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Análise: Um novo Boston Celtics para os próximos anos? – Parte 3

Na primeira parte da série, foram abordados detalhes da montagem do elenco para a temporada 2019/20. Na segunda parte, o Small Ball foi detalhadamente explicado, apontando suas características e aplicações históricas, assim como as mudanças de regras da NBA que colaboraram para a consolidação desse estilo de jogo. Agora, na terceira (e última) parte da série, irei abordar, de maneira minuciosa, como o Small Ball se encaixa bem no elenco celta hoje, assim como expectativas para os próximos anos. Siga a sequência!

O ataque no Small Ball

Após as movimentações na última offseason, ficou evidente que os maiores talentos ofensivos estavam no perímetro: Kemba Walker, Jaylen Brown, Jayson Tatum e Gordon Hayward. Os quatro atletas possuem capacidade de pontuação como características e se destacam mais no ataque que na defesa. Assim, o melhor esquema tático possível seria aquele em que os quatro atletas pudessem coexistir e serem produtivos juntos. Nesse sentido, o Small Ball faria sentido.

Jayson Tatum e Jaylen Brown: maior liberdade em quadra resultou em maior eficiência para ambos.

Kemba Walker

Kemba Walker continuou desempenhando o papel de armador, assim como fez em oito temporadas pelo Charlotte Hornets. Walker é um armador que sabe jogar sem a bola em mãos, o que facilita o time a poder movimentar a bola para encontrar um jogador livre e executar o arremesso. Kemba ainda é um ótimo arremessador, que aliado a suas boas leituras de movimentação, frequentemente se encontra em posição ideal para executar o melhor arremesso possível.

Por essa qualidade de se movimentar sem a bola, Walker acaba sendo um facilitador para seus companheiros, envolvendo-os melhor no jogo que Kyrie Irving, seu antecessor, fazia. Não à toa, Jaylen Brown e Jayson Tatum deram um enorme salto evolutivo nessa temporada, convertendo mais arremessos e tendo mais liberdade com a bola em mãos, o que os colocam na briga para jogador que mais evoluiu na temporada atual. Menções honrosas a Marcus Smart, que nunca havia tido uma temporada tão boa ofensivamente, e a Gordon Hayward, com seus melhores números desde que chegou a Boston.

Jaylen Brown

Jaylen Brown esteve muito perto de sua primeira convocação para o Jogo das Estrelas. O jogador saltou de 13.0 pontos de média na última temporada para 20.4 pontos na atual, além de estar convertendo 38% dos arremessos de três pontos em 5.6 tentativas por jogo. O ala-armador está arremessando mais e com maior eficiência, o que é um reflexo da maior liberdade que o atleta encontrou no novo esquema.

Jayson Tatum

Também beneficiado pela maior liberdade durante as partidas, Jayson Tatum evoluiu muito em relação às duas primeiras temporadas de sua carreira e angariou sua primeira indicação ao Jogo das Estrelas em 2020. Sendo escalado como ala-pivô no quinteto inicial, o jogador é mais ágil que seus marcadores e, se aliando ao seu trabalho de pés de elite, consegue facilmente criar o espaço necessário a seu defensor no ato do arremesso. O atleta se encontrou bem no Small Ball e está anotando 23.6 pontos por partida (maior marca da carreira), assim como quase 40% de aproveitamento nos arremessos de longa distância.

Gordon Hayward

Embora estatísticas básicas não mostrem tanto, Gordon Hayward finalmente está atuando em alto nível pelo Celtics. O jogador é a 4ª opção ofensiva do elenco, mas seus 17.3 pontos por jogo representam uma boa quantidade para um jogador em seu papel. Assim como Kemba, Hayward é outro atleta muito bom jogando sem a bola nas mãos, cujo QI de jogo lhe permite fazer boas movimentações e encontrar as oportunidades certas para anotar pontos. Ainda, o jogador é um excelente passador e sua visão de jogo, junto de boas leituras, resultam em boas ligações para companheiros livres, suprindo parte das funções que Horford fazia até temporada passada.

