Opinião: um passo para trás, dois passos para a frente

Após muitos dias de especulações e negociações, a janela de transferências da temporada 2015/2016 da NBA foi encerrada na tarde desta quinta-feira (18). A Trade Deadline, como é chamada, teve o Boston Celtics como uma das principais atrações: em processo de reconstrução desde a saída de Paul Pierce e Kevin Garnett, a franquia de Massachusetts não escondia sua ambição no mercado e contava com ativos valiosos para fechar uma negociação. Porém, mesmo com o seu nome envolvido em trocas por jogadores como Al Horford, Kevin Love e Dwight Howard, o Celtics não realizou nenhuma mudança no elenco. Uma decisão surpreendente para alguns, sensata para outros.

O general manager do Boston Celtics, Danny Ainge, não demorou a se pronunciar sobre a falta de movimentação da franquia no mercado. Para o dirigente, as possibilidades de sucesso em negociações serão maiores na pós-temporada, quando o Celtics poderá negociar com agentes livres e oferecer contratos excelentes, principalmente por causa do aumento no teto salarial em 2016/2017.

“Sabemos que o teto salarial vai subir e que teremos muita flexibilidade nesse teto na pós-temporada. Temos planos para esse teto e nós não queremos comprometer isso. Estávamos perto de fazer algumas movimentações, mas optamos por não fazer na última análise. Teremos outra oportunidade de fazer esse time melhor, muito mais do que tivemos em fevereiro”, afirmou Ainge.

A verdade é que Danny Ainge, por mais que tenha sondado o mercado, não tinha pressão para fazer uma movimentação e resolveu ficar parado. Em entrevista antes da Trade Deadline, o gerente celta falava: “estou olhando para jogadores que podem fazer uma grande diferença”. Sabendo que o Celtics precisava negociar e tinha condições de fazer uma boa oferta, as outras franquias dificultaram as ações. O Alviverde, por sua vez, não estava disposto a precipitar as coisas e pagar um preço muito alto por um possível sucesso.

Além do aumento na folha salarial, o Boston Celtics deve apostar boa parte de suas fichas no NBA Draft 2016, quando terá oito das 60 escolhas, três delas no primeiro round: a sua própria escolha, a do Dallas Mavericks, herdada na troca que resultou na saída do armador Rajon Rondo, e a do Brooklyn Nets, que veio com a saída de Pierce e Garnett. Como o Nets é a terceira pior campanha da temporada e não deve melhorar sua situação, a escolha deve permanecer no Top 5, e o leque de opções é grande: ao mesmo tempo em que sonha com o promissor Ben Simmons, o Celtics pode envolver a escolha em uma troca, assim como em 2007, quando conseguiu a contratação de Ray Allen em uma situação parecida.

Os contratos do atual elenco, por sua vez, também são importantes no processo de reconstrução da franquia. Nove dos 15 atletas celtas estão sob contrato, incluindo os destaques Isaiah Thomas, Avery Bradley e Jae Crowder, que assinaram por valores abaixo da média do mercado, inflacionado pelo aumento do teto. Com a saída de David Lee, que tem o maior salário do elenco, o espaço na folha ficará maior, facilitando as contratações de futuros craques e as renovações com o pessoal “da casa”, como Evan Turner e Amir Johnson.

Por fim, Danny Ainge aposta no talento, no esforço e na dedicação do atual elenco, que está levando o Celtics a um surpreendente terceiro lugar na Conferência Leste. Os concorrentes diretos, como Miami Heat, Indiana Pacers, Toronto Raptors, Chicago Bulls e Atlanta Hawks, também não deram passos muito largos na Trade Deadline, o que ajudou Ainge a manter o Celtics tranquilo no mercado.

No fim das contas, a Trade Deadline deste ano me lembrou de um artigo que escrevi aqui no Celtics Brasil, há quase um ano, falando sobre o “primeiro título” da reconstrução do Boston Celtics, que foi a classificação para os playoffs. Na época, argumentei que avançar e tentar bater de frente com o Cleveland Cavaliers, mesmo com chances remotas de vitória, seria importante para construir uma mentalidade vencedora e dar experiência ao elenco. Essa experiência da última temporada está fazendo a diferença em 2015/2016, isso é inegável. Desta vez, foi Danny Ainge que deu um passo para trás agora, pensando em dar dois passos para a frente depois. Como vimos, as opções são muitas e o futuro é promissor. Agora é torcer, dentro e fora de quadra, para que o Boston Celtics continue no caminho para o sucesso.

