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A Era dos 3 pontos na NBA – Parte 1

A partir de amanhã (04/06/2015), Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers darão início a mais uma final do melhor basquete do mundo. E esses 2 times são o retrato da nova fase que reina na NBA: os times que vivem das bolas de 3 pontos.

Essa nova era começou a ser mais visível no bicampeonato do Miami Heat, mas encontrou sua estabilidade com o título do San Antonio Spurs, na última temporada, quando o time de Gregg Popovich arremessou mais bolas de 3 pontos (23.6 por jogo) do que qualquer outro elenco campeão na história da liga. Para se ter ideia do feito, o Spurs de 2014 teve uma média, de arremessos de longe, superior ao famoso Phoenix Suns de Mike D’Antoni, conhecido pelo estilo ‘Run & Gun”.

No entanto, não pense que o treinador Gregg Popovich se orgulha disso:

“Eu não suporto esse estilo de jogo”, declarou Popovich. ”Eu, particularmente, não sou fã desse estilo de jogo e penso que faz mal ao basquete em si”.

E ele não é o único. Há pouco tempo, Phil Jackson, o treinador mais vitorioso da história da NBA, deu sua opinião a respeito da nova fase da liga:

Se já não bastassem os posicionamentos de 2 dos melhores treinadores da história, o coro, contra a era dos 3 pontos, encontrou suporte em outras lendas: Pat Riley e Larry Bird.

Pat Riley, o treinador que mais incentivou os chutes de 3 pontos na década em que foram introduzidos (anos 80), classificou esse estilo de jogo como ”armadilha”. Larry Bird, um dos melhores arremessadores da história, foi curto e grosso: ”eu não sou nem um pouco fã desse modo de jogar basquete”.

Todavia, apesar das opiniões relevantes, é impossível negar que as bolas de 3 pontos estão imperando como nunca.

Em 2014/2015, os fãs da NBA assistiram a, nada menos que, 55.000 arremessos de 3 pontos. A média por equipe, desse tipo de arremesso, é de 22.5 por jogo, o que o faria liderar a NBA, nesse quesito, na temporada 2000/2001, por exemplo. Stephen Curry venceu o prêmio de MVP e quebrou o recorde de bolas de 3 pontos convertidas em uma única temporada. Não obstante, constatamos que, dos 10 times que mais arremessaram bolas de 3 no corrente ano, 5 foram aos Playoffs.

Por fim, a 2015 NBA Finals também premia as bolas de longe. O Cleveland Cavaliers arremessa 30.3 bolas de 3 por jogo; o Golden State Warriors arrisca 29.1 bolas. Sendo assim, percebemos que os únicos times, na história da NBA, que tiveram uma média superior aos atuais finalistas, em jogo de Playoffs, foram o próprio Warriors de 2007 (que derrotara o 1º colocado Dallas Mavericks) e o Atlanta Hawks de 2013/2014, que quase derrubou o Indiana Pacers (também 1º colocado).

Em resumo, a NBA passa por uma era na qual a equipe vive das bolas de 3 ou morre por causa delas. “Todos nós sabemos que, caso você não tenha uma boa equipe em bolas de longe, você, muito provavelmente, não sairá vencedor”, atesta Popovich, cujo Spurs estabeleceu um recorde em bolas de 3 na última pós-temporada. “Mais da metade dos jogadores são competentes nas bolas de 3 e todos sabem a importância das mesmas. No fim, contudo, não sou fã desse modo de jogar”.

A seguir, vemos um gráfico que indica quantas bolas de 3 eram tentadas por jogo (em média), desde que a linha dos 3 pontos foi introduzida na NBA, em 1979/1980:

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Em 1967, o hall-of-famer da NBA, George Mikan, tornou-se comissário da American Basketball Association (ABA), a maior rival da NBA à época. Em busca de aumentar seu mercado e número de fãs, a ABA implementou a linha de 3 pontos em seus jogos, para a temporada 1967/1968, buscando inspiração na extinta American Basketball League (ABL), onde a referida linha havia sido criada.

Essa nova espécie de arremesso foi um sucesso à época, chamando a atenção da NBA, que trouxe a novidade para suas quadras, instituindo-a, como já dito, em 1979/1980, 3 anos após a sua junção com a ABA.

George Karl, atual treinador do Sacramento Kings e ex-jogador da NBA e ABA, afirma que os arremessos de 3 pontos, assim que chegaram à NBA, foram mal vistos pelos tradicionalistas da liga. “A NBA tinha preconceito contra o arremesso de 3 pontos, sobretudo porque esse arremesso era algo importado da ABA”, disse Karl. “Durante anos, os jogadores e técnicos da NBA resistiram, declarando que ‘não era um bom arremesso, que era um modo amador de jogar basquete’ “, concluiu.

Para se ter ideia, o Los Angeles Lakers, de Pat Riley, foi um dos times mais dominantes na década de 1980. Em 1981/1982 (primeira temporada de Riley como treinador), o Lakers converteu apenas 13 bolas de 3 pontos. Isso mesmo, 13 bolas durante toda a temporada. E, ainda assim, sagraram-se campeões naquele ano.

