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    Aprenda Sem Berro

    O basquetebol e o gosto de decidir

    Marcello BerroPor Marcello Berro23/02/2011Atualizado:02/10/202012 Comentários6 Mins de leitura
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    O Basquetebol é o esporte mais expressivo das pugnas típicas das sociedades industriais, dos grandes aglomerados humanos do final século vinte e início do terceiro milênio, do tipo de vida e do esforço necessário à sobrevivência em sociedades altamente competitiva. Como nas ruas repletas da explosão demográfica, no Basquetebol “viver” é esbarrar.

    O que caracteriza a vida nas sociedades competitivas? Luta, sempre. Nenhum descanso. Atividade doentia. Nenhum esporte coletivo exige tanta mobilização (permanente e conjunta) da equipe. No Basquetebol ninguém para. Jamais. No Futebol a defesa descansa enquanto o ataque se esfalfa (esgota-se). E vice-versa. Há hiatos, paradas, pausas. Idem no Vôlei. Basquetebol não. Os quintetos correm e jogam com ou sem bola. O tempo todo. É infalível.

    A hiper-atividade do Basquetebol traz o traço central constitutivo das sociedades industriais. A necessidade de produzir e a corrida pelo progresso material não param, jamais, a pretexto de nada.

    O elemento simbólico mais sutil da associação do basquetebol é a sociedade pragmático- industrial (aplicações práticas), está no fato de que o cronômetro para a cada interrupção de jogo. Em outras palavras: durante as horas de trabalho não há folga. É luta extensa e intensa, jamais pretensa.

    A palavra tensa aparece e é oportuna com seus prefixos, pois tensão permanente é a regra do bem jogar Basquetebol, como do bem servir (escravatura disfarçada) à sociedade industrial.

    O Basquetebol é o talvez mais tenso dos jogos. Exige atletas do mesmo tipo de homens preparados para a sociedade industrial contemporânea: aguerridos, super-treinados, incansáveis, grandes e pertinazes trabalhadores profissionais.

    Esta tensão é responsável pela presença permanente da briga corporal. O Basquetebol deve deter o recorde de brigas em campo. E com grande razão! A tensão necessária a jogá-lo (mesmo com calma, experiência e precisão) predispõe o sistema nervoso à explosão. Ninguém aguenta tensões prolongadas e o Basquetebol é o mais tenso dos jogos.

    Tenso, porque o resultado pode mudar de repente por vacilação, cansaço ou súbita perda de tônus da equipe. Um bom desempenho não basta. É preciso ademais saber ganhar. A falência é ameaça. Na sociedade industrial os sistemas esmeraram-se em ter homens tensos, trabalhando por pressão sem poder falhar. Os erros são imperdoáveis porque fatais.

    Tenso, porque os territórios não são respeitados, Tênis, Vôlei, Tênis de Mesa atacam o adversário do próprio território. Como no Futebol, Basquetebol é um jogo de invasão. Incursiona-se na propriedade do inimigo. Para tal usa-se estratagemas. A resultante é a tensão inerente a toda invasão. E a tensão gera conflito. A guerra simbólica do Basquetebol quase sempre reflui para o real. Dai tanta briga.

    Basquetebol é, portanto mobilização total das forças e aguerreamento permanente. Não tem tempo para beleza ou poesia. Beleza utilitária, sim, decorrente de algumas jogadas que, por dar certo enganando a resistência, mereça o aplauso. É um jogo que não permite contemplação: É a ação permanente, vigilância, tática, fôlego. Um jogo pragmático, portanto, como a sociedade competitiva, que atrai temperamentos práticos, objetivos, pessoas de ação ou que gostem de missões secretas ou estratégicas.

    A invasão do território inimigo sempre obedece a altas estratégias. Os caminhos estão sempre bloqueados, de perto. Para minar o inimigo são necessários emissários serviços secretos, penetração oculta e sempre fugidia em suas defesas (garrafão). Os ataques são rápidos e fulminantes, vale-se da capacidade de simular e enganar. Não há tempo para raciocínio demorados. Como na sociedade pragmática, ou se decide rápido ou a oportunidade passa, jamais volta e o inimigo dela se aproveita.

