“Essa é para Boston”, por Isaiah Thomas

É engraçado, recém estava festejando.

Quando recebi a ligação de Danny (Ainge, presidente de operações de basquete do Boston Celtics), estava deixando o aeroporto – minha esposa, Kayla, e eu estávamos voltando de uma viagem onde celebramos nosso aniversário de um ano de casamento. Fomos para Miami por alguns dias – e agora, estamos voltando para Seattle, dirigindo para casa.

Eu perdi a chamada, devia estar fazendo algo no carro. Danny, então, deixou uma mensagem de texto.

“IT (Isaiah Thomas), me ligue quando puder.”

Soa de forma dramática, mas é, na verdade, uma mensagem de texto bastante normal de Danny. Poderia ser sobre qualquer coisa. Então, liguei de volta para ele, ainda dirigindo e não estava realmente pensando muito nisso. Ele sabia que eu estava em viagem, então, me perguntou algumas questões a respeito disso. Tenho certeza que ele perguntou-me como estava, talvez também como estava minha família. Novamente, você sabe, foi aquele tipo normal de conversa.

E então, em algum lugar do diálogo, ela estava como… não havia basicamente nada para falar. Houve uma pequena pausa na conversa. E foi quando ele me falou:

“Acabei de trocá-lo.”

Simples assim. Sem grandes palavras, sem grande discurso. Quando trata-se de assuntos péssimos como esse, não há muito o que dizer.

“Para onde?” Foi tudo o que consegui dizer.

“Para o Cavaliers, por Kyrie (Irving).”

E é quando… Você sempre está no telefone, e alguém fala algo… e então, completamente do nada, tudo o que você pensa a respeito é ‘Eu não quero estar no telefone mais?‘ E nem é de uma maneira rude. Apenas sua força de vontade de ter uma conversa acabou. E foi assim para mim naquele momento.

Danny começou falando sobre tudo o que fiz pela cidade de Boston e pelo Celtics, como organização, tanto dentro, quanto fora da quadra. Sobre o grande jogador que sou e como serei ótimo em Cleveland. Você sabe, me falando aquele tipo de coisa. E foi algo como… agora, neste momento? Eu definitivamente não queria ouvir nada daquilo.

Então, eu estava firme tentando cortá-lo algumas vezes, e, enfim, eu consegui. Foi basicamente, você sabe – ‘eu aprecio que você tenha entrado em contato, aprecio que você esteja me falando essas coisas, mas não há realmente nada que eu e você precisamos dizer agora‘.

Esta foi a essência da conversa.

Esta foi a ligação.

Cara… tanta coisa estava passando na minha cabeça naquele momento. Contudo, eu precisei bloquear quase tudo aquilo por um tempo. Meu primeiro instinto foi entender o que isto significava para minha família. Pensei em meus dois filhos, James e Jaiden, em ter que dizê-los que era hora de se mudar. Eu sabia que seria um choque pra eles – primeiramente, por ser logo após o começo do ano escolar. E segundo, por saber o quanto Boston começava a remeter o sentimento de um lar para eles. E para todos nós.

Os meninos ficaram com minha mãe, enquanto Kayla e eu estávamos fora. Destarte, assim que conseguimos voltar para casa , vindos do aeroporto, nos comunicamos com eles via FaceTime (aplicativo de chamadas de vídeo, similar a Skype, Hangouts, e outros, exclusivo de dispositivos Apple). Eu sabia que as notícias vazariam mais cedo ou mais tarde, mas eu queria ter certeza que eles ouviriam isso de mim. Desse modo, disse-lhes o que aconteceu: ‘Papai foi trocado‘.

James, o mais velho, quem creio ser realmente a ‘cópia do papai’, questionou exatamente a primeira pergunta que fiz quando soube: ‘Para onde?

“Cleveland. Eles me trocaram por Kyrie.” E tenho certeza que você sabe o que vem em seguida:

“LEBRON! LEBRON JAMES! Papai, papai. Você vai jogar com LeBron James!”

Jaiden, por outro lado, é meu caçula, talvez um pouco mais sensível, e ama Boston mais do que qualquer um. Logo, eu sabia que as notícias, possivelmente, seriam mais dolorosas para ele. Ao ver sua reação, quando ouvira a notícia, pude ver que estava certo. Ele parecia bastante desapontado.

Então, disse, “Jaiden, você está feliz ou triste?”

“Triste.”

“Por quê?”

E ele disse: “Porque Cleveland, provavelmente, não tem pistas de skate.”

Ele é aficionado em andar de skate e este tipo de coisa. Portanto, ele estava definitivamente triste com isso. (Cleveland, se há alguma pista de skate na cidade, avise-me no Twitter).

