Celtics x 76ers – Análises e Palpites

Nov 30, 2017; Boston, MA, USA; Boston Celtics forward Al Horford (42) controls the ball while Philadelphia 76ers forward Robert Covington (33) defends during the second half at TD Garden. Mandatory Credit: Bob DeChiara-USA TODAY Sports

Para os torcedores mais novos, pode parecer loucura, mas Boston Celtics e Philadelphia 76ers formam a segunda maior rivalidade da NBA.

Os últimos (e péssimos) anos da franquia da Pennsylvania podem deixar uma errada impressão para muitas pessoas, mas o 76ers trava batalhas inesquecíveis com o Celtics há mais de meio século.

Foi contra o 76ers, que Havlicek roubou a bola e entrou para a história; foi em um jogo contra 76ers, que Larry Bird e Julius Erving – duas das maiores lendas do esporte – chegaram às vias de fato; foi após ser eliminado pelo Celtics, que Allen Iverson lançou seu famoso discurso “Não estamos falando sobre o jogo, mas sobre treino!”.

Bill Russell x Wilt Chamberlain. Larry Bird x Julius Erving. Paul Pierce x Allen Iverson. A partir de amanhã, a quarta geração dessa rivalidade ganhará seus rostos em Jayson Tatum e Ben Simmons.

De 1949 a 2018, Boston e Philadelphia já se enfrentaram 544 vezes, sendo 444 partidas em temporadas regulares. Destas, o Celtics levou a melhor em 258 oportunidades, contra 186 derrotas para a equipe da terra de Rocky Balboa. O duelo de 2018 representará o 20° encontro entre as equipes em pós-temporadas (recorde disparado na história da NBA). Nas 19 séries anteriores, 100 jogos foram disputados (outro recorde da liga), nos quais Boston saiu vencedor em 54 vezes.

Abaixo, as dezenove séries já disputadas entre Celtics e 76ers (que atendeu pelo nome de Syracuse Nationals até 1963):

  • Semifinais da Conferência Leste de 1953: Boston Celtics 2 x 0 Syracuse Nationals;
  • Finais da Conferência Leste de 1954: Boston Celtics 0 x 2 Syracuse Nationals;
  • Finais da Conferência Leste de 1955: Boston Celtics 1 x 3 Syracuse Nationals;
  • Semifinais da Conferência Leste de 1956: Boston Celtics 1 x 2 Syracuse Nationals;
  • Finais da Conferência Leste de 1957: Boston Celtics 3 x 0 Syracuse Nationals;
  • Finais da Conferência Leste de 1959: Boston Celtics 4 x 3 Syracuse Nationals;
  • Finais da Conferência Leste de 1961: Boston Celtics 4 x 1 Syracuse Nationals;
  • Finais da Conferência Leste de 1965: Boston Celtics 4 x 3 Philadelphia 76ers;
  • Finais da Conferência Leste de 1967: Boston Celtics 1 x 4 Philadelphia 76ers;
  • Finais da Conferência Leste de 1968: Boston Celtics 4 x 3 Philadelphia 76ers;
  • Semifinais da Conferência Leste de 1969: Boston Celtics 4 x 1 Philadelphia 76ers;
  • Semifinais da Conferência Leste de 1977: Boston Celtics 3 x 4 Philadelphia 76ers;
  • Finais da Conferência Leste de 1980: Boston Celtics 1 x 4 Philadelphia 76ers;
  • Finais da Conferência Leste de 1981: Boston Celtics 4 x 3 Philadelphia 76ers;
  • Finais da Conferência Leste de 1982: Boston Celtics 3 x 4 Philadelphia 76ers;
  • Finais da Conferência Leste de 1985: Boston Celtics 4 x 1 Philadelphia 76ers;
  • Primeira Rodada da Conferência Leste de 2002: Boston Celtics 3 x 2 Philadelphia 76ers;
  • Semifinais da Conferência Leste de 2012: Boston Celtics 4 x 3 Philadelphia 76ers.

Para chegarem até às semifinais do Leste, Boston Celtics e Philadelphia 76ers superaram, respectivamente, Milwaukee Bucks (em 7 jogos) e Miami Heat (em 5 jogos).

Por fim, para introduzir, da melhor maneira possível, o leitor à série porvir, o Celtics Brasil convocou alguns de seus colunistas para analisarem o confronto contra nosso rival histórico e darem seus palpites sobre o resultado final da série. Confira abaixo a opinião de cada um dos nossos colaboradores.

