03

abril

2017

12

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O dia em que Jeff Green foi LeBron James

18 de março de 2013. Boston Celtics x Miami Heat. Temporada Regular da NBA. TD Garden.

Dois candidatos ao título se enfrentando, e a rivalidade que crescera nos últimos anos entre as equipes esquentava ainda mais o duelo mais aguardado da noite. De um lado, LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh. Do outro, Paul Pierce, Avery Bradley e Jason Terry. Mas esqueça os clichês, pois desta vez era a hora de Jeff Green brilhar.

Vindo de uma troca muito questionada pela imprensa e por parte da torcida celta, Green havia chegado em Boston no ano de 2011, via OKC Thunder que recebeu o pivô Kendrick Perkins. O potencial do ala nunca foi colocado em cheque, uma vez que Jeff possuía todos os atributos físicos para ser dominante na liga. Sua agilidade e capacidade de defender múltiplas posições encheram os olhos de Danny Ainge que trocou seu único pivô de origem para obtê-lo. Para a infelicidade celta, Green ficou fora de uma temporada por um problema cardíaco, e quando retornou, não conseguia converter seu potencial em boas atuações.

Até aquela noite.

Como num passe de mágica, Jeff Green pisou naquela quadra e se tornou o jogador que todos queriam ver. Buscando o jogo à todo momento, ele mostrava desde o início agressividade no ataque, mesmo marcado por Shane Battier, um dos melhores defensores da liga.

Quando recebia a bola nas mãos, batia para dentro do garrafão com uma confiança jamais vista antes. Os torcedores se olhavam incrédulos a cada cesta.

Antes um arremessador inconsistente, Jeff assistia suas bolas de três caírem com facilidade. Os jogadores celtas se olhavam incrédulos a cada cesta.

A marcação de Battier não dava conta, e o treinador adversário não hesitou em colocar Dwyane Wade com a missão de parar o homem. Mas Green continuava encontrando o caminho para a cesta assim como um cristão encontra o caminho da igreja.

Em um ataque, Green levantou vôo em direção à cesta para finalizar uma jogada. Os jogadores adversários se olhavam incrédulos a cada cesta.

A marcação de Wade também não fora suficiente. Erik Spoelstra não sabia mais o que fazer, e LeBron James, o próprio, tomou o desafio para si e afirmou: “Eu vou pará-lo!”.

E não parou.

Jeff Green passava pela marcação com a força de um touro.

Jeff Green mirava seus arremessos de 3 com os olhos de uma águia.

O MVP da temporada LeBron James demonstrava uma expressão confusa.

“Eu é que deveria ter feito essa jogada.”

“Sou eu que faço esse tipo de infiltração.”

“Esses movimentos são meus! Será que fui clonado?”

Esses eram os tipos de pensamento que James aparentava ter ao assistir a atuação de gala de seu matchup.

E assim Green continuou GIGANTE, surpreendendo à todos com suas jogadas, mantendo o Celtics na liderança do placar, mesmo jogando desfalcados de Kevin Garnett e Rajon Rondo. Contra a maior força da Conferência Leste. Contra o melhor jogador do mundo.

Com essa atuação majestosa, ele foi aplaudido de pé no TD Garden. A torcida celta abraçava a esperança de uma nova estrela brilhar na sua já decadente constelação. O final da história vocês já sabem. Mas até hoje, é difícil explicar o que aconteceu naquela noite.

Quem assistiu o jogo, tem história pra contar. Quem leu a crônica, também.

Que a torcida celta não esqueça…

O dia em que Jeff Green foi LeBron James.

Ptos Rebts Assists Roubos Tocos FG 3pt FG FT
43 7 2 2 4 14-21 5-7 10-13