Fique por dentro das equipes e dos duelos do Final 4 da NCAA.

Antes de falar dos times é necessário lembrar que uma tradição de 24 anos foi quebrada no Final 4 da NCAA desse ano. Desde 1988 pelo menos um membro do Dunkadelic Fab Five, como é chamado o grupo com os cinco melhores times do basquete universitário dos EUA (UCLA, Kentucky, North Carolina, Duke e Kansas), disputava ao menos as semifinais do torneio.

Também é bom lembrar o quão difícil é chegar entre os quatro melhores. O último campeão, Kentucky, não conseguiu nem se classificar para o torneio da NCAA.

Agora vamos às análises das equipes:

Louisville Cardinals

Campanha: 33 – 5
Títulos: Dois (1980 e 1986)
Equipe Titular: Russ Smith (G), Peyton Silva (G), Chane Behanan (F), Wayne Blackshear (F) e Gorgul Dieng (C)
Jogadores notáveis que atuaram na NBA: Darrell Griffith, Jim Price, Pervis Ellison e Wes Unseld
Atletas que jogam na NBA: Chris SmithEarl Clark, Francisco Garcia, Jerry Smith, Samardo Samuels e Terrence Williams
Técnico: Rick Pitino

O Louisville Cardinals chega pela segunda vez consecutiva ao Final 4 da NCAA. No ano passado o time perdeu na semifinal para o campeão da liga, Kentucky, mas, ao contrário do que acontece com a maioria das equipes universitárias, o Cardinals conseguiu manter seus melhores atletas, inclusive sua maior estrela: o armador Peyton Silva. A equipe de Louisville é a única a participar do Final 4 desse ano, tendo terminado com o primeiro lugar no ranking de sua divisão.

Com a experiência da disputa do ano passado, o Cardinals entra como o favorito desse ano. Além de ter um técnico muito experiente, que já passou por NBA, onde treinou o Boston Celtics e o New York Knicks e foi eleito para o hall da fama do basquete. Os atletas provaram que aprenderam muito com o treinador na vitória da final de sua divisão contra Duke. Logo no início da partida o ala-armador do Cardinals, Kevin Ware, quebrou a perna em um lance impressionante. Os jogadores e inclusive os técnicos das equipes ficaram emocionados com o lance e alguns até choraram, mas Rick Pitino soube usar esse sentimento a favor de seu time.

A partida estava bem equilibrada até o início do segundo tempo. Passada a emoção pelo ocorrido, Pitino dizia em seus pedidos de tempo “Vamos vencer essa pelo Kevin”. Isso contagiou os jogadores, que imprimiram um ritmo muito forte na defesa e no ataque e acabaram vencendo o jogo por 85 a 63.

Como dito no primeiro parágrafo, a maior arma do Cardinals é seu armador. É ele quem dita o ritmo de jogo de sua equipe. Sua média de pontos não é tão alta, 9.9 por jogo, mas ele é decisivo com seus passes com uma média de 5.8 por jogo. Quando o time precisa, Peyton Silva também sabe marcar pontos em um jogo importante, anotando 16 contra Duke.

O grande alvo dos passes de Silva é o ala-armador, Russ Smith, com 18.1 pontos por jogo e 23 na partida decisiva contra Duke Blue Devils, sendo que nenhum ponto foi em arremesso de três. Com os armadores sabendo anotar cestas dentro do garrafão e próximos do perímetro, fica muito difícil vencer a equipe de Louisville. Por último, vale citar que Kevin Ware cresceu em Atlanta e vai disputar em sua terra natal o principal torneio do basquete universitário.

Michigan Wolverines

Campanha: 30 – 7
Títulos: Um (1989)
Equipe Titular: Nik Stauskas (G), Trey Burke (G), Tim Hardaway Jr. (F), Glenn Robinson III (F) e Mitch McGary (C)
Jogadores notáveis que atuaram na NBA: Cazzie Russell, Chris Webber, Glen Rice, Jalen Rose, Phil Hubbard e Rudy Tomjanovich
Atletas que jogam na NBA: Juwan Howard
Técnico: John Beilein

Após 20 anos do time sensação Fab Five, que foi tema de um dos documentários da série de 30 anos da ESPN americana, e que revelou Chris Webber, Jalen Rose e Juwan Howard, o Michigan Wolwerines volta a disputar um Final 4. A missão é conseguir o que a equipe comandada por Webber não conseguiu, o título. O time já mostrou ser cascudo em um momento de decisão, vencendo o time com a primeira colocação no Sul, Kansas, após uma prorrogação, por 87 a 85. Na final de divisão derrotou Florida por 79 a 59.

O grande mal da equipe são os insistentes arremessos de três pontos. Contra Kansas Michigan acertou apenas 8 em 23 tentativas. Já contra Florida o desempenho foi melhor, com 10 acertos em 19 tentativas. O que impressiona é que o aproveitamento do time é o melhor dentre as equipes que chegaram ao Final 4, com 48% de acerto. É importante citar os arremessos de três, pois a equipe de Michigan vai enfrentar a fortíssima defesa por zona de Syracuse na semifinal. Então, se a bola não começar a cair será importante encontrar uma alternativa.

Os pontos do Wolverines são bem distribuídos, com quatro jogadores tendo média superior a dez pontos: Trey Burke (18.8), Tim Hardaway Jr. (14.6), Nik Stauskas (11.5) e Glenn Robinson III (11). Eles só não podem ficar arremessando toda hora de três pontos.

Vale citar que essa é a equipe dos filhos, pois dois atletas têm o mesmo sangue de jogadores que já passaram pela NBA. Glenn Robinson III é filho de Glenn Robinson, ala que foi campeão da NBA pelo Spurs em 2005 e duas vezes All Star. Tim Hardaway Jr. aprendeu a jogar  com o pai, Tim Hardaway, armador eleito cinco vezes para o jogo das estrelas e que teve sua camisa 10 aposentada pelo Miami Heat.

