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    Início»Túnel do tempo»A Era dos 3 pontos na NBA – Parte 2
    Túnel do tempo 9 Mins de leitura

    A Era dos 3 pontos na NBA – Parte 2

    Rômulo PortugalPor Rômulo Portugal4 de junho de 20155
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    • – Rick Pitino:
    • – O Phoenix Suns de Mike D’Antoni:

    Dando prosseguimento ao especial sobre a Era dos 3 Pontos, chegou a hora de detalharmos 2 dos principais responsáveis por essa mudança de jogo nas quadras da NBA. A primeira parte pode ser conferida ao clicar aqui.

    – Rick Pitino:

    Como dito ao final da primeira parte, Larry Bird acusou o controverso Rick Pitino, como o pioneiro na introdução de um jogo dependente de bolas de 3.

    E essa mudança começou na NCAA, a liga universitária norte-americana, logo em um dos primeiros trabalhos do treinador, quando o mesmo treinou a Universidade de Providence, localizada em Rhode Island. A missão não era das mais fáceis: Pitino foi o escolhido para ressuscitar a reputação dos Providence Friars. E ele conseguiu.

    Na temporada de 1984/1985 (a última antes de Pitino assumir o comando), os Friars terminaram o ano dividindo a lanterna da divisão Big East. “Eu cheguei em Rhode Island e me deparei com um elenco sem confiança e talento”, atestou Pitino. “Eu precisava de uma fagulha para incendiar o moral do time e dos moradores da região”.

    Sua primeira fagulha tentada foi fazer uso de uma marcação insana, na qual os jogadores pressionavam os adversários desde a saída de bola. E deu resultado: liderados pelo terceiranista Billy Donovan (atual treinador do Oklahoma City Thunder), os Friars terminaram a temporada regular com a campanha de 17 vitórias em 31 jogos e participaram do NIT (National Invitation Tournament). No entanto, faltava o incêndio que ele tanto desejava.

    Em sua segunda temporada, Pitino resolveu adotar os arremessos de 3 pontos como principal arma ofensiva. “Quando a linha dos 3 pontos foi introduzida, eu decidi que meu time iria liderar todo o Estados Unidos em arremessos de 3 pontos”, lembra Pitino. “Nós iríamos arriscar 15 bolas de longe, por jogo, e iríamos ser referência nacional”.

    Os Friars enfrentaram, em um amistoso de pré-temporada para 1986/1987, a seleção da extinta União Soviética, capitaneada por estrelas como Arvydas Sabonis e Sarunas Marciulionis. Os soviéticos, já amantes das bolas de 3 pontos, tentaram 27 arremessos dessa espécie e amassaram os Friars. Foi então que Pitino visualizou que 15 bolas por jogo era um número insuficiente. Então, ele aumentou a pedida: ”Eu quero, a partir de agora, 25 bolas de 3 por jogo”, cravou o então treinador de Providence.

    O hoje treinador do Thunder, Billy Donovan, tem uma lembrança distinta, no entanto: “Eu recordo que ele nos disse para arriscarmos 35 bolas de 3 por jogo”. “Isso foi totalmente revolucionário, já que ele rompeu com o basquete convencional, que tinha forte oposição a um ataque que valorizasse as bolas de longe”.

    De qualquer modo, os Friars terminaram essa temporada com uma campanha de 25 vitórias em 34 jogos, chegando até ao Final Four da NCAA, como 6º colocados de sua conferência. Durante o March Madness, os comandados de Pitino derrotaram as fortes Alabama (2ª colocada) e Georgetown (1ª colocada). Providence liderou os Estados Unidos em cestas de 3 convertidas (280) e arriscou 19.6 por jogo.

    O sucesso conquistado em Rhode Island, deu a Pitino o cargo de treinador em uma das maiores franquias da NBA: o New York Knicks, que havia terminado a temporada de 1986/1987 com a segunda pior campanha da liga. Ao desembarcar em Manhattan, Pitino foi agraciado com os talentos do super pivô Patrick Ewing, mas isso não era suficiente. O treinador queria um time que arremessasse bolas de 3 e fosse capaz de espaçar a quadra para facilitar o trabalho de Ewing. Em sua primeira temporada na NBA, Pitino levou o Knicks aos Playoffs, com sua equipe sendo a terceira que mais tentara arremessos de longe, muito embora o elenco não fosse formado com grandes arremessadores desse estilo.