Gustavo Arruda
Gustavo Arruda

Gustavo, 25 anos, é maranhense de São Luís, estudante de Jornalismo e repórter esportivo do Imirante.com. Fanático por esportes, principalmente futebol e basquete, é torcedor celta desde 2003, quando ouviu pela primeira vez o TD Garden lotado entoando “Let’s go, Celtics!”, e escreve no Celtics Brasil desde julho de 2011. Nas horas vagas, é goleiro, armador, consumidor de danone, tio do João Gabriel e dá seus pitacos sobre o maior campeão da NBA no Twitter: @gustavoarruda01.

17 Comentários

  1. Fernando Fagundes disse:

    Eu só discordo na parte do passo para trás. Na minha visão ele na verdade ficou parado para dar os dois passos pra frente. Porque não perdemos nenhuma oportunidade assim tão boa não e ninguém se reforçou de forma estupenda.

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    • Gustavo Arruda disse:

      Olá, Fernando. Falei em “passo para trás” porque, querendo ou não, a torcida ainda espera por um reforço de peso. O Celtics está atrás disso, tanto que sondou o mercado, mesmo sabendo que seria difícil trazer alguém agora.

      Pela postura pouco agressiva (e extremamente sensata, diga-se de passagem), o Celtics voltou ao mesmo patamar de negócios do começo da temporada: tímido, mas esperando a oportunidade certa. É uma pequena volta para trás, mas que não deve durar muito.

      Obrigado pela sua opinião e continue participando por aqui. Saudações celtas.

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  2. Lucas Braga disse:

    Quais são os nomes de “peso” na próxima Free Agent, que possa vir a ajudar o Boston Celtics a brigar pelo título já na próxima temporada?

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  3. Pelo menos a escolha do Nets (que virá a ser a Primeira, tenho fé) não foi trocada, como é desejo de muita gente, e também o Câncer Dwight Howard não veio.

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  4. Paulo Sérgio disse:

    O problema é que todos os times queriam tirar alguma coisa do Celtics. Ainda mais concorrentes diretos como o Atlanta Hawks. Ou então o Rockets que queria a Pick do Nets pelo Dwight Howard. Acho que na FA seremos a equipe com a melhor perspectiva. Porque os únicos times que terão maior cap que o Celtics são o Sixers e o Lakers. Então não demos um passo para trás. Ficamos no mesmo lugar. O que é muito bom.

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  5. Anthonny Brasil disse:

    Muito promissor o futuro do C’s! Direção na linha certa, ansioso pelo que vem por aí, nesta temporada com os playoff’s e na próxima Free Agency!

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  6. drakes disse:

    Eu sou da mesma opinião do Gustavo Arruda, houve sim um passo atrás por que não foi possível aproveitar uma janela para melhoria do time até para diminuir algumas fraquezas vivíveis.

    O problema que mesmo com isso e um elenco relativamente curto, o Celtics vem sendo o 9 ataque, 3 defesa e 5 time mais jovem, estando no ranking da ESPN que mede posição pela qualidade dos números apresentados em quadra até aqui em 7.

    O Ainge tinha um contrato realmente ruim para mexer que só seria possível usa-lo por um jogador que ganha muito,só usar o trademachine da ESPN, o salário do Young é apenas 1,7 milhões tem um raio muito reduzido, normalmente os jogadores nessa faixa que ainda estão na rookie scale.

    Infelizmente o David Lee não deu certo e valia nada em termos de mercado com isso a maioria das trocas ventiladas era por jogadores que veriam agora e o Celtics teria que overpaid (max contract) no fim da temporada para retê-lo.

    As razões da não se mexer e passo atrás são bem claras para mim; claro que a afirmação ficamos na mesma também me parece correta, acho que a diferença é a modulação de um possível efeito para data de ontem.

    Agora é ver o desenvolvimento do time, se irá ter uma melhora do valor dos jovens atletas, as posições das escolhas do draft e quem entrará realmente no projeto dos atletas universitários e estrangeiros. E claro torcer para o time ir pelo menos para semi-finais.