Resultados

Jogando na transição, os Celtics amam pontuar a partir de contra ataques e são o 6º time da liga em pontos após um erro adversário, anotando 15.5 por jogos assim. Jogar com velocidade apresenta esse benefício, ao castigar defesas adversárias desprevenidas após um erro ofensivo da equipe adverária.

O quarteto formado por Walker, Brown, Hayward e Tatum encaixou e, juntos, combinam para 82.5 pontos por partida. Ainda, a eficiência do time é verificada quando comparada às de outras equipes. Em 2019-2020, o ataque dos Celtics registra 112.9 pontos a cada 100 posses (Offensive Rating), o que representa o 5º melhor ataque da NBA. A posição do time nesta estatística hoje representa um salto em relação ao 10º lugar ocupado na temporada passada, quando a dinâmica tática era outra e Kyrie Irving comandava o ataque.

A defesa no Small Ball

Os dois grandes destaques no setor defensivo do Boston Celtics são Marcus Smart, que já foi First Team All-Defense, e tende a levar o prêmio de novo nessa temporada, e Daniel Theis, a grande surpresa da temporada. Como dito na parte 1, o alemão quase foi dispensado do time, mas ficou e, além de defender muito bem, se provou ser muito importante no ataque do Celtics sem a bola. A seguir, uma análise mais detalhada sobre os dois.

Marcus Smart e Daniel Theis: pilares defensivos dos Celtics em 2019/20.

Marcus Smart

Smart está em sua sexta temporada na liga e é o jogador com mais tempo de casa no elenco atual. Na minha opinião, Marcus é o melhor guard defensivo da atualidade e deve ganhar mais seleções para os quintetos de defesa nos próximos anos. Mesmo sendo um ala-armador baixo (apenas 1,91 metro), é um verdadeiro tanque físico, com a força de um Forward (posições 3 e 4). Somado isso ao alto QI defensivo, o jogador transformou-se num dos defensores mais versáteis da NBA e pode marcar as cinco posições de jogo, inclusive os pivôs, geralmente ao menos 20 cm mais altos do que ele e mais fortes.

Em 28 minutos marcando pivôs nessa temporada, Marcus Smart cedeu apenas 42% (11-26) de aproveitamento nos arremessos quando marcando pivôs, um aproveitamento considerado bom até para jogadores de origem da posição, como Rudy Gobert que cede 40%, um pouco menos que Smart. Em comparação, Marcus cedeu 41% para armadores e 43% para alas, no aproveitamento de arremessos. Ele é o coração da defesa do Celtics e certamente poderá brigar pelo prêmio de melhor defensor da temporada.

Daniel Theis

Questionado antes do início da temporada, a mudança para a posição 5 trouxe o melhor de Daniel Theis à tona. O pivô alemão é considerado baixo para a posição (2,03 metros), mas compensa a falta de altura com muita força física e agilidade. Enquanto jogava na posição 4, Theis encontrava dificuldades para acompanhar alas mais ágeis que ele e, geralmente, virava um mismatch que cedia muitos pontos.

Jogando como pivô, Theis se mostra mais ágil que seus oponentes da posição 5 e, aliando força e boas noções de posicionamento, o jogador não costuma se tornar um mismatch, sendo capaz de acompanhar até mesmo pivôs que saem para pontuar de fora do garrafão. Ainda, o atleta utiliza sua agilidade, posicionamento e ótimo timing para distribuir tocos, protegendo o aro de armadores e alas que tentam cestas por infiltrações. Responsável por fazer o trabalho sujo na defesa, Theis recebe apenas US$ 5 milhões nessa temporada e não está deixando a desejar em nada, defensivamente, para Al Horford (US$ 27 milhões), sendo um excelente custo-benefício. Os Celtics encontraram uma alternativa boa mais em conta para a saída de Horford, que ainda não encontrou seu espaço no Philadelphia 76ers, já que a franquia ainda pode optar por pagar o mesmo valor ao alemão na próxima temporada, o que tem grandes chances de ocorrer.