    Já na sua temporada sob o comando dos Knickerbockers, Pitino levou sua equipe a uma campanha de 52 vitórias em 82 jogos, na qual a franquia de New York liderou a NBA em arremessos de 3 tentados e convertidos. O elenco daquele Knicks contava com jogadores competentes nas bolas de 3, tais como Johnny Newman, Trent Tucker, Gerald Wilkins e Mark Jackson. O Knicks arremessou 1.147 bolas de 3 naquela temporada. O recorde na história da NBA, até então, era de 705 tentativas.

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    “Eu fiz o Knicks voltar a jogar com casa cheia”, lembra Pitino. ”Até então, as partidas do Knicks contavam com apenas 60% da lotação do Madison Square Garden. Após minha chegada, repentinamente, os ingressos viviam esgotados”.

    No entanto, o treinador revela que havia um código para arremessar bolas de 3. Na verdade, tais arremessos só podiam ser tentados sob 4 circunstâncias: 1 – em jogadas que nascessem de rebotes ofensivos; 2 – em jogadas oriundas de infiltração; 3 – em jogadas iniciadas no garrafão, com o big man passando para o arremessador; 4 – ou em passe que cruzasse a quadra. Caso ocorresse alguma das 4 oportunidades, o sinal estava verde: arrisque de 3!

    Por fim, o treinador, orgulhoso, afirma: ”No começo, todos me consideravam um louco irresponsável”, atesta Pitino, sobre seu demasiado uso de bolas de 3 pontos. “No final, contudo, todos perceberam que esse arremesso era uma arma poderosa pouco explorada”.

    – O Phoenix Suns de Mike D’Antoni:

    Alguns afirmam que o crescimento da utilização de bolas de 3 pontos era algo inevitável. Entretanto, não ouse dizer isso para Pat Riley.

    “O aumento de uso dessa arma não foi natural”, atesta Riley. “Foi uma obra do homem. Foi algo minimamente calculado”.

    Para Riley, o homem responsável por essa obra tem nome e sobrenome: Mike D’Antoni.

    De 2004/2005 a 2007/2008, D’Antoni estabeleceu o famoso sistema “Run & Gun” no Arizona, no qual o Phoenix Suns tinha de concluir suas jogadas em até 7 segundos, usando e abusando de velocidade e arremessos de 3 pontos. Sob esse sistema de jogo, o Phoenix Suns venceu mais de 70% de suas partidas no intervalo de tempo supracitado. Abaixo, um vídeo que homenageia essa lendária equipe:

    “Nós tentamos derrubar os esteriótipos que diziam que não era possível vencer jogando da maneira que jogávamos”, afirma D’Antoni. “Nós não jogávamos de forma pré-determinada; nós apenas jogávamos livres”, conclui.

    A filosofia de jogo de D’Antoni foi inspirada nos seus tempos de jogador da American Basketball Association (ABA), onde os arremessos de 3 pontos eram lei. Como treinador, D’Antoni venceu campeonatos na Europa, sempre com times que eram especialistas nas bolas de longe.

    “Na Europa, os arremessos de 3 faziam muito mais sentido, já que a linha dos 3 pontos era um pouco mais próxima à cesta”, lembra o treinador. “Quando começamos a chutar muitas bolas de 3, recebi fortes críticas. Contudo, minha equipe saiu-se campeã ao final da temporada, então as críticas foram em vão. Logo, ficou a lição para todos: ‘por que não tentar mais vezes?’ “.

    Já na NBA, D’Antoni voltou a ver seu estilo de jogo sofrer preconceito, já que o treinador persistiu nos tiros de longa distância. Todavia, o vencedor do prêmio de treinador do ano em 2005, voltou a usar esse preconceito a seu favor.

    “Quando olhamos para a história do basquete, vemos que o arremesso de 3 pontos foi esteriotipado como um jogo de basquete amador”, lamenta o ítalo-americano. “Destarte, a partir do momento que você utiliza essa arma mais do que os outros, você passa a ser estigmatizado como um mau treinador”.