Algumas horas depois, estava tudo no noticiário. Todas as minhas redes sociais estavam explodindo. Eu devo ter recebido milhares de mensagens e visto milhares de reações.

A verdade, porém, é que aquelas duas primeiras reações que tive, de meus filhos, eram tudo o que eu precisava. Todas aquelas fofocas, todos aqueles rumores, todas as análises especializadas publicadas… e, cara, meus filhos trataram isso mais corretamente em alguns minutos no FaceTime. Tudo a respeito daquela troca, tudo o que estava sentindo em meu coração naqueles momentos – eles resumiram às duas únicas coisas que importavam.

Uma, como meu filho mais velho disse: “LeBron James”. Ou, colocando de outra maneira, eu vou chegar e me juntar ao melhor time no Leste e tentar ganhar um título ao lado do melhor jogador de basquete do mundo.

E duas, como meu filho mais novo disse: “Triste.” Ou, colocando de outra maneira, “cara, cara, eu vou sentir muita falta desta cidade”.

Cara, eu vou sentir muita falta de ser um celta.


Mas sim, apenas direi isso: esta porcaria dói. E dói bastante.

E eu não vou mentir – ainda dói.

Não é algo que eu não vou entender. Claro que já entendi: isto é um negócio. Danny é um homem de negócios e ele fez um movimento de negócios. Eu não concordo com ele e, pessoalmente, não acho que o Boston Celtics tenha melhorado após essa troca. Contudo, esse não é o meu trabalho. É o trabalho do Danny. E é um trabalho difícil, e ele tem sido realmente bom nisso. Porém, no final das contas, essas trocas se resumem a apenas uma coisa: negócios. Logo, não há ressentimentos no final. Sou um homem crescido e eu sei onde estava me inserindo quando entrei nessa liga – e, até o presente momento, minha carreira teve mais bênçãos do que maldições. Não estou sentado aqui, escrevendo este texto, porque sinto que fui injustiçado. Eu não fui injustiçado. É direito de Boston me trocar.

Ainda, de algumas formas, eu realmente acho que isso foi uma boa lição. Não apenas para mim, mas para a liga como um todo. E para os torcedores e jornalistas também, em termos de como eles falam a respeito de jogadores que trocam de equipe. Estava pensando a respeito da última intertemporada, com Kevin Durant e suas negociações na Agência Livre. Por que as pessoas criticaram-no tanto e tornaram seu último ano um momento tão difícil, quando ele fez aquilo que sentia que seria o melhor para ele e para seu futuro? Como ele tornou-se um vilão, apenas por fazer aquilo que era certo de ser fazer como um agente livre nesta liga? De repente, sua escolha tornou-se “Ah, como ele é egoísta” ou “Ah, como ele é um covarde.” De repente, apenas por fazer negócios no final das contas, e fazendo o certo para si mesmo, ele foi transformado neste cara mau.

Mas isto é o que acho que minha troca pode mostrar às pessoas. Eu quero que eles vejam como minha negociação foi feita – assim, sem aviso prévio – pela franquia pela qual me sacrifiquei, me machuquei e sangrei, e que dediquei tudo de mim. É por isso que as pessoas precisam mudar suas perspectivas. Tirando algumas exceções, quando somos agentes livres, por exemplo, em 99 oportunidades entre 100, são os donos que têm o poder. Então, quando os jogadores são trocados pra lá e pra cá, tendo suas vidas modificadas sem aviso prévio, e isso não é um grandes problema… mas então, nas poucas vezes que isso muda, e o jogador tem o controle… então torna-se um escândalo? Apenas sendo honesto, mas, para mim, isto mostra muito sobre onde estamos como uma liga, e até como uma sociedade. E isso mostra muito o quão longe ainda temos que ir.

E como eu disse, não há nenhum remorso. Mas apenas espero que a próxima vez que um jogador deixar sua equipe na Agência Livre, e alguém quiser pular no pescoço dele ou escrever uma história crítica ou um tweet desagradável sobre ele, talvez agora pense duas vezes. Talvez eles olharão ao redor da liga, olhem para um caso como o meu, e lembrem-se que lealdade é apenas uma palavra. E é uma palavra poderosa se você quiser. Mas cara… quando trata-se de negócio, não há nada com o que contar.

Ao mesmo tempo, as pessoas precisam entender que mesmo com todas estas coisas ditas… cara… ainda dói. E ainda dói muito. E eu espero que as pessoas possam entender que quando eu digo que dói, não é direcionado pra ninguém. Não estou dizendo que fui ferido por ninguém, ou injustiçado por alguém, ou traído. Estou dizendo, cara, que sou apenas um humano. Eu posso agir como um cara durão na quadra. E eu posso parecer como um cara que tem gelo nas veias quando estou competindo. Mas ao mesmo tempo – não há gelo, na verdade. Eu tenho sangue e tenho um coração como todo mundo.

