15

setembro

2014

5

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Copa do Mundo de Basquete – Seleção da Competição

No último domingo, dia 14 de setembro, deu-se por encerrada a Copa do Mundo de Basquete 2014, colocando mais uma vez os Estados Unidos no lugar mais alto do pódio. Para finalizar a cobertura do Celtics Brasil deste Mundial, iremos fazer um compilado do que de melhor aconteceu na competição.

Classificação Final

1º – Estados Unidos
2º – Sérvia
3º – França
4º – Lituânia
5º – Espanha
6º – Brasil
7º – Eslovênia
8º – Turquia

Seleção da Competição

Escolher a seleção desta Copa do Mundo de Basquete não foi uma tarefa fácil. Houve muito equilíbrio entre várias das equipes, com todas elas possuindo jogadores com performances muito boas e num mesmo nível. Já a seleção americana, que teve um desempenho muito superior às demais, possui um conjunto muito sólido, sendo muito difícil escolher um destaque em seu elenco. E ainda aconteceram grandes atuações individuais em seleções mais fracas. Jogadores que carregavam a performance destas equipes, realizando uma grande partida, mas que, no fim, não levaram sua seleção a lugar algum.

Dito isto, a seleção a seguir contará com dois armadores, dois alas e um pivô, escolhidos por suas performances individuais durante a competição, mas também pesando o resultado final de sua seleção.

Kyrie Irving (Estados Unidos) – Armador – *MVP*

GP Min FG% 3P% FT% Reb Ast Stl Blk Pts TO Eff
9 24,3 56,2% 60,9% 83,3% 2,6 3,6 1,9 0,1 12,1 1,6 14,7

Como dito anteriormente, foi difícil escolher destaques individuais na seleção americana, devido à sua equipe homogênea e com atuações muito semelhantes de seus jogadores e uma ótima rotação comandada pelo técnico Mike Krzyzewski. Porém, Kyrie Irving destacou-se na reta final da competição, onde o nível do jogo das seleções acaba sendo mais elevado. Suas três melhores partidas na competição foram nos últimos três confrontos, contra Eslovênia, Lituânia e Sérvia. Na final contra a Sérvia, esteve soberbo. Fez 26 pontos, acertando 10 de seus 13 arremessos, deu quatro assistências e esteve perfeito da linha dos três pontos, convertendo todos seus seis arremessos. Enquanto esteve em quadra, os EUA fizeram 35 pontos a mais do que a Sérvia e sua eficiência na partida foi incrível, terminando com 27 nesta estatística.

Milos Teodosic (Sérvia) – Armador

GP Min FG% 3P% FT% Reb Ast Stl Blk Pts TO Eff
9 27,3 55,4% 47,9% 81% 2,1 4,4 0,9 0 13,6 2,6 14,3

Outro que se destacou na fase final da competição. Chegou a começar no banco em quatro partidas da fase de grupos, onde a sua equipe teve duas derrotas. Já na segunda fase, foi titular em todas as partidas e o maestro da equipe que acabou por ser coroada com a segunda colocação da competição. Só não conseguiu fazer boa partida na final, devido ao grande desempenho defensivo dos Estados Unidos. Nas quartas-de-final, contra o Brasil, foi o principal carrasco do massacre imposto pela Sérvia na nossa seleção. Foi ele que bateu os quatro lances livres da falta técnica dupla no banco do Brasil, momento este que sepultou as chances do Brasil de dar reviravolta na partida. Na semifinal, foi o maior pontuador da Sérvia que derrotou a França em um dos melhores jogos da competição. Seus 47 pontos nas duas partidas supracitadas, ajudaram a Sérvia a chegar em uma final inesperada com os Estados Unidos.

Nicolas Batum (França) – Ala

GP Min FG% 3P% FT% Reb Ast Stl Blk Pts TO Eff
9 29,1 48,9% 32,6% 78,8% 3,1 1,3 1,3 0,4 14,6 1,6 13,2

Batum foi o maior destaque da seleção francesa que ficou com a terceira colocação da competição. Mesmo tendo apenas 25 anos, teve que assumir papel de liderança em um grupo francês um pouco mais modificado e rejuvenescido em relação àquele que vencera o Campeonato Europeu de 2013. Diferentemente dos dois armadores desta seleção do campeonato, Batum destacou-se mais do lado defensivo da quadra do que do lado ofensivo. Foi o grande líder da excelente defesa que a França mostrou ao longo da competição e que, em sua melhor partida defensiva, parou o grande ataque espanhol na sua própria casa. Guardou seu grande arsenal ofensivo para as duas partidas finais, onde fez 35 pontos na derrota para a Sérvia na semifinal e 27 pontos na vitória apertada sobre a Lituânia na disputa do terceiro lugar.

Pau Gasol (Espanha) – Ala

GP Min FG% 3P% FT% Reb Ast Stl Blk Pts TO Eff
7 26,6 63,5% 27,3% 78,4% 5,9 1,4 0,4 2,3 20,0 2,7 21,7

Pau Gasol foi o líder de uma Espanha sólida, que encantou seus torcedores na fase de grupos e encheu-os de esperanças para um título em casa. O desempenho espanhol foi tão bom nos primeiros seis enfrentamentos que muitos já esperavam uma final épica, equilibrada e inesquecível entre Estados Unidos e Espanha. Só que a Espanha parou na ótima defesa francesa nas quartas de final. A seleção espanhola como um todo foi mal neste jogo, talvez pela pressão de jogar em casa, mas Gasol destoou dos companheiros. Sua regularidade no torneio foi tão impressionante, que mesmo neste jogo em que tudo para a Espanha deu errado, ele jogou bem. Liderou sua seleção por experiência e por exemplo. Teve ótimas atuações contra Brasil, Sérvia, Senegal e França (duas vezes). Foi o líder espanhol em pontuação. Todos ataques passavam por suas mãos. A sua gana de ganhar em casa e premiar os torcedores presentes no ginásio era enorme. Sua decepção também foi. Mas isso não apaga o que fez na competição, e por isso, está nessa seleção com méritos.

