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Análise: Um novo Boston Celtics para os próximos anos? – Parte 1

A temporada 2019/20 da NBA está prestes a retornar. O Boston Celtics já está concentrado na “bolha” do complexo da Disney, em Orlando, e diferentemente do ano passado, as expectativas para a pós-temporada da equipe são melhores nesse ano, mesmo com um elenco teoricamente inferior. O time chega muito mais confiante para essa reta final se comparado às previsões iniciais.

Em virtude disso, eu, Lucas Pereira, resolvi escrever uma série de análise e opinião pessoal dividida em três partes, apresentando o elenco celta e o esquema tático da equipe. Hoje, nessa primeira parte, irei mostrar a montagem do elenco na última offseason, relembrando movimentações e tirando conclusões acerca de algumas delas, levando em consideração os desafios impostos durante esse processo. Boa leitura!

Contexto

O Boston Celtics passou por grandes mudanças em seu elenco após uma turbulenta temporada 2018/19, em que as coisas não encaixaram em quadra. Um time que prometia estar entre os contenders foi uma das principais decepções da NBA na última temporada, muito por conta do baixo rendimento de alguns jogadores, além de muitas confusões no vestiário. Após varrer o Indiana Pacers na primeira rodada dos Playoffs, o Celtics sobrou no jogo 1 contra o Milwaukee Bucks e venceram bem fora de casa. Parecia que o time finalmente iria engrenar, mas o que vimos foi o MVP Giannis Antetokounmpo e o Bucks amassou o Celtics nas quatro partidas seguintes, virando a série e ganhando por 4×1.

Esses problemas internos, somados ao fato de que vários jogadores do elenco se tornariam agentes livres ao fim da temporada, fizeram com que uma reformulação se tornasse inevitável. Em suma, entre os que saíram e tinham considerável espaço na antiga rotação, estavam os armadores Kyrie Irving (Brooklyn Nets) e Terry Rozier (Charlotte Hornets), o ala Marcus Morris (New York Knicks e, agora, Los Angeles Clippers), e os pivôs Al Horford (Philadelphia 76ers) e Aron Baynes (Phoenix Suns). Em pouco mais de uma semana, o Celtics perdeu quase metade de um roster com jogadores importantes. Considerando jogadores com amplo espaço na atual rotação, chegaram o armador Kemba Walker e o pivô Enes Kanter, como agentes livres, e o ala-pivô Grant Williams, 22ª escolha do último Draft.

Dificuldades na montagem do novo elenco

O elenco para 2019/20 tinha perdido considerável profundidade, passando de um dos melhores bancos da liga para um dos menos qualificados em sua segunda unidade. Fora isso, substituir Kyrie Irving e Al Horford também não seria uma tarefa simples.

A reposição da perda de Kyrie não foi tão complicada, pois Kemba Walker se mostrou um encaixe melhor no esquema tático do técnico Brad Stevens. Foi um melhor armador atuando sem a bola nas mãos, o que acabou tornando os companheiros no plano de jogo mais prolíficos, comprovado pelo aumento considerável nas estatísticas de Jayson Tatum, Jaylen Brown e Gordon Hayward, sem contar a gestão de pessoas de Kemba, muito superior a de Irving. Mas e Al Horford, como substituir?

Se conseguimos repor Kyrie Irving diretamente com Kemba Walker, as limitações impostas pelo teto salarial tornaram a missão de repor Al Horford diretamente com outro pivô impossível. Embora estatísticas básicas não mostrassem tanto, Horford era um dos pilares táticos do time, pois defende muito bem tanto no perímetro quanto próximo ao aro, possui agilidade lateral acima da média, é um bom passador e antecipa muito bem os bloqueios. Como o Celtics possuía menos de 20 milhões disponíveis no cap, é impossível repor diretamente a posição, visto que jogadores do estilo de Horford só recebem salários maiores que a quantidade disponível.

