01

agosto

2016

9

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Impressões pós Draft 2016 – Parte 2: Como o Celtics foi no Recrutamento e o que esperar para o Futuro?

Passado um mês do NBA Draft 2016, ocorrido no Barclays Center, casa do Brooklyn Nets, no dia 26 de junho, e após a última Liga de Verão da NBA, acontecida nas últimas semanas, há maior clareza para avaliar-se os antes menos conhecidos jovens jogadores selecionados pelo Celtics no recrutamento, bem como analisar os rumores de troca mais sólidos ocorridos durante a noite do evento, filtrando aqueles que não passavam apenas de especulações da imprensa americana.

Por conta disso e dando continuidade à série de textos que relata as impressões deixadas pelo Draft 2016, na ótica do colunista Fábio Malet, a segunda parte deste especial tratará sobre o papel do Boston Celtics no recrutamento e sobre como desenha-se o futuro da franquia após o evento. Dono de oito escolhas na noite, esperava-se papel de protagonismo por parte do maior campeão da NBA. Só que as esperadas e ventiladas trocas não aconteceram e o Celtics acabou por recrutar inúmeros jovens com suas escolhas.

Atendo-se não só às escolhas realizadas durante o Draft, mas também considerando as tentativas frustradas de negociações pelas escolhas, e o planejamento futuro envolvido na noite do recrutamento, este texto visa analisar o desempenho do Celtics durante o evento: elucidando os motivos pelos quais Boston não fez nenhuma negociação de impacto, dando uma pincelada sobre as classes dos próximos anos, avaliando as escolhas realizadas e suas prováveis funções na equipe atual e projetando o futuro destes jogadores na franquia.

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Impressões pós Draft 2016 – Parte 1: O Recrutamento

 

Assim como o primeiro artigo desta série, o texto será organizado em forma de FAQ (Frequently Asked Questions, em português, Questões Perguntadas Frequentemente).

Por que o Celtics não fez nenhuma troca na noite do draft?

Porque não conseguiu nenhum cenário de troca favorável com as equipes interessadas nos ativos da equipe de Boston. Ou, como resumiu o coproprietário do Boston Celtics, Wyc Grousbeck, em declarações recentes, o Celtics “recusou-se a ser assaltado”.

“Recusamos ser assaltados por qualquer um.

As trocas que foram ofertadas a nós… desligávamos o telefone e ríamos. Por conta disso, não estivemos nem perto (de fechar uma troca). Não estivemos nem perto. As pessoas estavam tentando nos destruir, porque pensam que estamos com pressa (de fazer o Celtics um time de calibre de título), mas nós não vamos ser assaltados. Se for necessário, continuaremos construindo esta equipe ano a ano”

– Wyc Grousbeck, coproprietário do Boston Celtics

Por que a troca entre equipes da mesma conferência é sempre mais difícil?

Pelo fato de ser um adversário mais corriqueiro no calendário de jogos e na tabela de classificação para os playoffs. Geralmente, a equipe interessada na aquisição de um jogador de grande valor encontrará muito mais dificuldades em negociar com equipes de sua própria conferência, do que com as demais equipes. Não faz sentido reforçar uma equipe que será seu possível adversário poucos anos mais tarde. Por conta disso, as negociações com Ray Allen, vindo do Seattle Supersonics, e Kevin Garnett, vindo do Minnesota Timberwolves, foram bem mais simples de serem bem-sucedidas.

Danny Ainge paga o preço por ser um dos melhores negociadores da liga?

Com certeza. Danny Ainge é tido, entre os General Managers da NBA, como o melhor negociador da liga. Um exemplo desta fama que Ainge carrega é a declaração do executivo do Rockets, Daryl Morey, publicada pelo Boston Globe: “Ainge é o melhor negociador que já conheci”. E Morey tem bastante propriedade para falar disto. O Gerente Geral do Rockets possui pós-graduação de Administração (MBA) em uma das melhores universidade do mundo no ramo, o MIT (Massachusetts Institute of Technology). Sua declaração, inclusive, ocorreu em um evento da área, sediado pela universidade de Cambridge, chamado 2016 MIT Sloan Sports Analytics Conference.

