17

fevereiro

2011

16

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Configuração do banco

Antigamente, diziam que em uma partida equilibrada, o técnico utilizava no máximo oito jogadores e que os outros quatro poderiam ser meros aprendizes, pois só entrariam na quadra, em jogos onde a partida já estivesse decidida (a favor ou contra).

No basquetebol moderno, não há mais espaço para esse tipo de pensamento devido a dois fatores que caracterizam o basquetebol moderno: A evolução da parte física e as variações táticas.

O banco de reservas não deve ser composto por jogadores de características semelhantes aos titulares, porém com nível técnico inferior e sim, deve ter uma configuração onde o técnico possa mudar o jogo.

Com um banco de reservas bem configurado, o técnico pode ajustar sua equipe de acordo com as variações táticas que sejam favoráveis a sua equipe, pode manter a intensidade da equipe durante toda a partida e em caso de alguma contusão ou excesso de faltas, fazer as substituições seguro que sua equipe não cairá de rendimento.

Um banco de reservas é composto por sete jogadores, colocarei abaixo, as funções de um suposto “banco ideal” que serviria para qualquer situação de jogo.

1 – “O sexto homem”: É o jogador reserva que acaba atuando mais tempo que alguns titulares, capaz de ser útil em mais de uma posição. Não adianta o sexto homem ser da mesma posição do melhor jogador da equipe, e sim que ele possa fazer um revezamento.

Cabe ao técnico avaliar a sua equipe e detectar a posição mais vulnerável e ter um sexto homem que possa suprir essa carência. Como se existissem 2 titulares para uma só posição, essa disputa (leal e sadia) pela vaga de titular é fundamental para o crescimento tanto da equipe como dos atletas individualmente.

2 – “O Carrapato”: Um jogador de características defensivas que entra, para marcar o melhor pontuador adversário, diminuir seu volume de jogo, tirar o conforto, fazê-lo reclamar, levar faltas técnicas, estar incomodado com a presença desse defensor que estará em quadra simplesmente para não deixá-lo pontuar.

Esse atleta deve ser vibrante, ter empatia com a torcida e entrar para mudar o lado psicológico da equipe, seja pela acomodação de um resultado a favor ou pela tensão de estar com dificuldades no jogo.

3 – “ O Xerifão” : Um jogador da posição 5 que se imponha no garrafão, que lute pelos rebotes, que saiba intimidar os adversários, utilizar as faltas com inteligência e que também saiba cavá-las. Um jogador que goste do contato para na pior das hipóteses, trocar faltas com os titulares adversários.

4 – “O OPOSTO”: Um armador que altere o ritmo do jogo, se o titular é um amador agressivo, veloz e pontuador, a substituição deve ser feita em uma situação que seja necessário cadenciar o jogo, quando a equipe está vencendo ou quando a defesa adversária oferece espaços para o jogo dentro do garrafão. Quando a sua equipe está sendo marcada sob pressão, deve-se colocar os dois armadores juntos para facilitar a saída de pressão e a manutenção da posse de bola.

Se o armador titular tem essa característica de cadenciar o jogo, tenha um reserva agressivo, com boa infiltração e que pontue. Em uma situação que seja benéfico baixar a estatura da equipe para marcar pressão ou para a equipe sobressair em velocidade, esse armador agressivo, pode fazer a função da posição 2

5 – “ O Coringa do perímetro” : Um jogador que possa alterar a configuração da equipe (ser um 2 melhor que o 3 titular e um 3 melhor que o 2 titular), visando o encaixe (avaliação do técnico) que seja benéfico a sua equipe. Este jogador, será utilizado tanto no momento onde o técnico resolva tirar o titular da posição 3, baixando a estatura e aumentando a velocidade, como o inverso, quando o técnico tira o da posição 2 , visando aumentar a estatura da equipe e se impor no físico sobre o adversário.

6 – O Coringa do garrafão” : Um jogador que possa atuar nas posições 4 e 5, que tenha um jogo de frente para a cesta (perímetro) melhor que o titular da posição 5 (marcar também) e ao mesmo tempo, que seja mais eficiente jogando de costas (garrafão) que o titular da posição 4 (marcar também), alterando de acordo com o encaixe do jogo a configuração que seja benéfica a equipe de acordo com a situação do jogo.

7 – O “Buzzer” Maker: Um jogador que se especialize nos arremessos de 3 pontos (só isso). Este jogador deve ser utilizado (com segurança) para as jogadas de fim de períodos. É o elemento surpresa, quando o adversário marca somente os principais jogadores. Este atleta deve ter uma força psicológica, a frieza, de um atirador de elite, sabedor de sua obrigação (oriunda do treinamento) que é exatamente, ser eficiente no momento crucial do jogo.

É o jogador que menos tempo irá atuar, porém normalmente se torna o “herói” do jogo. O melhor exemplo dessa função, foi John Paxon ex jogador do Chicago Bulls, que além de ter a bola decisiva em inúmeros jogos, na final (no sexto e decisivo jogo da final de 1993, contra o Phoenix Suns), quando todos esperavam a bola decisiva nas mãos de Jordan, Phil Jackson armou a jogada para Paxon, que acertou a bola do título faltando 3 segundos.

Gostaria de saber a opinião dos leitores que acompanham a NBA. Quais os jogadores RESERVAS que formariam um “banco perfeito” com as características citadas nas 7 funções acima?

Por: Marcello Berro