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“Num Instante”, por Gordon Hayward – Parte 2

“(…) Pouco antes da cirurgia, Heather Walker, do Celtics, sugeriu que fizéssemos um vídeo que pudesse ser mostrado aos fãs em Boston, durante o jogo de abertura em casa. Eu achei uma grande ideia, mas naquele ponto, eu não havia dormido de verdade desde a lesão. Eu dormi provavelmente um total de três horas nas últimas 24 horas. Nós havíamos acabado de decidir que faríamos a cirurgia. Eu ainda estava tentando fazer minha mente entender o fato de que não jogaria a partida de abertura em casa. Então eu não sabia o que dizer. No entanto, eu recebi tantas mensagens, eu queria pelo menos dizer obrigado à todos que mandaram à mim seus pensamentos e orações.

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“Num Instante”, por Gordon Hayward – Parte 1

O diagnóstico inicial dos médicos era realmente bom. “Se você fosse ter uma lesão horrível na perna, essa seria a correta a se ter”, eles basicamente me disseram isso. Embora tenha parecido feio, me disseram que eu teria uma recuperação completa se a cirurgia fosse um sucesso.

Quanto ao plano para a cirurgia, tinham três partes. Primeiro era arrumar o osso, que é o mais fácil de se fazer. Depois, seriam os ligamentos que eu machuquei, o que relativamente fácil. A terceira parte era o desconhecido, e a única coisa que preocupava os médicos.

Havia um pequeno ponto nos exames que poderia mostrar um potencial dano à cartilagem. Se esse fosse o caso, não seria bom.

“O que isso significa?”, eu perguntei.

Eles não sabiam até abrirem o meu pé, disseram.

Pouco tempo depois, os médicos estavam: “Tudo certo. Estamos prontos para finalmente levá-lo para cirurgia.” Eu estava aliviado, pois finalmente iria acontecer. Eu estava rezando que tudo iria correr bem, e que nada estaria errado com aquele ponto na cartilagem. Eu só queria tudo terminado logo.

Me prepararam e me deram anestesia. Quando acordei, eu estava bem grogue, e meu pé estava latejando e pesado, com uma grande proteção nele. Era cinco horas da manhã, e tudo o que eu queria era dormir, mas eu me lembro de ter chamado a enfermeira. Quando ela entrou, eu perguntei: “Como foi? O que eles disseram? Alguém pode me explicar o que houve?”. Ela disse: “O médico irá lhe dizer pela manhã, mas pelo que sei, a cirurgia correu bem. Você deveria tentar dormir um pouco”.

Algumas horas depois, os médicos vieram. A cirurgia foi realmente um sucesso. A cartilagem dos exames não era relacionada à lesão, e não era um problema. Tudo ocorreu extremamente bem.

Isso era bom de ouvir.

CHEGANDO EM CASA

Quando eu fui pra casa alguns dias depois, nós colocamos uma cama de hospital na sala de casa para que eu pudesse estar com Robyn e nossas duas filhas, Bernie e Charlie.

As meninas ficaram muito felizes quando eu voltei do hospital, mas estavam confusas pelo o que estava em meu pé. Estavam confusas por causa das muletas, também. (Bernie tem dois anos, Charlie tem um). O que as duas amaram foi a scooter que eu preciso para andar por aí. Elas acharam que é a melhor coisa da história. A scooter tem uma cestinha, e Bernie é obcecada por coisas que tem cestas. Ela tem um pequeno carrinho de compras, e um pequeno carrinho de criança, onde ela coloca sua pequena boneca de bebê ou seu cachorrinho de pelúcia. Ela queria que eu andasse com seu cachorrinho dentro da cesta, o que foi cômico.

E, claro, como eu estava em uma scooter, andando pela casa, as duas queriam andar também. Elas também não queriam ninguém as ajudando, o que é completamente inseguro, já que ambas ficam instáveis sobre ela. Bernie foi realmente engraçada. Ela subiu na scooter e tentou colocar o pé do jeito que eu coloco meu pé sobre ela. Foi engraçado vê-la fazendo isso – e verdadeiramente incrível, honestamente, que aos dois anos de idade, ela entendeu o que eu estava fazendo e, daí, tentou me imitar.

Berne é também obcecada com machucados, então nós dissemos à ela que papai tinha um grande machucado. Se eu estivesse na sala, ela iria correr e continuar dizendo: “Mamãe! Mamãe! Papai se machucou!”, até Robyn dizer “Sim. Okay. Eu estou vendo que ele se machucou.” Então Bernie iria até o machucado, beijaria e daria um abraço para tentar fazê-lo melhorar – pois isso é o que nós fazemos quando ela se machuca, certo? Um dos programas favoritos de Bernie é Doc McStuffins. Ela gosta de se fingir de médica.

Então, quanto à minha lesão, Bernie está amando o momento.

