10

novembro

2013

15

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Vitor Faverani concede entrevista exclusiva ao Celtics Brasil

Aos 25 anos e após mais de uma década no basquete espanhol, o pivô brasileiro Vitor Faverani conquistou um dos seus grandes objetivos na carreira: chegar à NBA, a maior liga de basquete do planeta. Logo em sua primeira temporada na competição, Faverani terá a responsabilidade de ser o terceiro brasileiro na história a defender o Boston Celtics (antes dele, Leandrinho Barbosa e Fab Melo vestiram a camisa verde) e vive a expectativa de exercer um bom papel em uma franquia que está em pleno processo de reconstrução. E para falar sobre suas primeiras impressões do Celtics, da NBA e também sobre seleção brasileira, o pivô concedeu uma entrevista exclusiva ao Celtics Brasil, conduzida pelo colaborador Pedro Altero.

Dono de uma carreira construída fora do Brasil e desconhecido do torcedor, Faverani foi bastante sincero ao revelar que não esperava conquistar uma vaga na maior liga de basquete do planeta. “Eu nunca acreditei que eu tivesse o talento necessário para chegar até aqui”, admitiu. “É uma liga muito grande, é muito difícil de chegar aqui. Meus agentes sempre falavam que eu tinha talento suficiente, mas eu, realmente, nunca acreditei no poder”, falou o pivô, que teve a primeira oportunidade de entrar na NBA em 2009, através do Draft, mas não foi selecionado. Após ver a proposta do Celtics bater à sua porta, quatro anos depois, o pivô agora ressalta a importância de trabalhar para se manter entre os grandes do basquete mundial. “Agora que consegui a oportunidade, vou tentar mostrar meu jogo e que tenho capacidade de jogar na liga”, disse.

Sobre a negociação que o levou para a capital de Massachusetts, Vitor disse que não tomou conhecimento de outras propostas e deixou tudo na mão de seus agentes, que lhe afirmaram ser em Boston o melhor destino para ingressar na liga. E o brasileiro concordou. “Ninguém falaria não para o Boston Celtics, pela história que tem, pelos jogadores que passaram aqui. Mesmo com o time em reconstrução, continua sendo o Celtics, uma lenda do basquete, com o maior número de títulos da liga. Não foi difícil dizer sim e é um orgulho poder jogar aqui”, elogiou Faverani.

Recém-chegado a um elenco renovado, o brasileiro não vê problemas em chegar a um time que está se renovando dentro e fora de quadra. Para Vitor, é um ponto positivo. “Acho que isso realmente me beneficia. Não só para mim, é para todo mundo que vai ter oportunidade e minutos para ele (Brad Stevens, técnico do Celtics) ver quem pode e quem não pode, quem joga mais ou menos”, explicou o pivô, que justificou os primeiros resultados abaixo da expectativa na pré-temporada por causa do pouco entrosamento do time. “Realmente, é um time muito novo. Precisamos nos conhecer bastante ainda, mas deu para ver nos jogos de pré-temporada que a gente já se conhece um pouquinho melhor”, disse.

Sobre esse processo de mudanças frequentes no Celtics, Vitor foi enfático ao afirmar que não acredita na possibilidade do Alviverde entregar o ano por causa do Draft de 2014. “O pessoal que fala em entregar, com certeza, não são jogadores, nem gente do Boston Celtics. Aqui, realmente, ninguém quer entregar os pontos. Aqui é competitividade e união até o último segundo e vamos colocar o Boston Celtics no lugar mais alto que a gente conseguir”, destacou Faverani, que acredita na força do elenco para fazer um bom papel nesta temporada. “O time está feito, não só para competir, mas para ter uma base para o futuro”, disse.

Acostumado com o jogo na liga espanhola, Faverani revelou que ainda está se adaptando ao ‘modo NBA’ de jogar e comparou os dois estilos. “É tudo muito novo! É um jogo mais físico, antes eu jogava dentro do garrafão e não precisava sair. Não tem nada a ver um jogo com o outro. É mais cansativo”, admitiu. Para se acostumar o mais rápido possível, o brasileiro está reforçando os treinamentos com Ron Adams, auxiliar celta. “Ele é um grande treinador, uma grande pessoa. Treino muito arremesso com ele e parte defensiva, ele sempre vê os minutos (dos jogos) comigo e fiquei muito feliz de ver que estou melhorando com os aspectos defensivos que trabalhamos”, explicou.

Além de Ron Adams, o camisa 38 celta exaltou a importância do trabalho de Brad Stevens na liderança da comissão técnica. “O trato com o treinador é o melhor que posso ter. Ele (Stevens) é muito próximo dos jogadores, é praticamente um jogador a mais. Ele é muito sincero e sempre tenta conversar com as pessoas na oportunidade que tem. Para um time em reconstrução, é ótimo ter um treinador que transmite confiança”, afirmou. Outro elogiado por Faverani foi o armador Rajon Rondo, ídolo da equipe e último remanescente do título em 2007/2008. “Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de treinar com ele por causa da lesão (relembre aqui), mas deve ser espetacular jogar com ele. Ele está aqui com a gente e a cada momento é um conselho novo, um ‘boa, moleque! ’. É bastante humilde e próximo aos companheiros”, comentou.

Ao mesmo tempo em que sonha construir uma carreira em Boston, Faverani também almeja defender a seleção brasileira, para a qual chegou a ser convocado para a disputa da Copa América, mas teve que pedir dispensa por causa do Celtics. “Me reuni com o Magnano (técnico da seleção),  conversei com ele e deixei bem claro que queria jogar, mas não tinha nem imaginado que iria fazer workouts aqui. Não podia dizer que não, o time é dono dos meus direitos e quem me paga. Obedeci ao que o time queria”, explicou.

Por fim, o brasileiro deixou um recado aos torcedores celtas no Brasil. “Gostaria de agradecer aos torcedores do Brasil. Peço para que nos sigam e não percam essa energia”, disse.

Confira abaixo a entrevista completa do Celtics Brasil com Vitor Faverani:

Textos: Gustavo Arruda e Daniel Emiliano
Entrevistador: Pedro Altero
Edição de áudio: Daniel Emiliano