Muitos dos GMs da liga têm medo de negociar com Danny Ainge. Têm medo de serem passados para trás de alguma maneira. E, inclusive, um dos grandes objetivos destes executivos é “ganhar” uma troca com Danny Ainge. Ninguém que ser o “novo Nets”, que penará muitos anos para conseguir voltar aos trilhos de uma reconstrução sadia. E, portanto, o Celtics encontra bastante dificuldade de negociar com as outras equipes, justamente por ter um dos melhores negociadores da liga na Gerência Geral da franquia.

Quais os cenários de troca em que o Celtics estava envolvido na noite do Draft?

O Boston Celtics esteve envolvido em vários cenários de troca ventilados na imprensa durante todos os dias das semanas que antecederam o Draft, incluindo, é claro, o próprio dia do recrutamento. E, pelo que fora reportado por alguns jornalistas que cobrem a franquia de Boston diariamente, o Celtics evoluiu conversas de negociação apenas com duas equipes: Chicago Bulls e Philadelphia 76ers.

O cenário de troca discutido com o Chicago Bulls sempre envolveu a ida do swingman Jimmy Butler para o Boston Celtics. Mas, como dito na resposta anterior, o Bulls (corretamente) supervalorizou seu atleta e, em sua última contraproposta, rejeitada pelo Celtics, pedia em troca Jae Crowder, Avery Bradley, a escolha #3 do Draft 2016 e uma escolha futura oriunda do Brooklyn Nets. Cenário bem acima da realidade.

Já o cenário articulado com o Philadelphia 76ers, envolvia a chegada no Celtics de um dos pivôs do 76ers, Nerlens Noel ou Jahlil Okafor, em troca de um pacote de escolhas e jogadores. Na última proposta que se teve conhecimento, o Celtics rejeitou uma oferta que incluía as escolhas #3 e #16 do Draft 2016, uma escolha futura oriunda do Nets, o armador Terry Rozier, o ala-pivô Jonas Jerebko pelo pivô Nerlens Noel, o ala Robert Covington e as escolhas #24 e #26 do recrutamento de 2016. Em suma, duas escolhas tops por Nerlens Noel. Proposta sem condições de aceitação.

Por que 76ers e Bulls saíram da noite do Draft sem nenhuma troca?

Porque estavam cobrando muito caro pelos seus ativos. O “preço” pedido por essas franquias para negociar seus atletas estava fora da realidade. Não há negociação se nenhum dos lados ceder. E, pensando bem, vejo sentido em o Bulls cobrar bastante caro por Butler, mesmo com os valores ventilados estarem bastante acima da realidade. Butler ainda é jovem e o futuro da franquia pode ser construído ao seu redor (como aconteceu nas recentes aquisições de Rajon Rondo e Dwyane Wade). No caso do 76ers, por contar com três jogadores de enorme potencial para a mesma posição, e por estar em clara e lenta reconstrução, fazia mais sentido ceder um pouco e aceitar um cenário de troca mais condizente com a realidade. Mas também, só quem está realmente por dentro da organização que pode saber a corretude ou não das decisões tomadas pela franquia.

As escolhas futuras do Nets são assim tão importantes?

Com certeza! Por todo o planejamento (ou a falta dele) da alta cúpula do Brooklyn Nets, que escolheu uma forma não muito ortodoxa de reconstrução, a tendência é que o Boston Celtics tenha direito a duas escolhas top5 nos próximos recrutamentos, com grandes chances de tornarem-se escolhas de posição ainda mais alta. Por conta disso, e com absoluta razão, estas escolhas são ativos que Danny Ainge não deve abrir mão tão facilmente. Elas só serão trocadas em cenários que tragam a Boston um grandioso nome, um All-Star consolidado, como está sendo, por exemplo, o caso dos rumores atuais das chegadas de Blake Griffin, Russell Westbrook ou DeMarcus Cousins.

Qual o real nível esperado para a classe de 2017? E a de 2018?

A classe que se apresenta para 2017 promete ser talentosíssima. Nomes como Harry Giles, que foi para Duke e Josh Jackson, que foi para Kansas, puxam a fila de um conjunto de jogadores com enorme potencial. É quase consenso entre os olheiros da NBA que tanto Giles (comparado a Chris Webber) quanto Jackson (comparado a Tracy McGrady) serão astros na NBA. Além deles, há Markelle Fultz (comparado a Russell Westbrook), Jayson Tatum (comparado a Grant Hill), Lonzo Ball (comparado a Jason Kidd), o ex-companheiro de Jaylen Brown, Ivan Rabb (comparado a Chris Bosh), entre outros. Pra quem quiser adentrar mais sobre a classe, vale a leitura do NBA Draft Room – 2017 NBA Mock Draft.

