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Veja como o Boston Celtics se tornou um dos maiores colaboradores nas lutas raciais no esporte

Por Diego Marcondes e Eduardo Marangoni

No dia 25 de maio, um policial branco usou seu joelho para sufocar o afro-americano George Floyd até a morte. Desde então, os Estados Unidos estão presenciando uma onda de protestos, pacíficos ou não, compostos por milhares de pessoas contrárias à repressão policial a negros no país. Alguns atletas do Boston Celtics marcaram presença nas manifestações, mas esta não foi a primeira vez que a franquia alviverde teve seu nome ligado a lutas raciais.

Boston sempre foi vista como uma das cidades dos EUA na qual os afro-americanos não são bem-vindos. Uma pesquisa nacional encomendada pelo Boston Globe em 2017 relatou que entre oito grandes cidades, os negros classificaram Boston como o menos acolhedor. Citando um caso mais recente, em 2019, um jovem fã do Celtics proferiu injúrias raciais contra o então pivô do Golden State Warriors, DeMarcus Cousins, e acabou sendo banido do TD Garden por dois anos.

Apesar da má fama da cidade de Boston neste tópico, o Boston Celtics é considerado uma das franquias mais progressistas da história do esporte. “Os Celtics são inigualáveis ​​em acreditar e incorporar o respeito por todos e quebrar as barreiras raciais. Eles foram a primeira organização da NBA a romper as barreiras.” – disse o líder do grupo de proprietários do time alviverde, Wyc Grousbeck, que em 2014 condenou as declarações racistas de Donald Sterling, na época proprietário do Los Angeles Clippers.

Um dos fatos que confirmam a afirmação do parágrafo acima é a participação de um dos maiores ídolos e ativistas negros da história do basquete, Bill Russell, em um evento chamado Cleveland Summit (Conferência de Cleveland, em português). O encontro gerou muita repercussão à época, pois foi convocado para tratar, dentre outras coisas, das injustiças que atletas negros sofriam e como elas poderiam ser confrontadas dali pra frente. Essa conferência, que contou com nomes do nível de Muhammad Ali e Karrem Abdul-Jabbar, por exemplo, foi celebrada no dia 4 de junho de 1967, completando 53 anos no dia da publicação deste texto.

Assim, aproveitaremos a data para relembrar alguns feitos de jogadores e managers do Boston Celtics que, de certa forma, colaboraram com a luta contra o racismo nos Estados Unidos. Boa leitura.

Primeiro jogador negro a ser recrutado no Draft da NBA e contratado por uma franquia

No Draft de 1950, Charles Henry Cooper se tornou o primeiro afro-americano escolhido por uma franquia da NBA após o dono do Celtics, Walter Brown, selecioná-lo com a 14ª escolha geral. Na época, diziam que Cooper era negro e, por isso, seria inelegível para jogar na liga americana. Brown ignorou o preconceito e disse que não se importava se Charles era “negro, listrado, xadrez, com listras ou bolinhas”, contanto que ele jogasse basquete. A carreira do atleta foi marcada por uma série de incidentes racistas e o mesmo afirmou ter sentido uma reação negativa em relação à maneira da qual tratado pelos treinadores e gerentes da NBA.

Durante sua passagem em Boston, Chuck Cooper conviveu com diversos preconceitos raciais. Cooper tinha sempre que estar em hotéis e restaurantes diferentes de seus companheiros de equipe simplesmente por ser negro, tendo até que dormir em trens por conta disso. O ala de 1.96m enfrentou uma dolorosa passagem pela NBA e o drama do jogador foi diversas vezes comparado ao “inferno”. Em 2019, sessenta e nove anos depois, o pioneiro dos afro-americanos na principal liga de basquete do planeta foi introduzido ao Hall da Fama do Basquete (Naismith Memorial Basketball Hall of Fame).

Leia tambémCraques do Passado – Charles Henry Chuck Cooper

A primeira estrela negra da NBA

Foi no Draft de 1956 que nasceu a maior dinastia da NBA até hoje. Devido à extinta “pick territorial”, Tommy Heinsohn foi a primeira escolha do Boston Celtics, mas o foco do lendário Red Auerbach era, sem dúvidas, o jovem pivô Bill Russell. Para isso, precisou fazer várias artimanhas para conseguir recrutar o jogador, adquirindo a 2ª escolha do “Draft Comum” (que diferia do “Draft Territorial”, que trouxe Tom Heinsohn) ao enviar Ed Macauley e Cliff Hagan ao Saint Louis Hawks e convencendo o Rochester Royals, dono da pick 1, a não escolher Russell.