E então, quando digo que isso dói, cara – apenas saiba que não é por causa de nada que alguém fez. É apenas por algo que eu fiz.

Eu me apaixonei por Boston.


Quando o Celtics trocou para me adquirir, eu sabia o que viria. Sabia o papel que estavam esperando que fizesse – o mesmo papel que tinha jogado em toda minha carreira na NBA até então. “Armador pontuador que pode organizar um pouco o jogo.” “Ataque instantâneo vindo do banco.” “Sexto homem.” Já era minha terceira parada em quatro anos, e este não é um plano de carreira que acontece a alguém que é um franchise player ou um armador do futuro. Isto era apenas algo que a liga não via em mim. E eu sabia disso.

E quando eu cheguei via troca, acho que os torcedores do Celtics sabiam disso também. Eles sabiam que eu estava sendo contratado como parte de um processo de reconstrução profundo, e que ainda não era hora de pensar em playoff  ou nada disso. Deveriam ser alguns anos de transição. Você sabe: empilhar alguns ativos. Encontrar algum jovem talento barato. E claro, provavelmente perder muitos jogos.

Ou, pelo menos, era isso que todo mundo nos dizia.

E acho que é por isso que me identifiquei tão bem com a cidade de Boston, e por isso que nos conectamos tão bem como fizemos. Toda minha vida, tudo o que fazia era ganhar e jogar um grande basquete. Mas agora, de repente, como um profissional, as pessoas estavam me dizendo que eu tinha que ser um jogador de banco – e que o melhor que poderia esperar era ser um pontuador em uma equipe em reconstrução. E é algo semelhante a esta era do Celtics: durante a sua existência, tudo o que os C’s faziam era vencer, e jogar um grande basquete. Mas agora, de repente, as pessoas estavam dizendo aos torcedores da equipe que haveria uma reconstrução, e que eles seriam uma equipe de escolha de loteria no Draft por alguns anos. E é quase como eu e a cidade, minhas equipes do Celtics e os torcedores do Celtics destas equipes, ambos compartilhamos do mesmo coração, desta mesma mentalidade. Ambos quisemos apenas vencer e nenhum de nós tinha tempo para nossos críticos. Era como, cara, dane-se a loteria.

E acho que isto evoluiu para um tipo de coisa especial, uma conexão e um momento especiais. Todos tiveram seus números e estatísticas triturados. Todos estes especialistas acham que entendem de tudo sobre a liga inteira. Mas eles nunca me entenderam. E eles nunca entenderam a importância de se ter uma cultura vencedora – dos torcedores, para os jogadores, para os treinadores, para a diretoria, até o topo. E temos isto aqui. Este foi o primeiro lugar, a primeira franquia, o primeiro grupo de torcedores na liga que não desconfiaram de mim, que não se importavam com minha altura, e que não me colocou no mesmo papel de sempre. O Boston Celtics me deixou ter a chande de ser grande. E eu nunca esquecerei isso.

As pessoas me perguntam bastante a respeito dos playoffs do ano passado. Sobre como, mesmo após a morte da minha irmã Chyna, eu ainda estava lá, no Jogo 1 da série de primeira rodada dos playoffs contra o Chicago, e jogando. Mas o que é louco é que, o principal motivo que me fez jogar, foi na verdade um pouco diferente do motivo que me fez continuar jogando. Em um primeiro momento, eu achava que estava jogando porque, honestamente, esta é minha mentalidade, quando se trata de basquete. Com basquete, creio que sempre foi assim. Não importa o que estiver acontecendo em minha vida… sei que sempre poderei ir a uma quadra de basquete. Tudo o que preciso fazer é encontrar uma, e saberei que estarei bem por todo o tempo que estiver naquela quadra. Isto é o que o basquete sempre foi pra mim, durante todos os altos e baixos da minha vida. Ele me protege de tudo que estou passando na vida.

E quando eu cheguei na arena aquela noite, depois de Chyna ter falecido, eu estava pensando, OK, eu apenas preciso que isso aconteça. Eu preciso dessa quadra para ser meu escudo esta noite. Eu preciso desta quadra para me ajudar a esquecer. Mas e quando eu sair? Cara, esta é uma destas coisas que eu nem consigo descrever. O apoio que eu tive das arquibancadas, eu ainda consigo escutá-lo. As pessoas fizeram aqueles cartazes que ainda consigo ver: ‘ISTO É PELA CHYNA.‘ ‘NÓS AMAMOS ISAIAH.’ Este tipo de coisa. Então eles fizeram um momento de silêncio, a arena inteira, em memória de Chyna. E isto foi como… cara, indescritível. Eu apenas percebi, naquele momento, que eu não precisava da quadra para me proteger. Eu não precisava bloquear tudo ao redor, e fingir que não estava sofrendo. Eu não precisava ficar sozinho com aquilo. A arena inteira estava lá comigo. Honestamente, senti como se a cidade inteira estivesse comigo.

