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Obrigado, Pierce.

Esta tem sido uma semana difícil.

Meus amigos reportaram a aposentadoria dos meus ídolos. Difícil.

Se eu tentasse dizer algo sobre o Kevin Garnett, cometeria o erro de repetir as palavras do Bruno. Texto impecável e que representa o que KG representou para nós e para o mundo do basquete: coração, coração e coração.

Portanto, esse texto vai se dedicar a Paul Anthony Pierce.

Como o breve resumo a meu respeito indica, nesse site, Pierce é o meu primeiro e grande ídolo no basquete. Tudo começou no longíquo ano de 2003, quando o então garoto de 12 anos ganhou seu NBA Live 2003 para Playstation 1.

Se disser que conhecia muitos jogadores, táticas ou quem era o maior campeão, estaria mentindo. A internet não era acessível como a de hoje. No entanto, conheci um tal de Paul Pierce. Como? Escolhi o Celtics para jogar (afinal, o escudo do time era o melhor de todos) e o camisa 34 me deu a vitória com uma cesta no último segundo. Pronto, me ganhou.

Fui envelhecendo e deixei de acompanhar a NBA pelas matérias do dia seguinte do jornal. E fui acompanhando cada vez mais o meu ídolo.

Passei a correr atrás de links clandestinos durante as madrugadas (não leia isso, Obama) e descobri outros fãs do Pierce. Outros fãs do Celtics.

No saudoso Orkut, fiz amigos que viravam as noites comigo para acompanhar as vitórias do Celtics. Muitos migraram para o grupo do facebook, whats’app e deixam seus comentários até os dias de hoje, por aqui. O elo disso tudo? O Celtics, claro, mas negar a importância do Pierce seria uma blasfêmia.

E pode perguntar para qualquer um, os lances do camisa 34 ainda estão vivos em nossas mentes.

Todos se recordam dos seus famosos stepbacks. Quando o fim do jogo se aproximava e o Celtics tinha que escolher um responsável para arremessar a bola vencedora, a gente já sabia para quem ela iria. Até mesmo o adversário sabia. E o Pierce não decepcionava. Mesma jogada e mesmo resultado: o sorriso dos celtas e a sensação de que valeu a pena dormir tarde por mais uma vez.

Há outros lances característicos, como quando o ídolo ameaçava arremessar, o marcador (tadinho) ia na dele, pulava e o Pierce dava o corpo para sofrer a falta. Você entende bem do que estou falando, não é, Wade?

https://www.youtube.com/watch?v=gynyxrvip10

Eu lembro de tudo. Eu envelheci te assistindo, vibrando com suas cestas e vendo o então símbolo da era de fracasso do Celtics tornar-se o ídolo que é hoje: inquestionável, amado e inesquecível.

Infelizmente, você foi negociado. O fim havia chegado. No entanto, vejo isso com bons olhos também. Não sei o porquê, mas você sempre foi subestimado. Como jogará mais uma temporada, tem tudo para tornar-se um dos 10 maiores cestinhas da história da liga, mas nunca recebeu o valor devido.

Entretanto, pergunte, hoje, para algum fã do Nets ou do Wizards, o que ele acha do 34 do Celtics. Pierce fez no Brooklyn e na capital, o que cansou de fazer em Boston: emocionar, decidir e vencer. Você fez outros torcedores sentirem o que nós, celtas, já sentimos milhões de vezes.

Esse texto não busca ser informativo ou nostálgico. É um mero agradecimento. Por causa do Pierce, fiquei viciado em NBA. Por causa dele, o Celtics Brasil cresceu e é o que é hoje – o maior portal de um time de NBA, no Brasil. Por causa dele, pessoas tão diferentes e tão distantes uma das outras, viraram madrugadas se conhecendo, conversando e comemorando, como se fossem amigos de infância. É a tal das coisas que o esporte consegue. E que o ídolo faz.

Seu legado vai muito além de títulos e números, Pierce.

Obrigado pelas memórias.

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Rômulo Portugal
Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

6 comentários

  1. David Pessoa

    Haja coração pra ver dois dos nossos grandes ídolos se despedindo da NBA. Ainda me lembro do título, das minhas lágrimas, dos momentos felizes que passei assistindo Garnett e Pierce e do vazio que senti quando soube que os dois foram trocados. Enfim, obrigado pelas memórias Pierce e Garnett, agora resta esperar pela aposentadoria da camisa 34.

