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Crônica: Tacko Fall, uma voz para Senegal

Com a revelação dos países que vão participar da primeira liga de basquete africana, que foi realizada no museu das civilizações negras em Dakar, no Senegal, o pivô do Boston Celtics, Tacko Fall, sentou junto a uma série de estrelas da NBA, que inclui o 11 vezes All-Star Chris Bosh e o pivô Hall da Fama Dikembe Mutombo, e refletiu o quão longe ele chegou desde os dias em que ele possuía apenas um par de sandálias para por nos pés. Um par que ele teve que costurar quando elas arrebentaram.

Em uma entrevista para a jornalista do Washington Post, Danielle Paquete, Tacko Fall contou que está indo de hotel em hotel até achar uma casa que vai satisfazer alguém com o seu tamanho, mas ele não poderia estar mais feliz, apesar de sentir saudades de sua mãe… e de sua comida.

“Arroz e quiabo”.

Nunca fiz parte dessa experiência, então não posso dizer o quão árduo e demorado é o processo, mas Tacko Fall disse: “Minha mãe veio para o Estados Unidos apenas uma vez. Para meu último dia na faculdade. Eu não vejo ela há seis anos e meio. É difícil para eles virem aos Estados Unidos devido a documentação, mas agora meu irmão mora aqui, e minha mãe conseguiu permissão para ir e voltar pelos próximos 10 anos”.

Tacko Fall cresceu jogando futebol e descobriu seu potencial para o basquete através de um homem que gerenciava uma equipe de basquete senegalês. Ele poderia apenas imaginar todo o stress de um garoto de 16 anos, que ia deixar para trás o único lugar que chamou de lar para viajar milhares de milhas de distância.

A dúvida e o medo, se misturados a ansiedade, podem ir desaparecendo eventualmente, mas a decepção de não ser capaz de ver sua mãe por seis anos é certamente um sentimento que pode aumentar a nostalgia.

Fall aproveitou ao máximo seu tempo nos Estados Unidos jogando com o UCF Knights na faculdade e se graduando em Ciência da Computação. Um caminho que lhe dá uma ótima opção quando seus dias na NBA terminarem. Chris Bosh chamou o pivô celta de “Uma voz para Senegal. Para esses garotos que querem ser exatamente igual a ele”.

Tacko Fall se considera alguém que promove a paz, mas prefere não mergulhar em política, apesar de argumentarem que, só de expor essa opinião, o senegalês já estaria dando uma posição política.

“Para mim é fácil todos se darem bem. Seria ótimo se todos pudessem se dar bem. Me sinto abençoado em ter esse tipo de impacto na vida das pessoas. Considerando de onde eu vim. Como minha vida mudou. Ser reconhecido dessa maneira significa muito para mim”, diz o senegalês.

Essa pode parecer a clássica história de uma família africana tentando ir para os Estados Unidos para ter condições financeiras melhores e uma educação melhor. E é uma dessas histórias. É exatamente por isso que Fall está na capital de seu país natal, pois ele está longe de ser o único filho que cresceu sem recursos e condições para se desenvolver como um jogador da NBA.

Em uma região onde o futebol é o esporte mais popular e que historicamente é uma das regiões menos evoluídas economicamente, não há muito que se esperar.

Isso é, até a NBA decidir expandir seu foco para desenvolver o basquete de jovens jogadores africanos em programas além das fronteiras, e também desenvolvendo uma liga com jogadores representando os 54 países do belíssimo continente africano.

Bem… talvez não todos… mas isso poderia ser facilmente um paralelo com a NBA. Uma liga nacional, onde nem todo estado tem seu time, mas 22 dos 50 estados possuem times, e os quatro mais populosos (Florida, California, New York e Texas) possuem vários times.

De acordo com Paquette, “Fall disse que espera que a expansão da NBA pela África alavanque outros jogadores como ele — cheio de potencial, mas sem recursos. Os novos campos de treinamento e as quadras que surgiram por todo o continente, disse ele, poderiam tornar essa jornada mais fácil”.

Ultimamente, Tacko Fall se tornou um simbolo de esperança para seus irmãos senegaleses. “Eu espero que as pessoas possam ver que elas podem fazer qualquer coisa”, disse o pivô. “Acredite em você. Faça acontecer. Não deixe ninguém dizer que você não poder fazer isso — Essa é a coisa mais importante.”

Matéria originalmente publicada em: https://celticswire.usatoday.com/2019/08/04/tacko-fall-a-voice-for-senegal-gets-personal-in-africa/?utm_source=smg&utm_medium=wasabi&utm_content=home-hero

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Henrique Correia
Paulista, morador de Bauru no interior do estado de São Paulo, analista de suporte e corredor de rua nas horas vagas. Apaixonado por basquete, descobriu no jornalismo um hobby e quem sabe futuramente pode encontrar uma profissão. Acompanha a NBA desde 2010, torcedor fiel do Celtics, aguarda ansiosamente pra ver seu primeiro titulo.

3 comentários

  1. Fernando Silva

    Boa.

    Bom garoto.

    Espero que possa aprender o jogo.

  2. Marcos Pastich

    Gostaria muito que desse certo no Celtics e na NBA em geral! É um bom garoto e merece essa oportunidade agora é só mostrar que consegue!

  3. Fernando

    Bacana, mesmo não tendo gostado do q vi dele em quadra, torço muito para estar errado e q ele vingue

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