Jonas Valanciunas (Lituânia) – Pivô

GP Min FG% 3P% FT% Reb Ast Stl Blk Pts TO Eff
9 24,9 69,6% 0% 81% 8,4 0,6 0,1 1,0 14,4 1,6 19,8

Se a Lituânia cheg0u a mais uma semifinal de Copa do Mundo de Basquete, isso /e muito graças ao grande trabalho feito por Valanciunas no garrafão lituano. O pivô de apenas 22 anos é, ao lado de Donatas Motiejunas do Houston Rockets, o único jogador a jogar por uma equipe da NBA, o Toronto Raptors. Esta experiência no basquete americano de alto nível e o potencial por ele demonstrado, tornaram-no na maior esperança de sua nação e no líder técnico da seleção lituana. E ele correspondeu às expectativas, sendo o líder de sua seleção em pontos, rebotes, tocos e eficiência. Foi um pontuador sólido dentro do garrafão, brigou por inúmeros rebotes nos dois lados da quadra, permitiu segundas chances à sua equipe com rebotes ofensivos e foi um defensor muito eficiente, permitindo pouquíssima pontuação adversária dentro da área pintada. Ou seja, fez tudo o que a Lituânia esperava dele para que chegasse longe na competição.

Mike Krzyzewski (Estados Unidos) – Treinador

Tudo bem que ele tem o melhor material humano à disposição, mas a equipe americana que ele formou é excelente! É um grupo homogêneo onde todos os 12 jogadores do elenco mantém o alto nível do basquete praticado pelos demais. Tem grande habilidade para fazer uma rotação justa com todos e acomodar todas as estrelas do grupo. O trabalho defensivo da equipe é invejável (menos do Harden). Consegue adaptar jogadores que tem larga experiência com regras da NBA a jogarem nas regras da FIBA. O ataque é bem organizado, mas muito ajudado pela grande habilidade de seus jogadores e a precisão absurda de seus arremessadores. Enfim, tem todos os méritos de transformar grandes jogadores em uma equipe sólida e que ganhou a competição sem muito esforço.

Outros Destaques

Alguns jogadores que não estão na seleção dos melhores merecem alguma menção aqui, pela atuação que tiveram, e como disse, pelo grande equilíbrio no desempenho dos jogadores da competição.

Armadores

Goran Dragic (Eslovênia) – 16 pontos, 4,3 assistências
Bojan Bogdanovic (Croácia) – 21,2 pontos (3º melhor no quesito)
Petteri Koponen (Finlândia) – 15,8 pontos, 5,8 assistências (melhor no quesito)
JJ Barea (Porto Rico) – 22 pontos (melhor no quesito), 87,5 FT% (2º melhor no quesito)

Alas

Kenneth Faried (Estados Unidos) – 12,4 pontos, 7,8 rebotes, 63,7 FG% (melhor no quesito)
Luís Scola (Argentina) – 19,5 pontos (5º melhor no quesito), 8,5 rebotes (5º melhor no quesito)
Francisco García (República Dominicana) – 17,6 pontos, 61,1 FG% (3º melhor no quesito), 64,3 3P% (melhor no quesito)
Nemanja Bjelica (Sérvia) – 11,9 pontos, 6,9 rebotes

Pivôs

Andray Blatche (Filipinas) – 21,2 pontos (2º melhor no quesito), 13,8 rebotes (melhor no quesito)
Gorgui Dieng (Senegal) – 16 pontos, 10,7 rebotes (3º melhor no quesito)
Anthony Davis (Estados Unidos) – 12,3 pontos, 6,6 rebotes, 2,1 tocos (3º melhor no quesito)
Anderson Varejão (Brasil) – 8,7 pontos, 8 rebotes

Prêmios

Melhor Jogador – Kyrie Irving (Estados Unidos)
Melhor Reserva – Bogdan Bogdanovic (Sérvia)
Melhor Defensor – Nicolas Batum (França)
Melhor Treinador – Mike Krzyzewski (Estados Unidos)
Jogador Jovem (até 21 anos) – Anthony Davis (Estados Unidos)

Glossário

GP = Games Played – Partidas jogadas
Min = Minutes Per Game – Média de minutos jogados por partida
FG% = Field Goal Percentage – Porcentagem do aproveitamento de arremessos de quadra
3P% = 3-Point Percentage – Porcentagem do aproveitamento de arremessos de 3 pontos
FT% = Free Throw Percentage – Porcentagem do aproveitamento de lances livres
Reb = Rebounds Per Game – Média de rebotes por jogo
Ast = Assists Per Game – Média de assistências por jogo
Stl = Steals Per Game – Média de roubos de bola por jogo
Blk = Blocks Per Game – Média de tocos por jogo
Pts = Points Per Game – Média de pontos por jogo
TO = Turnovers Per Game – Média de desperdícios de bola por jogo
Eff = Efficiency Per Game – Média da eficiência do jogador por jogo