Kyrie Irving e Gordon Hayward são oficialmente apresentados

Na última sexta-feira, Kyrie Irving e Gordon Hayward foram, oficialmente, apresentados como as novas estrelas do Boston Celtics. A coletiva de imprensa aconteceu no TD Garden, após uma semana de incertezas ao redor da troca envolvendo o novo armador celta.

A cerimônia teve início com os jogadores recebendo suas novas camisas: Gordon Hayward será o dono do número 20, enquanto Kyrie Irving usará o 11. Após posarem para as fotos, Danny Ainge e Wyc Grousbeck, um dos donos da franquia, fizeram seus discursos.

Wyc disse, dentre outras coisas, que “desde 1946, o Boston Celtics é uma organização que busca títulos e, hoje, nós adicionamos dois jogadores que possuem qualidades de campeão dentro e fora das quadras”.

O sentimento de jogar em Boston

Após a primeira pergunta feita, Kyrie Irving reservou um momento para prestar sua solidariedade a Jae Crowder, que perdeu sua mãe no dia em que a troca com o Cleveland Cavaliers fora realizada, e a Isaiah Thomas, que perdeu sua irmã no início dos playoffs da última temporada.

Logo após seu discurso inicial, o novo armador de Boston disse:

“Receber a oportunidade de ser parte de uma organização tão ilustre como o Boston Celtics, que eu cresci vendo diferentes vídeos, é uma honra. Inclusive, pedi a Danny (Ainge) para que me emprestasse algumas fitas VHS, referentes aos títulos do passado”.

Depois de algumas risadas dos presentes, finalizou dizendo:

“Quando você tem uma oportunidade única de ter pessoas especiais ao seu lado e de ser parte de uma organização como essa – e eu sei que eles fizeram todo o possível para concretizar essa troca -, você só deve agradecer e eu mal posso esperar para ir à quadra e maximizar meu potencial. Eu só quero estar ao redor dessa comissão técnica incrível e das mentes incríveis que há por aqui, e eu sinto como se Boston tivesse aparecido no tempo certo, isso era pra acontecer e eu confio nisso”.

Gordon Hayward, ao ser perguntado se compartilhava desse sentimento, assim respondeu:

“Sinto-me igual ao que Kyrie (Irving) disse. As pessoas que estão nessa organização e a história que elas tem são únicas, assim como o técnico Stevens. Eu acho que estou apenas entrando em meu auge técnico e sinto que ainda posso melhorar bastante por aqui. A cidade e os fãs são excitantes e eu acho que será um grande ano”.

Kyrie Irving explicou aos presentes o motivo pelo qual pediu ao Cleveland Cavaliers para ser trocado. Segundo o jogador, recrutado com a primeira escolha-geral do 2011 NBA Draft, ao longo de sua carreira em Ohio, ele cresceu não só como jogador de basquete, mas também como homem e que, após três idas consecutivas às finais da NBA, era preciso colocar-se em uma situação onde pudesse crescer junto com outros atletas, e que isso o ajudaria a desenvolver todo o seu potencial.

Além disso, acrescentou que a oportunidade de jogar sob o comando do técnico Brad Stevens é algo que o deixa muito animado e que será um privilégio aprender com um dos melhores técnicos da liga.

Quando perguntado pelo jornalista Jeff Goodman, da ESPN, sobre qual seria o maior motivo que o impediria de atingir seu potencial em sua ex-equipe, o camisa 11 do Celtics foi incisivo:

“Estar em um lugar onde todos gravitarão, não como indivíduos, mas como um grupo e um time, e é o que tem sido feito nos anos passados e continuará sendo nos anos depois de nós, e é exatamente disso que eu queria fazer parte”.

Hayward e a ausência de Isaiah Thomas

O jornalista Raul Martinez, da rede NBC Boston, perguntou a Gordon Hayward sobre o que passou pela sua mente quando viu toda a movimentação que culminou na troca envolvendo Isaiah Thomas e Jae Crowder por Kyrie Irving, sendo que, quando aceitara jogar pelo Boston Celtics, eles seriam seus companheiros de time.