Resultados

Dos demais jogadores do quarteto principal, Kemba Walker e Jayson Tatum às vezes pecam defensivamente, embora este último demonstre potencial para evolução, mas Gordon Hayward e Jaylen Brown são bons defensores. Questionada antes da temporada iniciar, a defesa celta é a 4ª melhor da NBA no momento, cedendo apenas 106.2 pontos a cada 100 posses, perdendo apenas para Milwaukee Bucks, Toronto Raptors e Los Angeles Lakers.

Banco de reservas

Muitos atribuem a culpa do Celtics não ser a melhor franquia do Leste por não ter um pivô renomado, ou dominante, mas considerando tudo o que já falei aqui sobre Daniel Theis, seria bem injusto apontar o dedo a um jogador tão eficiente em 2020. Na verdade, a responsabilidade de não sermos favoritos contra o Bucks, por exemplo, é da forma com que o banco de reservas foi montado. Grande parte dos jogadores é muito jovem, sendo que boa parte não possui a mínima condição de atuar na segunda unidade. A seguir, um balanço individual sobre cada jogador do banco do Boston Celtics.

Um dos grandes problemas do elenco atual está no banco de reservas. Jogadores reservas não conseguem repor os titulares.

Marcus Smart

Marcus Smart, além de ser o melhor defensor da equipe, também é o sexto homem, atuando 32.5 minutos por partida, contribuindo com 13.5 pontos, 4.8 assistências, 1.6 roubo de bola e quase 35% de aproveitamento nas bolas de três pontos. Tendo tempo de jogador titular, o próprio Smart afirma ser um “Stretch 6”, acrescentando muita intensidade quando está em quadra e, mais que ser o coração da defesa, é o atleta que mais encarna o tradicional Celtics Pride.

Enes Kanter

Importante presença vindo do banco, o pivô turco Enes Kanter sabe pegar rebotes a partir de boas noções de posicionamento e bons instintos, pontuando com eficiência próximo à cesta. Embora não defenda nem ponto de vista, um pivô como Kanter, que recebe somente cerca de US$ 5 milhões de dólares, sempre têm seu devido espaço na segunda unidade. O turco é um dos melhores reboteiros da NBA, coletando 15.9 rebotes a cada 36 minutos em quadra (5º melhor da liga), sendo 5.7 ofensivos (2º melhor da liga). Bons reboteiros em times com muitos arremessos de três pontos podem ser pilares fundamentais, uma vez que dá a oportunidade da criação de novos arremessos.

Brad Wanamaker

Como alternativa ao fracasso de Carsen Edwards, o armador Brad Wanamaker ganhou mais minutos na rotação. Wanamaker até defende bem, porém o jogador não é um bom criador de jogadas e não consegue ditar o ritmo da segunda unidade. Mesmo tendo bom aproveitamento nos arremessos de três pontos (quase 37%), Wanamaker não possui capacidade de criar o próprio arremesso, arrisca pouco e acaba não preenchendo a cota de pontos que Terry Rozier acrescentava na última temporada. Assim, percebemos que Brad não pode continuar integrando a segunda unidade, mas pode continuar no elenco pela boa defesa.

Grant Williams

Como dito na primeira parte da série, Grant Williams é um jogador que trará resultados no futuro. O atleta tem boas condições físicas para atuar na liga e pode se tornar capaz de defender as cinco posições e de arremessar do perímetro, podendo ser um importante role player num esquema de Small Ball. Com sua elogiável ética profissional que demonstrou desde que foi selecionado no Draft, espero mais evolução de Williams para o próximo ano, quando certamente terá mais oportunidades vindo da segunda unidade. Escolha muito acertada por Danny Ainge no último recrutamento.

Robert Williams

Selecionado ao final da primeira rodada do Draft de 2018, o jogador conviveu com muitas lesões e nunca conseguiu ter sequência no elenco principal. Seu arsenal ofensivo beira a nulidade, somente pontuando a partir de rebotes ofensivos e pontes aéreas, mas nenhum refinamento técnico. Na defesa, que era pra ser seu carro-chefe, o jovem pivô não possui alto QI defensivo e, por isso, constantemente se perde em trocas de marcações e é alvo de mismatches. Incapaz de defender pivôs modernos que espaçam a quadra, sabe usar seu atleticismo pra dar tocos, contudo somente isso não é o suficiente para um bom pivô defensivo hoje. A aposta de Ainge era válida no Draft, mas infelizmente não prosperou. Acontece!

