em cada um dos seus pés. Aquela temporada começou a marcar o declínio físico do camisa 33 de Boston. O Pistons, por sua vez, continuava perseguindo o primeiro título da franquia, mas passou a contar com uma nova casa a partir daquele ano: o Pistons saía do Silverdome e passaria a realizar seus jogos no famosíssimo The Palace of Auburn Hills, sua casa até os dias de hoje.

Contudo, as mudanças em Detroit não pararam por aí. Durante a citada temporada, o Pistons realizou mais uma polêmica troca, ao enviar Adrian Dantley, um dos jogadores mais queridos da torcida, para o Dallas Mavericks. Em troca, a franquia do Michigan recebeu o ala Mark Aguirre. A torcida, inicialmente, não viu essa troca com bons olhos, mas ao final da temporada regular, com o Pistons vencendo 63 jogos e sendo o 1º do Leste, a torcida viu que o time estava pronto para dar o próximo passo e marcar seu nome entre os times campeões da NBA.

Para alcançar essa glória, no entanto, o Pistons precisava, novamente, percorrer as fases dos Playoffs. E, logo de cara, voltaria a reencontrar seu habitual rival, o Boston Celtics. Contudo, aquele era um Celtics desconfigurado, com novo treinador e sem rosto, já que Bird estava fora da temporada. O maior campeão da NBA só chegou aos Playoffs como 8º colocado, com uma campanha modestíssima de 42-40, sendo presa fácil para os novos donos do Leste: o Pistons varreu o Celtics, com um impiedoso 3-0 na série. Naquele ano, o Pistons também reencontraria o Los Angeles Lakers, na NBA Finals, mas tratou de por um final diferente: assim como fez com o Celtics, no First Round, o Pistons varreu o Lakers na 1989 NBA Finals, tendo seu ala-armador Joe Dumars como MVP Finals. Foi a última temporada do lendário pivô Kareem Abdul-Jabbar, do Lakers. Era o primeiro título dessa histórica franquia, conquistado de forma incontestável, já que varreu as 2 melhores equipes da década de 80: o Celtics do primeiro Big 3 (Bird, McHale e Parish) e o Lakers Showtime (de Magic Johnson, James Worthy e Kareem Abdul-Jabbar).

Na temporada seguinte, apesar de contar com o retorno de Larry Bird, o Celtics voltou a cair no First Round dos Playoffs, dessa vez para o emergente New York Knicks, liderado por Patrick Ewing. O Pistons, por sua vez, vivia sua melhor fase, já que era o atual campeão e foi competente ao defender seu título, conquistando o bicampeonato em 1989/1990, sendo apenas a segunda franquia, desde os anos 60, a conseguir tal feito (a outra foi o Lakers, em 1987 e 1988). Dessa vez, os Bad Boys derrotaram o fortíssimo Chicago Bulls, de Michael Jordan, Scottie Pippen e Phil Jackson, na Eastern Conference Finals, em uma série de 7 jogos, fazendo uso das famosas “Jordan Rules”. Na NBA Finals daquele ano, o Pistons venceu o Portland Trail Blazers, em 5 jogos.

O último encontro entre o Boston Celtics, de Larry Bird, e o Detroit Pistons, de Isiah Thomas, nos Playoffs, ocorreu na temporada 1990/1991. O Celtics, mais uma vez, com novo treinador (dessa vez, o responsável era Chris Ford, ex-jogador celta), foi capaz de ressurgir no forte Leste, ao terminar a temporada regular como 2º colocado, a frente do próprio bicampeão Detroit Pistons, que terminara em 3º. Dessa vez, o duelo ocorreu nas semi-finais do Leste e, assim como em 1988, o Celtics tinha a vantagem do mando de quadra. No entanto, isso não foi suficiente para impedir que o Pistons, pela terceira vez consecutiva, viesse a eliminar o maior campeão da NBA. Os elencos já estavam envelhecidos e não eram mais os mesmos de outrora, tendo como grandes provas disso, as modestas médias de Larry Bird naquela série ( apenas 13.4 pontos e 6.0 rebotes, por jogo) e o fato de Thomas ter participado apenas de 4 dos 6 jogos do duelo (sendo que, em 2 partidas, veio como reserva), já que encontrava-se abaixo de suas condições físicas ideais, por ter operado o pulso pouco antes do começo da pós-temporada de 1991.

O Detroit Pistons viu seu sonho, de disputar sua terceira final consecutiva, ser destroçado pelo Chicago Bulls, que, depois de 3 reveses seguidos nos Playoffs, enfim, derrotava o arquirrival do Michigan, caminhando rumo ao seu primeiro título naquele ano. A série entrou para a história, não apenas por ter sido a primeira vitória de Jordan, em pós-temporada, sob os Bad Boys, mas pelo ato simbólico que ocorreu no jogo 4 daquela série. Próximo do fim do jogo, e da eminente eliminação por varrida para o arquirrival, os Bad Boys de Detroit se recusaram a aguardar o término da partida, e saíram de quadra, virando as costas para Jordan e cia., a fim de evitar cumprimentá-los, como ato de fair play. Confiram a partir de 7:00:

Esse ato histórico também teve seu lado simbólico: representou o fim da Era Bad Boys em Detroit. Nas temporadas seguintes, aos poucos, o elenco foi se desfazendo, tendo alguns de seus jogadores-chaves se aposentando (como Laimbeer em 1993, e Thomas em 1994), e outros sendo trocados ( casos de James Edwards, Vinnie Johnson, John Salley e Dennis Rodman).

O Boston Celtics também viu seu elenco histórico ser desfeito aos poucos. Tudo começou em 1992, com a aposentadoria do hall-of-famer Larry Bird, logo após as Olimpíadas de Barcelona. No ano seguinte, o Celtics perdeu os ídolos Kevin McHale e Reggie Lewis (o primeiro se aposentou e o segundo, tragicamente, faleceu). Por fim, em 1994, Robert Parish, o último integrante do lendário Big 3 Celta, saiu de Boston, ao acertar com o Houston Rockets.

Novos (e difíceis) tempos aguardariam Celtics e Pistons, durante a década de 1990, quando encarariam temporadas pouco vitoriosas, com elencos indignos de vestirem a mesma camisa que aqueles, que tanto as honraram, vestiram na década anterior. Contudo, como franquias fortes que são, Celtics e Pistons ressurgiriam, mais uma vez, no novo milênio, sendo capitaneados por novos ídolos e escrevendo novos capítulos de glórias e, claro, rivalidades entre as equipes.

A parte final dessa trilogia, que tratará sobre os recentes ídolos e duelos entre as franquias, sairá ainda essa semana, pouco antes do 362º confronto entre Boston Celtics e Detroit Pistons. Não percam!