20

fevereiro

2017

39

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Não se pode perder, o que não se quer

Desde que a troca, que enviou DeMarcus Cousins para o New Orleans Pelicans, foi confirmada, muitos torcedores celtas têm reclamado do presidente de operações da franquia, Danny Ainge, dizendo que o mesmo perdera uma grande oportunidade, especialmente pelo preço pago pela equipe do estado da Louisiana para adquirir os talentos do ex-jogador do Sacramento Kings.

Eu entendo. É a reação natural, afinal, Cousins é um pivô que produz a nível de uma verdadeira super-estrela da melhor liga de basquete do mundo. O Celtics, por sua vez, atualmente segundo melhor time da Conferência Leste, possui escolhas de Draft e jovens jogadores que seriam capazes de seduzir a franquia californiana a trocar seu melhor jogador conosco. Por fim, quando lembramos que uma de nossas principais fraquezas são os rebotes e que pivô em questão tem esse ponto como uma de suas maiores virtudes, tendemos a querer, de imediato, os serviços do jogador três vezes convocado para o All-Star Game.

Nos últimos anos, convivemos com inúmeros rumores que diziam que Cousins poderia desembarcar em Boston. Muitas matérias e jornalistas apontavam que, caso o Kings trocasse seu pivô, o Celtics seria um dos destinos mais prováveis.

No entanto, após o All-Star Weekend, Boogie (como o jogador é apelidado) passou a ser um Pelican. De acordo com o excelente jornalista Adrian Wojnarowski, Sacramento enviará o super-talentoso Cousins, de 26 anos e que angaria mais de 27 pontos e 10 rebotes por noite, e Omir Casspi para o New Orleans Pelicans, que, por sua vez, dará Buddy Hield, Tyreke Evans, Langston Galloway e duas escolhas no 2017 NBA Draft (uma de cada rodada), como contraprestação.

Difícil encontrar um fã de NBA que não pense que o Pelicans conseguiu uma grande barganha nessa transação. Entre os torcedores celtas, também reina a dúvida acerca do porquê o maior campeão da NBA não foi atrás de Cousins. Afinal, é indiscutível que o Celtics tem melhores peças para oferecer, quando comparado à franquia de Big Easy (como é conhecida a cidade de New Orleans). Um pacote envolvendo Amir Johnson, Jaylen Brown, a escolha do Nets no 2017 NBA Draft e, talvez, mais uma ou duas escolhas de Draft seria o bastante para adquirir o jogador de 2,11 metros. O Celtics poderia ter conseguido um dos 10 melhores jogadores da liga, mas não o fez.

Isso tudo nos diz uma coisa, e se você pensa que a mensagem é que Trader Danny (apelido dado a Danny Ainge, devido ao seu histórico de grandes trocas feitas) perdeu o jeito pra coisa ou está fazendo um mau trabalho, está enganado. A mensagem é a seguinte: o Celtics não fez uma oferta por DeMarcus Cousins, simplesmente porque não quer contar com seus serviços.

Talvez, em algum momento, no passado, o Celtics tenha tido interesse no pivô, quando os rumores começaram a surgir. Talvez, os rumores não tenham sido nada mais do que meros….rumores. O fato é que o Celtics poderia ter oferecido algo melhor ao Kings, mas, ao que tudo indica, não o fez. E por quê? Por que o interesse de Ainge não era forte o bastante, ou por que o GM celta perdeu o desejo em adquirir Cousins? Eu diria que é um pouco dos dois.

A história nos mostra que Ainge não tem medo de contar com jogadores problemáticos em seu elenco, especialmente quando os mesmos vêm a preço de banana. Contudo, quanto a Cousins, talvez Ainge pense que o jogador não tenha solução e que é um caso perdido. Talvez, Ainge tenha ouvido coisas negativas de Cousins, vindas de Isaiah Thomas, antigo companheiro do jogador oriundo da Universidade de Kentucky. Talvez, Brad Stevens também tenha sido contrário à negociação, o que seria bastante relevante, já que ele seria o encarregado a lidar com a forte personalidade do super-pivô.

Os “talvez” são infinitos. Talvez, Ainge veja, no próximo recrutamento, um jogador com potencial de ser o franchise player da equipe para os próximos quinze anos e que não traga, consigo, os mesmos problemas que Cousins traz. Talvez, Ainge tenha achado que não valia a pena realizar uma troca, por um jogador que já disse, abertamente, que não renovaria antes de testar o mercado, como agente livre irrestrito, em 2018. Por fim, talvez, o GM celta pense que o Celtics tem reais chances de adquirir Paul George, Jimmy Butler ou qualquer outra estrela da liga que ofereça menos riscos de prejudicar o bom ambiente interno da equipe.

Nós poderemos eliminar muitos desses “talvez” ao longo da semana, especialmente quando a Trade Deadline for encerrada, o que ocorrerá às 17h da próxima quinta-feira, dia 23.02.2017. Por ora, a única certeza que temos, é que DeMarcus Cousins foi trocado, mas não com o Celtics. Não porque não o conseguimos, mas porque não o quisemos. Hora de seguir em frente e não viver de lamentações.