Eis a resposta do jogador All-Star:

“Isaiah Thomas fez um tremendo trabalho no processo de me recrutar para Boston. Ele falou sobre a cidade, os fãs e a organização, bem como da comissão técnica e das pessoas envolvidas no dia-a-dia da franquia. Eu estava definitivamente empolgado para jogar com ele. Ele é um jogador incrível, teve um ano inacreditável ano passado e eu estaria mentindo, se eu dissesse que essa não é a verdade.”

O novo camisa 20 do Celtics completou com o seguinte comentário:

“Eu estou na liga há tempo suficiente para entender que isso é um negócio. As coisas acontecem e mudam rapidamente. Saí da oportunidade de jogar com Thomas e o resto do pessoal, para jogar com Kyrie Irving, um dos melhores jogadores de basquete na liga. É outra grande oportunidade pra mim. Digo o mesmo em relação aos demais envolvidos: Jae Crowder é um tremendo jogador de basquete e, infelizmente, não terei a chance de jogar com ele, mas, ao mesmo tempo, nós temos Marcus Morris, Aaron Baynes, Marcus Smart, Terry Rozier, dois jovens em Jayson (Tatum) e Jaylen (Brown), e, obviamente, Al Horford, que foi importante para que eu viesse. Essa oportunidade continua aqui para mim”.

Kyrie Irving foi perguntado se sentia um desafio extra de carregar o Boston Celtics sob seus ombros, agora que Isaiah Thomas não mais faz parte do elenco e, mais uma vez, a resposta foi no sentido contrário e de forma bem humorada:

“Eu não acho que exista esse negócio de uma pessoa carregando um time todo. Quando se tem um grupo, que tem a mesma visão e o mesmo objetivo, o ambiente e o rendimento melhoram a cada dia. Existem muitas partes que você depende do bom funcionamento delas, para que façam seu trabalho e desenvolvam uma identidade (…). É nosso trabalho fazer o melhor de cada um aparecer todos os dias e eu acho que isso tem ecoado por toda essa organização e essa é a tradição aqui em Boston.

Não existe um jogador, mas alguns talentos muito, muito especiais. Eu acho que um time é mais lembrado que apenas um jogador, muito embora vocês tenham alguns hall of famers aqui. Só alguns. Tem alguns poucos números aposentados (no teto do TD Garden).

(…) Estar num time especial como esse, com indivíduos especiais e olhar cada homem no olho e dizer a ele:  ‘Você pode contar comigo’. Não existe nada como isso”.

 

A reação de Irving e a admiração por Brad Stevens

A coletiva continuou com Kyrie Irving explicando suas emoções quando soube que seria trocado para o Boston Celtics. O jogador, que estava em Atlanta filmando mais um episódio do comercial da Pepsi, o famoso Uncle Drew, disse que quando recebeu a ligação, falou alguns palavrões e isolou-se em uma rua, vendo os carros passando. Aproveitou o momento, pois, segundo ele, era o início de algo muito especial.

Tanto Kyrie Irving quanto Gordon Hayward evidenciaram sua admiração pelo técnico Brad Stevens. Para Kyrie, o técnico Celta consegue extrair o melhor de cada jogador e os coloca na melhor posição possível para que isso se traduza em produção em quadra. Disse, ainda, que não vê a hora de poder trabalhar e trocar experiências.

Por sua vez, Gordon Hayward disse que via em Stevens uma figura paterna, quando trabalharam juntos na Universidade de Butler e, de todas as pessoas que passaram por sua vida, Stevens foi provavelmente a primeira pessoa que lhe impulsionou para que realizasse seu sonho de jogar na NBA.

 

Entrosamento

Hayward e Irving foram questionados sobre sua relação antes de chegarem a Boston e daí surgiu a melhor cena da coletiva: ambos se olharam como se já jogassem juntos há muito tempo. Combinaram algo rapidamente e a resposta foi dada por Gordon Hayward:

“A primeira coisa é que é o destino, nós dois fazemos aniversário em 23 de março. Então, isso era pra acontecer! Em 2013, eu fui visitar Cleveland quando eu era um agente livre restrito e Kyrie disse como seria divertido se eu me juntasse ao time e meio que me recrutou.”

Completou, de forma bem humorada levando os presentes às gargalhadas, dizendo:

“Daí LeBron veio e acabou com a coisa toda, mas o ciclo se completou e aqui estamos nós.”