Já a classe de 2018 é bem menos palpável para análises do que a de 2017. No entanto, o nome de DeAndre Ayton, muito comparado a um mix de Tim Duncan e Kevin Garnett, desponta como atleta de grande potencial que virá a ser desejado por inúmeras franquias. Pra quem quiser adentrar mais sobre a classe, vale a leitura do NBA Draft Room – 2018 NBA Mock Draft.

Claro que as comparações são apenas pelo estilo de jogo e potencial máximo dos jogadores, e não pela qualidade atual dos mesmos. E obviamente que casos como o de Skal Labissiere, que há exatamente um ano atrás era tido como provável 2ª escolha do Draft 2016 e comparado a LaMarcus Aldridge, e na realidade foi escolhido apenas na 28ª escolha do recrutamento em questão, podem acontecer. Mas são mais exceções do que a regra. Ben Simmons e Jaylen Brown, também há um ano atrás, ocupavam, respectivamente, a 1ª e a 3ª posições do mesmo mock Draft utilizado. E há dois anos, eram, respectivamente, a 1ª e 2ª escolhas no mesmo mock. Coincidência? Acho que não. Diria que deve-se mais à grande qualidade e ao trabalho incessante dos olheiros ao redor da liga.

Como foi o desempenho do Celtics no draft?

Ótimo! Como citado na primeira parte deste especial, considero o Boston Celtics como um dos vencedores do NBA Draft 2016. Óbvio que sair da noite do recrutamento sem nenhuma troca de impacto, após vários dias de especulações e boatos sobre negociações deste tipo, é decepcionante. Só que se fixarmos nossa análise única e exclusivamente às escolhas realizadas, desconsiderando as possíveis trocas que poderiam ter acontecido para melhor reforçar o elenco do Celtics, o desempenho do Celtics é realmente muito bom, muito por conta dos ótimos talentos adquiridos com as escolhas a que a franquia tinha direito. Por tudo isso, o desempenho do Celtics no Draft deve ser considerado ótimo.

E para não limitarmos a análise apenas a minha opinião (apesar de ser esse o objetivo deste texto), há outros portais que dedicam seu espaço ao recrutamento da NBA que também veem com bons olhos as escolhas feitas pelo Boston Celtics, como o NBADraft.net, que avaliou o Draft do Celtics com a nota A- (terceira maior nota do Sistema de Ensino Americano, equivalente às notas entre 9,0 e 9,2) ou o Fox Sports, que foi ainda mais saudosista que este autor, e avaliou o Draft do Celtics com a nota A+ (maior nota do Sistema de Ensino Americano, equivalente às notas entre 9,5 e 10).

Claro que há outros portais que criticam com veemência o desempenho do Celtics no recrutamento. Só que todos eles citam as tentativas frustradas de troca como motivo para avaliar de forma negativa a performance da franquia na noite do Draft. Aqueles que atem-se exclusivamente ao recrutamento em si, desconsiderando possíveis movimentações externas que poderiam vir a acontecer, classificam o recrutamento da equipe de Boston com bons elogios. E eu sigo essa linha. Minha nota? 9! Ou para seguir o padrão americano de avaliação, A-.

O que esperar da escolha #3 (Jaylen Brown)?

Como havia adiantado na análise pré-Draft, Jaylen Brown é, na minha opinião, o melhor talento da classe, desconsiderando as duas óbvias primeiras escolhas do recrutamento, Ben Simmons e Brandon Ingram. Talvez Buddy Hield e Jamal Murray fossem encaixes melhores para uma das principais lacunas do elenco, arremessadores de longa distância. Só que a escolha por Brown é pelo melhor talento disponível, em uma posição carente no elenco e na liga, a ala. E, ainda, Brown não ficou tão longe assim dos desempenhos de Hield e Murray nos arremessos de longa distância. Enquanto Hield acertou 85 de 100 arremessos de 3 pontos e Murray 79 no mesmo exercício, Brown não fez feio e acertou 76 arremessos.

Brown é bastante privilegiado do ponto de vista físico-atlético, é ótimo defensor, ataca a cesta com qualidade, tem bom arremesso em situações de catch-and-shoot e é mais um hardworker, em um elenco cheio deles, como o Boston Celtics. Claro que precisa corrigir alguns defeitos em seu jogo, como o excesso de desperdícios de bola, a tomada de decisões e o arremesso depois do drible. Só que trata-se de um jovem de apenas 19 anos e com um potencial absurdo.

