01

maio

2017

15

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Uma carta para Paul Pierce

Prezado Paul,

Você nunca ouviu falar de mim e não nos conhecemos pessoalmente. No entanto, isso nunca diminuiu o orgulho que eu tive como torcedor do Celtics de te ver jogar. Se me permite dizer, tenho uma admiração absurda por tudo o que você fez em sua carreira, e por tudo o que você representa para a cidade de Boston. Quando eu comecei a assistir NBA, você era apenas um lobo solitário que tentava devolver um pouco de respeito à uma equipe que vivia um dos momentos mais difíceis de sua história. Mesmo com pouco tempo de liga, você já tentava levantar um gigante que estava adormecido, mostrando uma personalidade única em quadra. Esse gigante precisava de você para despertar, e você precisava dele para despertar o gigante que havia dentro de você. Talvez por isso essa história tenha chamado tanto minha atenção na época. Talvez por isso, eu e outras milhares de pessoas começaríamos a acompanhar o Celtics mais de perto. Talvez por isso, Paul Pierce e Boston Celtics deram tão certos juntos.

Mas vamos ser honestos aqui, nem tudo foi tão bonito assim durante o caminho. O basquete não é um jogo que se ganha sozinho. Ver um talento enorme em quadra atuando com jogadores medianos (ou às vezes nem isso) foi difícil. Perder tantos jogos no final, mesmo dando o seu melhor, foi difícil. Ver a vida passando pelos seus olhos em uma briga de bar, depois de levar 11 facadas, foi MUITO difícil. À propósito, deixe-me elogiar sua lealdade, você parece mesmo valorizar suas amizades. Afinal, não é qualquer um que entra em uma briga de facas para proteger seus amigos, mesmo não tendo nada a ver com a confusão que se iniciou. Aquela simplesmente não era a sua hora, você sabe disso. O destino ainda reservava grandes surpresas pra você. Porque do mesmo jeito que pessoas incríveis às vezes se vão e o mundo lamenta, pessoas incríveis às vezes ganham mais uma chance e o mundo comemora.

E em 2007, você ganhou essa chance. Uma baita chance. Talvez por ser tão leal aos amigos, os deuses do basquete lhe mandaram três companheiros importantíssimos, logo no momento em que você já pensava em desistir. Kevin Garnett, Ray Allen e Rajon Rondo se uniram ao seu redor para redimir os anos seguidos de fracassos, e a recompensa foi imediata. Na primeira temporada com seus novos companheiros, você finalmente conquistou seu anel de campeão. Adicione ainda o bônus de MVP das Finais. Mais do que merecido. Se alguém mereceu aquele campeonato, esse alguém foi você.

Acredite, eu como torcedor consegui sentir o sabor especial que essa conquista teve. Nunca vi um time de basquete tão unido quanto o de vocês. Não me lembro de ter visto uma confusão ou briga interna sequer. Todos se respeitavam. Todos lutavam. Sempre acreditei que a humildade é uma virtude dos grandes campeões. Você junto com todo aquele elenco confirmou ainda mais essa minha crença. Mesmo com todo o talento e qualidade técnica em quadra, aquele Celtics foi o time mais guerreiro da temporada, lutando o tempo todo. Nas vitórias, nos uníamos. Nas derrotas, ainda mais. Vaidade naquele time? Nenhuma. Egos inflados? Jamais. E essa era uma das coisas que mais me fascinava naquela equipe.

Depois de algumas temporadas, vi você bater na trave do bicampeonato, e assim como acontece fora das quadras, alguns de seus amigos tomaram caminhos diferentes. Seguindo a ordem natural da vida, seu momento passou e você aceitou que era a hora de dar lugar à outros que buscam espaço. Parece ironia do destino, mas mesmo saindo de Boston, você nos deixou em boas condições. Hoje, 4 anos após sua saída, o Celtics já voltou a brigar por títulos com uma equipe montada a partir da troca que lhe tirou daqui, junto com Kevin Garnett. O futuro é brilhante para nós, e você, mesmo longe, ainda faz parte disso. (À propósito, obrigado por todas as escolhas de Draft!)

Por tudo o que eu vi você fazer na NBA, abrir as notícias de hoje e se deparar com a manchete abaixo foi arrasador:

“Paul Pierce se aposenta das quadras.”

Eu sei, eu sei. Você já tinha anunciado a aposentadoria no início da temporada. Mas entenda que às vezes, A Verdade dói. Encarar essa verdade é uma das coisas mais difíceis no momento para a torcida de Boston. O que diminui essa dor, é lembrar que um ídolo se vai, mas as lembranças e as conquistas ficam. Tenha certeza que você deixou seu legado, e que seu nome sempre será lembrado.

Paul. Pierce. Double P. The Truth.

O capitão que devolveu ao torcedor de Boston o Orgulho Celta.

 

Abraços de apenas mais um fã.