Por fim, Jeff Goodman, da ESPN, perguntou à Kyrie se ele havia conversado com LeBron James após todo o processo da troca, a resposta foi simples: “Não, não tenho conversado com ele”. Completou dizendo que fez o que fez com a melhor de suas intenções em mente, bem como o respeita muito e como aprendeu com ele ao longo do tempo que jogaram juntos.

Após todas as perguntas, Kyrie procurou seu pai para presenteá-lo com a sua nova camisa. A curiosidade é que o pai de Irving, Drederick Irving, é uma lenda do Boston College e tem a sua camisa, de número 11, aposentada pela Universidade.

Faltam aproximadamente três semanas para o início dos treinamentos em Waltham. Até lá, os jogadores devem se reunir e iniciar o processo de formação deste novo time do Boston Celtics.

Eduardo Quirino
Eduardo Quirino

Eduardo, 30 anos, nascido em Niterói/RJ mas é Resendense de coração. Bacharel em Direito, estudante de Administração e flamenguista, é apaixonado por esportes e envolvido com o basquete desde os 14 anos. Ex-pilar do Volta Redonda Rugby, ex-capitão do Resende Rugby e atual ala-pivô do Basquete Resende, tem como espelho a lenda Kevin Garnett, razão pela qual começou a torcer para o Boston Celtics em 2008. KG se foi, mas o amor pelo Celtics é pra sempre! Sou um dos calouros do Celtics Brasil e espero vê-los muitas vezes por aqui!

18 Comentários

  1. Bruno Araujo disse:

    Grande matéria, parabéns pelo belíssimo trabalho! Estou muito animado com esse time. Evoluímos muito. Torci muito para que essa contratação se concretizasse, sempre fui fã desses dois e tê-los no meu time parece um sonho. Stevens deve estar muito animado por contar com tantos talentos, ele deve estar rindo à toa. Além disso, estou muito curioso para acompanhar a evolução de Brown e Tatum, que, pra mim, têm potencial para serem all star.

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  2. Rodrigo Ribeiro disse:

    Estamos todos ansiosos para o início da temporada, agradecemos a Thomas, Bradley e Jae, porem não nos levariam a um título, nosso time está bem melhor agora, certo que teremos ainda um tempo de adaptação. Pelo que observo os demais times já começam a se incomodarem conosco! Vamos pra frente!

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  3. Neto disse:

    o time vai ser Kyrie,Brown,Hayward,Morris e Horford certo ?

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    • Bruno Araujo disse:

      Ou o Smart no lugar do Brown. Mas espero que seja esse que você citou.

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    • Danilo Gonçalves disse:

      Pea mim o Smart tem que ser titular.

      Descaracterizamos a nossa defesa de perímetro com a saída de Crowder e Bradley, e o Smart é um ótimo defesor e poderar ser importante para “cobrir” o Irving que não defende tão bem.

      Além do mais, Smart tem um arremesso ruim, porém, não terá a obrigação imediata de marcar pontos com Hayward, Irving e Horford em quadra, podendo focar-se exclusivamente na defesa.

      Já quanto ao Brown, precisamos de alguém que lidere nossa pontuação do banco junto com o Tatum. E como o Smart não é um jogador pontuador (e nosso time titular é recheado de scores), torna-se conveniente que ele lidere a defesa no time titular e o Brown lidere a pontuação da reserva.

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      • Renato disse:

        Nossa rotação inicial deve ser:

        Irving Brown Hayward Morris Horford

        Nossa rotação reserva:

        Rozier Smart Tatum Theis Baynes

        Brown e inconsistente no ataque, mas tem ferramentas físicas para ser um defensor de elite, sua altura e versatilidade são muito úteis, e seu ataque pode se destacar sendo a quarta ou quinta opção ofensiva.

        Smart ofensivamente e fraco, mas sua garra e liderança, alem de sua defesa de elite compensam. Outro fato a ser analisado e sua visao de jogo que colabora com o Rozier para uma melhor organização de jogo, e naturalmente por ser uma segunda unidade bem defensiva, veremos a capacidade ofensiva do Tatum ser testada.

        Naturalmente vao existir rotações alternativas, vou sugerir duas:

        Irving Smart Tatum Morris Baynes

        Rozier Brown Hayward Theis Horford

        Essas formações alternativas devem ser usadas em jogos mais importantes, playoffs e contenders, para garantir a pontuação com sempre 1 All Star em quadra.