Syracuse Orange

Campanha: 30 – 9
Títulos: Um (2003)
Equipe Titular: Brandon Triche (G), Michael Carter-Williams (G), C.J. Fair (F), James Southerland (F) e Rakeem Christmas (C)
Jogadores notáveis que atuaram na NBA: Billy Gabor, Billy Owens, Dave Bing, Derrick Coleman, Rony Seikaly e Sherman Douglas
Atletas que jogam na NBA: Carmelo Anthony, Dion Waiters, Fabrício de Melo, Hakim Warrick e Wesley Johnson
Técnico: Jim Boeheim

Depois de dez anos da conquista histórica comandada por Carmelo Anthony, a equipe de Syracuse fica entre as quatro melhores. Ao contrário do time de Carmelo, a grande arma esse ano é a forte defesa por zona. Nenhum dos quatro adversários de Syracuse no torneio da NCAA conseguiu marcar mais de 60 pontos em uma partida. Dois deles não chegaram nem em 40: Montana derrotado por 81 a 34 na primeira rodada e Marquette, equipe superada na decisão da região leste por 55 a 39. Quem também não viu a cor da bola foi Indiana que, mesmo no primeiro lugar da divisão, foi presa fácil para Syracuse, que venceu a semifinal por 61 a 50.

Dentre os quatro semifinalistas, o time Laranja é o que possui o melhor garrafão, com uma média de 38.7 rebotes por jogo. Dois jogadores são dominantes embaixo da cesta: o ala C.J. Fair, com 14.3 pontos e 7 rebotes por jogo, e o ala-pivô James Southerland, 13.5 pontos e 5.2 rebotes por partida.

Além do forte garrafão, Syracuse também possui uma excelente dupla no perímetro liderada pelo armador Michael Carter-Williams, com impressionantes 12.1 pontos, 7.4 assistências e 4.9 rebotes, além do ala-armador Brandon Triche, 13.7 pontos, 3.5 passes e 3.4 rebotes por partida. Tais números mostram que esses armadores também sabem jogar embaixo da cesta.

Para vencer Syracuse é importante responder com a mesma intensidade na defesa e criar arremessos variados. Não pode focar o jogo no perímetro. Um pouco de sorte também é bom.

Wichita State Shockers

Campanha: 30 – 8
Títulos: Nenhum
Equipe Titular: Tekele Cotton (G), Ron Baker (G), Malcolm Armstead (F), Carl Hall(F) e Cleanthony Early (C)
Jogadores notáveis que atuaram na NBA: Antoine Carr, Cliff Levingston, Dave Stallworth, Gene Wiley, Greg Dreiling, Nate Bowman e Xavier McDaniel
Atletas que jogam na NBA: Nenhum
Técnico: Gregg Marshall

Como tem sido um agradável costume nos últimos anos, a surpresa da vez é o time de Wichita que, por incrível que pareça, já disputou um Final 4 no longínquo ano de 1965, sendo derrotado na semifinal pelo futuro campeão UCLA. Wichita State Shockers é a primeira equipe da conferência Missouri Valey a disputar um Final 4 desde Indiana State de Larry Bird, em 1979.

Para chegar até aqui, o Shockers (com perdão do trocadilho) chocou mesmo os EUA vencendo, para muitos, a melhor equipe do basquete universitário desse ano, Gonzaga, liderada pelo pivô Kelly Olynyk, por 76 a 70. Para fazer jus à alcunha de surpresa, o time de Wichita venceu na final da divisão a segunda melhor equipe do oeste, Ohio State, 70 a 66.

O grande problema da equipe (muito mais do que para Michigan) é que, para conseguir vencer os dois melhores times do oeste, o Shockers dependeu muito dos arremessos de três pontos. Contra Gonzaga foram 14 em 28 tentativas. Contra Ohio, 8 em 20. A válvula de escape da equipe é o ala-pivô Carl Hall, com 12.5 pontos e 6.9 rebotes por jogo, mas quando bem marcado não consegue jogar muito bem, como no jogo contra Ohio State, quando anotou apenas oito pontos. O segredo para vencer Wichita é simples: marcar bem o perímetro e conter as cestas de Carl Hall.

Momento Mãe Dináh – Pitacos

Louisville 82 X 75 Wichita State

Michigan 59 X 56 Syracuse

Michigan 80 X 79 Louisville

Transmissão na TV

Os canais de televisão por assinatura Bandsports e ESPN irão transmitir as duas semifinais. Às 19h, você acompanha Louisville contra Wichita e às 21h30 começa o confronto entre Michigan e Syracuse.

As duas semifinais e a final serão disputadas no Georgia Dome, estádio do time de futebol americano Atlanta Falcons.

PS: Leitores que também forem ousados podem deixar os palpites dos jogos na caixinha de comentários. Mas estes palpites NÃO VÃO CONTAR PARA A PROMOÇÃO DO SITE.

Fonte: http://espn.go.com/mens-college-basketball/

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Jornalista e Radialista apaixonado por basquete. Participa do Celtics Brasil desde 2008. Já foi redator, colunista e editor do site. Nas horas vagas gosta de escrever roteiros e gravar curtas e documentários. Pode ser encontrado na cidade de São Paulo com uma camiseta Celta.

5 Comentários

  1. Vinicius Simões Bravo em

    Sempre gosto de ver as Zebras ganhando, mas neste ano gostaria de ver Louisville ganhando, por Kevin Ware.

  2. Nathan Henrique em

    Peguei trauma desse rick pipino, pois já teve textos do daniel esculachando ele . rs

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