Desta forma, Boston recebeu, com muito esforço, o que seria o primeiro negro a ser campeão da NBA (isso logo em sua temporada de calouro) e o primeiro treinador negro da liga, ao comandar o próprio Celtics entre 1966 e 1969 na função de jogador-treinador, o que deu a Bill mais 2 títulos. Por fim, Russell deveria ser o primeiro jogador negro a entrar para o Hall da Fama do Basquete, mas acabou recusando o convite por acreditar que outros atletas negros deveriam ser recompensados antes dele, como o próprio Chuck Cooper.

Mesmo após se firmar como uma estrela no Boston Celtics, Russell foi frequente vítima de racismo. Quando os All-Stars da NBA fizeram uma turnê pelos Estados Unidos em 1958, proprietários de hotéis na Carolina do Norte se negaram a hospedar Russell e seus companheiros de equipe. Antes da temporada de 1961-62, a equipe de Bill estava pronta para jogar um “amistoso” em Lexington, Kentucky, quando todos os negros foram recusados ​​em um restaurante local. Eles se recusaram a jogar em forma de protesto e acabaram voltando para casa.

Quando Bill Russell finalmente decidiu comprar um imóvel no centro de Boston, os vizinhos não gostaram da idéia. Injúrias raciais foram pintadas nas paredes, cerveja foi derramada na mesa de sinuca, troféus foram esmagados e, pasmem, defecaram em partes de sua casa, incluindo sua cama. 

Ainda na Era Bill Russell, o Celtics voltou a fazer história em 26 de dezembro de 1964, quando se tornou a primeira franquia da NBA a iniciar uma partida com cinco negros entre os titulares, revolucionando de vez a liga. Tom Sanders, KC Jones, Sam Jones, Willie Naulls e Bill Russell formaram o all-black five, que acabou vencendo o Saint Louis Hawks por 97 a 84. Boston usou a mesma formação em outros 12 jogos nesta temporada.

Como fato curioso, durante a década de 60, Bill Russell chegou a ser proprietário do Slade’s Bar and Grill, apelidado de “The Soul of Boston”, que além de ser um restaurante, também servia como boate de R&B e Hip-Hop. Uma das poucas empresas negras do centro da cidade, o ”The Soul of Boston” tinha uma clientela mais que especial, contendo pessoas como Muhammad Ali, Martin Luther King Jr., Malcolm X, Joe Louis e o presidente Franklin D. Roosevelt na lista de fregueses do local.

Celtics vs Lakers, década de 80.

Os Celtics eram frequentemente alvo de piadas durante a década de 1980. Isso interferiu até na escolha de quem torcer na NBA por certo tempo, pois durante a rivalidade Larry Bird x Magic Johnson, a equipe alviverde acabou sendo considerada o ‘time dos brancos’, enquanto o Lakers, o ‘time dos negros’. Mesmo com a franquia de Boston contando com Dennis Johnson, Robert Parish, Cedric Maxwell, ML Carr e o técnico K.C. Jones (todos negros) em seu elenco, essa era o estereótipo da época.

O estereótipo sobre a equipe de Boston continuava negativo, e era quase impossível uma pessoa de fora da cidade gostar do Celtics. Maxwell disse que qualquer afro-americano que jogava pela franquia naquela época não era bem-visto pelo resto do país. “Todos nós fomos taxados como traidores de nossa raça. E acho que nada estava mais longe da verdade, com um cara como eu, Robert (Parish), ML (Carr), Dennis Johnson. Nós amamos nossa cor. Nós estávamos orgulhosos de nossa cor. Mas jogamos em uma cidade que naquela época, querendo ou não, as pessoas pensavam que era racista.” – completou Cedric.

O pesadelo vivido por Dee Brown

DeCovan Kadell Brown, ou apenas Dee Brown, foi selecionado pelo Celtics no Draft de 1990 com a 19ª escolha geral. Poucos tempos depois de se juntar ao elenco do time alviverde, Brown pensou seriamente em sair de Boston após um incidente racial. “Eu estava dentro do meu carro, e com uma caneta na mão, tudo o que ouvi foi: ‘Levante as mãos’. Eu olhei para fora da janela e vi cerca de oito policiais com armas apontadas para mim. Foi assustador, pois ouvi um casal dizer: ‘Abaixe a arma’, porque eles achavam que a minha caneta era uma arma. Quando saí do carro, eles disseram novamente: ‘Abaixe a arma’. Eu disse: ‘Não é uma arma. É uma caneta’. Eles me colocaram de bruços no chão e novamente apontaram armas na minha cabeça. Alguém passou por lá, viu o que estava acontecendo e disse: ‘Ei, esse cara acabou de ser draftado pelo Celtics’. “Se ele não dissesse nada, eu teria sido preso, algemado ou até morto.”

