Os quatro dias que decidiram o futuro de Gordon Hayward

Muitos torcedores do Celtics passaram o primeiro final de semana de Julho, verificando, freneticamente, as redes sociais, a fim de saber as últimas notícias sobre a decisão de Gordon Hayward: ele deixaria o Utah Jazz, iria para Miami, ou assinaria com Boston?

A decisão de Hayward, agora, todos já sabem. Entretanto, em um podcast na última segunda-feira, com Adrian Wojnarowski, da ESPN, o novo ala do Celtics revelou como passou esses quatro dias indecisos – permutando entre três cidades, e ponderando sua escolha até o último minuto.

Sábado, 1° de Julho de 2017.

Hayward e sua esposa, Robyn, acordaram em Miami para uma reunião bem cedo no sábado com o presidente do Heat, o lendário Pat Riley.

“Miami era um lugar que, quanto mais falávamos sobre, cada vez mais parecia que seria realmente muito bom para mim”, ele disse a Wojnarowski.

Hayward disse que ele e seu agente, Mark Bartelstein, criaram um esquema de avaliação de diferentes prós e contras para cada equipe.

“Miami sempre esteve perto do topo do ranking”, disse ele.

Hayward disse que Bartelstein o alertou antecipadamente que depois de conhecer Pat Riley, ele se sentiria pronto para assinar com o Heat imediatamente. Depois de visitar as instalações da equipe e se encontrar com o treinador do Heat, Erik Spoelstra, Hayward disse que estava bastante convencido. Ele também notou que todos na reunião do Heat usaram seus anéis de campeões da NBA.

“Eu acho que a mensagem que enviei para Mark foi algo do tipo: “Uau, vai ser muito difícil alguém vencer essa reunião com o Heat”, disse Hayward. “Eu conversei com a Robyn e ela disse que realmente podia se ver morando lá”.

Indo para Boston no dia seguinte, Hayward disse que teve que fazer um esforço para colocar o Heat de lado em sua mente e conhecer os Celtics com “a cabeça limpa”.

Domingo 2 de Julho de 2017.

Hayward disse que sua chegada a Boston foi impressionantemente diferente de Miami, lugar ao qual ele e Robyn foram levados em um avião privado, receberam uma escolta policial e foram trazidos para o hotel através de uma porta dos fundos.

“No que diz respeito à segurança e privacidade, nunca vi nada igual”, disse ele sobre a visita a Miami.

Hayward chegou em um voo comercial ao aeroporto de Logan, onde ele e sua esposa foram recebidos de maneira simples pelo treinador do Celtics, Brad Stevens, e por seu assistente Micah Shrewsberry.

“Não tinha segurança algum”, disse ele. “Eu tirei fotos no hall do aeroporto com alguns fãs. Foi exatamente o contrário de Miami.”

No entanto, Hayward disse que sentiu “uma sensação imediata de familiaridade” reunindo-se com Stevens, seu ex-treinador da Universidade de Butler.

Ao contrário de Miami, foi o próprio Stevens que, dirigindo, levou Hayward para o hotel em Boston.

“Nos perdemos algumas vezes ao longo do caminho, eu disse ao Brad que ele precisava conhecer o Google Maps”, contou, gargalhando, Hayward.

Em Boston, Hayward disse que Al Horford fez questão de aparecer para conhecê-lo e a sua esposa, no café da manhã, e ficou com eles durante todo o dia. Isaiah Thomas e sua esposa se encontraram com eles mais tarde para jantar. De acordo com Hayward, o foco de suas discussões foi sempre o “Banner 18”.

Além de suas reuniões com a gerência celta, Hayward disse que fez uma sessão de vídeos com Stevens, que lhe mostrou como o time iria, hipoteticamente, atuar com ele em quadra.

“Eu saí de lá com o mesmo sentimento: ‘Cara, seria incrível jogar aqui'”, disse Hayward.

Stevens o levou de volta ao aeroporto, onde Hayward e sua esposa tiveram um voo de seis horas para voltar a San Diego.

“Minha mente já estava se rasgando, eu não sabia mais o que fazer pra decidir-me!”, disse ele.

Segunda-feira, 3 de Julho de 2017.

Finalmente, a última reunião de Hayward foi em San Diego, com o Utah Jazz, que ele descreveu no podcast de segunda-feira como “bastante emocional”.

Hayward disse que a equipe fez seu discurso, vendendo a ideia de trazer um campeonato para Utah pela primeira vez e fazer história, depois de ter experimentado tudo, desde os pontos baixos de jogar em uma equipe em baixa no início de sua carreira até se tornar uma equipe campeã, coroando Gordon como o maior ídolo da cidade.

“A palavra final foi: ‘Precisamos que você volte para dar mais um passo a esse sonho'”, disse Hayward, observando que o treinador de Utah, Quin Snyder, o treinou por mais anos que Stevens.

Naquela noite, Hayward disse que ficou com o estômago nervoso de ansiedade sobre a decisão. Ele revisou os prós e contras de cada equipe com sua esposa. Enquanto isso, ele disse que seu telefone explodia com mensagens de membros das três equipes.

“Fui dormir com dúvidas na cabeça”, disse ele.

Terça-feira, 4 de Julho de 2017.