Expectativa para a primeira temporada: Fazer parte da rotação das posições de ala-armador e ala, vindo do banco. Integrar um dos times de calouros da temporada (potencialmente o primeiro). Figurar algumas vezes entre as melhores jogadas da NBA e, possivelmente, participar do torneio de enterradas. Zach LaVine que se cuide, porque Jaylen é bruto!

Expectativa para o futuro: Tornar-se um titular consolidado na ala. Integrar times de defesa da liga e, possivelmente, ser um All-Star.

Comparação: Andre Iguodala (Golden State Warriors) e Jimmy Butler (Chicago Bulls).

Leia mais: Analisando o Draft – Jaylen Brown

O que esperar da escolha #16 (Guerschon Yabusele)?

Apesar de pegar de surpresa quase todos os que acompanham a equipe do Celtics de perto, a escolha de Yabusele foi muito boa. O francês estava bem fora do radar dos fãs da NBA e, por isso, não figurava em posições tão altas nos mock draft‘s em geral. No entanto, Guerschon tivera magnífico desempenho no Eurocamp (uma espécie de NBA Draft Combine para jogadores da Europa) realizado semanas antes do Draft, arrancando uma infinidade de elogios de inúmeros olheiros e alguns diretores de equipes da NBA que marcaram presença no evento (o caso de Danny Ainge, por exemplo). O jovem francês impressionou tanto que recebeu promessa de seleção de San Antonio Spurs (escolha #28), equipe notável em garimpar jogadores internacionais, e Atlanta Hawks (#21), que possui todo um corpo técnico e avaliador formado com a filosofia do Spurs.

O “Draymond Green francês” como é chamado na Europa, é um talento bruto bastante intrigante. A estatura baixa e a estrutura física bastante forte são realmente semelhantes com a do combo forward do Golden State Warriors. Por conta disso, as mesmas dúvidas que pairavam sobre Green, assolam Yabusele: pesado para ala e baixo para ala-pivô, achará seu nicho na NBA? Pois bem, Guerschon é um atleta surpreendentemente rápido, que sabe usar bastante sua força e tem ótima envergadura, possibilitando-o tornar-se um grande defensor. Ofensivamente, possui sólido arremesso de média e longa distância e um jogo de costas para a cesta em franca evolução. Além disso, é um jogador que briga bastante nas duas tábuas, e que coleta rebotes com facilidade. Com apenas 20 anos e um grande potencial a ser explorado, se bem trabalhado, Yabusele pode tornar-se um ótimo e completo ala-pivô no futuro.

Expectativa para a primeira temporada: Continuar desenvolvendo seu jogo em alguma liga internacional, algo que acabou acontecendo, já que, disputará a Liga Chinesa na próxima temporada. Esperava apenas que disputasse uma liga mais competitiva.

Expectativa para o futuro: Tornar-se um ótimo role player como ala-pivô e, até, consolidar-se como titular da posição.

Comparação: Draymond Green (Golden State Warriors) sem habilidades de playmaker, Brandon Bass (Los Angeles Clippers) com arremesso de 3 pontos e Boris Diaw (Utah Jazz).

Leia mais: Analisando o Draft – Guerschon Yabusele

O que esperar da escolha #23 (Ante Zizic)?

Esta talvez tenha sido a escolha menos criticada durante o recrutamento. A necessidade antiga do Boston Celtics por um bigman que se afirme na equipe, sempre traz, para os Draft’s dos últimos anos, a expectativa, sobretudo no torcedor da franquia, de que sejam selecionados jogadores de garrafão para finalmente resolver o problema descrito anteriormente. E a escolha, na 23ª posição do recrutamento, foi por aquele que considero o segundo melhor pivô da classe, atrás apenas de Jakob Poeltl: Ante Zizic.

Zizic é um pivô sérvio de apenas 19 anos e enorme potencial. Tecnicamente, falta-lhe algum polimento técnico, que deve adquirir com o tempo, afinal, ainda é novo. Mas ele compensa isso com bastante vontade e atividade nas duas tábuas. Além de ser um brigador nato, maníaco por vitórias e que luta incessantemente por todo segundo que está em quadra, Zizic tem ótima leitura de rebotes, sólida defesa e em evolução e um bom jogo de costas para a cesta e próximo ao aro. Com o polimento certo em alguns aspectos técnicos do jogo, o sérvio pode vir a ser o grande pivô que o Celtics busca a anos no Draft.