Brown disse que os policiais suspeitavam que ele havia assaltado um banco próximo uma semana antes. “Pensei seriamente em sair. Eu achei que ia morrer naquele dia. Realmente. O engraçado é que acabei me mudando para a cidade e nunca mais tive um problema desde então. Boston era um ótimo lugar para morar e se divertir” – afirmou.

A cura para a cidade de Boston

Em 13 de março de 1972, o Celtics organizou uma cerimônia privada para aposentar a camisa número 6 de Bill Russell no então Boston Garden. A camisa subiu na frente de jogadores e amigos há cerca de uma hora antes da abertura do ginásio, para um jogo contra o New York Knicks. Quando perguntado sobre a cerimônia não ser aberta ao público, Russell disse aos repórteres: “Você sabe que eu não gosto disso”.

Em 26 de maio de 1999, o Celtics decidiu realizar uma segunda cerimônia de aposentadoria para Bill Russell. Desta vez aberta ao público, a retirada da camisa número 6 contou grandes nomes da NBA, como Larry Bird, Wilt Chamberlain, Kareem Abdul-Jabbar, Julius Erving, John Havlicek e Oscar Robertson, além da lenda do boxe, Muhammad Ali.

Ao final da cerimônia, Bill Russell e Red Auerbach ficaram ao lado de uma faixa da camisa aposentada. Quando os dois puxaram uma corda para subir a camisa número 6, os fãs do Celtics presentes no TD Garden deram a Russell o que ele merecia há 27 anos antes: uma ovação de pé. Bill apenas respondeu com lágrimas.

Este foi o momento de cura para a cidade de Boston, que conseguiu dar para um de seus maiores ídolos o respeito e o reconhecimento que o camisa 6 merecia. “Bill Russell deu relevância a Boston nacional e internacionalmente. Ele foi a principal razão pela qual a equipe do Celtics era do jeito que era” – disse Tom Sanders, ex-companheiro de Bill Russell na equipe de Massachussetts.

A realidade no início do século XXI

Boston nunca foi um mercado atrativo para agentes livres da NBA, e isso quase impediu que Kevin Garnett fosse parte da equipe alviverde no final da última década. “Boston não é um lugar onde as pessoas pensam em jogar. Nunca foi um destino enorme para agentes livres. Você pode perguntar para os jogadores que foram negociados, eles nunca pensaram que estariam lá. Eles dirão (positivamente): ‘Eu não sabia que Boston era assim.’ A reputação é que é uma cidade racista. Mas, como figura esportiva, você não vê.” – comentou Paul Pierce.

As portas começaram a se abrir em Boston quando a franquia adquiriu Kevin Garnett. O Celtics enviou Al Jefferson, Ryan Gomes, Sebastian Telfair, Gerald Green, Theo Ratliff, duas escolhas de Draft da primeira rodada e considerações em dinheiro para Minnesota para conseguir a estrela em seu plantel. A mudança de Garnett ajudou o Celtics a contratar outros agentes livres e mudou de vez o estereótipo negativo sobre a cidade, que se tornou um mercado melhor após a movimentação.

Garnett não poupou elogios a cidade. “Quando fui para Boston, tive uma sensação diferente. As pessoas não eram racistas comigo. Eles estavam tipo, ‘Oh, Big Ticket, posso tirar uma foto contigo?’. Preto, branco, verde, roxo, não importava. Todo mundo queria conversar sobre o jogo e você tinha que parar e conversar. Isso era natural, foi legal, havia muita transparência. Você é como um deus lá, é só dar tudo de si que eles devolverão para ti.”

O armador Rajon Rondo disse que Boston sempre o tratou bem. O pensamento do armador era que um atleta negro provavelmente seria tratado de maneira diferente por algumas pessoas, seja em Boston ou em qualquer outro lugar da América. Kendrick Perkins concorda. “Nunca lidei com racismo uma vez.”, disse Perkins.

A cidade estava mudada e evoluída em alguns aspectos. Ser um atleta dos Celtics era motivo de orgulho e a população passou a reconhecer isso. Os fãs reconheciam o legado de todos que marcaram passagem no Boston Celtics. O lema da cidade é “Uma vez celta, sempre celta”.

Estátua a Bill Russell em Boston

No City Hall Plaza, em Boston, agora existe uma estátua em homenagem a Russell, criada por Ann Hirsch. Cada bloco foi destacado pelas famosas realizações e citações de Russell, sendo esculpidos 11 feitos diferentes, em alusão ao número de títulos do jogador. Antes da inauguração, em novembro de 2013, o até então presidente Barack Obama se juntou a Russell para uma conversa. “Nunca esquecerei esse dia. Foi um ótimo momento para o Celtics e a cidade de Boston””, disse Steve Pagliuca, sócio do Celtics.