Hayward disse que esperava tomar sua decisão naquela terça-feira. Embora ele tenha reduzido a escolha entre Jazz e Celtics, ele acordou ainda indeciso. Hayward disse que Bartelstein atravessou as duas propostas na manhã seguinte.

“Eu dizia ‘Mark, cara, eu não sei o que fazer agora. Ambos parecem realmente, muito bons. Como vamos tomar essa decisão?'”

Foi mais tarde, naquela manhã, quando “o vazamento” aconteceu. Hayward disse que estava inclinando-se para o Celtics, quando os noticiários afirmaram que ele havia escolhido Boston, mas que ele ainda estava, realmente, indeciso entre os dois times.

“Meu telefone estava explodindo e eu, ‘Mark, você está vendo isso? Aparentemente, acabamos de tomar uma decisão'”, lembrou Hayward.

Barstelstein teve que negar a notícia para os repórteres.

“Naquele momento, senti como se houvesse muita pressão, porque todos já estão dizendo que a decisão fora tomada e ainda não estava certo de que Boston era o caminho a seguir”, disse Hayward ao Woj.

Depois de algumas horas, deixando as coisas se acalmarem, Hayward disse que finalmente chegou a uma decisão: Boston.

Como ele explicou no anúncio do Players’ Tribune, houve vários fatores que o levaram a, finalmente, escolher o Celtics: a cultura vencedora da cidade de Boston, a história da equipe, gerência, o atual elenco de jogadores e, claro, seu antigo treinador.

“Não apenas pelo relacionamento que construímos fora das quadras, mas também com o que começamos a construir na quadra, anos atrás, em Indiana”, escreveu Hayward.

Antes de publicar o artigo, no entanto, ele teve uma ligação “horrível” para fazer, informando ao Jazz que ele iria sair. Hayward disse que Snyder mostrou-se compreensivo e não tentou fazê-lo mudar de ideia.

Perguntado por Wojnarowski, Hayward esforçou-se para identificar o fator determinante na sua decisão de se juntar ao Celtics:

“O que eu tive em Boston foi um sentimento diferente”, disse ele. “Foi como um instinto que me puxava pra lá”.

Bruno Penna
Bruno Penna

Nascido e criado no Rio de Janeiro, é formado em Administração e apaixonado por esportes. Começou a se interessar por basquete em 2005 ao assistir um monstro chamado Kevin Garnett em quadra. Se apaixonou pela história do Boston Celtics e desde então dividiu o fanatismo que antes era ocupado só com o Botafogo.

10 Comentários

  1. Lucas Ferreira disse:

    Muito boa a matéria! Não consegui acompanhar o podcast do Woj inteiro mas parece que vocês já trouxeram as melhores partes resumidas. Site show! Escrita show! Parabéns

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  2. Danilo Gonçalves disse:

    O Celtics vencer Pat Riley mais uma vez é extremamente emblemático

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  3. Vitor C. disse:

    “O que eu tive em Boston foi um sentimento diferente”, disse ele. “Foi como um instinto que me puxava pra lá”.

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  4. Marcos disse:

    Bota na conta do Stevens.
    Do contrário, ele não viria.

    []s verdes

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  5. Antonio Jhennyson de Souza disse:

    Boa GH. Et exatamente esse o espírito que a cidade é o time traz. Somos vencedores por natureza e dificilmente ficaremos muitos anos sem título.

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  6. Pablo disse:

    Fez a escolha certa! Ao meu olhar. Mas Jazz também seria ótimo. Mas ele precisa terminar algo com Stevens. Foi o que compreendi.

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  7. Fernando C Silva disse:

    Miami logo deu a cara de lugar badalado e sem privacidade: descartado.

    Celtics vs. Jazz?

    Quero ser campeão e jogar em um time que já chegou à final da conferência ou ficar em uma equipe que nunca venceu?

    A resposta simplesmente é evidente.

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  8. Bruno Ferronato disse:

    Fantástico. Boston realmente tem uma cultura diferenciada. Quando se assiste à documentários, principalmente os referentes aos times da década de 80, é impossível não apreciar a cultura da cidade e tudo que o time representa. Ser o maior campeão da história fala por si só, esse time merece e tem que estar nas cabeças de novo. Hayward fez a escolha correta.
    Também gostei muito da humildade do Stevens, Celtics escolheu um treinador sensacional.

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  9. Marco Ferreira disse:

    É por essa reportagem e tudo que envolve o espirito Celta que sou contra essa possível troca do Thomas pelo Kyrie, sério, o cara foi jantar com o Hayward e a unica coisa que ele falava era no 18º título, na boa, nos temos um líder que quer muito esse título. Não podemos deixar de lado a ação do Horford e do Stevens também, as vezes o jogador é um craque, mas não tem a alma Celta, esses dois tem sem sombra de dúvidas.

    Let’s Go Celtics…

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  10. JailtonSV disse:

    “Miami sempre esteve perto do topo do ranking”. Só haviam 3 possibilidades -_-.

    Hayward considerou Stevens, elenco, divisão mais fraca. Deve ter tido uma boa impressão do Thomas e Horford. Gostado de como ele se encaixaria no esquema de jogo.

    Agora é esperar que ele corresponda. Pois é uma estrela e o investimento foi alto.

    Thomas/Brown/Hayward/Morris/Horford

    Eu acredito no título da conferência.

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