E àquele ponto, eu acho que a ficha caiu – é claro, eu tenho que jogar. Primeiro, vou fazer isso pela Chyna, e por minha família. Mas então, eu também tinha que fazer isso por toda a minha cidade. Porque o que eles me mostraram naquele momento, é tudo o que precisava aquela noite: saber que não estava sozinho. Eles me mostraram que estavam passando pela mesma coisa que eu estava passando. Eles me mostraram que eu sou um deles e que nós estamos nessa juntos. Então, vamos estar nessa juntos.

E por dois anos e meio, cara, nós estávamos juntos.


Eu só vou dizer isso aqui, de cara, para superar isso, e então, você pode ir em frente e postar isso em qualquer boletim que quiser: Você não quererá mexer com os Cavs este ano. Este será um ótimo ano para ser um torcedor do Cavs, um grande ano. E eu estou entusiasmado.

De uma perspectiva de basquete, eu ir para o Cavs é um casamento feito no paraíso. Se você assistiu a qualquer jogo do Celtics na última temporada, então você sabe quantas vezes eu lidei com marcação dupla e até tripla, apenas para conseguir um arremesso. Isso acabou funcionando bem para nós – o pessoal jogou muito bem, e meu arremesso estava caindo. Mas neste ano, cara… isto nem vai ser um problema. Você realmente vai colocar três jogadores a me marcar, quando estou dividindo a quadra com o melhor jogador de basquete do planeta? Não, eu não acho que acontecerá.

E não é apenas o LeBron. Eu olho o elenco do Cavs de cima a baixo, e tudo o que eu vejo são caras que não vejo a hora de jogar junto: Kevin Love (reunião de meu antigo parceiro de AAU), Tristan Thompson, JR Smith, Iman Shumpert… não é nenhum acidente para mim que estes caras ganharam o Leste por três anos seguidos. E agora adicionaram a mim no elenco, Derrick Rose e meu garoto Jae (Crowder)? Este elenco, cara – está completo. Torcedores do Cavs estejam prontos para rock-and-roll.

É claro, estar na equipe a ser batida no Leste agora, não vou mentir, remete a algumas emoções misturadas. Porque este era nosso objetivo em Boston por tanto tempo: passar pelo Cavs e ganhar o Leste. E eu sei que continua sendo o objetivo de Boston. Mas agora, eu sou um dos responsáveis a impedi-los de completar este objetivo. E isto é duro. Porque chega o momento dos playoffs, se e quando nós tivermos que enfrentar o Celtics, não sei o que farei. É difícil explicar. Mas não será apenas “a equipe em que eu costumava estar”. Está é minha antiga equipe. O ataque de elite, os 30 e poucos jogos em TV nacional, o lugar para onde os agentes livre querem ir e jogar. Eu sinto que ajudei a construir isso. Ajudei a criar isso.

E quando chegarem os playoffs, de repente, será como: ‘OK, agora devo destruir isso.’

É triste, cara. É muito triste.

Mas eu não vim para Cleveland para perder.


Como eu disse, quando a notícia da troca surgiu, eu recebi um monte de mensagens. Recebi mensagens de texto, Instagram, Twitter, email de voz, etc. Estava explodindo de interações. Mas houve uma mensagem em particular, de todas essas, que realmente me chamou a atenção. Foi de Tom Brady (quarterback do New England Patriots, equipe de Boston da NFL).

“E aí, IT, eu escutei sobre as notícias. Você está bem?”

Estou bem. Quer dizer, é uma loucura. É um jogo frio.

“Sim, e é. Boa sorte. Você vai se sair bem. Mantenha contato.”

Não foi o que ele disse, exatamente – embora seja legal da parte dele ter dito aquilo tudo, sem dúvida. Mas foi mais por tudo o que significou, creio, que a mensagem ficou comigo. Receber uma mensagem pessoal como essa de alguém como Tom, que é uma verdadeira lenda para o esporte de Boston, me trouxe uma sensação agridoce.