    Essa característica tensa, imediatista, estratégica e super objetiva do Basquetebol leva a sua prática pessoal que por natureza ou profissão tem uma inteligência prática, lógica e gosta de decidir. Não é um jogo dialético (lógico) metafísico, poético ou político. É pragmático, de ação, de decisão, implacável com quem vacila ou não está preparado.

    Um jogador em dia ruim no Futebol não compromete fundamentalmente uma equipe. Um destoante no Basquetebol impede a plenitude. Mobilizar, eis sua regra. Exigir, sua ética. Lutar sempre na tentativa de vencer o adversário menos aguerrido, eis sua mecânica. Diferente da sociedade industrial e pragmática na qual cresceu? Não: é igual a ela em suas características. Dai a consonância entre o sucesso do Basquetebol e o século vinte.

    Outro elemento presente no Basquetebol é o da diluição do prazer do trabalho. Quem o pratica sente prazer é certo. Porém o prazer é misturado com enorme trabalho. É um grande esforço que só se compensa com a vitória, jamais com a disputa. Até nisso se liga aos ditames (deve ser) na sociedade industrial, preocupada sempre com os resultados práticos de sua atividade: o Basquetebol não se concede grandes prazeres, folgas, comemorações. As ações são sempre vigiadas de perto. O adversário está sempre em cima atalhando.

    Não há tempo para enfeites e jogadas sem objetividade, válidas apenas pela beleza implícita dos gestos. Quem inova demais não serve. A marcação é cerrada. Tudo é sempre interrompido, cortado, impedido. É preciso sagacidade, esperteza, rapidez, para vencer as defesas e barreiras.

    Nem a cesta (penetração num objetivo apertado, difícil, hostil, diminuto) permite comemoração orgástica. Feita, é voltar correndo para mais ação, mais ação, mais ação, até o fim. Nada de efusões, delírios de prazer, alegria, comemoração, euforia pela posse do apertado e cobiçado canal cesta. No final, sim, comemorar. Prazer durante o trabalho? Jamais! Perturba a produção…

    Essa interrupção permanente do prazer. O mover-se em espaços apertados e vigiados. A inexistência de profundidade espacial (no Futebol há passes de trinta metros) como representação da desnecessidade de qualquer forma de profundidade (espiritual, humana, artística) necessária ao desempenho pragmático. A tensão constante e o dogma fundamental de que só há vitória quando somos mais aguerridos que o adversário caracterizam a atualidade do Basquetebol no século vinte.

    De todos os esportes é o que talvez melhor represente os valores e as atitudes típicas das sociedades industriais: valem a produção, a objetividade e o resultado. O resto é secundário. Prazer? Profundidade? Beleza? Espiritualização? Sim, na vida pessoal, jamais no trabalho.

    Recebi esse texto do professor Dante de Rose, que por sua vez, disse que o recebeu do Sr. EDIO JOSÉ ALVES, secretário geral da CBB, mas ninguém sabe precisar quem é o autor. Gostaria muito de poder dar os créditos ao verdadeiro autor.

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    Ver 12 Comentários

    12 Comentários

    1. Gabriel Fernandes em 24/02/2011 01:36

      Pierce é o jogador mais descisivo da NBA…

    2. vaudisclei em 24/02/2011 13:33

      Na moral, lendo isso, só me vinha Pierce na cabeça.

    3. LEonardo Moreira em 24/02/2011 14:03

      Fantastico texto, reflete bem como o basket é comparado a outros esportes e a importancia de todos os elementos para q o time vença

    4. Laerte em 24/02/2011 19:53

      paul pierce é o cara e o jogador + decisivo concerteza !!!

    5. Lobao em 24/02/2011 21:59

      Considerando ética de trabalho, dedicaçao, concentraçao e todas as outras coisas citadas no artigo, Kobe Bryant é o jogador que melhor reúne essas características!