No evento,Wyc Grousbeck aproveitou para mostrar que a história inclusiva do Celtics é algo que a franquia muito se orgulha, e a propriedade está comprometida em fazer de Boston um lugar acolhedor para os atletas. “O Celtics luta todos os dias para fazer deste o melhor lugar possível para um atleta jogar e competir no mais alto nível, ganhando na quadra e dando ótimos exemplos para a comunidade”, disse Grousbeck. Em seguida, James Cash, outro membro da direção, também aproveitou para discursar aos presentes. “Boston é um lugar incrível. Eu vou para South Boston agora e penso que há 40 anos atrás, é o tipo de coisa que faz com que você saiba que há mais pessoas por aí tentando fazer a coisa certa que simples idiotas”.

Mais engajamentos da última década

Cumprindo as expectativas, a franquia de Boston não só continuou a ser ativa nas questões sociais, mas procurou ser mais intensa em suas manifestações. Um grande exemplo disso, por mais que fuja ao foco principal do antirracismo, é o atentado em meio à Maratona de Boston, em 15 de abril de 2013. Além da sensibilização da franquia, junto à cidade, vários jogadores prestaram solidariedade quanto a isso, como Rajon Rondo, que homenageou as vítimas em seu tênis na época.

Em agosto de 2016, durante o ápice da onda de protestos liderados por Colin Kaepernick (então quarterback do San Francisco 49ers), contrários à injustiça racial nos EUA, o Boston Celtics mais uma vez não se calou. No primeiro jogo da pré-temporada de 2016/17, jogadores se posicionaram de mãos dadas e de cabeça baixa, demonstrando apoio às manifestações. O ato lembrou um protesto realizado pelo próprio Celtics na temporada 1960/61, que fez a mesma pose para protestar contra os direitos civis.

No elenco atual, o jogador mais engajado com as causas sociais é, sem dúvidas, Jaylen Brown. O ala-armador de 23 anos, que já recebeu inclusive elogios do executivo da NBA quanto a sua inteligência, chegou a comentar sobre o racismo em Boston. “A primeira coisa que ouvi quando fui trazido para cá foi que Boston era historicamente racista. Mas você vê certas coisas dentro e fora da cidade que são muito diversas. É acelerado. Provavelmente é muito diferente do que costumava ser conhecido. Você vê muitas mudanças, muitas coisas diferentes nas quais as pessoas se reúnem. Esta cidade realmente cresceu em mim”, comentou Jaylen.

Outros jogadores de destaque na década do Celtics também se pronunciaram sobre a “nova” cidade. Um deles foi Avery Bradley, atualmente no Lakers: “É uma das melhores franquias que já joguei e amei a cidade. Eu ainda moraria lá. É o meu lar”, comentou. Marcus Smart, apesar de ter sofrido um lembrado caso de racismo na cidade, também veio a defender Boston publicamente: “Onde quer que você vá, encontrará fanáticos ignorantes e pessoas incompreendidas, estranhas, que não são iguais. Boston é apenas uma das cidades em que isso aconteceu comigo. Mas a cidade em si é maravilhosa e eu amo jogar por lá. Eu recomendo para quem quer jogar lá. Eu amo a cidade, é lindo”, dissertou.

2020: Caso George Floyd

Este caso, citado no início do texto, recentemente gerou uma grande revolta na população mundial. George Floyd, um afro-americano, foi assassinado cruelmente por Derek Chauvin, um policial branco que o sufocou por cerca de 8 minutos e 46 segundos, em mais um caso de violência policial contra negros nos Estados Unidos. Floyd, já inconsciente, foi levado ao hospital por uma ambulância, mas veio a falecer logo que chegou no local. Alguns jogadores do Celtics marcaram presença em manifestações pacíficas neste fim de semana.

Jaylen Brown dirigiu por quinze horas de Boston a Atlanta para liderar um protesto que lutava contra o abuso de autoridade e assassinato por racismo por parte da polícia norte-americana. O ala-armador, que é um dos vice-presidentes da NBPA (Associação Nacional de Jogadores de Basquete, em português), esteve na linha de frente do ato e marchou levantando uma placa com a frase “eu não consigo respirar”, as últimas palavras de George Floyd antes da morte.