Além de não conseguirem repor Horford, o Celtics viu seu pivô reserva, Aron Baynes, levar seus talentos para o Phoenix Suns. O move ocorreu para que Boston conseguisse espaço na folha salarial para viabilizar a contratação de Kemba Walker, já que as regras da liga impedem qualquer time de exceder o teto salarial para assinar com agentes livres. Assim, Danny Ainge estava em um cenário de limitações financeiras para montar o restante do elenco, que apresentava diversas lacunas nas vagas de pivô titular e de bancários.

O Draft

No Draft de 2019, o Celtics tinha muitas escolhas de primeira rodada. No entanto, na noite do evento, o General Manager Danny Ainge visou abrir espaço no salary cap e postergar o direito de usar outras picks, uma vez que apesar de várias saídas ao final da temporada 2018/19, não havia espaço para tantos calouros no time. Portanto, o Celtics finalizou a noite com quatro novos talentos, selecionados nas escolhas 14, 22, 33 e 51, além de Tacko Fall, adicionado ao elenco após não ser escolhido por nenhuma outra franquia.

Romeo Langford

Na pick 14, via Sacramento Kings, Danny Ainge optou por selecionar o ala-armador Romeo Langford, vindo da universidade de Indiana. O jogador demonstrou ser um dos alas mais atléticos e físicos da NCAA, assim como um potencial scorer. Romeo Langford, de apenas 20 anos de idade, é um prospecto a longo prazo para o Celtics e, por hora, não está pronto para contribuir de imediato na rotação da equipe regularmente.

O jogador necessita de maior refinamento técnico para ao menos ser um reserva efetivo. Mesmo passando boa parte do ano atuando na G-League pelo Maine Red Claws, o jogador mostrou bons instintos defensivos que, aliados ao seu potencial ofensivo, podem fazê-lo um ótimo 2-way-player (jogador que contribui no ataque e na defesa) na segunda unidade já nos próximos anos. Por conta disso, deve receber mais oportunidades no ano de 2021.

Grant Williams

Na 22ª escolha, os Celtics optaram pelo ala-pivô Grant Williams, de Tennessee. Mesmo baixo para a posição (apenas 1,98m), Williams é recompensado pelo físico pronto para o nível profissional, além de elogiável ética de trabalho. Com capacidade atlética para defender as cinco posições de jogo, Williams será um dos pilares defensivos da equipe nos próximos anos. Ofensivamente, o jogador já tem um sólido arremesso de média distância, mostrando potencial para expandir seu arremesso até a linha dos três pontos, possui um bom passe no ataque e sabe se movimentar muito bem durante o off-ball.

Assim como Langford, também é um jogador a ser lapidado ainda, e a tendência é que a cada ano, ganhe cada vez mais minutos, provavelmente começando já na próxima temporada.

Carsen Edwards

Na 33ª escolha geral do Draft, Ainge selecionou o armador Carsen Edwards, da universidade de Purdue. Mesmo com baixa estatura para a posição (apenas 1,80m), Edwards foi um dos principais cestinhas da temporada universitária, mostrando potencial para ser uma boa opção na segunda unidade. Com a saída de Terry Rozier, selecionar Edwards no início da segunda rodada do Draft foi uma aposta bem válida, visto que jogadores selecionados ali não possuem contrato garantido e podem ser dispensados posteriormente, sem maiores custos.

Outros jogadores

Além dos outros jogadores, o Celtics também adicionou ao seu elenco o armador Tremont Waters, de LSU, escolhido na pick 51, que passou a maior parte da temporada atuando pelo Maine Red Claws, e o gigante Tacko Fall, de incríveis 2,29 metros. O último assinou contrato de 1 ano, nos termos 2-way (alternando entre Maine Red Claws e Boston Celtics) e, devido às suas características físicas, virou o jogador mais folclórico e carismático do grupo.

Apresentação dos novos jogadores do Celtics após o Draft, com muito potencial para se tornarem peças-chave na rotação da equipe.

Mesmo com tantos novatos para a temporada, nenhum deles estava pronto para contribuir de imediato na rotação. Com exceção de Grant Williams, o único que esteve regularmente com a equipe durante a temporada, disputando 62 das 64 partidas dos Celtics na temporada, os demais passaram um período considerável na G-League.

