O dia em que Jeff Green foi LeBron James

18 de março de 2013. Boston Celtics x Miami Heat. Temporada Regular da NBA. TD Garden.

Dois candidatos ao título se enfrentando, e a rivalidade que crescera nos últimos anos entre as equipes esquentava ainda mais o duelo mais aguardado da noite. De um lado, LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh. Do outro, Paul Pierce, Avery Bradley e Jason Terry. Mas esqueça os clichês, pois desta vez era a hora de Jeff Green brilhar.

Vindo de uma troca muito questionada pela imprensa e por parte da torcida celta, Green havia chegado em Boston no ano de 2011, via OKC Thunder que recebeu o pivô Kendrick Perkins. O potencial do ala nunca foi colocado em cheque, uma vez que Jeff possuía todos os atributos físicos para ser dominante na liga. Sua agilidade e capacidade de defender múltiplas posições encheram os olhos de Danny Ainge que trocou seu único pivô de origem para obtê-lo. Para a infelicidade celta, Green ficou fora de uma temporada por um problema cardíaco, e quando retornou, não conseguia converter seu potencial em boas atuações.

Até aquela noite.

Como num passe de mágica, Jeff Green pisou naquela quadra e se tornou o jogador que todos queriam ver. Buscando o jogo à todo momento, ele mostrava desde o início agressividade no ataque, mesmo marcado por Shane Battier, um dos melhores defensores da liga.

Quando recebia a bola nas mãos, batia para dentro do garrafão com uma confiança jamais vista antes. Os torcedores se olhavam incrédulos a cada cesta.

Antes um arremessador inconsistente, Jeff assistia suas bolas de três caírem com facilidade. Os jogadores celtas se olhavam incrédulos a cada cesta.

A marcação de Battier não dava conta, e o treinador adversário não hesitou em colocar Dwyane Wade com a missão de parar o homem. Mas Green continuava encontrando o caminho para a cesta assim como um cristão encontra o caminho da igreja.

Em um ataque, Green levantou vôo em direção à cesta para finalizar uma jogada. Os jogadores adversários se olhavam incrédulos a cada cesta.

A marcação de Wade também não fora suficiente. Erik Spoelstra não sabia mais o que fazer, e LeBron James, o próprio, tomou o desafio para si e afirmou: “Eu vou pará-lo!”.

E não parou.

Jeff Green passava pela marcação com a força de um touro.

Jeff Green mirava seus arremessos de 3 com os olhos de uma águia.

O MVP da temporada LeBron James demonstrava uma expressão confusa.

“Eu é que deveria ter feito essa jogada.”

“Sou eu que faço esse tipo de infiltração.”

“Esses movimentos são meus! Será que fui clonado?”

Esses eram os tipos de pensamento que James aparentava ter ao assistir a atuação de gala de seu matchup.

E assim Green continuou GIGANTE, surpreendendo à todos com suas jogadas, mantendo o Celtics na liderança do placar, mesmo jogando desfalcados de Kevin Garnett e Rajon Rondo. Contra a maior força da Conferência Leste. Contra o melhor jogador do mundo.

Com essa atuação majestosa, ele foi aplaudido de pé no TD Garden. A torcida celta abraçava a esperança de uma nova estrela brilhar na sua já decadente constelação. O final da história vocês já sabem. Mas até hoje, é difícil explicar o que aconteceu naquela noite.

Quem assistiu o jogo, tem história pra contar. Quem leu a crônica, também.

Que a torcida celta não esqueça…

O dia em que Jeff Green foi LeBron James.

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Bruno Penna
Bruno Penna
Nascido e criado no Rio de Janeiro, é formado em Administração e apaixonado por esportes. Começou a se interessar por basquete em 2005 ao assistir um monstro chamado Kevin Garnett em quadra. Se apaixonou pela história do Boston Celtics e desde então dividiu o fanatismo que antes era ocupado só com o Botafogo.

12 Comentários

  1. Renato disse:

    E perdemos a partida…

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  2. Luiz Eduardo disse:

    Pena que perdemos e LeBron ainda posterizou Jason Terry.

    Aah, e naquele ano dizer que o Celtics era contender, acho exagero

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    • Como assim não eramos contender? rs

      No ano anterior fomas até a final da conferencia.
      Nesse ano , perdemos o Ray (que tinha virado banco do Bradley), mas ganhamos o Terry e o Lee.

      Eramos sim contenders, Luiz.
      Só não fomos adiante porque as lesões vieram e destruíram o time.

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  3. Renato Green disse:

    Essa fase foi foda!

    Por isso quero o Miami nos offs

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  4. Renato Green disse:

    Aquela bola de 3 do PP34 no AA foi umas das bonitas e comemoradas por mim!
    Uma pena Lebron ter distruído no jogo seguinte no TD!
    Não me lembro se foi nesse ano, mas foi essa fase!

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  5. Tiago Coelho disse:

    Foi nesse ano que Wade machucou o R. Rondo?

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  6. Gustavo Arruda disse:

    Uma das melhores atuações que eu já vi de um celta. Pena que o Jeff Green era muito apático, não tinha uma mentalidade muito vencedora e fez poucas partidas brilhantes em Boston, tanto que o Bill Simmons definia ele como “um celta simpático, mas que foi decepcionante duas vezes”

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  7. Fernando C Silva disse:

    Pena que o Green não jogava metade disso com regularidade. Uma das maiores decepções da torcida com certeza. Se tivesse vingado, ou ficado em.OKC teríamos mais um ou dois anéis.

    Enfim, melhor olhar para frente. Chorar o leite derramado…

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  8. Marcos disse:

    Me lembro desse jogo – nós perdemos.
    Mas o Jeff tem um segundo jogo épico, quando ele matou uma bola de 3 espiríta no buzz beater contra o Heat no OT, salvo engano no 1o ano de Brad – esse nós ganhamos.

    Na real? Acho o Crowder mais útil pro time e mais consistente.
    E não precisamos trocar o Perkins por ele, só dizendo =)

    []s verdes

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