08

dezembro

2010

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Filosofias de ataque

No artigo retrasado, falamos sobre os fundamentos e as formações de ataque, com foco no posicionamento. Hoje, falaremos sobre as filosofias de ataque, e de quais maneiras serão usadas (com qualquer posicionamento) visando prevalecer sobre as defesas.

Considero errado quando um técnico tem a filosofia que acredita ser “perfeita”, usando-a em qualquer tipo de equipe. Cada grupo tem o seu “DNA” específico e muitos fatores devem ser avaliados para poder determinar qual filosofia será benéfica. O técnico tem que ter sensibilidade e inteligência para analisar o potencial de seus jogadores, o nível de conhecimento, capacidade cognitiva e de execução sobre os fundamentos e conceitos de ataque, para aí sim, definir a filosofia a ser utilizada, com este grupo.

As mais comuns filosofias de ataque são:

1- Bloqueio e Giro (Pick and Roll)

É a mais básica entre todas as filosofias de ataque. Pick = bloqueio Roll= Giro, busca-se um jogo em dupla, tentando confundir a defesa, ou provocar uma troca que favoreça o ataque.

Ser um movimento básico, ensinado desde a iniciação, não significa que não é utilizado ou funcional, na categoria adulta. Caracteriza-se por isolar o homem da bola e quem fará o bloqueio e funciona, muito bem, se o atacante com a bola souber usar o bloqueio, for agressivo na penetração e capaz de avaliar o momento certo de dar passes com qualidade e quem girou, souber ganhar a posição perto da cesta.

Com esse tipo de filosofia Jerry Sloan, técnico do Utah Jazz foi escolhido para o Hall da fama da NBA em 2009. Sloan está em sua vigésima terceira temporada como treinador. Jerry Sloan contou, por muitos anos, com a dupla formada pelo armador John Stockton e o ala-pivô Karl Malone, que chegaram às finais da NBA em 1997 e 1998, contra o Bulls de Jordan, realizando o melhor da filosofia do pick and roll já vista em toda a história do basquetebol.

2- Movimentos Automatizados

Automatização, não é robotização. Os atletas devem pensar para realizá-los, porém, os movimentos são decorados, repetidos sempre de acordo com um sinal pré-estabelecido, onde o armador sinaliza determinando assim, onde cada atacante se posiciona e como será a sequência da jogada. Existem os pontos de definição nítidos, o que facilita a organização e o entendimento dos atacantes, mas da mesma forma, facilita a marcação destas jogadas pelos adversários. A equipe que adota este tipo de filosofia deve ter muitas variações, para quando a defesa já souber os movimentos que serão realizados.

3- Movimentos contínuos

O sistema de movimentos contínuos é a versão atual do famoso jogo de passes (passing game). Muito utilizado na Europa, caracteriza-se por uma padronização em movimentos cíclicos, feitos de acordo com a posição da bola. Os atletas procuram encontrar espaços na defesa, com muita paciência, troca de passes e bloqueios na maioria sem bola.
Não existem os pontos de definição pré-determinados, este sistema, requer uma visão de jogo apurada onde de acordo com a situação de jogo, os atacantes encontram os pontos de definição.

É o sistema ideal, quando se pensa na valorização da posse de bola. A grande dificuldade é contar com a visão do jogador na escolha do momento da definição, o que pode não ser encontrado e acabar levando a posse de bola aos últimos segundos, gerando arremessos no estouro do cronometro.

4- Triângulo Ofensivo

A primeira versão do Triângulo, ou pelo menos seu “esboço”, veio com Sam Barry, quando era técnico do USC Trojans. Tex Winter era seu jogador durante este período, e foi com Winter como técnico da Kansas State University que o modelo ofensivo se refinou. Na NBA, Tex winter se tornou, em 1989, assistente de Phil Jackson no Chicago Bulls e adotando esta filosofia, ganharam “simplesmente” 11 títulos da NBA, 6 com os Bulls e 5 com o Los Angeles Lakers.

Tex Winter considera o Triple Post Ofensive (triângulo ofensivo), um “Tai Chi Chuan de cinco homens”. Caracteriza-se pelo espaçamento entre os jogadores e movimentação de bola, envolvendo os cinco jogadores em quadra. É uma filosofia de jogo, e não um conjunto de jogadas combinadas, força os jogadores a interpretar o que a defesa está fazendo e reagir de acordo.

Com o triângulo, não há espaço para pick and rolls ou jogadas de isolamento, não se usa um armador tradicional. Apesar de cada jogador ter uma posição em que atua melhor dentro do sistema, todos os cinco devem saber o que fazer em cada cenário que a defesa possa causar. É fundamental que os jogadores sejam versáteis. A definição de posições, não é objeto de preocupação nesta filosofia. Existem duas grandes dificuldades ao adotar o triângulo, a primeira é que só conseguirá ser praticada por jogadores de QI alto e a segunda é que a marcação por zona, ou a flutuação exagerada, mata o triângulo.

Por: Marcello Berro