01

abril

2017

4

Comentários

Ao assumir a liderança do Leste, Celtics deixou de ser caçador e virou caça

Durante sua coletiva de pós-jogo de ontem, o Orlando Magic, por meio de seus jogadores e treinador, fez questão de ressaltar que havia dado grande trabalho ao líder da Conferência Leste.

O Boston Celtics, por sua vez, deve encarar esse comportamento da franquia da Flórida como elogio, mas também como um aviso.

Desde que Brad Stevens assumiu o comando da equipe mais vezes campeã da NBA, nós nos acostumamos com o Celtics sendo subestimado e assumindo o papel de azarão em muitos jogos.

Contudo, as coisas mudaram.

O Celtics não é mais visto como zebra ou futuro candidato a potência da liga. O Celtics é, indiscutivelmente, uma das maiores forças da NBA e entra no mês de Abril (o último da temporada regular) como primeiro colocado de sua Conferência. Então, sim, o Orlando Magic – equipe que abraçou o rebuilding à mesma época do Celtics, quatro anos atrás – não encarou o jogo de ontem como se fosse apenas mais um.

No treino realizado ontem pela manhã, os jogadores do Magic haviam declarado que planejavam dificultar a vida do Celtics, sobretudo porque, nos dois últimos confrontos, a equipe de Boston os vencera por uma margem de 30 pontos no placar. E a promessa foi cumprida: a franquia da Flórida atuou bem por 48 minutos, fez os torcedores celtas imaginarem uma nova derrota no TD Garden e só não saiu, de Boston, com uma vitória, porque Elfrid Payton errou uma bandeja a 1.2 segundo do fim do confronto.

A equipe de Massachusetts, por sua vez, não deve ficar envergonhada pelo jogo difícil que teve ontem. Os jogadores celtas foram valentes e lutaram, especialmente no segundo tempo, quando superaram os adversários em intensidade. No fim, foi perceptível que toda essa transpiração trouxe cansaço ao elenco, o que é normal, uma vez que já disputamos 76 dos 82 jogos previstos para a temporada regular. Além do desgaste físico, nossos jogadores têm enfrentado a ansiedade pela aproximação dos Playoffs, onde, de fato, começará a briga pela coroa de Rei do Leste.

Todavia, assim como no jogo da última quarta-feira, o Celtics pode tirar preciosas lições do jogo de ontem. A equipe comandada por Brad Stevens precisa entender (e aceitar) que seu status mudou na NBA. Nessa última partida, o Magic entrou como franco atirador, cujo objetivo é terminar sua miserável temporada da forma mais honrosa possível. E vencer o atual líder do Leste, em seus domínios, é uma forma ideal para atingir essa meta.

Assim disse o treinador da equipe da terra do Mickey Mouse, Frank Vogel:

“Atualmente, esse é o melhor time do Leste. Nós os enfrentamos em sua casa e, particularmente, no terceiro quarto, eles mostraram o porquê de serem os melhores. Parabéns a eles pela vitória, mas também para nós, porque, a cada cesta deles, nós revidávamos do outro lado. Eu não poderia estar mais orgulhoso do meu elenco”.

Com essa mensagem, fica notório que o Celtics não terá vida fácil nos jogos restantes da temporada regular. Jae Crowder já percebeu o comportamento diferenciado dos adversários, quando enfrentam o Celtics, e disse:

“Nosso treinador (Stevens) já nos falou que isso faz parte do processo que estamos passando. O prego que se destaca é sempre martelado. As outras equipes estão dando o seu melhor contra a gente, e nós temos que aprender a conviver com isso. Isso está bem visível. É visível que os adversários estão vindo para cima da gente. Isso é consequência do bom trabalho que temos realizado, mas, ao mesmo tempo, temos que nos lembrar do quanto lutamos para chegar até aqui e precisamos superar mais esse obstáculo. Nos últimos dois jogos, nós apanhamos, antes de bater. Nós temos que voltar a bater primeiro e a impor a nossa vontade desde o primeiro minuto”.

O Magic não é um adversário de alto nível. Eles estão com uma campanha de apenas 35.5% de aproveitamento, mas deram o seu melhor ontem, justamente porque o adversário era o poderoso Celtics, líder do Leste. E assim será daqui em diante. No decorrer da última semana, Thomas declarou que sua equipe não é respeitada, como deveria, pela imprensa. Esse suposto desrespeito não é visto dentro da NBA.

Prova disso, é que Frank Vogel não pediu tempo, após seu ala Terrence Ross recuperar o rebote oriundo do erro de arremesso de Thomas, a 12.9 segundos do término da partida. Sua equipe perdia por apenas 1 ponto àquela altura. Vogel justificou sua decisão durante a coletiva pós-jogo, ao afirmar que Boston é uma das melhores equipes da liga em formar boas defesas após pedidos de tempo. Portanto, ele tentou pegar a defesa celta desprevenida, em transição. E faltou pouco para dar certo.

Diante desse cenário, não há porque ficar desapontado com a vitória de ontem. Os jogadores celtas já perceberam que seu suor fez a equipe subir de patamar e, cedo ou tarde, o mesmo incorrerá nos torcedores. Nosso time passou a ser caçado e desafiado. Nosso time passou a ser alvo de inspiração e comparação. Se, por um lado, esse comportamento é lisonjeador, por outro, significa que teremos maiores responsabilidades e expectativas sobre nossos ombros na pós-temporada. São os novos desafio e aprendizado que Boston está se deparando. Saberemos lidar com eles?

“É a vez dos outros times nos perseguirem. O Magic deu o seu melhor contra a gente. Nós nos acostumamos a ser a equipe que corre atrás dos outros; agora, os outros vêm preparados para nos destronar e nós temos que estar melhor preparados para saber lidar com isso. Nós temos que nos conscientizar que todos querem derrotar o líder, que somos nós. Não deixaremos isso acontecer”, prometeu Thomas.