        Não deve fugir muito disso, no máximo Yabuselle ou Ojeleye se destacam e assumem a vaga do Theis na segunda unidade ou a 15 vaga do elenco nos trás mais alguma surpresa.

        Temos um baita time, na minha visão já capaz de vencer o Cavs, ou dar muito trabalho, ainda inferior ao GSW

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        • Marcos disse:

          Acho que o Smart e o Morris vão ser fundamentais na parte defensiva e brigadora da equipe que é muito importante nesse time com Irving, Horford e Hayward.
          Sem contar que não vão jogar improvisados.

          Seriam esses os titulares, na minha opinião.

          Espero uma grande evolução do Smart nessa temporada na parte física e defensiva (mais alto, porém mais dumb, do que o Avery) e conto com o Morris para fazer o que o Crowder não fez: diminuir as cavalgadas dos alas mais fortes para dentro do nosso garrafão (vide Cavs).

          Na segunda unidade, tudo vai depender do Tatum (principalmente) e Brown trazerem pontuação, pq sobra energia e voluntarismo em Rozier e cia.

          []s verdes

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  4. Antonio Jhennyson de Souza disse:

    Empolgante. Não vejo a hora dessas turma começar a jogar.
    Bela matéria pessoal. Me senti como se estivesse lá.

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  5. Paulo Guilherme disse:

    Excelente matéria!

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  6. Stefanon disse:

    Já estava empolgado para ver o Tatum jogando, me parece um futuro allstar…agora com Irving, Hayward e Horford acho que batemos sim de frente com o cavs. O fator decisivo para mim são os rebotes…caso Stevens consiga melhorar nosso time neste fundamento daremos um grande up nesta temporada.

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  7. Bruno Ferronato disse:

    Gostei bastante das respostas dos 2, vejo esse time dando certo a curto e longo prazo. Parabéns pela matéria.

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  8. Marco Ferreira disse:

    Motamos agora uma equipe completamente nova, com uma esperança para agora e para o futuro, mas este ano acredito que vamos sofrer um pouco principalmente no início da temporada devido ao desentrosamento e a falta de experiência dos nossos novatos!

    Let’s Go Celtic’s…

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  9. Cristian Mauro Soldano disse:

    Galera…todo mundo fala da pick dos Nets…..mas eles montaram um time bem mais forte que ano passado numa Conferência mais fraca……não será que a pick Lakers terá mais chances de ficar dentro Top5?
    Pq muitos times iram jogar pouco para tankar (Chicago, Indiana…)
    Comentários?

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    • Marco Ferreira disse:

      Cristian, eu acredito muito que o Nets vão bem melhor que na temporada passada, vou até mais longe, não duvido de uma classificação do Nets para as offs, agora também acredito em um Lakers melhor que na temporada passada, assim minha dúvida é a pick caso o Lakers não seja top 5 é a melhor pick entre Sacramento e 76, mas é a pick 2018 mesmo né? Assim confesso que acredito mais na pick vindo do Sacramento.

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    • Marcos disse:

      Pode parecer zoeria, mas acho que o Nets deve fazer offs.
      1- Celtics
      2- Cavs
      3- Wizards
      4- Bucks
      5- Hornets
      6- Toronto
      7- Heat
      8- Nets

      Tudo é possível e seria tudo que o Cleveland merece por essa lambança de dar rollback na trade.

      []s verdes

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    • Danilo Gonçalves disse:

      Concordo que tem times piores no Leste do que o Nets (o próprio Pacers deve ser atropleado), mas ir para os playoffs acho muito difícil.

      Eles dependem agora de um D’Angelo Russel com sérios problemas de liderança e atenção, apesar do talento, e dependem de jogadores que pouco mostraram até hoje na liga como Carroll, Crabbe, Hollis-Jefferson, Trevor Booker

      E perderam Brook Lopez

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    • Fernando Henrique disse:

      Acho que a pick lakers vai ser melhor do que a pick Nets mesmo. Só não acredito em Nets nos playoffs, na conferência só vejo eles melhores do que Hawks e Pacers, no mesmo nível do Bulls.

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  10. Cristian Mauro Soldano disse:

    Então torcer pelos Nets !!!

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