Romeo Langford

O ala-armador tem altura e envergadura adequadas para a posição, além de um bom físico para o nível profissional. Não esteve pronto para contribuir de imediato nessa temporada e talvez nem esteja preparado ainda na próxima, mas Langford tem um grande potencial para pontuar e defender bem na segunda unidade futuramente. Creio que em dois anos, será um dos principais reservas da equipe.

Tremont Waters

Waters é esforçado, precisamos reconhecer. O jogador já superou as expectativas ao ganhar um contrato two-way para atuar na G-League e ser parte do fundo da rotação da equipe. Porém, o jogador não é o protótipo ideal de calouro para a posição de armador, por conta de idade avançada (fará 23 anos em breve), baixa altura, pouca envergadura, físico abaixo do ideal e carências técnicas. Pouco provável que retorne para a próxima temporada.

Carsen Edwards

Na ausência de opções no mercado, o armador Carsen Edwards recebeu a função de substituir Terry Rozier. Edwards chegou na NBA após ser um dos principais cestinhas da NCAA e era esperado que fosse aquele reserva que contribuísse com pontos em quadra, após se destacar na Summer League. No entanto, Edwards não está próximo de ser um bom role player, pois tem péssima seleção de arremessos, não consegue envolver os companheiros no jogo e, ainda, é um mismatch ambulante na defesa. Assim, o armador foi logo enviado à G-League, e não deve ter tantas oportunidades no elenco.

Semi Ojeleye

Ojeleye já está em sua terceira temporada com os Celtics. O ala-pivô tem o mesmo estilo de Grant Williams: baixo para a posição, mas muito forte, versátil defensor e com um arremesso de três razoável, mas Semi não oferece mais perspectiva de evolução aos 25 anos de idade. Em 2018, em seu ano de calouro, foi bem marcando Giannis Antetokounmpo nos playoffs, mas em 2019 já não foi mais tão eficiente. Não demonstrou evolução em 2020 e pode não voltar para a próxima temporada.

Vincent Poirier

Após obter destaque no basquete europeu e liderar a Euroliga em rebotes na temporada 2018/19, o pivô francês Vincent Poirier foi contratado na última offseason com a expectativa de ser um novo Aron Baynes no Boston Celtics. Contudo, o jogador recebeu poucas oportunidades e está constantemente ausente da rotação. Por isso, é até complicado fazer uma análise sobre ele. Ele ainda tem contrato para mais uma temporada e pode receber mais oportunidades em 2021.

Tacko Fall

O gigante senegalês chama a atenção com seus 2,29 metros e 141 kg, que o tornam o jogador mais alto em atividade na NBA. Muito carismático, o pivô não foi selecionado no Draft, mas conseguiu um contrato two-way e se tornou o atleta mais folclórico do elenco alviverde. Contudo, acho improvável que volte para o ano que vem, por ser um big de difícil encaixe num esquema de Small Ball, e com baixa agilidade.

Javonte Green

Prestes a completar 27 anos, o ala-armador calouro Javonte Green não acrescenta nada ao elenco. É atlético, mas não é um arremessador confiável, e de difícil encaixe para a NBA atual.

É possível uma lineup da morte ?

Kemba, Smart, Brown, Tatum e Hayward: daria certo?

Como dito na segunda parte da série, Lineup da Morte é uma formação mais radical do Small Ball, popularizada pelo Golden State Warriors entre 2016 e 2019, em que jogadores de garrafão eram sacados do quinteto titular e a equipe vai à quadra com cinco jogadores de perímetro. No Celtics, uma possível aplicação desta formação seria a saída de Daniel Theis do quinteto titular e a entrada de Marcus Smart. Assim, a equipe seria mais rápida na transição, teria maior espaçamento da quadra e mataria mais bolas de três pontos (todos os cinco são bons arremessadores), como também criaria situações de mismatch contra pivôs adversários, podendo forçar o adversário a improvisar ajustes táticos.