Veja também o calendário detalhado da série, com dias e horários dos jogos, além de informações a respeito de suas transmissões na televisão.


Rômulo Portugal: Celtics 2 x 4 76ers

Às vezes, temos que escrever algo que o leitor não quer ler, mas que, mesmo assim, deve acontecer. Esse, infelizmente, é um dos casos.

Para começo de conversa, o Celtics disputará o Jogo 1 das Semifinais do Leste apenas 48 horas depois de uma exaustiva vitória em um Jogo 7 contra o Milwaukee Bucks. O Philadelphia 76ers, por sua vez, não disputa uma partida oficial desde a última terça-feira, quando eliminou o Miami Heat. Ou seja, nosso adversário chegará bem mais descansado para o começo da série.

Para completar, o nosso cestinha na atual pós-temporada, Jaylen Brown, deve perder o jogo de amanhã, devido à lesão que sofreu durante a partida de anteontem. Em outras palavras, a equipe, que já está desfalcada de Kyrie Irving e Gordon Hayward, também ficará sem um dos seus melhores pontuadores que havia sobrado. Cenário perfeito para o 76ers roubar o mando de quadra já na primeira partida.

O último confronto entre as equipes, em 2017/2018, ocorreu no já distante mês de Janeiro. Naquela oportunidade, o Celtics não contou com Kyrie Irving e veio a marcar apenas 80 pontos no duelo, uma de suas menores pontuações na temporada. Vale ressaltar que o time da Philadelphia, à época, ainda não contava com Marco Belinelli e Ersan Ilysasova, reforços obtidos na trade deadline.

Para tentar levar a melhor na série, Stevens deve continuar apostando em Semi Ojeleye como titular, sobretudo devido ao sucesso que o calouro celta obteve ao marcar Giannis Antetokounmpo nos jogos finais da última rodada dos playoffs. Ben Simmons, calouro-sensação do nosso rival, possui um estilo de jogo semelhante ao do grego, inclusive nas fraquezas: ambos deixam a desejar nos arremessos de média e longa distâncias.

Diferentemente da franquia de Wisconsin, no entanto, o 76ers chama atenção por ter ótima defesa e um excelente treinador. Sim, o Celtics teve a melhor defesa da temporada regular e tem um forte candidato ao prêmio de treinador do ano, em Brad Stevens. Contudo, o 76ers não fica muito atrás: teve a quarta melhor defesa de 2017/2018 e Brett Brown também deve receber uma boa quantidade de votos para o prêmio supracitado.

Para fazer o improvável e chegar às Finais do Leste, o Celtics deve depositar sua esperança no trio formado por Terry Rozier, Jayson Tatum e Al Horford. O mencionado trio deverá apresentar um rendimento ainda melhor na série porvir, especialmente nos quesitos de pontuação e aproveitamento nos arremessos, para termos maiores chances de avançar na pós-temporada.

Contudo, acredito que os desfalques pesarão, assim como a boa fase do 76ers. A franquia da Philadelphia venceu 20 de seus últimos 21 jogos e está sedenta para disputar novamente a East Finals, algo que não ocorre desde 2001.

Com “O Processo” em alta e o Celtics desfalcadíssimo, creio que isso ocorrerá.


Eduardo Quirino: Celtics 3 x 4 76ers

A história entre as duas equipes em jogos de playoffs não mente: o equilíbrio é a palavra chave. Como acima dito, foram 100 partidas com 54 vitórias para o time de Massachusetts. No entanto, o importante numa série de pós-temporada é justamente o momento, sendo a historia apenas um indicador da incrível rivalidade, que já teve confrontos memoráveis entre Bill Russel e Wilt Chamberlain nos anos 60 e Larry Bird e Julius Erving nos anos 80.

Acredito que a série será disputada até a última partida. Infelizmente, não acredito que o Boston Celtics saia vitorioso. Os motivos são vários e tentarei mostrá-los abaixo.

Em primeiro lugar, o ataque celta não é brilhante. Durante toda a temporada regular, o lado ofensivo celta ficou no meio da tabela dentre os 30 times da liga. Muito embora nossa defesa seja a melhor da NBA, ao enfrentar uma equipe com um excelente poder defensivo, como no caso do Sixers, é necessário que o ataque invente maneiras diferentes de agredir o adversário, o que não se viu na série contra o Milwaukee Bucks. Neste ponto, a lesão de Kyrie Irving será muito sentida, já que é um prolífico scorer, capaz de tomar conta de um jogo e marcar mais de 30 pontos num piscar de olhos.

