Sozinho pelo Centro de Treinamento à noite, Marcus Smart ainda se conecta com sua mãe

Quando Marcus Smart voltava ao vestiário do Celtics no intervalo das partidas, havia sempre uma mensagem de texto de sua mãe Camellia em seu celular. Se ele tivesse errado um lance livre durante o primeiro tempo, ela já o lembrava de que ele lhe devia U$100, uma brincadeira entre os dois. Outras vezes, quando ela percebia que um adversário estava irritando Smart, dizia a ele para manter o foco. Mas, na realidade, as mensagens eram apenas pequenos lembretes de que ela o amava e estava ali com ele, mesmo a distância. Smart sorria e respondia que também a amava, e então voltava para a quadra para ajudar o Celtics a vencer o jogo.

Camellia Smart, 63, morreu em 16 de setembro deste ano, depois de lutar contra o câncer. Smart disse que não olha mais para o celular no intervalo. E quando o Celtics enfrentar o Knicks na noite desta quinta-feira – o aniversário de Camélia – a dor pode ser um pouco maior.

“Vai ser um dia emocionante e vai mexer bastante comigo, apenas o simples fato de que eu estava acostumada com as mensagens dela”, disse Smart na quarta-feira, com os olhos marejados enquanto se sentava em um canto da academia do Centro de Treinamento. “Quando eu jogava no aniversário dela, eu enviava mensagem de parabéns antes do jogo, no intervalo, depois do jogo… Vai ser difícil.

A morte de Camélia deixou Smart extremamente abatido, mas ele foi envolvido por tantos amigos, familiares e até mesmo desconhecidos nos dias que se seguiram, que atenuou a situação. Em todos os lugares que ia, alguém oferecia abraços, condolências ou uma história própria de perda. Mas quase três meses se passaram agora e, com o passar do tempo, o conforto dos outros inevitavelmente desaparece. E para Smart, a dor ainda é muito real e crua.

Ainda é difícil para ele dormir à noite. Ele por vezes não consegue pegar no sono, ou acorda de repente e não consegue voltar para a cama, geralmente porque está pensando em sua mãe. Por isso, às vezes, ele é visto pelas quadras do Centro de Treinamento do Celtics às 2, 3 ou até 4 da manhã, sozinho, falando com sua mãe enquanto está lá batendo bola.

“Eu digo a ela o quanto eu a amo e sinto falta dela, e conto sobre o meu dia e tudo que está acontecendo na vida”, disse Smart. “Se você não fala sobre as pessoas em voz alta, é aí que eles realmente se vão.

“Eu tento falar sobre ela o máximo que posso, falo com ela quando estou sozinho, e nunca esqueço que ela está sempre aqui em espírito no meu coração.”

Outras vezes nessas visitas ao CT, Smart simplesmente senta em silêncio e relembra. Ele pensa nos jogos que sua mãe costumava frequentar e como era grata por poder vê-lo crescer como um jogador da NBA. Smart disse que acredita que ninguém da equipe sabe de suas visitas de fim de noite para o centro de treinamento sozinho. Ele nunca pediu a ninguém para se juntar a ele, em parte por causa da hora, e em parte porque ele só quer ficar sozinho. Não há barulhos, e não há distrações.

“É realmente a minha hora para eu ficar sozinho e realmente sofrer sozinho”, disse Smart. “Com tudo o que aconteceu, tive que voltar a Boston com tanta rapidez que realmente não tive tempo suficiente para luto. Isso me bateu na hora, mas não me atingiu de verdade. E em momentos que me atinge, estar sozinho é algo que funciona.

Os momentos de solidão são importantes para Smart, mas ele diz que o conforto emocional que ele recebeu dos companheiros de Celtics também foi essencial. O armador Kyrie Irving, cuja mãe morreu quando ele tinha apenas 4 anos e cujo avô morreu no início deste ano, tem sido uma fonte constante de apoio. Smart disse que Irving continua a ligar para ele e enviar mensagens de texto para ele. Isso significou muito para o Smart.

“Nunca é fácil, mesmo quando você está preparado para isso”, disse Irving, “lidar com algo como o câncer, lidar com uma doença, lidar com qualquer coisa em que você tenha que esperar que alguém pare de sofrer… “E então eu liguei para ele imediatamente e deixei ele saber que ele pode contar comigo e que eu estarei sempre com ele pro que precisar. É uma coisa difícil perder um ente querido, não importa o quanto você esteja preparado para isso.”

Smart gosta de ver fotos antigas e vídeos de sua mãe. Ele tem coleções dos Dias da Mãe, reuniões familiares, aniversários e feriados. Ele ainda pode ouvir sua voz e ver seu sorriso. Smart entristece ao lembrar que ele não pode mais olhar para as arquibancadas e vê-la por lá. Ele deseja que ela possa estar no TD Garden hoje à noite, ou que ele possa pelo menos receber uma mensagem de texto dela. Mas ele sabe que ainda pode falar com ela sempre que quiser, não importa a hora ou o lugar.

 

Nota: Este texto foi  traduzido pelo autor a partir de uma matéria do portal americano Boston Globe postada no dia de hoje, 05/12, pelo jornalista Adam Himmelsbach.

 

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Bruno Penna
Bruno Penna
Nascido e criado no Rio de Janeiro, é formado em Administração e apaixonado por esportes. Começou a se interessar por basquete em 2005 ao assistir um monstro chamado Kevin Garnett em quadra. Se apaixonou pela história do Boston Celtics e desde então dividiu o fanatismo que antes era ocupado só com o Botafogo.

4 Comentários

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  2. Renato disse:

    Esse cara e puro coraçao, e triste demais perder um parente assim.

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  3. Sander disse:

    Ele tem que toma cuidado para nao entrar em depressão. Algumas pessoas acabam ficando com sérios problemas por causas assim. É bom procurar um tratamento, pois se não cuidar a pessoa pode ficar “maluca”.
    Que Deus abençoe o Smart.!

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  4. Erondi Nunes disse:

    Coitado do Smart só quem perdeu a mãe sabe o q é isso, estes textos nos fazem lembrar q no final das contas os cara são seres humanos também

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  5. Fernando Silva disse:

    Que Deus a tenha e conforte Smart

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