Pode dar muito certo, é verdade. Porém, é necessário fazermos algumas ressalvas:

  1. Essa escalação esteve junta por somente 15 minutos ao longo de toda a temporada. É uma amostragem muito pequena ainda para tirarmos conclusões agora;
  2. Contra jogadores como Giannis Antetokounmpo e Joel Embiid, a presença de Theis no garrafão defensivo é indispensável;
  3. No ataque, algo que não vai para as estatísticas, mas que é muito importante: os bloqueios executados por Theis, que criam oportunidades para seus companheiros fazerem infiltrações. Sem ele, quem fará isso?

Na bolha de Orlando, o Celtics terá três jogos amistosos e oito partidas na temporada regular para testarem melhor essa formação, mas não podemos contar que a usaremos regularmente ainda em 2020.

Perspectivas de futuro

O futuro passa muito por estes dois garotos aí. Mas será só isso?

O Celtics possui um quinteto titular muito forte com Kemba Walker, Jaylen Brown, Gordon Hayward, Jayson Tatum e Daniel Theis, escalação que tenderá a ser mantida ainda para a próxima temporada e, quem sabe, para os anos seguintes. Contudo, o banco de reservas do time é muito fraco e carece de profundidade que deixe a equipe em posição de ser um contender ao título hoje. Nos Playoffs, essa ausência de profundidade pode pesar muito contra, pois qualquer lesão de algum jogador importante pode ser letal para a temporada.

Mesmo com falta de profundidade, no geral, a temporada dos Celtics é muito satisfatória e surpreende às expectativas iniciais. O time está entre os cinco melhores ataques e as cinco melhores defesas da liga, o que revela um equilíbrio da equipe nas duas tábuas do jogo. Com a iminente queda do teto salarial na próxima temporada (e talvez nas seguintes) por conta da recessão econômica provocada pela pandemia, o Celtics certamente não terá espaço na folha salarial para contratar mais estrelas na Free Agency.

Agência Livre

Com Kemba Walker já ganhando contrato máximo até pelo menos 2022, junto das renovações de Jaylen Brown e Jayson Tatum, a folha salarial dos Celtics estará engessada. O time pode exceder o teto salarial para renovar com Gordon Hayward (através da Bird Rights) e o jogador deve exercer a Player Option para o último ano de contrato agora, porém, caso ele não renove com o time em 2021 e assine com outra franquia, substituí-lo por um jogador de mesmo nível ficará impossível. Hayward saindo de graça enfraqueceria o quinteto titular.

Daniel Theis também será agente livre em 2021 e pode ter seu valor inflacionado se atrair interesse de outras franquias. Diferentemente de Hayward, substituí-lo por outro pivô barato e que faça as mesmas funções é mais prático, portanto não creio que Danny Ainge fará loucuras para mantê-lo caso seu valor inflacione. Ainda precisamos de verba para montar um banco de reservas, mas com um elenco titular caro e com um não barato Marcus Smart, Ainge precisará quebrar a cabeça um pouco para montar uma segunda unidade boa e barata, mas nada impossível. É mais viável do que se imagina.

Equipes candidatas ao título costumam atrair bons role players, que aceitam abrir mão de dinheiro pela maior chance de ganhar um campeonato. Como o Boston Celtics estará acima do teto salarial, salvo alguma exceção, a franquia somente poderá oferecer contratos mínimos para veteranos às contratações feitas na Agência Livre. A queda do teto salarial na próxima temporada gerará um forte impacto para agentes livres irrestritos: assinar vínculos longos pode não ser benéfico para alguns, já que o novo teto (projetado para estar abaixo dos US$ 100 milhões) irá ditar os valores dos novos contratos.