Em um primeiro momento, isso machuca um pouco. Eu olho para uma carreira como a de Tom com o Patriots, e é exatamente o tipo de carreira que eu esperava contruir aqui com o Celtics: sendo uma escolha baixíssima de Draft, chegar sem nenhum reconhecimento, e então, através de trabalho duro, determinação e algum talento que talvez as pessoas tenham ignorado, apenas começar a vencer, vencer e vencer. E então, estabelecer um legado vencedor. E então, ficando em Boston, ganhar títulos e competir arduamente, pelo resto de minha carreira, até ser considerado um dos grandes jogadores de Boston de todos os tempos. Esta era a carreira que comecei a planejar para mim. Na minha mente, eu queria ser a versão do Celtics de Brady e Ortiz. Eu queria que esta próxima era do basquete do Celtics entrasse para a história. E com isso, queria também entrar para a história dos esportes de Boston. Então, quando eu recebi aquela mensagem de Tom, teve uma parte de mim que se sentiu um pouco triste.

Mas então eu pensei a respeito da mensagem um pouco mais. E acho que eu mudei um pouco minha perspectiva. Eu acho que percebi que, cara, este é o Tom Mito Brady. E eu estava aqui por apenas dois anos e meio. Tom Brady não mandaria uma mensagem como essa para caras que jogaram em Boston por apenas dois anos e meio, a menos que tenha feito algo muito especial. Então, talvez, não sei… talvez deva ser algo para se orgulhar. E talvez, meu período aqui, mesmo que, no final das contas, não tenha sido nem perto do que sonhava que poderia, tenha significado algo para algumas pessoas.

Então creio que é onde minha cabeça está no momento. Ainda estou sofrendo, ainda estou triste por sair. E tenho certeza que sentirei falta de minha família do Boston Celtics por um bom tempo. Mas eu estou indo para Cleveland agora, fazer o que faço de melhor. Vou jogar com entrega total. Pode não ser a carreira que sonhei ter no último ano, ou até no último mês, mas quando você pensa a respeito, essa foi minha carreira desde o começo. Nunca foi um sonho realizado e nunca foi o que esperava. Foi apenas a minha carreira.

E talvez esta é a resposta para tudo isso. Eu nunca serei Tom Brady, agora. Eu nunca serei David Ortiz. Eu nunca serei Bill Russell, Paul Pierce, Kevin Garnett ou Larry Bird. Mas indiferente do que aconteceria ou não sem esta troca, eu ainda assim gosto de imaginar uma coisa.

Eu gosto de imaginar que algum dia, não distante de hoje, em algum lugar de Boston, alguém será um pai, falando sobre basquete com seu filho. E seu filho irá perguntá-lo, sem rodeios como as crianças fazem: “Pai, por que você se tornou um torcedor do Celtics?”

E aquele pai vai olhar para trás e pensar bastante na resposta. E então, ele irá sorrir e falar a verdade.

“Eu vi Isaiah Thomas jogar.”

Isto me tornaria muito feliz. Para mim, eu acho, isto seria suficiente.


Texto traduzido e adaptado do original, escrito pelo próprio Isaiah Thomas, no Player’s Tribune.

Fábio Malet
Fábio Malet
Gaúcho de Porto Alegre, bacharel em Ciência da Computação e analista de sistemas. Apaixonado por esportes, tem o jornalismo como um hobby, e, pretende, futuramente, fazer pós-graduação na área. Acompanha NBA desde o começo de 2007 e, pé-quente, viu seu Boston Celtics ser campeão na primeira temporada inteira que assistiu. Torce também para Grêmio, Tottenham Hotspur, Green Bay Packers, e por conta da afinidade com Boston, tornou-se fã de Bruins e Red Sox.

28 Comentários

  1. Sander disse:

    Cara, que emocionante!

    Sem palavras no momento. Mais tarde tendo escrever algo, porque agora está complicado.

    De uma coisa eu tenho certeza, eu vou falar para o meu filho: ” Eu vi o Isaiah Thomas jogar.”

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  2. Antônio disse:

    Cara emocionante desabafo 😭odeio negócios desse tipo

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  3. R Green disse:

    Eu vi Isaiah Thomas jogar 2.

    observação: Em uma oportunidade, sem um dente e em outra, em Luto.

    Nosso Garnett baixinho, pqp…
    Dói o coração mesmo!

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  4. Antônio disse:

    Eu vi I.T. jogar vai deixar saudades e espero que o Celtics siga forte com o objetivo do Banner 18 seria muito melhor e fácil com ele do nosso lado não tenha dúvidas difícil digerir essa troca

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  5. Bruno Araujo disse:

    Meu Deus, que carta é essa?! Estou chorando. Minha garganta está entalada. Meu Deus. Que ser humano incrível!!!

    Eu vi Isaiah Thomas jogar!

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  6. Everton disse:

    Basta repetir “eu vi Isaiah Thomas jogar”! Será emocionante ver ele voltar a Boston, então pouco tempo se tornar o que ele se tornou realmente é para sentir orgulho!

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  7. Digor33 disse:

    Muito legal e complexo no aspecto de sentimentos, é um Mix de tudo.

    Realmente são negócios. Ponto final.

