22

março

2017

15

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O Celtics assegurou sua vaga nos Playoffs. Hora de debater qual o melhor rival para a primeira rodada

Após sofrerem uma derrota de 20 pontos para o Nuggets, no dia 10.03.2017, os celtas Isaiah Thomas e Jae Crowder saíram para jantar em Denver. Naquela oportunidade, Thomas não conseguiu esconder sua frustração com o revés de horas atrás, sobretudo pelo fato daquela derrota ter causado mudanças na classificação da Conferência Leste, ainda que de forma temporária.

“Ele estava muito irritado”, lembra Crowder. “Ele estava nervoso, porque o Wizards havia vencido naquela noite e nos ultrapassado na classificação”.

Desde aquele dia, contudo, a maré mudou. Nos 10 dias seguintes, o Celtics recuperou a vice-liderança de sua conferência e derrotou o próprio rival da capital norte-americana, abrindo 2.5 jogos de vantagem sobre os mesmos. Nesta reta final de temporada regular, o Celtics ainda disputará 11 partidas, enquanto o Wizards entrará em quadra mais 12 vezes.

Se você pensa que esse positivo cenário acalmou o All-Star celta, está muito enganado:

“Eu quero muito essa segunda colocação”, disse Thomas, logo após vencer o Wizards, na última segunda-feira. “Se Deus quiser, vamos, ao menos, assegurar a segunda posição, mas seria muito bom roubar a primeira colocação do Leste para nós”.

Boston, que assegurou, matematicamente, sua vaga no 2017 NBA Playoffs, após os resultados de ontem, está atrás do líder Cleveland Cavaliers por apenas 2 jogos. Entretanto, o Cavaliers, após meses sofrendo com lesões, está, finalmente, saudável, podendo contar com os serviços de Kevin Love e J.R. Smith. Assim, em condições normais, a equipe de Ohio não deve ter problemas para manter sua posição até o fim da temporada regular.

Porém, há um interessante dado a ser observado. O treinador do Cavaliers, Tyronn Lue, deixou claro que acredita na importância de um elenco saudável e, principalmente, descansado. No último sábado, ele causou uma revolta nos executivos da NBA, por ter poupado LeBron James, Kyrie Irving e Kevin Love em um jogo contra o Clippers, que foi transmitido, em horário nobre, para todo os Estados Unidos. O Cavaliers veio a perder esse jogo por 30 pontos, diga-se de passagem.

Outrossim, é importante ressaltar que, dentre seus jogos restantes, o Cavaliers ainda terá quatro back-to-back’s. O Celtics, por sua vez, só terá mais um. Portanto, caso Lue continue com sua tática de descansar os principais jogadores, o Celtics poderá acabar sendo agraciado com a primeira colocação do Leste.

De todo modo, embora a conquista da primeira posição – ou até mesmo da segunda – seja um feito de destaque, o Celtics deve se preocupar com algo que se deparará antes: o seu rival na primeira rodada dos Playoffs. Afinal, o direito de ter mando de quadra nas Finais do Leste só terá utilidade e valor, caso Boston consiga, de fato, chegar às Finais do Leste.

Depois do Celtics conquistar uma significativa vitória sobre o Warriors, em 08.03, e ser esmagado pelo Nuggets (que tem campanha inferior a 50% na temporada), dois dias depois, o treinador celta, Brad Stevens, afirmou que Denver oferece um matchup mais ingrato, a Boston, do que Golden State. E ele pode estar certo, no fim das contas. Ou seja, a mensagem é clara: no mundo da NBA, matchup’s importam, e importam muito.

Hoje, apenas quatro jogos de diferença separam o quinto (Atlanta Hawks) do décimo colocado do Leste (Chicago Bulls). Destarte, ainda é imprevisível quem será o adversário celta. Vamos fazer uma pequena análise de cada possível rival:

– 5° colocado: Atlanta Hawks (37-33)

Esse confronto parecia praticamente impossível até uma semana atrás, mas muito aconteceu nos últimos dias. De lá pra cá, Atlanta viu seus titulares Kent Bazemore e Paul Millsap sofrerem lesões, além de ter perdido seus quatro últimos jogos.

De qualquer forma, esse seria o rival que o Celtics menos gostaria de encontrar, ao menos agora. Na última temporada, o Hawks levou a melhor sobre o Celtics, tendo vencido 7 de 10 jogos disputados (somando temporada regular e playoffs). Claro, o Celtics perdeu Avery Bradley, ainda no jogo 1, e o Hawks ainda tinha os talentos de Al Horford.

Entretanto, quando olhamos para os jogos realizados já em 2016/2017, o cenário também não é animador. No primeiro duelo, Boston precisou de uma cesta, no último segundo, de Isaiah Thomas, para vencer na Geórgia. No segundo confronto, o Hawks foi a Massachusetts e impôs, ao Celtics, uma de suas piores derrotas nessa edição da liga.

Por fim, embora o Hawks não conte mais com o dominicano Horford, eles repuseram sua saída com o big man Dwight Howard, que lidera a defesa de Atlanta, atualmente a quarta melhor da NBA.