    Na verdade, o “Run & Gun” daquele Phoenix Suns não tinha mistérios: a equipe comandada por Steve Nash abusava do pick-and-roll e fazia questão de contar com big men que sabiam arremessar de média-longa distâncias.

    No entanto, ao contrário de Pat Riley e Rick Pitino, que utilizavam as bolas de 3 para espaçar a quadra e auxiliar seus respectivos pivôs (Kareem Abdul-Jabbar e Patrick Ewing), D’Antoni ordenava as bolas de 3 para dar liberdade ao cerebral armador Steve Nash.

    “Como você desafoga o garrafão?”, indaga D’Antoni, para, em seguida, responder: ”Se minha equipe ficasse ameaçadora na linha dos 3 pontos, nós teríamos oportunidades para infiltrar e conseguir fáceis bandejas. Tudo o que eu queria eram fáceis cestas. Era apenas isso que eu buscava. Para tanto, era necessário chutar mais bolas de 3 e ter um ala-pivô que soubesse arremessar de longe. Não seria lindo se pudéssemos contar com um pivô que também soubesse arremessar de longa distância? Facilitaria, e muito, para infiltrar”, sonha o treinador do Oeste no 2007 All-Star Game.

    Diante desse cenário, assim que o citado técnico desembarcou em Phoenix, sua primeira medida já causou polêmica. Mike D’Antoni decidiu mover o ala Shawn Marion para a posição de ala-pivô e tornar Amare Stoudemire, antigo dono da posição, o novo pivô titular da franquia. Stoudemire ocupou a vaga que era do gigante Jake Voskuhl. Para a vaga disponível no quinteto titular, o treinador escolheu outro especialista em bolas de 3: Quentin Richardson. E o ala não decepcionou: Richardson liderou a NBA, em bolas de 3 pontos, na temporada 2004/2005, a primeira de D’Antoni em Phoenix. Ademais, Steve Nash sagrou-se MVP naquela temporada, bem como em 2005/2006.

    Quando o treinador assumiu o comando do Suns, a média da NBA, por equipe, era de 14.9 arremessos de 3 tentados por jogo. Quando saiu do Arizona (ao final da temporada 2007/2008), a média de cada time, por jogo, era de 18.1 no mesmo estilo de arremesso. Houve um aumento de 21% (o maior crescimento já observado em um espaço de 4 anos, desde que a linha dos 3 pontos foi aproximada da cesta, ao final da década de 1990).

    Contudo, faltou algo para o treinador se consagrar definitivamente. Afinal, seu Phoenix Suns não venceu um campeonato sequer. Se Rick Pitino viu seu New York Knicks cair para o Bulls de Michael Jordan, Mike D’Antoni foi eliminado pelo poderoso San Antonio Spurs em 3 de suas 4 temporadas no Arizona.

    Logo, permanecia o esteriótipo: equipes baseadas em bolas de 3 podem jogar bonito e vencer na temporada regular, mas não conseguem se sagrar campeãs.

    Caberia a alguém derrubar essa imagem negativa. E esse alguém será pormenorizado na parte final dessa trilogia. Não percam.

     

    Mike D'Antoni New York Knicks Phoenix Suns Providence Rick Pitino Steve Nash
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    Rômulo Portugal

    Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

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    5 Comentários

    1. Marcos em 4 de junho de 2015 13:33

      Pitino e D’Antoni… só ‘grandes’ campeões e vencedores de Finais da NBA…. #sarcasmo

    2. Danilo Jeolás em 5 de junho de 2015 10:40

      Steve “Kerr” ser o primeiro. E tem boas chances de conseguir.

    3. drakes em 5 de junho de 2015 13:26

      GSW e Cavs foram respectivamente os times que mais chutaram de 3 nos playoffs, já na regular o time do Lebron ficou em 2 e o do Curry em 4 (com a vantagem que eles são tem melhor aproveitamento – o primeiro foi o Houston e o 4 o Hawks??).

      • drakes em 8 de junho de 2015 10:53

        No segundo jogo foram 35 para GSW e 27 para Cavs…o time do Lebron venceu com 30% do jogo sendo bola de 3PT (já que deu 90 arremessos).

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