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Al Horford conta o quanto sofreu enquanto esteve com concussão

Às vésperas de seu quarto jogo na temporada, o Boston Celtics foi obrigado a lidar com a notícia de que Al Horford, a maior contratação de sua história, teria que ausentar-se do confronto contra o Chicago Bulls. O dominicano havia sido enviado para seu lar, em Newton (MA), onde assistiria, pela televisão, a seus amigos jogarem.

Tudo porque, dois dias antes, em pleno Halloween, o pivô sofrera um golpe em sua cabeça, durante um treinamento, que lhe causou uma concussão.

Graças a esse infeliz acontecimento, Horford sofreu durante três frustrantes e longas semanas, nas quais o mesmo, enquanto combatia um inimigo invisível, via o Celtics padecer sem seus talentos. Qualquer pequeno avanço conquistado na cura da concussão, era seguido de um agravamento severo. E, durante uma entrevista concedida nesta semana, o camisa 42 revelou como foi conviver com a concussão e seus perigosos efeitos.

“Meu maior medo foi o seguinte: conforme os dias passavam, as dores só aumentavam”.

Após sofrer o supracitado golpe, em uma segunda-feira, o pivô saiu do treinamento sentindo-se bem e pronto para a sessão do dia seguinte. Ao longo do treino de terça, o dominicano começou a sentir-se zonzo e enjoado. De forma imediata, o Celtics o enviou para casa e, em seguida, Horford entrou no protocolo de concussão da NBA.

As orientações médicas iniciais foram para o camisa 42 não realizar qualquer leitura ou usar seu celular. Se já não bastasse, o pivô estava proibido a ver televisão ou realizar qualquer atividade que demandasse esforço físico. Ou seja, Horford só podia dormir, beber água e assistir a seu bebê Ean brincar. Os médicos avisaram a Horford que eventuais caminhadas ao ar livre poderiam acelerar o processo de recuperação. Portanto, o jogador, oriundo do 2007 NBA Draft, passou a andar pelas redondezas de seu bairro, o que fez seus vizinhos ficarem espantados por sua presença na vizinhança.

“Foi tudo muito estranho para mim”, confessou Horford, “afinal, o que você faz quando você não pode fazer nada?”

Agoniado, o pivô estabeleceu uma exceção para a regra de não ver televisão. Devastado por não poder ajudar seus companheiros, o dominicano decidiu que, ao menos, assistiria aos jogos da equipe de Boston. Para tanto, Horford era obrigado a apagar todas as luzes em sua sala-de-estar, bem como fazia uso de óculos-de-sol, para minimizar os efeitos colaterais da concussão.

Não era o suficiente. O camisa 42 sofria com dor-de-cabeça e náusea, já que a simples luz, som e dinâmica do jogo o incomodavam. Até mesmo o simples ato de dirigir um carro o fazia passar mal. Para o jogador, de 30 anos, foi algo desesperador, já que, quando pegou no volante, ele não tinha senso de direção.

Horford mencionou que passou por algo similar, na época do ensino médio, quando sofreu uma pancada na cabeça e teve sintomas parecidos aos de concussão na mesma noite. Contudo, no dia seguinte, o pivô estava novo em folha. O mesmo ocorreu há quatro anos, quando ainda jogava pelo Atlanta Hawks. Entretanto, desta vez, os sintomas foram mais cruéis.

“Conforme os dias passavam, eu comecei a ficar pior”, declarou. “Os sintomas não passavam e eu ia ficando agoniado, porque eram dores que eu não compreendia. Era algo novo e horrível para mim”.

Após duas semanas, Horford passou a treinar com o time. Ele esperava, pelo menos, incentivar seus companheiros de time, direto do banco, durante as partidas.

“Porém, ao entrar no ginásio, reparei que as luzes da arena iriam me matar”, falou o frustrado dominicano. “Elas (as luzes) trariam os sintomas de volta. A sensação era que eu iria desmaiar a qualquer momento. O barulho e as luzes fariam eu regressar para a fase um do protocolo de concussão”.

Diante desse cenário, Horford teve de se contentar em assistir aos jogos do Celtics em uma sala escura e silenciosa, nos becos do TD Garden, onde ficava perto, mas ao mesmo tempo longe, da atmosfera do jogo. O Celtics perdeu 3 de seus 4 primeiros jogos sem os talentos do seu camisa 42, o que só escancarou a urgência de seu retorno.

“Foi muito difícil para mim assistir àquilo tudo”, disse. “Chegou a um ponto no qual eu chutei o balde, ‘dane-se, eu vou tentar voltar antes do recomendado’. Com isso em mente, eu acompanhei o time nas viagens para Indiana e New Orleans, na esperança de poder voltar a atuar”.

Entretanto, o pivô não pode atuar contra o Pacers. Em New Orleans, realizou um treinamento, no qual, aparentemente, estava pronto para voltar a combate. Após a sessão, contudo, os sintomas regressaram e o dominicano foi enviado para Boston imediatamente.

O treinador Brad Stevens, frequentemente, lembrava Horford que ele estava prestes a ser pai pela segunda vez e que sua saúde era muito mais importante que o basquete.

Não satisfeito, Horford procurou conselhos ao redor da liga, por meio de ex e atuais jogadores que também sofreram com concussão. Dentre os procurados, o dominicano conversou com Brian Scalabrine e seu amigo pessoal, e ex-companheiro de time, Kyle Korver. No entanto, a conversa final e decisiva veio com o ala Doug McDermott, do Chicago Bulls.

McDermott sofreu concussão no mesmo dia que Horford, durante a vitória do Bulls sobre o Nets. Ele perdeu apenas um jogo e retornou já no dia 04.11.2016. Todavia, já em 12.11., o ala sofreu nova concussão, no duelo contra o Washington Wizards e, desde então, não pisou mais na quadra. Horford falou que os acontecimentos com McDermott o fizeram refletir:

“Quando o assunto é concussão, você deve ser sincero consigo mesmo, e, às vezes, isso é muito difícil de se fazer”, declarou o celta. “Nós, atletas, somos treinados para superar obstáculos e dores. Eu já joguei com inúmeras dores e lesões: torções de tornozelo, ombro dolorido, etc. Contudo, quando se trata de cérebro, o papo é diferente. Essa foi a parte mais difícil para eu assimilar”.

Felizmente, os sintomas foram embora e Horford foi retirado do protocolo de concussão da NBA. Desde seu retorno, que ocorreu em 19.11, o pivô vem angariando as médias de 16.8 pontos, 6.9 rebotes, 5.1 assistências e 2.8 tocos por partida. Desde então, o Celtics ostenta a campanha de 6 vitórias em 9 jogos.

Importante frisar que, após o seu retorno, Horford perdeu mais um jogo, mas por um motivo totalmente diferente ao narrado nessa matéria. Sua esposa, Amélia, deu luz ao segundo filho do casal.

E, com os talentos da contratação mais cara de sua história, o Celtics viaja para Orlando (FL), onde buscará retomar o caminho das vitórias, no duelo contra o time local, na noite desta quarta-feira.

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Rômulo Portugal
Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

3 comentários

  1. Brenno

    Nn deve ser nada fácil msm

  2. Sander

    Imagina vc sendo rico e não poder fazer nada…

  3. Maurício Green

    Um coisa ruim mas em uma hora não tão ruim…. Que fique fora só desses jogos.

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