    Se vc é um jogador da NBA trocas e transferências são uma realidade, ainda mais nesta época onde não existem mais tantos jogadores fazendo vidas em uma única franquia. Portanto aceite isso ou caia fora.

    Num contexto geral tanto Boston como IT se curtiram, se divertiram e se locupletaram com tudo. Portanto, foi bom para ambos. Sem essa de vítima ou que fez algo e nada recebeu como reconhecimento. Vc chegou desacreditado pelas franquias anteriores e Boston lhe colocou como um FP. E merecidamente. Portanto sorria e balance a cabeça para cima e para baixo.

    Foi mágico ver a dedicação do IT por Boston, mas me desculpem, para mim jogar com o coração e dar o máximo é o que espero de qualquer jogador, e ele não foi o único. Jogar após o falecimento da Irmã fora algo a se respeitar? Sim, e como. Mas como ele mesmo disse – eu precisava disso pra atuar como um escudo (e não jogou tão bem naquele dia). Então, foi algo bom e não sacrificante. Eu faria o mesmo.

    Então amigos me desculpem se pareço frio ou rancoroso, não é isso. Tenho orgulho de ter vivenciado esta fase mágica nos Celtics, está sendo demais, mas para mim que sou torcedor desde 1980 os Celtics sempre virá à frente de qualquer jogador.

    IT! Cara, valeu por tudo e agradeço pelo jogador que vc foi e pelo jogador que se tornou aqui nos Celtics (obrigado Brad Stevens, né?), mas não me venha dizer que irá destruir com todos que passarem a sua frente.

    Escreveu demais para dizer algo mais simples, lógico que está com raiva, mas não ameace indiretamente, seja homem.

    Os Celtics estarão aqui e lhe esperando, agora como Cavs, e será ovacionado pela torcida se souber ser inteligente. Porém, se vier com cara de mal, se prepare, pois aqui é Celtics Pride, sabe muito bem o peso disso é os adversários tremem…inclusive o Cavs!

    Sucesso e aproveite a jornada. Será um muito legal o embate.

    Pessoal, é somente a minha forma de ver a notícia.

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    • JailtonSV disse:

      Naturalmente, podemos concordar ou discordar de comentários. Confesso que gostaria de entender melhor o seu.

      “mas não ameace indiretamente, seja homem”. Não entendi essa frase. Caso seja pelo termo destruir, ele fala no sentido de “doutrinar”, “jogar muito”, coisa que ele sempre fez pelo Celtics. Ele “destruia” os adversários.

      Sobre IT não ter jogado tão bem contra os Bulls, gostaria de discordar com ênfase. Ele não só foi muito bem, como foi o único (Horford não foi bem defensivamente). jogador do Celtics que manteve o nível de atuação habitual naquela partida.

      http://celticsbrasil.com.br/jogo-1-celtics-102-x-106-bulls/

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      • digor33 disse:

        Jailton, se vc entendeu assim que seja. Para mim quando ele disse isso, quis dizer que irá destruir qualquer adversário, como disse também que será um ano que não vão querer mexer com os Cavs.

        Nada contra a sua opinião, mas penso diferente. Não tenho essa visão que a maioria tem, de paixão por ele e gratidão por tudo que fez. Desculpe, não sou assim.

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        • digor33 disse:

          E não faço comentário para ganhar like. Falo o que penso, simples assim.

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        • JailtonSV disse:

          Imagine, também não tenho nada contra sua opinião, como disse anteriormente, só queria entende-la um pouco melhor. Pegando emprestado suas palavras “se você entendeu assim que seja”. E é ótimo que seus comentários não sejam produzidos para ganhar like. Se fossemos abraçar uma homogeneidade de pensamento, esse espaço de interação não teria o menor sentido.

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          • Digor33 disse:

            Tranquilo Jailton, sem problemas. Eu tive uma visão diferente quando fiz a releitura do texto do IT. Se notar, exatamente quando ele está enaltecendo Boston e a reação que teve quando veio jogar após o falecimento da irmã, parte bonita e forte do texto, quando ele fala em 2 anos e meio de úniaão, é quando vem e fala que não vão querer mexer com os CAVS este ano. Fala do casamento perfeito e que tem os jogadores certos….. Aí ele para mim pecou, não era hora disso, e deixou claro que ficou p. da vida com a troca (direito dele tb), mas não era hora disso, não era a hora deste comentário….foi a minha humilde impressão. Mas legal, vamos ver os jogos, pois a rivalidade vai explodir.

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            • digor33 disse:

              Complementando, falar tudo isso do Cavs na Carta com um título desses? (Essa é para Boston). Sei lá, mas colocando a emoção de lado a conotação que dei à carta fora outra, por isso do comentário nestes termos.

