Ganhamos o título. Missão cumprida?

Desde a formação do trio Paul Pierce, Kevin Garnett e Ray Allen, todos nós ouvimos falar que a idéia original era fazer com que essas estrelas solitárias pudessem coroar suas brilhantes carreiras com um anel de campeão. Esse ideal foi atingido na primeira tentativa que tiveram. Resta a pergunta, será que a missão está cumprida?
Alguns especialistas em NBA acham que sim, que haverá uma acomodação em Boston. Para esses a resposta é simples: Se vocês conhecessem as personalidades de Garnett, Pierce e Allen, saberiam que acomodação não existe no dicionário desses gênios do basquete.

Se não bastasse o profissionalismo desses jogadores e o fato dos três terem passado vários anos exilados em times perdedores e terem, por razões obvias, a vontade de repetir a sensação de glória, cada um tem muito a provar ainda nesta temporada que se aproxima. Vejamos:

Kevin Garnett

The Big Ticket (apelido de Kevin Garnett) nunca teve um período de férias tão curto na carreira. Mas, comentando o assunto, enquanto promovia o jogo de videogame 2K9 (do qual é a capa), ele disse que “apesar de mais curtas foram as melhores férias que teve e que quer outras assim”.

Tradicionalmente, KG inicia sua preparação para uma temporada no meio de junho,com seu treinador pessoal Joe Abunassar em Las Vegas. Esse ano não foi assim.

Primeiro, porque em junho ele ainda estava jogando, e levantando peso (o peso do troféu Larry O´Brien). Segundo, Garnett declarou que tirou todo mês de Julho de folga, pois precisava de uma descompressão mental e que seu corpo restaurasse naturalmente.

Então, em 2008, Garnett iniciou sua preparação em Agosto, não por acomodação, mas devido a uma sábia decisão. E você já viu a preparação de Garnett (veja aqui), pode ter certeza, ele está mais pronto do que nunca. Aliás, ele até levou seu treinador pessoal para Los Angeles, onde tem uma casa, para continuar sua preparação durante eventos de promoção do jogo do qual é capa.

E Garnett se apresentou em Boston com sua motivação habitual, ou seja, à 110%. Foi só ver os jogos de pré-temporada dos Celtics, onde KG geralmente só iniciou os jogos e foi poupado por Doc Rivers no seu tempo de quadra, porém ficou todo o tempo gritando e torcendo por seus companheiros, principalmente os mais jovens. Dando suporte dentro e fora da quadra, como sempre faz. Nosso “spiritual leader” (líder espiritual) como se diz na gíria da NBA.

Paul Pierce

Em comemoração a sua consagração como MVP das finais, o capitão Paul Pierce (The Truth) se apresentou para pré-temporada em ótima forma, 5 quilos mais magro.
Doc Rivers comentando a atitude de seu capitão disse: “a maioria dos caras se apresentam cheios de champagne e caviar depois de uma temporada com a anterior, Paul entende que vencer é bom e com sua atitude diz, eu quero isso novamente”.
Qual sua motivação? Vou elencar apenas duas: acabar de calar seus críticos e entrar cada vez mais para história dos Celtics.

Acabar de calar seus críticos: para quem não sabe (e prometo escrever um artigo aprofundado sobre o Draft de 1998 e Paul Pierce), desde à época da sua escolha no Draft, Pierce sente-se injustiçado pelos experts em NBA. Ele nunca engoliu ter sido a 10ª escolha naquele draft, atrás de nomes como  Robert “Tractor” Taylor e seu companheiro de universidade menos famoso Raef LaFrentz. Depois, ficou indignado por não ter sido calouro do ano, perdendo para Vince Carter, por este aparecer mais na TV por enterradas espetaculares. Ao longo dos anos, por jogar em times fracos em Boston, Pierce nunca teve o reconhecimento que merecia, apesar de ser um constante All-Star, nunca foi considerado elite da NBA, com membro do 1º time ou titular do jogo das estrelas.
No ano passado, após seu duelo épico no jogo 7 contra Lebron James e, nas finais, com sua defesa sobre o badalo Kobe Bryant, e por sua performance contra o time de sua cidade natal (Inglewood-CA) Pierce calou muita gente, mas agora, ele pode definitivamente, colocar seu nome na elite da NBA.