Expectativa para a primeira temporada: Continuar desenvolvendo seu jogo em alguma liga internacional, algo que acontecerá, já que, cumprirá seu último ano de contrato no Cibona Zagreb, da Croácia.

Expectativa para o futuro: Tornar-se um ótimo role player da posição de pivô.

Comparação: Jusuf Nurkic (Denver Nuggets), Anderson Varejão (Golden State Warriors) e Nikola Pekovic (Minnesota Timberwolves).

Leia mais: Analisando o Draft – Ante Zizic

O Celtics acertou em trocar as escolhas #31 e #35 por uma escolha futura?

Certamente. Se não há espaço no elenco do Boston Celtics para os seis jogadores selecionados no recrutamento, que dirá para oito jogadores, com as oito escolhas a que o Celtics tinha direito na noite do Draft 2016. E, ainda, trocar duas escolhas de segunda rodada por uma futura escolha de primeira rodada é sempre um bom negócio. Com isso, o Grizzlies usou a escolha #31 para selecionar o ala-pivô Deyonta Davis, que despencou durante o recrutamento por conta de uma fascite plantar crônica (chegou a ser cotado entre as dez primeiras posições do Draft), e a escolha #35 para selecionar o swingman sérvio Rade Zagorac. Já o Celtics, recebeu do Grizzlies uma escolha de 1ª rodada do Los Angeles Clippers no Draft 2019, protegida para as posições #1 à #14.

O que esperar da escolha #45 (Demetrius Jackson)?

Esta escolha é provavelmente o maior steal do Celtics no Draft, e, talvez, do recrutamento inteiro. Cotado até para ser uma escolha de loteria, Jackson despencou vertiginosamente na noite do evento e caiu no colo de uma equipe que gostava bastante do atleta, o Boston Celtics. Danny Ainge, Gerente Geral da franquia, havia expressado publicamente seu apreço ao atleta, após os treinos pré-Draft realizados em Boston. Após o recrutamento, Ainge também indicou que nem acreditou que o armador de Notre Dame tinha sobrado para o Celtics na escolha #45.

Jackson é um armador de 22 anos, bastante veloz e atlético e que possui bastante versatilidade ofensiva, podendo pontuar tanto longe quanto perto da cesta. Além disso, é um ótimo construtor de jogadas, tanto para ele como principalmente para seus companheiros. No entanto, precisa melhorar sua tomada de decisões, que acarretam em muitos desperdícios de bola, bem como aprimorar sua defesa off-ball, principalmente no que se refere à atenção ao seu matchup. Apesar da idade até certo ponto avançada para um jogador que está entrando no nível profissional, Jackson precisa apenas de pequenas correções para tornar-se uma opção sólida em sua posição.

Expectativa para a primeira temporada: Integrar o elenco principal do Boston Celtics, como terceira opção da posição de armador, passando bastante tempo evoluindo seu jogo no Maine Red Claws, equipe afiliada do Celtics na Liga de Desenvolvimento da NBA.

Expectativa para o futuro: Fixar-se como opção de elenco na posição de armador.

Comparação: Darren Collison (Sacramento Kings) mais atlético.

Leia Mais: Analisando o Draft – Demetrius Jackson

O que esperar da escolha #51 (Ben Bentil)?

Bentil foi outro jogador que caiu bastante na noite do recrutamento, e na 51ª posição do Draft, soa como outro grande steal para o Boston Celtics. Ainda mais para um jogador que foi, por muito, o principal pontuador da faculdade de Providence na última temporada da NCAA (21.1), quase 5 pontos por jogo de média a mais que o segundo maior pontuador, o badalado armador Kris Dunn (16.4). Isso sem contar que Bentil tem apenas 21 anos, e era um segundanista em Providence. Não à toa, era cotado para ser selecionado entre o final da primeira e o começo da segunda rodada do recrutamento. O Celtics usar sua escolha #51, no fim da segunda rodada, em um talento assim, era quase que obrigatório.