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  8. Barros disse:

    Foi o jogador de todos que vi, que mais se entregou ao manto, jogar com a irmã no caixão, com a dor de ter perdido um dente e por aai vai! Eterno IT4

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  9. JailtonSV disse:

    Eu vi Isaiah Thomas jogar.

    Deixando o aspecto técnico da trade
    de lado, embora goste muito do Thomas, chegou no Celtics um atleta que possui qualidade e um estilo de jogo muito parecido.

    Acredito que o que mais doa na trade e vá deixar saudades não seja “somente” a entrega. Como jogar banguela ou de luto.

    KG, Pierce e Rondo. Os torcedores viram seus ídolos saírem um a um, e a franquia mergulhar em um Rebuild. Reconstrução que não teve cara de reconstrução por causa de Isaiah Thomas.

    Ele chegou, colocou a bola debaixo do braço e fez o inesperado, fomos aos playoffs. Ano seguinte melhoramos. Números incríveis, partidas incríveis, jogadas incríveis. Ele fez com que o torcedor celta tivesse um craque pra chamar de seu, manteve o orgulho e auto estima da maior franquia da NBA.

    Se hoje temos uma equipe que está apta a ameaçar os Cavs, é devido a ele. Se hoje temos Horford , Hayward e Irving. É pq dois FAs olharam para o Celtics e enxergaram IT como uma estrela. Ele foi mais importante para a reconstrução do que as próprias Picks.

    O que me deixou triste foi ver um cara que poderia entrar para a história da franquia ir embora. É como se algo externo ao seu talento lhe tirasse o direito de ter a camisa 4 eternizada com o seu nome. Ver o IT ir embora é como ver um pedacinho da história Celta indo também.

    Obrigado IT, posso não ter começado a torcer para o Celtics devido a você, mas o fato de você ter passado por essa franquia, tornou minha escolha muito mais recompensadora. Volte saudavel da contusão, e mostre para todos que o subestimam, que não se subestima um Celta, não interessa a camisa que ele vista.

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  10. Gustavo Miglioretti disse:

    É bem bizarro lembrar dele fazendo 52 pts contra o Wizards naquele jogo 2. O time estava tao mal e ele simplesmente colocou todo mundo nas costas, tudo isso no aniversario da irma, recém falecida. E ainda li gente falando que o Bradley era mais importante…. Se o Celtics perdesse ali já era, dificilmente iria levar ao jogo 7.

    É bem bizarro também quando colocam os créditos no Stevens apenas, como se o Isaiah fosse um produto dele. Na unica temporada que ele foi titular o ano todo antes de ir pra Boston foi em 2013-14, onde jogou muito bem, e teve um % também mto bom, isso jogando num time bagunçado igual o Kings. Ele é um excelente jogador e ponto. Stevens tem seu mérito sim, mas dizer que ele devia agradecer ao técnico por ter feito a carreira dele é no minimo bem injusto. Se fosse assim, Kawhi deveria agradecer ao Pop também

    Eu tenho certeza que ele vai dar a volta por cima dps dessa lesao e seguir sendo um jogador importante na liga, alias torço mto pra isso… daqui a pouco as pessoas vao esquecer do que ele fez (até por estar jogando no maior rival atual) mas nao por culpa dele, já que era questao de tempo para ele assinar

    Pra mim o Cavs ainda saiu ganhando pois reforçou o time trocando um jogador insatisfeito, e ainda contam com o Lebron no time, ainda sao favoritos no leste, nao tenho duvidas disso. Mas agora temos um time pra brigar de verdade, nao dá pra se contentar em chegar na final do leste e aplaudir dps de ganhar 1 jogo. Essas trocas ‘frias’ do Ainge mostraram isso

    Obrigado Isaiah! nao serei mal agradecido, merece todo o respeito do mundo de todos os torcedores do Celtics

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    • Marcos disse:

      Opa Gustavo,

      IT foi MT craque na temporada passada e só quem perde um ente querido para entender o impacto.
      Acho que a torcida deveria homenageá-lo com o grito de MVP quando ele voltar e vier jogar no TD Garden.

      1- Bradley > IT = Fixação que a galera tinha pelo ex-camisa 0.
      2- O Kawhi deve MUITO crédito para o Pop e o IT podia ter citado mais o Brad em sua carta.

      []s verdes

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  11. Léo disse:

    “Sem palavras”, é a expressão que me vem após ler este desabafo, de um ser humano fantástico e que merece todo nosso respeito e admiração, apesar de torcedor do Celtics, sempre com muito orgulho, estarei também torcendo por IT mesmo no grande rival nosso, pois sinceramente, é até difícil torcer contra um cara desse e após todo o ocorrido.
    Obrigado por tudo Isaiah!