Entrar, ainda mais, para história dos Celtics: Pierce, como o único jogador do trio que só jogou profissionalmente em Boston, sabe de sua importância para a organização. Agora, outro feito lhe é apresentado: ganhar títulos em seqüência, coisa que não acontece com os Celtics desde 1969, ou seja, há 40 anos. E, pasmem, feito que nem Larry Bird conseguiu. Quem mais que isso? Impossível.

Ray Allen

Ray Allen, o ray, opa, o rei do profissionalismo, se não bastasse seu espírito de vencedor, ganhou uma motivação extra de ninguém menos do que Sir Michael Jordan. MJ23 inflamou Ray Allen ao dizer para ele que quando se ganha um título, pode ser sorte, para provar que é campeão por méritos, tem que ratificá-lo.
Como disse um articulista do site da ESPN americana: Jordan não fez muito para a organização do Charlotte Bobcats ainda, mais já deu uma baita contribuição ao Celtics.

Conclusão

Não acho, e que ninguém ache, que será uma tarefa fácil repetir o título do ano passado. Sam Cassell, o único jogador do Boston que já teve essa experiência, apesar de falar pelos cotovelos, ao ser perguntado sobre o repeteco, foi lacônico: “ganhar um título exige sacrifício, ganhar em seguida exige ainda mais”.
Porém, o título que espantosamente mostrou uma química impressionante no primeiro ano, vem praticamente com a mesma formação (a exceção de James Posey, ver artigo “O Efeito James Posey”)

Nosso jovem armador Rajon Rondo está superfeliz com sua extensão de contrato; Glen Big Baby Davis passou suas férias todas em Boston treinando; Tony Allen e Eddie House tiveram contratos renovados; e Leon Powe vem para se firmar como grande jogador, principalmente para quem ainda não sabe pronunciar seu nome, certo Phil Jackson?
Logo, podemos não ganhar, mas acomodação ou falta de motivação não haverá em Boston neste ano, não haverá mesmo.

Por Xandinho (Alexandre AW7).

6 Comments

  1. gustavo garcia pires disse:

    O Celtics está forte,para mim está tão forte quanto na temporada passada,mesmo sem posey que foi muito importante,temos uma evolução de Rondo,Tonny Allen,Big Baby e de Leon Powe.
    estes jovens jogadores evoluiram desde a ultima temporada e estão aptos a ajudar o Celtics a conquistar o 18º anel!!!

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  2. Brenno disse:

    A missão, em partes já está cumprida. Pois deepois de 22 anos de fila, tiramos o peso das costas.
    Mas nao é de se esperar mais titulos? Avaliando.
    Tivemos uma perda importantissima , James Posey, era nosso principal suplente. Noa tivemos uma reposição a altura, e temos no banco 3 armadores (Pruit, Cassel e House). Não seria a hora de tentar trazer uma força extra ao banco de reservas, trocando um dos armadores? Porque o banco é muito, mas muito irregular mesmo essa temporada.
    E só tenho uma coisa a dizer, é ótimo temos um elenco que conta com KG, porque esse cara busca sempre mais, luta muito, nunca o vi desistir de uma jogada. E com ele no elenco amigo, é certeza que mais coisas boas vêm por ai.

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  3. caio disse:

    Eu axo que o posey nao está fazendo muita falta ! na temporada regular ele n foi o nosso principal reserva ! mas nos play-offs jogou MUITO ! Cara dá gosto de ver KG jogando, o cara jogar com amor, raça !

    Parabens pelo artigo !

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  4. Xandinho disse:

    Obrigado, Caio

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  5. Bruno disse:

    Belo artigo, gostei de ver, muitas coisas que nao sabia, outras que ja sabia e tal.

    Perder Posey foi muito ruim, mesmo, mas, como ja disseram ele tambem nao era muito regular na temporada nao, mas, nosso banco ta muito irregular nesta temporada, precisamos de um banco para fazer a rotaçao com o big3 para nao desgasta-los de mais..

    Ou reforcos ou treino :/

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  6. Ainda teremos reforços.
    Cassell deve voltar em breve e embora eu não seja absolutamente fã dele, pelo menos ele é melhor armador que o House.
    Gosto do House, mas ele joga na 2, é um shoter, não sabe armar jogadas.
    Quando o Rondo vai pro banco o time depende de jogadas individuais pois não existe armação.
    Talvez aí esteja a resposta para as atuações inconstantes do banco.
    PS: e com a chegada dos playoffs algum veterano deve ser contratado pra reforçar a equipe, assim como foi feito ano passado com o próprio Cassel e com o PJ Brown

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