Jogos Inesquecíveis: Celtics x Lakers (Game 6-Finals 2008)

Série “Jogos Inesquecíveis”

A equipe Celtics Brasil preparou uma série de 5 matérias que trará de volta alguns dos grandes jogos que ainda vivem em nossa memória como torcedores celtas.

No primeiro capítulo da série, viajamos até o ano de 2002 para relembrar a partida histórica entre Boston Celtics e New Jersey Nets.

Já no segundo, voltamos para 2012 e revivemos a rivalidade que crescia entre Celtics e Cavaliers.

O terceiro trouxe de volta o disputadíssimo duelo entre Boston e Chicago nos playoffs de 2009.

No penúltimo capítulo da série, acompanhamos a virada histórica no jogo 4 das finais de 2008 que o Celtics conseguiu sobre o Lakers, seu maior rival.

Obviamente, a lista não vai conseguir contemplar todos os jogos memoráveis de Boston, até porque isso seria impossível enquanto falamos da franquia mais gloriosa da NBA. São quase 70 anos de história e sempre será uma tarefa difícil eleger os melhores momentos dessa jornada. A atenção maior foi voltada para os anos mais recentes da liga já que muitos fãs puderam acompanhar algum ou alguns desses momentos, além de ser bastante difícil encontrar vídeos com boa qualidade dos grandes momentos do Celtics de décadas atrás. É importante registrar que a intenção não é estabelecer um ranking, mas sim reviver aquelas partidas que certamente mantiveram todos os celtas acordados, eletrizados e à beira de um ataque cardíaco. Com isso esperamos que você torcedor, vibre, relembre e comente a Série “Jogos Inesquecíveis”.

Jogo Inesquecível – Celtics x Lakers (Game 6-Finals 2008)

Esse com certeza não poderia ficar de fora. O jogo que selaria o campeonato e a quebra do jejum que tanto incomodava os torcedores celtas não foi apenas um jogo, foi uma obra de arte. A atuação perfeita, com a assinatura daquela equipe que nos encheu de orgulho a cada partida pela luta, entrega e pelo espírito coletivo. Para coroar a incrível temporada de 2007-2008, Boston entrou em quadra pelo Jogo 6 da NBA Finals de 2008 contra nada mais nada menos do que seu arqui-rival Los Angeles Lakers, objetivando apenas a vitória para fechar a série em 4-2 e pendurar mais um banner de campeão no teto do TD Garden. Kevin Garnett x Pau Gasol. Doc Rivers x Phil Jackson. Paul Pierce x Kobe Bryant. Escolha o confronto que mais lhe agradar e mergulhe agora em um dos momentos mais marcantes da história da franquia.

À época, o fortíssimo elenco era formado por Rondo, Allen, Pierce, Garnett e Perkins. Nosso banco contava com Eddie House, Tony Allen, James Posey, Glen Davis, Leon Powe e PJ Brown. No comando técnico, Doc Rivers era o head coach e tinha ao seu lado uma importante figura daquela temporada: Tom Thibodeau, o coordenador defensivo.

Do outro lado, o lendário treinador Phil Jackson, super-campeão da NBA e antigo comandante de Michael Jordan, tentava seu 11° título liderando a equipe de Los Angeles que entrava em quadra com Fisher, Radmanovic, Bryant, Odom e Gasol.

A bola subiu, e o que se viu nos primeiros minutos de partida foi um duelo equilibrado. Kobe se destacou logo de cara, chamando a responsabilidade para si na tábua ofensiva e assumindo grande parte da pontuação do Lakers. Aos poucos, essa estratégia foi se mostrando fraca perante ao excelente jogo coletivo de Boston e a equipe da casa começou a anunciar a avalanche que viria pela frente. Diga-se de passagem, essa foi uma das melhores atuações coletivas da história da franquia. Dificilmente iremos ver tanta coesão, sintonia e comprometimento em uma equipe como aquela que vestia a camisa celta no dia 17 de Junho de 2008.

A bola girava rapidamente de um lado para o outro enquanto os jogadores se movimentavam aproveitando-se dos screens. Nessa movimentação intensa, o Celtics sempre parecia observar algum jogador desmarcado e executar o passe com perfeição. Isso tudo sem contar com a defesa monstruosa que vinham exercendo, permitindo poucos pontos contra um dos melhores ataques da liga até então. Uma estatística que comprove isso? Boston simplesmente quebrou o recorde de roubadas de bola em finais da NBA, com 18 steals.