    6. Marcello Berro em 24/02/2011 22:03

      Hiiiiiiiiiiiiiiiiiiii Lobão!
      Vc vai arrumar um problema, mas vai bombar os comentários.
      Não concordo….Acho o Paul Pierce!

    7. Pontual em 25/02/2011 13:54

      Excelente texto! Realmente o real autor deveria ser encontrado, pq nunca ví uma comparação tão “efetiva” com o modo de vida da sociedade do século XX, e vou mais além, nunca havia visto o basquete desse ponto de vista…

      Quanto ao comentário do Lobão, tenho que concordar com ele. Kobe, atualmente, é o jogador que mais reúne as características citadas por ele, mas não tiro o mérito de Pierce ser QUASE tão bom quanto.

    8. LEonardo Moreira em 25/02/2011 14:05

      Paul Pierce é o maior fdp (no bom sentido, se é q tem! kkk) q vi jogar,
      O que ele fez contra os Lakers em 2008 foi inesquecivel

    9. Ever em 25/02/2011 15:14

      Grande texto. Realmente o esporte tem esse carater fascinante do alto rendimento. O basquete mais ainda. Aspecto muito valorizado na sociedade capitalista em que vivemos. Que valoriza o suor, a dedicação, garra, vitória, números.

      É excelente, isso é que move o esporte, e quem já jogou uma “pelada” sabe como é a sensação de acertar um arremesso decisivo. Poucas coisas são tão boas.

      Mas não podemos esquecer que pra cada vencedor também existe um derrotado, ou vencido. Do mesmo jeito que a sociedade valoriza a vitória, ela despreza de forma forte a derrota. Isso pode ser desfavorável pro esporte. Principalmente pra quem está começando, que se não tiver essa grande sensação de exito pode deixar de praticar. Temos que lembrar que pra cada Paul Pierce e Kobe Bryant existem outros mil jogadores que ficaram pelo caminho tentando. Se realmente for colocar na ponta do lápis deve ser bem mais de mil…

      Dessa forma acho que não se deve valorizar apenas a vitória e o desenpenho. Mas sim a diversão e o prazer de praticar, de jogar. O basquete pode proporcionar isso também. Além do prazer da vitória pode nos ensinar diversas qualidades coletivas. Como respeito ao adversário, confiança no teu companheiro, saber encarar as vitórias e derrotas sempre como aprendizados, fazer amigos, enfim…

      Temos que valorizar todas as “formas” de jogar basquete. E não desvalorizar em demasia as derrotas, e sim valorizar as vitórias, e admirar grandes jogadores como Pierce e Bryant. Acho que nem temos que comparar, só admirar, os dois são monstros.

    10. Sérgio em 26/02/2011 14:08

      Acho que os comentários sobre esse texto (ótimo, diga-se de passagem) ficaram ofuscados pela deadline. Mas ele realmente nos mostra por uma comparação, o grande esporte que o basquete é… Com uma intensidade, quando disputado em alto nível, que nenhum outro esporte jamais alcançará. Como a maioria dos brasileiros, amo futebol desde criança, e, entendo bem mais da tática que está por trás do futebol do que a que está por trás do basquete. Mas quando eu digo para meus amigos que o basquete é o esporte mais completo, e que quando um jogador salta com a bola debaixo do braço e dá uma enterrada isso vira fato, alguns não entendem.

    11. jose de anchieta em 27/02/2011 10:26

      uma coisa é verdade, o basquete é um esporte que exige fôlego, habilidade e inteligência. Já conheci muitos atletas de volei, futsal, futebol que disseram não aguentar jogar esse jogo pelo fato de ser muito corrido.

    12. DT em 09/03/2011 21:31

      Perfeito!!!suas colocaçoes sobre esse esporte sao incriveis!!!eu tenho 15 anos hoje ja joguei varios campeonatos de basquete inclusive o estadual de santa catarina em 2009!!! e esse esporte é realmente incrivel é sem duvida o melhor e o mais emocionante e eu tenho orgulho de jogar um grande esporte como esse!!!essa é a minha paixao!!! Basquete!!!

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