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  12. Cristian Mauro Soldano disse:

    Emoção…..negócio é foda…..e mais escutar boatos que possivelmente o baixinho não volte a jogar no nível que mostrou com nosso Celtics…. Lembrando ele deixa nosso verdão como o maior cestinha Celta em pontos por jogo.
    Eu vi IT4 jogar !!!

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  13. Fernando C Silva disse:

    DA fez uma escolha.

    Como IT disse são negócios.

    Seríamos campeões com IT? Não sei. Provável que não uma vez que o max iria complicar nosso cap.

    Ele merecia max? Óbvio que sim.

    No final das contas trocamos um ídolo pela chance de sermos campeões.

    IT o tempo que passou conosco não foi o suficiente para nenhum dos lados. Mas a intensidade sim.

    Eu vi IT jogar em Boston.

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  14. DANIEL DELGADO NEPOMUCENO disse:

    Eu vi Isaiah Thomas jogar no Celtics.

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  15. Antonio Jhennyson de Souza disse:

    Cara. Sou muito sentimental. Q dogra!!!! IT m monstro!!

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  16. GENERIO JUNIOR disse:

    Mesmo Cleveland sendo um rival, não vai dar pra torcer contra IT, que ele faça uma grande campanha, que seja bem recebido em Boston e que o título seja nosso!!!

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  17. Leonardo Pereira disse:

    Eu confesso que tenho esperança dele voltar quando virar UFA (vai que a lesão dele agrava na próxima temporada e desvaloriza de vez o baixinho?)

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  18. Chiovato disse:

    #isaiah_sangra_verde!!

    Não há como não se emocionar e aplaudir o excelente jogador que Thomas foi no Celtics, discordar disso não é demérito e sim apenas ser ‘do contra’! Sempre tem 1% que discorda das coisas, no Celtics não será diferente, 99% de nós amávamos a entrega, paixão, repertório e star que Thomas ser tornou em Boston! Torcia pra tê-lo como líder que era do 18* banner, mas quis Deus que ambos seguissem caminhos opostos! Torço pra que ele consiga um anel em seu tempo de atleta, pois o profissional que ele é, merece!

    E que Irving que é bom jogador, possa ser 50% do profissional e apaixonado celta que Thomas se tornou, pois no Celtics não basta apenas ter qualidade e ser o melhor do time pra vencer, o cara tem que se identificar, ter entrega e cativar a torcida… caso contrário não passará de mais um, e desejo que além da qualidade Irving possa ser um Thomas, e se imortalizar em nossos corações!

    Discursos pontuais e ‘racionais’ são chatos, fazemos papéis de ‘sábios’ sem saber que somos meros ignorantes e cegos por simplesmente não ter a humildade em reconhecer um homem de caráter como esse tal Isaiah Thomas, gente assim faz falta no mundo de hoje! Que Thomas brilhe mais, não porque foi ídolo aqui, mas sim porque ser humano apaixonado e profissional como ele merece vencer, merece nunca ser esquecido como um grande homem!

    *Esse Thomas ama o Celtics!!!!! Não só seu carisma e entrega nos fez amá-lo, mas sim sua qualidade técnica e alto nível…um star que se tornou!!

    “”Eu vi Isaiah Thomas jogar.””

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  19. Adriano disse:

    Como torcedor fanático celta, estou até agora de coração partido. É o tipo de troca que não dá pra aceitar por tudo o que o cara fez pelo time. Chegamos onde chegamos em grande parte ao talento do baixinho. O cara sai muito contrariado mesmo indo para atuar ao lado do grande nome do basquete atualmente. Vai ser doloroso vê lo no cavs

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  20. Beto Castro disse:

    Um dos textos mais fodas que já li sobre basquete, senão o mais foda de todos. A maneira como ele fala de Boston, do rebuilding, a confiança dele sobre a troca ter sido desvantajosa para o Celtics… Depois de ler o último trecho, comprei ontem a camisa número 4 que eu queria há tanto tempo (espero não me arrepender nos offs)

    Isaiah está na história do Celtics, ele fez nosso rebuilding ser tão curto. E nosso futuro vitorioso (amém) não seria possível sem ele. Não só porque foi com ele que trouxemos Irving, mas também porque sem ele dificilmente teríamos Horford e Hayward. Ele fez nosso time voltar à TV, ele atraiu os FA, levou Stevens ao ASG…

    Ps.: Além da camisa do Thomas, a loja da NBA em NY tem duas opções: Tatum e Horford. Ao ver as opções, caiu a ficha que somos hoje um time sem identidade. Tenho muita esperança que vamos construí-la nos próximos anos, mas parte o coração pensar que Thomas, Bradley e Crowder não estão mais do nosso lado

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