O maestro da noite, vocês já imaginam: Rajon Rondo comandou a quadra do início ao fim com um verdadeiro show que resultaria em 21 pontos, 8 rebotes, 7 assistências e 6 roubos de bola.

A maioria das assistências do jovem armador cairiam nas mãos santas de Ray Allen. Sugar Ray estava calibradíssimo da longa distância e terminaria o jogo com 7 arremessos convertidos da longa distância (em 9 tentativas), uma marca fantástica que igualou o recorde de bolas de três em finais da liga.

Para completar uma noite de grandes atuações, o mito Kevin Garnett conseguiria o duplo-duplo com 26 pontos e 14 rebotes, além é claro de todos os xingamentos possíveis no ouvido de Pau Gasol.

Como se diz no mundo do basquete, uma grande equipe precisa de um grande banco. Esse “Fator X” esteve presente na temporada inteira com o Celtics, e na final não poderia ser diferente. Com muita energia e bolas de três, o banco celta causava um grande caos ao adversário, no momento em que fosse necessário. Eddie House e sua agitação. James Posey e suas convenientes bolas de três. Leon Powe e Tony Allen com grandes esforços defensivos. Esse banco tinha de tudo, e como deixa saudades! Quando eram acionados, não decepcionavam.

Agora você deve estar imaginando: “Nossa, com todo mundo jogando bem assim pelo Celtics, esse jogo deve ter sido uma lavada!”. Não, não foi uma lavada… foi uma verdadeira surra! A maior surra em finais de NBA. 39 pontos de vantagem, um novo recorde da NBA foi estabelecido naquela noite.

A cada segundo de jogo, a equipe demonstrava na prática o quanto queria aquele título. Kobe e seus companheiros sentiram na pele a energia acumulada pelos jogadores celtas e sua torcida. O TD Garden criou uma atmosfera jamais vista. Gritos incessantes vinham da arquibancada enquanto um time feroz engolia seu maior rival dentro da arena. Um dos títulos mais emocionantes na história de Boston era desenhado aos poucos dentro do estádio. O todo poderoso Celtics conquistaria seu 17° título de NBA pelo placar de 131 x 92, quebraria o jejum que perdurava desde 1986 e de quebra ainda ampliaria a vantagem do confronto Celtics x Lakers em finais, colocando Boston com 9 títulos em 11 finais contra a franquia de Los Angeles.

Após o cronômetro zerar, a festa começou. Momentos inesquecíveis estariam por vir, como a entrevista de Kevin Garnett e seu grito imortal de “Anything is possible”. Esse grito estava entalado na garganta de KG, que passou 12 anos em Minnesota sem conquistar um título. Para um jogador com a sua paixão pelo jogo e fome por vitórias, nada mais justo do que um anel de campeão logo em sua primeira temporada pelo Celtics. O abraço de Garnett em Bill Russel durante a comemoração representou o encontro de duas gerações vencedoras do Boston Celtics.

Outro momento marcante foi a premiação de Pierce como MVP das Finais. Kobe havia vencido o MVP da temporada regular, mas o capitão celta merecia mais do que ninguém o reconhecimento por ter resistido à um difícil período de derrotas em Boston, até finalmente dar a volta por cima com as chegadas de Allen e Garnett. Detalhe para as vaias, ainda que tímidas, dirigidas à David Stern, ex-comissário da NBA no momento da entrega do troféu à Pierce (acompanhe no final do vídeo acima).

O vídeo abaixo traz um pouco dos bastidores desse jogo que ficará marcado para sempre no coração do torcedor celta. Os heróis desse título jamais serão esquecidos, 2008 vive!

Bruno Penna
Bruno Penna

Nascido e criado no Rio de Janeiro, é formado em Administração e apaixonado por esportes. Começou a se interessar por basquete em 2005 ao assistir um monstro chamado Kevin Garnett em quadra. Se apaixonou pela história do Boston Celtics e desde então dividiu o fanatismo que antes era ocupado só com o Botafogo.

1 Comentário

  1. Fernando C. da Silva disse:

    Bons tempos que passaram. Saudades. Estou feliz com o trabalho do DA. Em breve, muito em breve estaremos lutando pela conferência. Acredito que o PP34 encerre a carreira conosco, reforçando nosso banco e quem sabe disputando o título.

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