Além dos problemas no ataque, a franquia de Massachusetts não terá a vantagem do descanso, já que o o time de Philadelphia não joga desde a última terça-feira (24), quando fechou a série contra o Miami Heat por 4 a 1. Foram 5 jogos disputados pelo 76ers contra 7 confrontos por parte do Celtics, sendo o último disputado no dia 28, dois dias atrás.

Como bem lembrado pelo colega Rômulo Portugal, a diferença de técnicos já não é mais gritante. Brett Brown é muito mais talentoso que Joe Prunty e os torcedores não devem, de forma alguma, se surpreenderem caso o técnico do Sixers seja um dos três finalistas do prêmio de Técnico do Ano. Brown, que está no comando da equipe desde o início do movimento de renovação do elenco, chamado de “The Process”, montou uma forte defesa, centrada no pivô Joel Embiid, bem como um ataque eficiente, aproveitando a capacidade de armação do calouro Ben Simmons.

As três vitórias celtas na temporada regular foram antes da chegada de Marco Belinelli e Ersan Ilyasova, dois excelentes arremessadores na linha dos três pontos. No entanto, o Boston Celtics possui peças capazes de limitar os dois melhores jogadores do adversário. Na temporada regular, Al Horford foi um pesadelo pra Joel Embiid. Por sua vez, Simmons pode enfrentar problemas quando marcado por Marcus Smart, já que Simmons não conta com um arremesso de média distância confiável, além de Semi Ojeleye, que fez um excepcional trabalho marcando Giannis Antetokounmpo na série anterior.

A estratégia do time da Pensilvânia é muito clara: elenco recheado de ótimos chutadores de três pontos dando suporte para Ben Simmons e ajudando a espaçar a quadra para Joel Embiid. Porém, neste ponto, o time de Brad Stevens pode levar certa vantagem, caso repita a performance de um determinado período da temporada regular, já que chegou a ser a melhor defesa da NBA na linha dos três pontos.

No fator casa, porém, certamente o alviverde de Boston leva a vantagem, como se viu na série contra o time de Wisconsin. O Boston Celtics é muito forte quando joga no TD Garden, com o apoio de sua torcida e, por isso, acredito em três vitórias nesta série. Pode acontecer de roubarmos um jogo fora de casa? Pode. No entanto, o elenco saudável, descansado e talentoso do 76ers somado às lesões, falta de descanso e incapacidade ofensiva contra uma excelente defesa me fazem crer que não iremos adiante.

Como torcedor, espero muito que o Boston Celtics prove que estou completamente errado.


Gustavo Arruda – Celtics 3 x 4 76ers

Antes de mais nada, gostaria de lembrar os amigos leitores do Celtics Brasil que acertei o palpite da série passada, contra o Milwaukee Bucks. Infelizmente, não consigo fazer uma Quadra na Mega-Sena. Mas enfim, voltando ao assunto que realmente interessa, desta vez eu quero ter um aproveitamento “lotérico” e errar o placar: espero que não me joguem pedras, pipocas, cafezinho ou xinguem no Twitter, mas acredito na vitória do 76ers. Em sete jogos. Repito: ESPERO ESTAR ERRADO.

Para começo de conversa, vou citar os motivos que me fazem crer nesse apocalipse que é perder para um time que era saco de pancada nos últimos quatro anos e que virou, do nada, um timaço mais bolado que o Canarinho Pistola. O primeiro é a questão física: o 76ers não tem desfalques, está na ponta dos cascos, cheio de jovens atletas que podem jogar 48 minutos sem derramar uma mísera gota de suor. Esse time descansou por quase uma semana para essa série, enquanto sofremos igual protagonista de novela para bater o Bucks em sete jogos, e com três desfalques e meio (Smart voltou, aleluia, irmãos). Isso vai acabar pesando alguma hora, e vai piorar se precisarmos de um Jogo 6 ou Jogo 7 para salvar nossa pele.

