27

setembro

2016

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Comentários

Obrigado, Pierce.

Esta tem sido uma semana difícil.

Meus amigos reportaram a aposentadoria dos meus ídolos. Difícil.

Se eu tentasse dizer algo sobre o Kevin Garnett, cometeria o erro de repetir as palavras do Bruno. Texto impecável e que representa o que KG representou para nós e para o mundo do basquete: coração, coração e coração.

Portanto, esse texto vai se dedicar a Paul Anthony Pierce.

Como o breve resumo a meu respeito indica, nesse site, Pierce é o meu primeiro e grande ídolo no basquete. Tudo começou no longíquo ano de 2003, quando o então garoto de 12 anos ganhou seu NBA Live 2003 para Playstation 1.

Se disser que conhecia muitos jogadores, táticas ou quem era o maior campeão, estaria mentindo. A internet não era acessível como a de hoje. No entanto, conheci um tal de Paul Pierce. Como? Escolhi o Celtics para jogar (afinal, o escudo do time era o melhor de todos) e o camisa 34 me deu a vitória com uma cesta no último segundo. Pronto, me ganhou.

Fui envelhecendo e deixei de acompanhar a NBA pelas matérias do dia seguinte do jornal. E fui acompanhando cada vez mais o meu ídolo.

Passei a correr atrás de links clandestinos durante as madrugadas (não leia isso, Obama) e descobri outros fãs do Pierce. Outros fãs do Celtics.

No saudoso Orkut, fiz amigos que viravam as noites comigo para acompanhar as vitórias do Celtics. Muitos migraram para o grupo do facebook, whats’app e deixam seus comentários até os dias de hoje, por aqui. O elo disso tudo? O Celtics, claro, mas negar a importância do Pierce seria uma blasfêmia.

E pode perguntar para qualquer um, os lances do camisa 34 ainda estão vivos em nossas mentes.

Todos se recordam dos seus famosos stepbacks. Quando o fim do jogo se aproximava e o Celtics tinha que escolher um responsável para arremessar a bola vencedora, a gente já sabia para quem ela iria. Até mesmo o adversário sabia. E o Pierce não decepcionava. Mesma jogada e mesmo resultado: o sorriso dos celtas e a sensação de que valeu a pena dormir tarde por mais uma vez.

Há outros lances característicos, como quando o ídolo ameaçava arremessar, o marcador (tadinho) ia na dele, pulava e o Pierce dava o corpo para sofrer a falta. Você entende bem do que estou falando, não é, Wade?

Eu lembro de tudo. Eu envelheci te assistindo, vibrando com suas cestas e vendo o então símbolo da era de fracasso do Celtics tornar-se o ídolo que é hoje: inquestionável, amado e inesquecível.

Infelizmente, você foi negociado. O fim havia chegado. No entanto, vejo isso com bons olhos também. Não sei o porquê, mas você sempre foi subestimado. Como jogará mais uma temporada, tem tudo para tornar-se um dos 10 maiores cestinhas da história da liga, mas nunca recebeu o valor devido.

Entretanto, pergunte, hoje, para algum fã do Nets ou do Wizards, o que ele acha do 34 do Celtics. Pierce fez no Brooklyn e na capital, o que cansou de fazer em Boston: emocionar, decidir e vencer. Você fez outros torcedores sentirem o que nós, celtas, já sentimos milhões de vezes.

Esse texto não busca ser informativo ou nostálgico. É um mero agradecimento. Por causa do Pierce, fiquei viciado em NBA. Por causa dele, o Celtics Brasil cresceu e é o que é hoje – o maior portal de um time de NBA, no Brasil. Por causa dele, pessoas tão diferentes e tão distantes uma das outras, viraram madrugadas se conhecendo, conversando e comemorando, como se fossem amigos de infância. É a tal das coisas que o esporte consegue. E que o ídolo faz.

Seu legado vai muito além de títulos e números, Pierce.

Obrigado pelas memórias.