Quanto às suas características, Bentil vive os extremos nos dois lados da quadra. Durante o basquete universitário, mostrou-se uma verdadeira máquina ofensiva na posição de ala-pivô, com inúmeros movimentos muito bem desenvolvidos próximos à cesta, de costas para seu matchup, além de arremessos de média e longa distância bastante consistentes. Já na defesa, Bentil é uma máquina de pontuação para o adversário. Apesar de ter as ferramentas físicas para ser um bom defensor e ter alguns pouquíssimos flashes com jogadas defensivas aproveitáveis, ele tem muito o que evoluir neste aspecto do jogo. Se deixar de lado a “Síndrome de James Harden”, pode achar facilmente espaço na NBA, por conta de seu excelente jogo defensivo.

Expectativa para a primeira temporada: Lutar, durante a pré-temporada, por seu espaço no elenco principal do Boston Celtics, como terceira opção da posição de ala-pivô. Integrando ou não o elenco principal do Celtics, a tendência é que passe bastante tempo evoluindo seu jogo no Maine Red Claws.

Expectativa para o futuro: Fixar-se como opção de elenco na posição de ala-pivô.

Comparação: Patrick Patterson (Toronto Raptors).

Leia mais: Analisando o Draft – Ben Bentil

O que esperar da escolha #58 (Abdel Nader)?

A escolha do ala egípcio de Iowa State foi a grande surpresa do Celtics na noite do recrutamento. Havia (e ainda há) pouca informação sobre o jogador, poucas avaliações concretas de suas principais características, poucos vídeos com seus melhores momentos no basquete universitário, enfim, tentar descrever o jogador e suas expectativas é tarefa bastante difícil, por conta dessa escassez de fontes.

De qualquer forma, por se tratar de uma antepenúltima escolha de Draft e com nenhuma opção excepcional restante àquele momento do recrutamento, não há como criticar a seleção de Nader. Quanto às características principais do combo forward egípcio, minha avaliação ficará restrita a basicamente o que vi dele na Summer League de dias atrás e alguns vídeos assistidos dele no basquete universitário: trata-se de um ótimo arremessador de três pontos, com boa defesa e excelente reboteiro para a posição e altura. Parece ser o típico jogador 3D da NBA, sem nenhum brilho ou holofote, mas que sempre terá seu espaço na liga.

Expectativa para a primeira temporada: Continuar desenvolvendo seu jogo em alguma liga internacional, nos mesmos moldes de jogadores como Marcus Thornton, 45ª escolha do Draft 2015, que joga na Austrália e Colton Iverson, 53ª escolha do Draft 2013, que joga na Turquia.

Expectativa para o futuro: Integrar, em algum momento, o elenco principal da equipe, tornando-se opção tanto para a posição de ala, quanto a de ala-pivô.

Comparação: Robert Covington (Philadelphia 76ers).

Leia mais: Analisando o Draft – Abdel Nader

O que a noite do Draft indica para o futuro do Celtics?

Que a reconstrução do Celtics continua e com grandes perspectivas! A cada temporada que passa, o Celtics vai acumulando mais jovens valiosos, com grande potencial e que podem tanto tornar-se moedas de troca para auxiliar na aquisição de uma grande estrela da liga, como fortalecer ainda mais o ótimo, equilibrado e profundo elenco atual do Boston Celtics. Além disso, pelas muitas escolhas de Draft adquiridas em negociações recentes, o Celtics também vai acumulando excelentes prospectos mundo afora, podendo chamá-los no momento em que estes estiverem realmente prontos para jogar na NBA, ou no momento em que o elenco estiver esvaziado de opções para o elenco de apoio e não tiver espaço na folha salarial para fazer grandes ajustes (já que estes jovens iniciam na NBA com salários mais baixos e com assinaturas garantidas, mesmo se a equipe tiver ultrapassado o teto salarial da liga, por conta da exceção salarial para salários de calouros).

Vale ressaltar também que o Celtics mantém consigo as duas futuras escolhas de primeira rodada oriundas do Brooklyn Nets, que tem um valor imensurável, já que, podem tanto trazer um jogador All-Star consolidado da liga, via troca, quanto se tornar um jovem e futuro All-Star das classes de jogadores dos próximos dois anos, como descritos alguns itens acima.

 

E aí torcedor do Boston Celtics, passado um mês do Draft, após o desempenho dos jovens jogadores da franquia na Summer League, e depois das movimentações do Celtics na Free Agency, como você acha que foi o desempenho do Boston Celtics no recrutamento de 2016? E quais suas perspectivas para o futuro da franquia?