Dessa maneira, alguns atletas devem optar por vínculos curtos de um ou dois anos de duração, na esperança de assinarem vínculos longos e lucrativos somente após o fim da pandemia, quando o teto salarial voltar a subir. Nesse cenário, Ainge terá chances de contratar bons veteranos, para serem role players da segunda unidade, a um preço reduzido. Alguns nomes intessantes que serão agentes livres irrestritos, se encaixam no Small Ball e podem aceitar redução salarial para serem reservas podem ser Isaiah Thomas, Wesley Matthews, Jae Crowder, Jeff Green e Paul Millsap. É bom ficar de olho.

Draft

Com pouca verba disponível para montar um banco de reservas, o próximo recrutamento será muito importante para Danny Ainge conseguir bons jogadores para a segunda unidade. Lá, o Boston Celtics terá três escolhas de primeira rodada: a própria da franquia, uma do Memphis Grizzlies e outra do Milwaukee Bucks. A próxima classe de Draft é uma das mais fracas em talento de futuras estrelas em vários anos, porém possui boa profundidade para se encontrar role players em todas as cinco posições. A escolha do Memphis Grizzlies se encontra no meio da primeira rodada e é uma boa posição para se conseguir algum role player interessante. Já as escolhas do Celtics e do Bucks provavelmente ficarão no final da primeira rodada, mas podem gerar boas surpresas.

Necessitando de bancários com urgência, considero mais inteligente selecionar jogadores prontos para contribuir de imediato como reservas, geralmente Juniors e Seniors. Embora esses jogadores não sejam os maiores talentos disponíveis e talvez não tenham o maior teto de evolução, atendem melhor às necessidades da equipe já para a próxima temporada. Jogadores mais jovens (Freshmans e Sophomores), como Romeo Langford, embora tenham maior potencial evolutivo, não são garantias de contribuição imediata e podem não ter minutos na rotação. Acredito que o Boston Celtics já possui muitos jovens talentos para desenvolver no banco e pode se dar ao luxo de escolher role players imediatos no Draft.

Nos últimos anos, diversos role players imediatos foram escolhidos no final da primeira rodada e início da segunda: Caris LeVert, Malcolm Brogdon, Kyle Kuzma, Josh Hart, Jalen Brunson e Brandon Clarke. Com três escolhas na segunda metade da primeira rodada, é uma boa oportunidade para Danny Ainge encontrar esse tipo de prospectos e melhorar a segunda unidade com baixo custo. Vale salientar que bons reservas são ótimos ativos para trocas futuras, e optar por prospectos de segurança neste momento faz muito sentido.

Conclusão

O Boston Celtics possui uma boa base de talento para os próximos anos e estes jogadores já estão rendendo no Small Ball. O elenco não precisa de muito para se consolidar como um postulante ao título da NBA, bastando melhorar o banco em uma offseason em que o Draft e a Agência Livre são favoráveis para isso. Mesmo com carências em profundidade, o elenco atual já foi o suficiente para colocar os Celtics entre os cinco melhores ataques e as cinco melhores defesas, o que mostra o potencial da base atual para grandes resultados.

Na minha opinião pessoal, acho difícil o 18º título da franquia vir em 2020, embora o elenco tenha superado às expectativas iniciais. Contudo, desde que Brad Stevens assumiu o cargo de treinador em 2013, o elenco da atual temporada é o mais unido e encaixado em sua proposta de jogo, e tenho grandes esperanças do time chegar ainda mais entrosado, mais experiente e com melhor profundidade para a temporada 2020/21. Aí sim, creio que seremos um legítimo contender.

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Lucas Pereira
Lucas é mineiro, natural e residente de Belo Horizonte. É estudante de Administração na UFMG. Acompanha NBA e o Boston Celtics desde 2007. É colaborador do Celtics Brasil desde 2016.

10 comentários

  1. Pedro Anselmo

    Parabéns pelas análises, Lucas!

    Gostaria de salientar, no que diz respeito às renovações, que Gordon Hayward demonstrar bastante interesse em continuar com Brad Stevens. Isso é um facilitador para que o jogador renove até por uma quantia menor.

    Kemba Walker e Jaylen Brown já possuem bons contratos, então o foco do Celtics deve ser na renovação de Jayson Tatum. Ao meu ver, ele merece ser o principal foco do time nessa década.