  2. Lucas Oliveira

    Provavelmente sou mais velho que uma boa parte do pessoal aqui é comecei a acompanhar a NBA por causa do dream team de 92, passando a torcer para o Celtics por causa de um tal de Larry Bird, embora praticamente não tenha o visto jogar.
    Começo dizendo isso porque como torcedor eu passei muitos anos sem ver o Celtics sem um ídolo e sem sequer alcançar os playoffs. Até finalmente em 96 o Celtics adquirir na 6 rodada o Antoine Walker e dois anos depois o grande Paul Pierce, voltando aos playoffs com essa dupla na temporada 2001/2002. Vi esse jogador crescendo e fazendo os torcedores da franquia voltarem a ter um motivo de orgulho e mais do que isso, vi um jogador fiel que se manteve no time mesmo quando muitos achavam que nunca veriam ele se tornar campeão se continuasse atuando no Celtics.

    A recompensa veio em 2008 e escapou por pouco em 2009, mas hoje tenho orgulho em dizer que pude acompanhar toda a carreira deste fora de série chamado Paul Pierce. Que ele tenha uma última temporada digna do seu tamanho, diferente do que os Fakers fizeram com o Kobe, que foi uma vergonha.

  3. Grande Capita !!

    Vamos ter liga no fantasy yahoo este ano ?

  4. Fernando C Silva

    É uma pena que o tempo passa e as forças do corpo se vão.

    Lastimável como no melhor da forma em todas as profissões as pessoas perdem as forças e nós perdemos pessoas que por dedicação ou talento são insubstituíveis no seu ramo.

    Podemos ver jogadores tão atléticos, tão técnicos, mas dificilmente tão fiéis e tão dedicados quanto KG e PP.

    Quem puder ver as últimas cestas do PP, vale o esforço.

    Ainda torço para que o DA lhe ofereça um contrato para encerrar a sua carreira.

    O novo Celtics que se forma, quem sabe, brigará pelo título que coroaria a carreira de quem tanto honrou a nossa camisa.

    Espero que DA ao menos tente.

  5. Belo texto, Rômulo! Acho que o Doc vai liberar o Pierce para fazer um contrato de 1 dia…

    []s verdes

  6. Lucas Galvão

    Antes de tudo, quero agradecer por ter feito esse texto, desde sexta (com a vitória sobre o Lakers) eu tenho meus pensamentos novamente voltados de forma fissurada ao nosso querido Celtão da massa, não que eu tivesse parado de acompanhar mas com tantos recordes individuais e coletivos sendo quebrados por essa equipe atual tem despertado em mim a mesma sensação de quando me apaixonei pela NBA e claro, pelo Celtics.
    Diante de tantas semelhanças com as descrições, a exemplo de como torcer pra Boston despertou em mim também a paixão pelos demais times da cidade , hoje eu estar cursando direito, e ter essa admiração pelo The Truth me fez ter a nítida impressão de ler um texto escrito por uma pessoa que pense de forma similar e isso me ajudou a relembrar como foi descobrir o que hoje para mim tem tanta importância de como foi literalmente mudar de vida pois foi no basket que deixei de ser um gordo sedentário, vendo a forma aguerrida que esse time jogava me dava forças a seguir com a dieta e jogar com intensidade como se eu dependesse de cada corrida para chegar a perder 30 KG.
    Comecei a ter sangue verde na temporada 2009/2010, quando ganhei uma camisa do Celtics e outra do Heat, e que época boa pra ver NBA, dava pra citar uns 8 times com chances de ganhar o título nesse período. Com a camisa do maior campeão e a frequência com que passava jogos do maior brigador da NBA na ESPN fui admirando cada vez mais a forma com que o time jogava, sempre no estilo raçudo de ser, ainda mais tendo KG e Paul Pierce e logo após um jogo sofrido, que perdemos para o Magic na temp regular, o time ganhou mais um fã, mesmo perdendo o jogo. Decidi então procurar a história do time e não fazia ideia do tamanho dessa franquia, já que com os Lakers tendo a maior parte da mídia e o Bulls tendo o logo mais famoso, não imaginava que aquele time fosse o maior de todos, ahh a inocência de quem começava a se encantar pela NBA hahaha…
    Foi uma temporada que não conseguimos o titulo 18 mas mesmo assim continuei admirando e me apaixonando cada vez mais pelo jogador que batia no peito, decidia jogos e inflamava clássicos, um dos maiores símbolos do que o Celtics é na liga, aguerrido, guerreiro e decisivo.
    Após anos xingando Danny Ainge por ter trocado KG e PP34, logo depois de termos perdido Ray Allen para o começo das panelas NBA, achei uma falta de respeito com esse jogadores que se matavam em quadra em nome do time mas hoje entendo todo o movimento feito e mais uma vez o cara que sempre se sacrificou pelo time e foi responsável pela volta por cima da equipe na liga volta a ser o resultado dessa nova reformulação que se deve a troca em que esteve envolvido. “Obrigado, Pierce.” faço de suas palavras as minhas novamente, e complemento dizendo que esta semana tem sido mágica para Boston!

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