“Simplesmente, não era uma jogada a qual estávamos acostumados a fazer”, disse Riley. “Eu acredito que as bolas de 3 pontos eram vistas mais como uma armadilha, assim que foram introduzidas”.

Larry Bird também compartilhou seus pensamentos acerca da nova era vivida pelo melhor basquete do mundo. ”The Legend”, como era chamado, tem, até hoje, a fama de um dos melhores arremessadores da história.

“Bird era um incrível arremessador”, atestou Danny Ainge, que jogou como companheiro do camisa 33 de Boston por 7 temporadas e meia. “O mais impressionante sobre Bird é a quantidade de arremessos contestados que ele convertia. Para efeito de comparação, eu diria que ele acertava mais do que Dirk Nowitzki, para comprovar como era absurdo. Todos estavam em cima dele, mas convertia”.

Entretanto, apesar de ter uma reputação ilibada quando o assunto é bola de 3 pontos, esse arremesso não era algo que o ídolo celta costumava treinar. Para dizer a verdade, quase nunca praticava esse estilo de arremesso. Bird nunca apostou muito nas bolas de 3, apresentando, até seus 30 anos, uma singela média de até 3 bolas de longe tentadas por partida.

“Eu lembro como se fosse hoje. Se houvesse um cara na linha dos 3 pontos, você o deixava lá. Você não ia até ele para desafiar seu arremesso”, confessou Bird. “Nós queríamos que ele arremessasse, então não marcávamos esse jogador. Nós o forçávamos a tentar esse arremesso”.

Na segunda temporada da NBA, com a linha de 3 pontos, o Boston Celtics de 1981 arriscou 241 bolas de 3, a segunda equipe que mais tentou bolas de longe naquele ano. Para efeito de comparação, Stephen Curry (e somente ele) arremessou 242 bolas de 3 nessa temporada. Isso mesmo, só Curry tentou mais bolas de 3 do que todo o Celtics campeão de 34 anos atrás. Ah! Esqueci de completar a informação: Curry tentou 242 bolas de 3 apenas após o All-Star Weekend. Impressionante.

Portanto, quem incentivou essa mudança na NBA? O que houve para ocorrer essa revolução de jogo quanto à utilização das bolas de 3 pontos?

Larry Bird, além de craque, sempre foi um estudioso do jogo. Ele parou e refletiu. Pensou e respondeu:

”Foi Rick Pitino”.

Assim, concluímos essa Parte 1 do especial sobre a maior utilização das bolas de 3 pontos na NBA. Na segunda parte, começaremos a analisar os principais personagens e suas respectivas contribuições para que essa mudança viesse a ocorrer.

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Rômulo Portugal
Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

14 comentários

  1. Sérgio Soares

    Vai postar a próxima quando, Rômulo? Kkkk
    Muito boa a matéria!

  2. drakes

    Essa era dos 3pts, é a era do jogo das estatísticas avançadas, eu acho que trouxe novos aspectos ao jogo mais interessantes, mostrando melhor a contribuição de alguns jogadores para a vitória do que antes e tornando mais eficiente.

    Dos aspectos modernos, o pior para assistir é o hack-a-shaq que faz o jogo ficar interminável de tanta parada.

    • Marcos

      Drakes old-friend:

      Tudo, absolutamente TUDO que leva o nome Rick Pitino na frente precisa ser ignorado. O PIOR treinador que já pisou na NBA e na nossa franquia.

      Se os 3-pts começaram a pipocar em excesso com o Rick só podia ser mesmo uma porcaria.

      Acho justo e massa a bola de 3, valoriza o arremesso mais difícil, mas daí a fazer um sistema de jogo em cima disso, acho um absurdo.

      Eu concordo com o Gregg all day long, acho o run-gun perigoso e que a cada década consegue alguma coisa – agora é a vez do GSW, por exemplo.

      A verdade é que desde a saída do K Malone, Brakley, Robinson, H Olajawoun faltam à NBA centers e PFs dominantes (exceção feita ao Duncan).

      Pq não existia Hack-a-Haleem, ou não existe Hack-a-Duncan? Pq os caras vão estourar os FTs na cara do adversário!

      Desde quando começou, a NBA tem jogadores de tiro longo. Dois dos maiores celtas Hondo e, principalmente, Sam Jones eram mestres de matar a bola longa. Justo.

      Agora, jogar só no arremesso longo, tipo um PF (Olynyk?) que só sabe chutar de 3? Desculpa, acho ridículo.

      []s verdes

      • drakes

        Marcos, realmente é complicado por que até parece que eu sou fã, mas que o Pitino tem importância para jogo, ele tem.

        O primeiro hack-a-shaq que vi ou soube, nem me lembro mais, foi com o Celtics com ele sob técnico e o jogador que sofreu foi o Bruce Bowen, eu não vejo como ilegal como alguns, mas que foi chato ver Clippers e Houston, foram mais de 40 minutos de lances livres e paradas por isso.