– 6° colocado: Indiana Pacers (36-34)

Esse seria um rival bem recebido pelo maior campeão da NBA. O Indiana Pacers é o único possível time de Playoffs com um desempenho pior em rebotes (27° em percentual de rebotes coletados por partida) do que o Celtics (26°).

As equipes já mediram forças em duas oportunidades, na atual temporada. Boston levou a melhor em ambas, sendo que os dois jogos foram realizados em Indiana.

A única observação a ser feita é que as equipes ainda não se enfrentaram com seus elencos totalmente saudáveis. Pelo lado do Pacers, Paul George perdeu o primeiro embate e Monta Ellis esteve fora do segundo. Pelo Celtics, Horford e Crowder também não disputaram o último jogo entre as franquias.

– 7° colocado: Milwaukee Bucks (35-35)

Essa série pode ser problemática para o Celtics, tendo em vista que o Bucks supera o Celtics, em estatura, em cada uma das cinco posições. Além disso, a franquia de Wisconsin conta com outros jogadores altos no banco de reservas, tais como Greg Monroe (2,11 metros), John Henson (2,11 metros) e Mirza Teletovic (2,06 metros).

Apesar de seu tamanho, o Bucks é uma equipe fraca em rebotes, sendo apenas a 23ª melhor equipe da liga nesse quesito. Por outro lado, Milwaukee, ao lado de Miami, são as únicas franquias, dentre as seis citadas nessa matéria, que possuem um net rating positivo (espécie de saldo de pontos, entre os feitos e sofridos), ao ter 0.8 a seu favor.

O Celtics só disputou um jogo contra o Bucks, até o presente momento, tendo-o vencido por 112×108, em Wisconsin. Naquela oportunidade, Celtics não contou com Horford e Bradley. O Bucks também estava desfalcado de Khris Middleton (14.8 pontos por jogo, na atual temporada). As equipes ainda se enfrentarão mais duas vezes em 2016/2017.

– 8° colocado: Miami Heat (35-36)

Poucos meses atrás, os torcedores do Celtics enxergavam na franquia de South Beach, a principal ameaça a roubar do Brooklyn Nets, o posto de pior equipe da temporada. Contudo, após ter perdido 30 de seus 41 primeiros jogos, o Heat ressurgiu das cinzas e, do All-Star Break pra cá, possui um net rating de 8.7, que é o segundo melhor de toda a NBA, atrás apenas do Houston Rockets.

Boston venceu todos os 3 jogos realizados contra Miami, em 2016/2017, com uma média de 7 pontos de diferença por confronto. Em um desses jogos, inclusive, vimos Isaiah Thomas explodir para 52 pontos. Importante mencionar que Miami não contou com Dion Waiters (um de seus principais jogadores) em nenhum desses confrontos. O mencionado jogador, aliás, está lesionado, novamente, no momento, devido a uma torção no tornozelo. Caso o Heat possa contar com seu ala-armador, nos playoffs, a franquia da Flórida subirá de rendimento e tornar-se-á mais ameaçadora.

Todavia, o Celtics tem rendido bem contra o Heat e esse confronto não seria de causar perda de sono.

– 9° colocado: Detroit Pistons (34-37)

Essa seria mais uma série para os torcedores de Boston torcerem para não ocorrer. Embora o Celtics tenha levado a melhor na série de temporada regular (3 vitórias em 4 partidas), o placar final, após a soma dos 4 jogos, é de 425×420 a favor de Boston. Todos os quatro jogos foram decididos por 7 pontos ou menos.

Outro detalhe curioso, é o fato do Celtics encontrar dificuldades para forçar turnovers contra o Pistons. Duas das piores atuações do Celtics, quando o assunto é forçar turnovers, ocorreram contra Detroit.

Por fim, apesar da franquia do Michigan ter um grande reboteiro em Andre Drummond, no último encontro entre as equipes, Boston, de alguma maneira, conseguiu a melhor nesse quesito, ao angariar 52 rebotes, contra apenas 45 do rival.

– 10° colocado: Chicago Bulls (33-38)

Após quatro partidas realizadas em 2016/2017, vimos um suposto equilíbrio nesse confronto, já que cada equipe venceu duas partidas. Entretanto, muito mudou e ocorreu em Chicago, ao longo da temporada. Para começo de conversa, o Bulls trocou seu melhor reboteiro (Taj Gibson) e o jovem Doug McDermott. Além disso, Dwyane Wade está fora do restante da temporada, devido a uma lesão no cotovelo.

A franquia de Illinois aparece na terceira colocação no ranking de rebotes coletados, mas, desde a negociação de Gibson, é apenas a 18ª no mesmo quesito. O net rating de Chicago, desde a supracitada troca, é de -4.4, o sexto pior da liga.

O Bulls não parece ter forças para chegar aos Playoffs, mas, caso chegue, não deverá oferecer muita resistência e deve ser eliminado em poucos jogos.