    Gostaria de ver, ainda pra essa pós temporada, a contratação pontual de um jogador que ajude vindo do banco. Um pontuador e líder. Não descarto Isaiah Thomas jamais, apesar de ter receio de que aconteça um pouco do que aconteceu no ano passado, onde haviam muitos jogadores que criavam para si e acabavam não jogando bem coletivamente.

  2. Fernando Silva

    Assino embaixo.

    Concordo com a análise.

    Meu resumo desde o inicio da season foi:temos uma das melhores formações iniciais, talvez a melhor da liga, mas junto à isso, temos um dos piores bancos, talvez o pior da liga.

    A pausa forçada do calendário nos foi muito boa para renovar as energias dos titulares que vão sim receber doses cavalares de minutos nos offs.

  3. R2

    Concordo com você, apesar de que acredito que Tako provavelmente se mantenha em seu contrato two-way. Acredito que dos nomes da lista thomas seria uma ótima adição, assim como milsap que cairia muito bem e certamente “roubaria” muitos minutos do nosso pivô alemão

  4. Teobaldo

    Se o nosso elenco atual consome o cap, acho que ficaremos “na seca” por muito tempo.

    • Marshall

      Incrível, como todo ano as análises são: Celtics, o time do futuro.

      Eu não vejo futuro nenhum nos Celtics. Vejo Tatum querendo sair daqui alguns anos por falta de planejamento vencedor.

      D.Ainge está ultrapassado. Trades horríveis pós 2008, queimou o Celtics no mercado. Não teve capacidade de pegar Drummond e convencê-lo de que mesmo recebendo menos teria chances de brigar por título aqui. Visto que seria a “Cereja do Bolo”.

      Esse time não pode agregar em mais nada. Quem vai querer Hayward ganhando cap máximo? O tal jogador defensivo do nosso time tem estatísticas pífias.

      Viver com J.Brown e J.Tatum pra que?

      Não vejo ousadia, mesmo que errem, nessa diretoria. Vejo um futuro nebuloso.

  5. Fernando Silva

    A solução, creio deveria já ter sido adotada nesta assim, seria gastar com luxury e ponto final.

    Sou bem otimista com nossa equipe desde a saída de KI.

    Lamento a perda de AH.

    Mas com o banco certo, acredito no banner.

    O banco não veio. Quem sabe na próxima.

  6. Guilherme

    Perfeito, acho que tudo vai se ajustar no mais alto nível como contender. A única peça que falta ser encontrada, ao meu ver, é uma resposta defensiva para os bigs versáteis que vão “complicar” nossa vida no futuro de um leste cada forte e promissor: Embiid, Giannis, Simmons, Adebayo principalmente.

    Devido ao tamanho e envergadura de elite dessas estrelas, julgo que apenas o Theis tem condição de “ficar na frente” desses monstros, no elenco atual. E mesmo ele tende a ser um pouco “undersized”.

    Julgo que, pelo menos mais um jogador que consiga desempenhar no nível do Theis será necessário para carregar esse piano, ou em condições ideais, poderíamos ter um upgrade nessa posição.

    Jogadores que acho que se enquadram nessa função (bigs – espaçadores de quadra – ágeis e bons defensores):

    Sabonis, Myles Turner, Mo Bamba, Boogie (acho que já era a carreira mas enfim), Covington (outro estilo), alguém nesse assim.

    E… se a engenharia financeira não fechar, talvez a solução pode estar em casa – e o Robert Williams se alinhar e virar esse jogador.

    De qualquer maneira, o futuro é brilhante.

    Saudações

  7. Guilherme

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  8. Jean

    Só discordo com a parte da defesa do Tatum, esse anonele tá bem demais nos dois lados da quadra, é bem consistente!

  9. […] quem não se recorda, Boston vinha de uma temporada muito acima do que era esperado às vésperas da temporada 2019/20. O quarteto formado por Tatum, Brown, Kemba e Hayward fez mais que 82 pontos por jogo em média, e […]

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