        O problema atual que enche na bola de 3, é que sempre que uma jogada dá certa é feita a exaustão, vide o “isolation”. E se olhar na NCAA alguns jogadores como Parker, Randle, Winguins só para dizer 3 pontuares reconhecidos, tiveram naquela temporada a maioria dos pontos praticamente perto do garrafão, cada vez a temporada avançava os mais próximos ficaram em maior %.

        Se a NBA acaba-se com os 5 segundos no garrafão iria ter novos impactos, talvez até força-se ao jogo ser mais dentro e menos de 3, mas as atuais regras forçam a isso, Pitino foi um dos que viu isso.

        Agora apesar de ser um grande inovador, um divulgador já que a tática já era usada pelo que já li, não dá para não ver seus problemas de ego que levam ao sistema ser muito maior que tudo, e a vitória sempre ser dele, posso estar enganado mas o problema do Pitino, mais que conhecimento de basket é a pessoa.

        K Malone, Barkley, Robinson, H Olajawoun não existem mais por que técnicos como o Pop e Pat Riley fizeram o isolation de forma tão extrema que replicado nas escolas (até de forma errada) o jovem hoje treina como wingins vencer o marcador pelo atletismo fora do normal que a qualidade, tanto que os números do Wingins em termos de efetividade são bem contestados contra marcadores maiores e mais fortes, só para colocar o o jogador que ganhou o rookie do ano.

        • Marcos

          Fala Drakes, mas eu que sou seu fã cara, =)

          O Pitino só me traz péssimas memórias, não consigo associá-lo a nada positivo.

          O D Howard nunca entrará na categoria grande center por ser justamente um lixo na defesa e FTs. É inacitável ter um jogador abaixo dos 30% da linha do lance livre. Isso significa que você vai perder o jogo com certeza quando precisar.

          Eu, particularmente, acho que algumas mudanças no estilo de jogo estão chegando, com o LBJ ficando velho, o A Davis será um dos jogadores mais dominantes na pintura e por aí vai…

          Ainda que o GSW vençam esse ano, a estatística é muito desfavorável ao run-gun… Não é o caminho que caracteriza nossa franquia, nem o que me agrada mais….

          []s

          • Rômulo Portugal

            Marcos, gosto bastante dos seus comentários por aqui. Nesse que respondo, concordo com quase tudo que comentou, mas você falou que o Dwight Howard ”nunca será um grande center por ser um lixo na defesa”.

            Nisso, acho que você forçou a barra, haha. O cara foi eleito, por 3 anos consecutivos, o Defensive Player of the Year na NBA, haha.

            Hoje, já não defende tanto quanto antes, mas continua impactante na defesa.

            De resto, nada a discordar.

          • Pedro Augusto Sa

            Por favor quando foi instituída no Brasil a linha de 3 pontos?

  3. […] Dando prosseguimento ao especial sobre a Era dos 3 Pontos, chegou a hora de detalharmos 2 dos principais responsáveis por essa mudança de jogo nas quadras da NBA. A primeira parte pode ser conferida ao clicar aqui. […]

  4. Renato

    Acho que uma grande equipe e aquela que agrega as 2 coisas, ou seja, forte garrafao + arremessos de longa distancia.

    O Warriors ao contrario do que muita gente fala, tem um jogo muito forte dentro do garrafao com o Green e as entradas do Barnes, isso abre muito espaço para o Curry e o Thompson de fora.

    O Cavs tem força dentro do garrafao com o Thompson e com as entradas do James.

    O Spurs e um grande exemplo desse equilibrio com Green, Ginobili e Bellineli com as bolas de fora e Duncan dentro do garrafao.

  5. drakes

    E a tendência dos 3 pts ainda tende a subir só ver que na atual regular season foram 26.8% de todos os tiros, o record, nos playoffs aumentou para 29.8% .

    A guisa de comparação a NCAA foi 34.2% e Euroleague 36%, números que tirei do artigo agora do Pelton, o ponto de equilíbrio será em torno de 35%.

  6. Danilo Jeolás

    Particularmente não gosto do jogo de tiros de três em profusão. Lembro que torcia contra o Pacers de Miller por achar aquele sistema muito chato.

    Agora neste momento, muitos que criticaram Marcel e Oscar, dizendo que o basquete brasileiro retrocedeu por conta do jogo muito circundado nos tiros de fora de ambos (já vi gente dizendo que o Pan de Indianápolis foi PÉSSIMO para o basquetebol nacional), bate palma para o Warriors. Vá entender…

    • Marcos

      O GSW (nunca fui um grande fã deles, e acho que se o K Love estivesse nessa série o Cavs já seria o campeão – que bom que não está) não tem NADA que ver com aquele time do Brasil, basta olhar os FG%s de cada jogador e os suplentes …

      Oscar = maior fominha e amassa aro do Brasil, como pessoa então melhor nem comentar…

  7. […] concluiremos o especial que trata sobre a Era dos 3 pontos na NBA. Na primeira parte, detalhamos o surgimento da linha dos 3 pontos, bem como o preconceito que havia sobre os jogadores […]

  8. […] NBA vive a era dos 3 pontos, mas também vive, inegavelmente, a era dos salários astronômicos e das ”panelas”, na […]

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