Celtics x Knicks – Parte 2

Nos anos 80, Celtics e Knicks, já órfãos de seus primeiros grandes ídolos, precisavam de novos protagonistas para seguirem capazes de disputar mais títulos. Coube a Larry “The Legend” Bird, draftado pela equipe de Boston em 1978, e a Bernard King, contratado pelo time da Big Apple, em 1982, assumirem os papéis de franchise players no início dos anos 80.

Em 1978, o Celtics tinha duas das 8 primeiras escolhas do Draft daquele ano. O inesquecível manager Red Auerbach, então, arriscou uma de suas picks no terceiranista Larry Bird, ala da Universidade de Indiana State. Essa escolha foi um risco, já que era de conhecimento público que Bird permaneceria para seu quarto ano na Universidade. Mesmo a contragosto da maioria, Auerbach draftou o ala e reteve seus direitos por uma temporada, o que era permitido à época. Auerbach estava certo e o Celtics e a NBA ganharam um dos maiores jogadores da história.

O New York Knicks, por sua vez, apostou suas fichas no também ala Bernard King. O time nova-iorquino, aproveitando-se do fato de King ser agente livre restrito naquele ano, fez uma ótima oferta. Contudo, o Warriors igualou a proposta. O time de New York não desistiu, conseguindo o ala através de uma troca, ao conceder Micheal Ray Richardson e uma escolha de draft.

Pronto, as equipes já tinham seus novos comandantes. Em sua primeira temporada, na NBA, Bird conduziu o time de Boston às Finais do Leste e ganhou o prêmio de calouro do ano. Na temporada seguinte, Bird foi além. O Celtics terminou a season de 1980/1981 com o recorde de 62 vitórias em 82 jogos, vencendo o Philadelphia 76ers em uma épica série de 7 jogos na Eastern Conference Finals. Na NBA Finals, o primeiro título celta sob o comando de Bird, ao vencer o Houston Rockets de Moses Malone. Mas faltava algo. Faltava o Knicks.

Em 1984, no ano que o Celtics viria a conquistar seu segundo título na Era Bird, Celtics e Knicks se reencontraram, após dez anos, nas semi-finais do Leste. A série foi até o decisivo Game 7. Bernard King fez um jogo 4 sensacional, ao marcar 43 pontos e empatar a série. Contudo, o Celtics tinha “The Legend”. Larry Bird (que viria a conquistar o primeiro de seus três prêmios de MVP naquele ano) estava imparável, tendo marcado 30 ou mais pontos em 3 jogos da série. Ótimo, certo? Não para Bird. O eterno camisa 33 de Boston fez um Game 7 inesquecível, tendo alcançado um triple-double naquela partida (39 pontos, 12 rebotes e 10 assistências), na vitória celta por 121×104. Posteriormente, o Celtics conquistou o título sobre o Lakers de Magic Johnson.

Bernard King saiu do time nova-iorquino em 1987. Antes, no entanto, ficou o bastante para ver Larry Bird conquistar seu terceiro anel, em 1986. O New York Knicks precisava responder ao sucesso de seu maior rival. As esperanças dos Knickerbockers foram depositadas no pivô Patrick Ewing, primeira escolha geral do Draft de 1985. Agora, o Knicks também tinha seu camisa 33 e um ícone que fez história na Big Apple, tendo sua camisa aposentada, pela franquia, anos depois.

Assim, Celtics e Knicks, capitaneados por Larry Bird e Patrick Ewing, respectivamente, se reencontraram nos Playoffs de 1988, pela primeira rodada na pós-temporada daquele ano. O time nova-iorquino, como já era esperado, não foi páreo para o maior campeão da NBA, tendo Boston vencido a série por 3 jogos a 1, com um grande jogo coletivo do inesquecível quinteto formado por: Dennis Johnson, Danny Ainge, Larry Bird, Kevin McHale e Robert Parish.

Chegamos ao fim da década de 80. Enquanto o Knicks fracassou em seus projetos de retorno às Finais da liga, o Celtics viu em Larry Bird, o astro capaz de reconduzir a franquia às glórias das décadas passadas, tendo a equipe de Boston conquistado 3 títulos e chegado a NBA Finals em 5 oportunidades na década citada. O New York Knicks não suportava mais assistir ao sucesso rival, enquanto afundava-se em ilusões.

Em 1990, as cidades rivais voltaram a duelar nos Playoffs, mais uma vez pelo First Round. Todavia, o cenário havia mudado. Larry Bird, após inúmeras lesões nas costas, não era mais o mesmo. Já a cidade de New York acompanhava ao crescimento individual de Patrick Ewing, que tornara-se um dos melhores pivôs da liga. Após abrir 2×0 na série (tendo marcado 157 pontos no Game 2), o Boston Celtics permitiu que os Knickerbockers virassem a série, fechando com uma vitória por 121×114, em pleno Boston Garden. Patrick Ewing foi o craque do duelo, tendo marcado 31 pontos no decisivo Game 5, além de distribuir 10 assistências e pegar 8 rebotes.

A década de 90 foi, de certo modo, generosa para o Knicks, que, liderados pelo seu camisa 33, alcançaram duas finais da NBA, nos anos de 1994 e 1999. Entretanto, não deixou de ser um década frustante, visto que Hakeem Olajuwon e as Torres Gêmeas de San Antonio (David Robinson e Tim Duncan) impediram que o Knicks desse a New York o seu terceiro anel.

A equipe de Boston, por sua vez, teve, nos anos 90, a pior década de sua história. Com a aposentadoria de Larry Bird, em 1992, esperava-se que Reggie Lewis assumisse o comando da franquia. Talento não faltava. Mas quis o destino que Lewis fosse impedido de realizar o sonho da torcida celta. O camisa 35, que sofria de problemas cardíacos, veio a falecer na offseason de 1993, enquanto arremessava algumas bolas. O Celtics aposentou a camisa 35 em sua homenagem. Outrossim, a década de 90 foi a única na qual o Celtics não conquistou um título pelo menos, até os dias de hoje.

Diante desse quadro, Boston Celtics e New York Knicks ficaram em um hiato de 21 anos sem se enfrentar nos Playoffs. Reencontraram-se em 2011. O cenário era parecido com o narrado nessa Parte 2: o Celtics com seu Big 3, capitaneado por um jogador draftado pela franquia; já o Knicks, liderado por um dos melhores scorers da liga, assim como nos anos 80, com Bernard King. Os nomes desses jogadores, dados e curiosidades, dos recentes duelos entre as franquias, serão contados na parte final desta especial trilogia, a ser lançada ainda nessa semana.

Rômulo Portugal
Rômulo Portugal
Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

4 Comentários

  1. Rafael Taborda disse:

    Novamente, texto bem informativo! Parabéns!

  2. Everton Paiva disse:

    Muito show, cada vez mais me orgulhando de ser um celta, por acaso teria algum lugar que eh possível baixar ou assistir os jogos desta época? Parabéns pela matéria e que venham mais textos com outras rivalidades.

  3. […] Com o fim da Era Bird, em 1992, e a trágica morte de Reggie Lewis, no ano seguinte (colocar link da Parte 2), o Celtics sofreu, por anos, atrás de um franchise player. Um ídolo que fosse capaz de traçar os mesmos passos de Bill Russell e Larry Bird. A equipe de Boston acreditou que esse jogador fosse Antoine Walker. […]

  4. […] dentro dessa disputa, deem uma conferida na trilogia especial que o Celtics Brasil fez sobre essa eterna rivalidade entre Celtics e Knicks. Tweet (function() { var po = document.createElement('script'); po.type = […]

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