Soluções

As expectativas para a temporada que se aproximava não eram as melhores. Antes considerado um dos times que poderia ganhar a Conferência Leste, o Boston Celtics naquele momento não estava mais entre os contenders do Leste, como Milwaukee Bucks, Philadelphia 76ers e o recém-campeão Toronto Raptors. O consenso geral (incluindo quem vos fala) era que Boston brigaria pelo mando de quadra e passaria por muitos perrengues para conseguir tal feito.

Ainge gastou o resto de folha salarial que tinha disponível na contratação do pivô turco Enes Kanter, especialista em rebotes e bom finalizador próximo à cesta. Kanter perambulou por várias franquias da liga nos últimos anos, teve boas aparições, mas nunca se firmou em nenhuma. O turco vai receber cerca de US$ 5 milhões na atual temporada, com uma player option deste valor para 2020/21. Ainda, o armador Brad Wanamaker e o pivô Daniel Theis tiveram seus contratos renovados, ganhando mais minutos na rotação para a atual campanha.

Uma vez impossível repor Horford, a solução encontrada pela comissão técnica foi distribuir as responsabilidades do pivô entre alguns jogadores que ficaram, principalmente Gordon Hayward e Daniel Theis. Hayward seria responsável por facilitar o jogo no ataque, com sua boa qualidade de passe, enquanto Theis faria o trabalho sujo na defesa, protegendo o aro e ajudando os jovens no pick and roll.

Vale lembrar que havia um cenário de desconfiança em torno dos dois atletas ao final da temporada passada. Afinal, Hayward em 18/19 não convenceu após recuperação da lesão, chegando até a ir ao banco de reservas por conta de suas várias atuações ruins. Já Theis conviveu com lesões e rendimento irregular, sendo cotado até para ser dispensado ao final da campanha. No entanto, quis o destino que a equipe acabasse dependendo de ambos para conseguir suprir o importante papel que Horford cumpria no time.

Importantes taticamente no elenco titular, Daniel Theis e Gordon Hayward, respectivamente. Ambos buscam rendenção na atual temporada.

Agora, com a adoção do Small Ball no estilo de jogo do Boston Celtics, podemos dizer que, passados 64 jogos, a equipe é uma das surpresas positivas da competição, brigando diretamente com o Raptors pela segunda colocação no Leste. Quer saber o por quê disso? Então não deixe de acompanhar a parte 2 desta série, que sairá aqui no site alguns dias após essa postagem. Até logo!

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Lucas Pereira
Lucas é mineiro, natural e residente de Belo Horizonte. É estudante de Administração na UFMG. Acompanha NBA e o Boston Celtics desde 2007. É colaborador do Celtics Brasil desde 2016.

3 comentários

  1. Renato

    Muito boa a materia. Carsen decepcionou, de resto a sorte esteve ao nosso lado.

  2. Fernando Henrique

    Excelente texto!

    De fato, eu esperava um pouco mais do Langford nesse primeiro ano, mas com a quantidade de bons alas que temos no elenco, somada ao fato de todos jogarem bem em mais de uma posição, nos faz ter mais tempo pra lapidar e desenvolver o jogador da maneira correta. Eu também tinha a esperança de que o Edwards se tornasse nosso armador peladeiro pontuador vindo do banco, função bem desempenhada pelo Rozier até a temporada passada. Esse é um dos que eu sinto falta, porque trazia uma energia na quadra ofensiva vindo do banco que o elenco atual carece

    O texto comenta ainda da importância do Hayward e do Theis em substituir as funções do Horford, o que fizeram com excelência. Já disse aqui vaaarias vezes, os dois tem um entrosamento entre si muito bom, um dos maiores do elenco. É nítido como eles se entendem bem em quadra, acho que a opção pelo Theis de titular (um pouco discutida na época da decisão, logo após assinar com o Kanter, que era o favorito pra vaga) foi essencial pra que o potencial desses dois jogadores fosse melhor explorado.

    Aguardando o próximo e a retomada da temporada!

  3. […] quem não se recorda, Boston vinha de uma temporada muito acima do que era esperado às vésperas da temporada 2019/20. O quarteto formado por Tatum, Brown, Kemba e Hayward fez mais que 82 pontos por jogo em média, e […]

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