19

janeiro

2011

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Iniciação no basquetebol

Muitas vezes, quando vemos os astros da NBA ou de qualquer outro campeonato onde o atleta já esteja formado fazendo jogadas espetaculares e fica aquela impressão de que é fácil fazer tal jogada, de fato é, para eles.

Particularmente não acredito em dom, no máximo acredito em aptidão. Como dizia Oscar Schimidt: “ Me chamam de mão santa, mas eu prefiro ser chamado de mão treinada”

As crianças iniciantes no basquetebol, normalmente tem os “astros” do basquetebol como ídolos. Acham legal ter o tênis do mesmo modelo, a munhequeira com o número do jogador, nos treinos tentam imitar as jogadas que observam nos High Ligths (Melhores momentos).

Será que esses jovens, tem a noção de como aquele atleta se formou como jogador? O quanto abdicou de coisas prazerosas? Quantas vezes treinou os fundamentos, quando preferia o coletivo? Será que existe essa noção de todo o caminho percorrido, para talvez ( a grande maioria não), atingir o status de ídolo?

A formação de um atleta começa pelo fascínio pelo jogo que na iniciação deve ser de forma lúdica, visando transmitir de forma agradável, os valores do jogo.

Ao escrever esse artigo, acabei fazendo um poema que retrata exatamente essa visão sobre a iniciação:

“ OS CINCO SENTINDO”

O primeiro contato com a bola, denuncia sua forma e as mínimas protuberâncias
Provavelmente já sinta o peso e a aspereza do jogo
Ouve-se o ruído da fricção dos tênis na quadra, do quique da bola
A imagem e o som da primeira vez que ela ultrapassa a redinha
Ao fechar os olhos, uma criança sonha
Consegue sentir a bola, sem tocá-la
Ouve os sons do jogo, até no mais profundo silêncio
Significa que já sentiu o cheiro do desafio
Provou o gosto, tanto doce como amargo do basquetebol

(Marcello Berro)

Após a criança pegar o gosto pelo basquete, começa o “pulo do gato”, o técnico deve ensinar os fundamentos e desenvolver as capacidades coordenativas e cognitivas que são o que futuramente farão a diferença entre o medíocre e o fora de série.

Normalmente as crianças querem jogar, fazer cesta e é missão do técnico mostrar que pensar, saber  usar os fundamentos e a coordenação motora são as ferramentas necessárias para que jogar se torne simples e que deverão ser aperfeiçoados durante toda a carreira no basquetebol.

Com os fundamentos e a parte coordenativa e o raciocínio sobre o jogo devidamente apresentados e inicialmente lapidados, deve-se começar a aprofundar nos sistemas do jogo que só serão realizados se os atletas dominarem os fundamentos e movimentos do jogo, entenderem o porque de sua aplicação e tiverem prazer de realizá-los.

A principal função do técnico na formação, é ensinar os atletas a tomarem decisões corretas, racionais. Pois a maior e talvez mais interessante característica do basquete é a imprevisibilidade. É ensinar a criança a sentir e ler o jogo desde o primeiro dia até a aposentadoria.

Caros leitores, durante essas férias, fiquei com saudades de nossos debates semanais e com algumas ideias sobre os temas que virão a seguir.

Decidi escrever sobre a formação de atletas para o basquetebol, inspirado no prazer de participar do primeiro curso da ENTB- Escola Nacional de Treinadores de Basquetebol, realizado no Rio de Janeiro, onde aprendi conceitos importantíssimos e gostaria de dividir o ocorrido com todos os leitores.

O evento teve como foco a formação de atletas para o basquetebol e como palestrantes ; Rubén Magnano, Miguel Ângelo da Luz, Lula Ferreira, Dante De Rose Jr, Hermes Balbino, Tácito Pinto Filho, Byra Bello e Diego Jeleilate, além das presenças do técnico André Germano e do preparador físico Diego Falcão, ambos da seleção brasileira sub-15.

A criação da ENTB é uma iniciativa que visa a união, troca de informações e capacitação dos técnicos atuantes no basquetebol nacional. Penso ser o passo fundamental para o resgate do basquete brasileiro.

Por: Marcello Berro