Quanto a Charlie, ela não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que estava acontecendo algo, e ela não queria ser deixada de fora. Ela apenas correu e seguiu sua irmã e queria que eu a segurasse enquanto eu andava na scooter. Então eu o fiz.

 

MUITO OBRIGADO

Minha recuperação está apenas compeçando, mas eu já tenho várias pessoas para agradecer.

A primeira pessoa é Robyn. Tem um monte de coisas em minha vida que eu não seria capaz de suportar sem ela – especialmente os últimos meses. Quando eu estava sentado no vestiário em Cleveland, um de meus primeiros pensamentos que passaram pela minha cabeça foi: “Agora o que Robyn irá fazer? Agora ela tem duas crianças pequenas mais eu para tomar conta”.

Desde o primeiro minuto em que nos falamos, ela estava: “Não se preocupe comigo. Eu ficarei bem.” Ela esteve comigo no hospital o tempo todo. Desde que estou em casa, ela tem sido uma superstar conseguindo tudo o que preciso, lidando com todos, tentando atualizá-los sobre o que está acontecendo. Tem um monte de comprimidos que estou tomando e que ela está administrando. Você só pode tomar alguns por hora. Ela tem uma tabela marcando todos. Ela também tem sido bastante encorajadora. “Nós iremos sair disso mais fortes que nunca”, ela me diz. “Você irá ficar bem. Mas nós teremos que trabalhar nisso, então levante-se e comece agora!”.

Ela me faz rir.

Ela é realmente me ajuda e me apoia, e eu não posso agradecê-la o bastante por isso.

Eu também sou agradecido pelo tremendo apoio que recebi. Eu não posso acreditar em todas as mensagens de todos. Foram tantas pessoas me desejando o melhor e tendo-me em seus pensamentos e orações.

Muitos de vocês mandaram tweets ou mensagens, e provavelmente não tem certeza se eu um dia as leria. Por favor, saibam que eu fiz o meu melhor para ler cada uma delas. Eu posso dizer o quanto elas me ajudaram a atravessar essas últimas semanas.

Quando você sente que seu mundo está desmoronando, você começa a entender o quão sortudo é por ter pessoas por todo lado lhe apoiando.

Eu sou especialmente grato por todos na família NBA que me procuraram, e reforçaram o quão especial é fazer parte de desta fraternidade.

Eu só estive em Boston um curto período de tempo, então ter jogadores do Red Sox e dos Patriots compartilhando vídeos e mensagens usando minha camisa foi incrível. Toda a comunidade de Boston – desde os atletas profissionais até os fás dos Celtics, os que estou rapidamente aprendendo o quão fantásticos são – me emocionaram. Eu fiz apenas uma cesta como um Celtic, e mesmo assim todas essas pessoas me fizeram sentir como se eu estivesse em Boston por toda a minha carreira.

Eu realmente gostei de ouvir de outras pessoas que também tiveram lesões que encerraram suas temporadas. Caras como Odell Beckham Jr. e J.J. Watt. É muito legal vê-los me procurando, mesmo após o que aconteceu com eles. Paul George me contactou imediatamente após eu ter me machucado. Ele foi alguém com quem troquei mensagens o tempo todo. Eu estava lá com ele quando sofreu uma lesão parecida. Ele sabe melhor que ninguém, talvez, exatamente o que estou passando, e irei passar. Eu sou muito agradecido pelo fato dele ter falado comigo o quanto antes, e ele é alguém com quem eu continuarei contando.

Kobe Bryant postou uma mensagem no Instagram, e também me mandou um email. Kobe é alguém com quem aprendi e está ao meu lado desde que treinei com ele. Eu não posso dizer o bastante sobre o quanto significa o seu apoio, alguém que é um dos melhores da história, e basicamente passou por tudo. Ele não se machucou da mesma forma, mas teve uma lesão devastadora da qual ele se recuperou. Esse e-mail significa muito.

E então o Utah Jazz. Eu tive uma difícil decisão de deixá-los nesse verão e, mesmo assim, todos desde os donos, à diretoria, técnicos e todos os meus companheiros estavam lá imediatamente por mim. Eles continuam a mostrar que são de primeira classe em todos os sentidos, e eu sou afortunado por ter sido parte desta organização.

Barack Obama me mandou um email, também. Isso foi realmente grande.

Eu preciso fazer um agradecimento especial ao Dr. McKeon, Dr. Schena e Dr. Slovenkai, que me operaram no New England Baptist Hospital. Também agradeço ao Dr. Porter, que me consultou durante todo o processo. Todos reagendaram seus horários para ter certeza de que eu teria a melhor atenção médica possível.

Finalmente, a organização Celtics tem sido a melhor em todos os aspectos. Eles sabem que eu não irei voltar para quadra essa temporada, mas eles estão fazendo todo o possível para que eu tenha todos os recursos de que preciso, e estão me fazendo sentir-me como parte do time. Toda a família dos Celtics é composta de pessoas incrivelmente carinhosas.

Eu honestamente não posso dizer o suficiente sobre a bondade de todos.