O jogador de 23 anos comentou sobre isso em suas redes sociais. “Ser uma celebridade e jogador da NBA não me exclui de nenhuma conversa. Antes de tudo, sou um homem negro e membro desta comunidade. Três pessoas foram erroneamente presas hoje, em um protesto pacífico. A polícia usou táticas para tentar intimidar nosso grupo e nós não fizemos nenhum tumulto ou perturbação pública. Por que três pessoas foram presas? Nós temos direito de manifestar a nossa dor e vocês não têm o direito de nos calar ou controlar isso! Quando não é pacífico é um problema e quando é pacífico também é um problema! Vocês esperam que as pessoas não façam nada? Não confunda a reação do oprimido com a violência do opressor.” – disse Jaylen.

Leia tambémEm entrevista, Jaylen Brown fala sobre racismo, perda de seu melhor amigo e mais.

Enes Kanter, Vincent Poirier, Marcus Smart e Robert Williams também estiveram em protestos contra a injustiça racial. Os jogadores do Celtics foram às ruas de Boston para participar de uma manifestação pacífica. Vestindo a tradicional jersey da franquia alviverde, o pivô turco, que tem a carreira marcada por uma ferrenha luta contra Recep Erdogan, ditador de seu país, disse: “Eu fico chateado, mas estamos do lado certo da história. Vocês sabem que vidas negras importam, né? Vamos lá!”. Smart também se pronunciou: “Estamos aqui para manter o nome e o legado de George Floyd vivos. Algo tem que ser mudado, e aqui estamos para tentar fazer a mudança”. – comentou o ala-armador. A grande maioria do restante do elenco do Celtics veio por meio das redes sociais demonstrar apoio aos protestantes, clamando por justiça.

Esta importante liderança dos jogadores do Celtics não surpreendeu o técnico Brad Stevens, que ficou extremamente orgulhoso com o posicionamento de seus comandados. “Queremos que eles defendam o que acreditam e vamos apoiar isso. É tão bom ver tantos caras tão ativos, a liderança que eles mostraram é ótima. Quero que eles saibam que estou com eles. Podemos não ser capazes de conhecer a dor de nossos colegas negros, de nossos jogadores negros ou de nossos assistentes negros, mas temos a responsabilidade de ser não apenas empáticos, mas ajudar a impulsionar a mudança. Ser capaz de ouvir nossos jogadores falarem sobre discriminação, ser empático em relação a isso, e também reconhecer que talvez eu não saiba a profundidade disso. Se você precisar de mim, estarei aqui e temos muitas pessoas aqui, queremos ajudar. Acredito que a dor que todo mundo sente existe há muito tempo e a falta de progresso é chocante. O que precisamos é fazer a nossa parte. E parte da minha responsabilidade nisso é ouvir e aprender.” – afirmou Stevens.

Brad Stevens não poupou elogios para o tão amado jogador de 23 anos, Jaylen Brown: “O maior impacto de Jaylen não será no basquete. Eu acho que ele é um cara especial, é um líder especial. Ele é esperto, tem coragem, tem muitas coisas boas. Acho que reconhecemos isso quando o draftamos, mas ele tem sido ainda mais inacreditável todos os dias, todos os anos. Sempre gostei muito de ouvi-lo e conversar com ele sobre coisas fora do basquete. Ele me disse que estava indo para Georgia protestar, e certamente não estou surpreso por ele assumir um papel de liderança. Ele é Jaylen Brown.” – comentou o técnico do Boston Celtics.

Além de todos os citados, o Boston Celtics também veio a público emitir o seu repúdio quanto às injustiças raciais. Confira abaixo:

“Passei algum tempo hoje no telefone com nossa equipe. Tenho muito orgulho de estar com eles em uma busca mútua por mudanças positivas. Tenho esperança no futuro enquanto ouço as idéias e sonhos deles para uma sociedade melhor. Tenho muito a aprender com esses rapazes.”disse Danny Ainge.

E assim, depois de detalhar inúmeras situações, podemos concluir uma coisa: boa parte dos jogadores do Boston Celtics são mais que apenas atletas. Ao vestir essa camisa de duas cores, pessoas passam a ter voz ativa, pregando sempre por justiça, como bons cidadãos devem fazer. O ativismo social está intrínseco na cultura da franquia alviverde e os fãs não poderiam estar melhor representados e mais orgulhosos. E nós, redatores, não poderíamos estar mais felizes de poder compartilhar um pequeno trecho desta linda história com vocês.

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Diego Marcondes
Paulistano, 16 anos. Torcedor do Boston Celtics desde 2015, sonho em ser jornalista no futuro. Escrevo sobre o basquete do São Paulo no SPFC 24 Horas e sobre NBB no Jumper Brasil.

3 comentários

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