Além da questão física e dos desfalques do Celtics, o que pesa a favor do Philadelphia 76ers nessa série é o talento. Ben Simmons, apesar de arremessar pior do que eu, é realmente o calouro do ano, capaz de pontuar, desarmar, pegar rebotes, distribuir assistências incríveis. Joel Embiid precisou de pouco tempo para se tornar um pivô muito dominante, nos dois lados da quadra, e vai exigir demais dos “velhinhos” Horford e Baynes. Dario Saric é um jogador espetacular, Robert Covington é um defensor convincente, JJ Redick tem um aproveitamento acima da média nos três pontos. Fora a rotação, com Ilyasova e Belinelli, que são experientes e conhecem o caminho das pedras. É um grande time, que pode causar estrago em um Celtics cansado e sem peças importantes.

Por outro lado, tenho meus motivos para manter a minha fé no Boston Celtics. O primeiro é a fase de nossos jovens talentos: Terry Rozier faz uma temporada espetacular, respeitável (alô, Daniel Emiliano, ele só quer respeito), Jayson Tatum tem um aproveitamento brilhante para um calouro, e Jaylen Brown amadureceu demais nos dois lados da quadra, a ponto de eu esquecer completamente da existência de Avery Bradley. Fora Al Horford, nosso motorzinho que marca, arma, ataca e não reclama de nada (Stevens, meu amigo, coloca ele no garrafão mais vezes, por favor). Ah, e tem o Stevens, óbvio, que é mais implacável que o Mago Patolino. Felizmente, temos um MacGyver que faz bombas atômicas com um canudinho de Nesquik.

Resumindo: só aposto 4 a 3 no 76ers por causa da questão física, que é mais avançada lá nas bandas da Filadélfia, e pelo melhor momento do adversário, que passou o rodo no Heat sem dificuldades e já vinha embalado por uma temporada regular de altíssimo nível. Entretanto, temos jovens sopinhas de abóbora, um dominicano malvadão, o treinador do ano e uma torcida maravilhosa, que já merece troféus pelos gritos contra o Bledsoe na série passada. Por ora, o favoritismo é deles, mas não dá para duvidar do maior campeão da história da NBA.

(mais uma vez: espero estar errado).

Rômulo Portugal
Rômulo Portugal
Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

11 Comentários

  1. Sandro disse:

    Sem Brown, Tatum vai ter que se desdobrar e amadurecer mais rápido…toda sorte do mundo pra ele. AH..vamos precisar demais dele. Espero que Rozier esteja com as mãos calibradas. Lets go Celtics!!!

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  2. Fernando Silva disse:

    O cenário racional é este mesmo. Estamos em desvantagem.

    Mas, eu não aposto contra os Celtics por alguma razões:

    1. Stevens.

    2. Já viramos cenários improváveis. A resiliência desta equipe é formidável.

    3. Semi, Yabu, Morris, AH em cima do Embiid na base de cada machadada uma minhoca e a coisa começa a virar.

    Por qual razão Embiid voltou a jogar contra o Miami (pouco mais rápido que o esperado)?

    Se ele nao retornasse à quadra Miami poderia vencer a série!

    Ao meu ver, no perímetro, equilibramos as forças mesmo com todos os desfalques.

    Mas na área pintada… precisamos de um jogo físico contra o Embiid e apostar no seu passado: ótimo jogador mas que, com alguma frequência tem dificuldades físicas.

    Go Celtics!

    Racional: 4×3 contra (até 4×2 não descarto).
    Possível: 4×3 Celtics.

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  3. Déborah Almeida Dias disse:

    Eu só tenho a agradecer esse time. Com todas as lesões que tivemos, os play offs pra lá de disputados, chegamos muito além do que eu imaginava ser possível. Daqui pra frente, o que vier será a cereja do bolo. Também aposto em um placar 4 x 3 contra.

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  4. Galera pra que tanto pessimismo? Podem printar e me cobrem depois celtics em 5 jogos!

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  5. Pra mim ou é 4×2 76 ou 4×3 Celtics, um jogo 7 no TD Garden é pesado de mais pro 76ers.

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  6. Cláudio disse:

    O jogo de hoje é fundamental. Se superarmos o cansaço e o provável desfalque de JB, levamos a série.
    Let’s go, Celtics!

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  7. Teobaldo disse:

    Matéria excelente, complementada por duas análises ótimo nível. Parabéns Rômulo e Eduardo! Abraços!

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  8. R Tsunami Green disse:

    4 x 2 ☘️

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  9. R Tsunami Green disse:

    Mesmo com os desfalques acho que dá nós!

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