 

VOLTANDO

Então o que eu faço agora?

Eu comecei vendo os jogos. Num primeiro momento, era extenuante tentar vê-los. Eu estava cheio de frustração, sabendo que não poderia fazer parte daquilo. Eu não estou nem com o time. É mentalmente difícil assistir aos jogos porque estou sentado aqui pensando, “eu não serei capaz de ajudar o time em quadra esse ano”.

Mas eu decidi que isso tinha que parar. Eu tinha que mudar essa forma de pensar. Eu sei que não posso ajudar fisicamente em quadra, mas eu farei tudo em meu poder para apoiar meus companheiros e técnicos de todas as maneiras possíveis. Seja esmiuçando vídeos ou apenas fornecendo liderança e orientação, eu não posso esperar para devolver. Eu já recebi muito.

Nós temos um time tão jovem e excitante, cheio de caras com um caráter incrível. Eu devo isso a todos eles, encontrar meu jeito de contribuir. Alguns dos jogadores mais jovens terão que crescer um pouco mais rápido do que o planejado. À eles serão confiadas situações onde terão muito mais responsabilidade. Mas isso será excelente para suas carreiras. Não há nada melhor que experiência na NBA, e eles irão receber um monte. Eu ainda acredito que ao final da temporada, nós podemos ser algo realmente especial.

Eu continuo imaginando como será pisar na quadra do Garden, e fazer minha estreia na temporada regular como um Celtics. Será adiado um pouco. Mas com cada dia de minha recuperação, estarei mais próximo de fazer isso acontecer. Eu já estou sonhando sobre dividir esse momento com todos aqui em Boston – uma cidade que ainda estou conhecendo, mas que me conectei através disso em maneiras além de tudo que eu poderia imaginar.

Agora, é tudo sobre voltar.

Tempo de começar.”

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Eduardo Quirino
Eduardo, 32 anos, nascido em Niterói/RJ, mas é Resendense de coração. Bacharel em Direito, estudante de Administração e flamenguista, é apaixonado por esportes e envolvido com o basquete desde os 14 anos. Ex-pilar do Volta Redonda Rugby, ex-capitão do Resende Rugby e atual ala-pivô do Basquete Resende, tem como espelho a lenda Kevin Garnett, razão pela qual começou a torcer para o Boston Celtics em 2008. KG se foi, mas o amor pelo Celtics é pra sempre!

8 comentários

  1. Vinicius Quadros

    Emocionante demais!

    Volta logo, sem demora!

  2. Ethan

    Meio homoafetivo não acha??

  3. Digor33

    Boa sorte rapaz, que espere o tempo necessário e volte pronto.

  4. Alexandre Zingales

    Peço desculpas por ser off topic aqui, mas alguém sabe me recomendar um site em que eu ache jerseys dos Celtics por um bom preço?

    Queria uma do Pierce, mas compraria do Irving, Hayward. Não achei muita coisa no mercado livre

    Obrigado pela ajuda e desculpe ser off topic

  5. Lucas Oliveira

    Passada a decepção podemos tirar algumas coisas boas desta história toda:
    1º É que o perfil do Hayward é de um cara que estuda o jogo, tenho certeza que o Stevens pensou nisso e que este tempo trabalhando junto a comissão técnica poderão elevar o jogo dele a um novo patamar.
    2º O desenvolvilmento dos meninos… E não falo apenas do Tatum ganhar mais tempo de quadra, ou o Brown ter mais responsabilidades, provavelmente o Semi mal teria entrado em quadra se não fosse esta contusão e poderíamos acabar não vendo o potencial desse jogador. O cara é uma parede! Os adversários dão o corpo para trombar com ele e ganhar espaço e ele nem se mexe, não é a toa que o apelido dele no grupo é “Incredible Hulk”.
    3º É uma constatação pessoal… Eu amava ver o IT jogando e o empenho defensivo do Bradley no ano passado, mas mesmo sem o Hayward este time tem sido muito mais divertido de se ver jogar!

  6. Na minha adolescência, quando eu jogava por categorias de base, eu tive algumas lesões bem sérias que me tiraram por um longo período dos treinos e o que meu treinador fez foi o mesmo que o Stevens pretende fazer. Me agregou a equipe técnica da equipe como auxiliar.

    Sou grato até hoje por essa experiencia pois o que eu aprendi sobre o jogo ali em alguns meses, talvez eu não aprendesse em anos dentro de uma quadra.

    Voltei um jogador mais sereno e inteligente, sabendo muito mais o que eu deveria fazer dentro da quadra do que antes. Parecia até que o jogo estava em uma suave câmera lenta, e que eu podia prever mais coisas do que antes, quando a vontade de correr e fazer as coisas sobrepunha a parte mental.

    Creio que com o Hayward vai acontecer o mesmo. Ele vai voltar como um jogador mais sábio e deve ajudar ainda mais na armação e construção das jogadas, do que já fazia antes.

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