Ao assumir a liderança do Leste, Celtics deixou de ser caçador e virou caça

Durante sua coletiva de pós-jogo de ontem, o Orlando Magic, por meio de seus jogadores e treinador, fez questão de ressaltar que havia dado grande trabalho ao líder da Conferência Leste.

O Boston Celtics, por sua vez, deve encarar esse comportamento da franquia da Flórida como elogio, mas também como um aviso.

Desde que Brad Stevens assumiu o comando da equipe mais vezes campeã da NBA, nós nos acostumamos com o Celtics sendo subestimado e assumindo o papel de azarão em muitos jogos.

Contudo, as coisas mudaram.

O Celtics não é mais visto como zebra ou futuro candidato a potência da liga. O Celtics é, indiscutivelmente, uma das maiores forças da NBA e entra no mês de Abril (o último da temporada regular) como primeiro colocado de sua Conferência. Então, sim, o Orlando Magic – equipe que abraçou o rebuilding à mesma época do Celtics, quatro anos atrás – não encarou o jogo de ontem como se fosse apenas mais um.

No treino realizado ontem pela manhã, os jogadores do Magic haviam declarado que planejavam dificultar a vida do Celtics, sobretudo porque, nos dois últimos confrontos, a equipe de Boston os vencera por uma margem de 30 pontos no placar. E a promessa foi cumprida: a franquia da Flórida atuou bem por 48 minutos, fez os torcedores celtas imaginarem uma nova derrota no TD Garden e só não saiu, de Boston, com uma vitória, porque Elfrid Payton errou uma bandeja a 1.2 segundo do fim do confronto.

A equipe de Massachusetts, por sua vez, não deve ficar envergonhada pelo jogo difícil que teve ontem. Os jogadores celtas foram valentes e lutaram, especialmente no segundo tempo, quando superaram os adversários em intensidade. No fim, foi perceptível que toda essa transpiração trouxe cansaço ao elenco, o que é normal, uma vez que já disputamos 76 dos 82 jogos previstos para a temporada regular. Além do desgaste físico, nossos jogadores têm enfrentado a ansiedade pela aproximação dos Playoffs, onde, de fato, começará a briga pela coroa de Rei do Leste.

Todavia, assim como no jogo da última quarta-feira, o Celtics pode tirar preciosas lições do jogo de ontem. A equipe comandada por Brad Stevens precisa entender (e aceitar) que seu status mudou na NBA. Nessa última partida, o Magic entrou como franco atirador, cujo objetivo é terminar sua miserável temporada da forma mais honrosa possível. E vencer o atual líder do Leste, em seus domínios, é uma forma ideal para atingir essa meta.

Assim disse o treinador da equipe da terra do Mickey Mouse, Frank Vogel:

“Atualmente, esse é o melhor time do Leste. Nós os enfrentamos em sua casa e, particularmente, no terceiro quarto, eles mostraram o porquê de serem os melhores. Parabéns a eles pela vitória, mas também para nós, porque, a cada cesta deles, nós revidávamos do outro lado. Eu não poderia estar mais orgulhoso do meu elenco”.

Com essa mensagem, fica notório que o Celtics não terá vida fácil nos jogos restantes da temporada regular. Jae Crowder já percebeu o comportamento diferenciado dos adversários, quando enfrentam o Celtics, e disse:

“Nosso treinador (Stevens) já nos falou que isso faz parte do processo que estamos passando. O prego que se destaca é sempre martelado. As outras equipes estão dando o seu melhor contra a gente, e nós temos que aprender a conviver com isso. Isso está bem visível. É visível que os adversários estão vindo para cima da gente. Isso é consequência do bom trabalho que temos realizado, mas, ao mesmo tempo, temos que nos lembrar do quanto lutamos para chegar até aqui e precisamos superar mais esse obstáculo. Nos últimos dois jogos, nós apanhamos, antes de bater. Nós temos que voltar a bater primeiro e a impor a nossa vontade desde o primeiro minuto”.

O Magic não é um adversário de alto nível. Eles estão com uma campanha de apenas 35.5% de aproveitamento, mas deram o seu melhor ontem, justamente porque o adversário era o poderoso Celtics, líder do Leste. E assim será daqui em diante. No decorrer da última semana, Thomas declarou que sua equipe não é respeitada, como deveria, pela imprensa. Esse suposto desrespeito não é visto dentro da NBA.

Prova disso, é que Frank Vogel não pediu tempo, após seu ala Terrence Ross recuperar o rebote oriundo do erro de arremesso de Thomas, a 12.9 segundos do término da partida. Sua equipe perdia por apenas 1 ponto àquela altura. Vogel justificou sua decisão durante a coletiva pós-jogo, ao afirmar que Boston é uma das melhores equipes da liga em formar boas defesas após pedidos de tempo. Portanto, ele tentou pegar a defesa celta desprevenida, em transição. E faltou pouco para dar certo.

Diante desse cenário, não há porque ficar desapontado com a vitória de ontem. Os jogadores celtas já perceberam que seu suor fez a equipe subir de patamar e, cedo ou tarde, o mesmo incorrerá nos torcedores. Nosso time passou a ser caçado e desafiado. Nosso time passou a ser alvo de inspiração e comparação. Se, por um lado, esse comportamento é lisonjeador, por outro, significa que teremos maiores responsabilidades e expectativas sobre nossos ombros na pós-temporada. São os novos desafio e aprendizado que Boston está se deparando. Saberemos lidar com eles?

“É a vez dos outros times nos perseguirem. O Magic deu o seu melhor contra a gente. Nós nos acostumamos a ser a equipe que corre atrás dos outros; agora, os outros vêm preparados para nos destronar e nós temos que estar melhor preparados para saber lidar com isso. Nós temos que nos conscientizar que todos querem derrotar o líder, que somos nós. Não deixaremos isso acontecer”, prometeu Thomas.

Rômulo Portugal
Rômulo Portugal
Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

4 Comentários

  1. Fernando C Silva disse:

    Consequência do bom trabalho e do sucesso da equipe.

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  2. Belas palavras do Crowder, o time precisa se impôr, principalmente no Td Garden. O Celtics toma muitas Run’s bestas, alargando o placar, aí pra correr atrás fica difícil.

    Uma dúvida, o Sixers recentemente assinou um contrato de 10 dias com um jogador da DLeague. Por que o Boston não faz o mesmo com Yabusele?
    Vi a estréia dele e o menino foi sensacional! 17 pontos em 25 minutos.
    Acredito que terá muitos minutos próximo ano e, talvez, faça uma briga boa pelo prêmio de ROY, já que Fultz se vier pro Celtics, não terá tanto tempo assim.

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  3. Renato disse:

    Inevitável. Em qualquer esporte quem se destaca chama a atenção dos rivais, tem seus jogadores mais estudados e por consequência passa a ter mais dificuldades.

    Celtics está longe de ser uma equipe perfeita, mas tem mostrado maturidade para saber vencer inclusive os jogos em que vai muito mal, isso caracteriza um contender.

    Todo mundo que joga contra o Celtics já sabe que terá pela frente uma equipe muito dinâmica, de transição agressiva e lúcida em suas tomadas de decisões, ou seja, uma equipe muito difícil de ser vencida, logo vem como franco atirador, e sem pressão fica mais fácil render bem.

    Fico feliz de ter sido adquirido esse respeito outra vez, sinal que estamos voltando para o caminho de títulos.

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  4. Renato Green disse:

    Exemplo disso foi a derrota de ontem do Magic para o Nets!!!

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