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  7. Rodney disse:

    galera, desculpem a ignorância! estou acompanhando a nba a partir desta temporada… e essa questão de trocas e escolhas pra mim esta um tanto confusa de entender.. tem algum local que eu consiga ler como funciona? obrigado!

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    • drakes disse:

      Jeito mais simples:

      Para trocas de jogador e ver se é possível devido as limitações o jeito mais simples é usar o “trademachine” da “ESPN” (se procurar no google com as palavras entre aspas vais encontrar o site).

      Para draft para ver clausulas e possíveis colocações só digitar “nbadraft”, onde tem asteriscos nos times só passar o mouse e tem as condições para este time reter a pick. Além de dar uma panorâmica de quem é cotado a vir no projeto.

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  8. Rafael disse:

    Rodney, boa tarde ! O Celtics Brasil é um bom site pra você entender como funciona, quanto mais você acompanhar mais entenderá essas trocas e escolhas nos drafts futuros, acompanho esse site desde 2009. Quando me tornei mais um apaixonado pelo celta.

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  9. Marcos disse:

    Das trades veiculadas, Griffin, Horford e (pelo preço certo) Howard seriam bons negócios.
    Não deu, mas o time podia ter usado a janela para melhorar a sua altura e se livrar de picks de segunda rodada.

    Resultado? Vai ser tudo ou nada na janela do final de temporada.

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  10. Gabriel Biasibetti disse:

    Melhor troca da temporada: A euforia e a pressa pelo planejamento a longo prazo! Ainge mito

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  11. Dhiego disse:

    Já pensou o Durant e o Horford. ..

    IT. Bradley. Durant. Horford e Sully
    Ou até deslocar o Horford para a 5 e o Crowder para a 4 e Smart de sexto man

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    • Marcelo SM disse:

      IT (Smart), Bradley (Turner), Durant (Jonas ou outro), Crowder (Mickey), Horford (Zeller)!

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    • Lucas Oliveira disse:

      Tava legal até o Sully né Dhiego!? Kkkkk

      Acabou acontecendo o que eu imaginava, ou seja, nada.
      E realmente o mercado se mostrou bem fraco. Então nada pode ter sido bom.

      Mas concordo com o marcos, 5 picks de 2° turno, em um time já saturado de jovens talentos promissores (muitos deles com pouco espaço para jogar), tem pouca utilidade… Vamos ver o que o Ainge faz com isso no fim da temporada.
      No mais eu adoro este time, então vai ser divertido ver o que eles sozinhos vão conseguir fazer

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  12. Renato disse:

    Vamos lá, a postura do Ainge foi conservadora, mas acima de tudo estratégica.

    Ele quer montar um novo BIG 3, isso está claro na minha mente, logo ele não quer comprometer CAP com jogadores medianos, ele quer comprometer CAP com All Star.

    Em nenhum momento achei que o Franchise Player ia vir dessa Trade, mas acreditava que poderia ter um ajuste de elenco sem comprometer o CAP, exemplo uma troca Hilbert por Trade, ambos expirantes e com salários semelhantes.

    Não to decepcionado pq mesmo com trades não imaginava o Celtics campeão esse ano, logo apenas passamos a vez para pós temporada.

    O Ainge sem fazer negócios, provocou uma certa pressão para o dia do Draft, já que as 8 escolhas ele não terá como usar.

    No meu pensamento ele deve fazer 2 movimentos, a escolha Nets deve ser envolvida com outros Ativos por um mega star, e ele deve usar as outras escolhas para subir e pegar um TOP 10 do draft.

    Hoje saiu uma notícia que o Ainge tinha um negócio por um mega star feito, envolvendo as escolhas Nets, mas de última hora o parceiro comercial desistiu, disseram ainda mais, que foi um jogador que não tinha sido mencionado nos rumores, e logo após alguns disseram Butler e outros Davis.

    Ou seja, Ainge fez seu trabalho, por detalhes não surgiu o Mega Star, agora não podemos gastar ativos em jogadores que não serão nossos Franchise Player.

    De qualquer forma uma coisa foi muito boa, que foi a dispensa do Lee e a vinda do Mickey para o elenco, tomara que ele seja o jogador que parece ser.

    Não desanimem, apesar de tudo o futuro ainda é plenamente promissor.

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