Visite nossas Redes Sociais
Curta e siga nossas redes para ter acesso a conteúdos exclusivos, além de manter-se sempre atualizado sobre novos artigos no site.

Análise da “Trade Deadline” do Boston Celtics

Na quinta-feira, dia 10 de fevereiro ocorreu a Trade Deadline da NBA, data onde se encerra o mercado, e as equipes não podem mais realizar trocas na temporada.

Ao contrário dos últimos anos, o Celtics se movimentou bastante. Entre trocas, dispensas e contratações, um total de 13 jogadores tiveram seus destinos movimentados.

Jogadores que deixaram a franquia

NomeDestino
Dennis SchroederEnviado para o Rockets
Enes FreedomEnviado para o Rockets
Bruno FernandoEnviado para o Rockets
Josh RichardsonEnviado para o Spurs
Romeo LangfordEnviado para o Spurs
HernangomezEnviado para o Jazz
Jabari ParkerDispensado

Jogadores que chegaram

NomeOrigem
Derrick WhiteEstava no San Antonio Spurs
Daniel TheisEstava no Houston Rockets
Sam HauserPossuia contrato de “duas vias” com o Celtics e foi efetivado.
Luke KornetEstava no Maine Celtics, equipe filiada da G-League

Quem chegou, mas já saiu

NomeDestino
Bol BolEnviado para o Magic
PJ DozierEnviado para o Magic

O que o Celtics buscou nas trocas?

Quer você goste ou não, o Celtics está em processo de reconstrução.

Temos um Gerente novo, um treinador novo, e todas as mudanças no elenco desde a troca de Kemba Walker foram feitas com base em criar alguma flexibilidade para uma montagem de elenco mais equilibrada na próxima temporada.

Tenha em mente que ter flexibilidade não quer dizer somente que você tem espaço na folha salarial para contratar jogadores livres, pois isso o Celtics não terá.

A flexibilidade que o Celtics vem buscando é de ter jogadores com contratos interessantes para serem trocados caso a possibilidade de um pacote por um jogador relevante surja.

Além disso, era muito importante a manutenção (ou até criação) de exceções comerciais que permitam a equipe ultrapassar o CAP na próxima temporada.

Pensando nisso, Stevens não se deixou levar pela sequência de vitórias recentes da equipe (a gigante maioria contra equipes fraquíssimas ou extremamente desfalcadas) e seguiu com seu plano de manter a flexibilidade para a próxima agência livre.

A primeira medida tomada foi a de manter o time abaixo do CAP e evitar o pagamento da “taxa de luxo”, um dispositivo de multas da NBA que penaliza as equipes com 2 dólares a cada 1 dólar acima do teto. Ou seja. Se você está 5 milhões acima da taxa de luxo, esse valor será transformado em 15 milhões.

Dito isso, vendo a improbabilidade de conquistar um título nessa temporada, Stevens tratou de buscar trocas que o colocassem abaixo da taxa e evitasse um gasto desnecessário.

Primeiro Stevens enviou Hernangomez em uma troca tripla que trouxe Bol Bol e Dozier para Boston, para posteriormente envoar a dupla para o Magic em troca de uma escolha de segunda rodada de draft.

Além disso o Celtics dispensou Jabari Parker que possuía um contrato não garantido com a franquia.

Com essas movimentações o Celtics ainda gerou um total de 10,9 milhões em TPE’s (exceções comerciais).


Gerando valor com os contratos expirantes

No início da temporada o Celtics contratou Schroeder, Kanter e Bruno Fernando, todos em contratos expirantes que sabíamos que muito dificilmente teriam uma longa caminhada com a franquia.

Fernando e Kanter dificilmente interessariam a equipe em quesito técnico a longo prazo.

Schroeder por outro lado, é um jogador de qualidade e interessaria a franquia a longo prazo se o Celtics tivesse espaço em CAP para renovar seu contrato ao fim da temporada.

Acontece que o Celtics não possui esse CAP e uma renovação entre as partes beirava o impossível.

O alemão, portanto, era sabidamente um “contrato de aluguel”, e de baixo valor de mercado, de forma que qualquer ativo conquistado em sua troca, seria bem-vindo.

Em janeiro, escrevi um artigo onde coloquei o Rockets como um dos prováveis parceiros comerciais na deadline, pois eles precisavam diminuir o CAP e tinham jogadores que interessavam ao Celtics.

Stevens estava atento a isso, e um negócio foi concretizado para transformar nossos contratos expirantes (que sairiam de graça ao fim da temporada) em algo de valor, no caso, Daniel Theis.

O pivô alemão traz ao Celtics algo que faltava no elenco. Defesa de garrafão vinda do banco!

Além disso, o contrato de Theis tem duração de 4 anos por um bom valor, o que pode ser usado como ativo em trocas futuras.

Essa troca também gerou mais 9,4 milhões em TPE (exceção comercial) ao Celtics.


Melhorando os encaixes

Por fim, temos a troca que enviou Richardson, Langford e uma escolha de primeiro round para San Antonio, em troca de Derrick White.

Essa foi a única troca do Celtics na Deadline que não teve motivações financeira envolvidas e sim melhora no encaixe da equipe a longo prazo.

Com o time se preparando para dar um passo adiante, e focando na aquisição de veteranos para cercar Tatum e Brown, o desenvolvimento dos jogadores mais jovens do elenco tem se tornado um desafio.

Pritchard, Langford e Nesmith não vem obtendo minutos frequentes e o desenvolvimento de todos está sendo prejudicado.

Langford e Nesmith, por jogarem na mesma posição, vinham tendo mais dificuldades ainda, por concorrerem pelos escassos mesmos minutos.

Pensando nisso, Stevens resolveu abrir mão de um deles em uma troca que trouxesse para a equipe um jogador de bom talento e encaixe para o futuro.

Por conta de ser o mais velho do trio e por ter um passado recente repleto de lesões, Langford foi o escolhido para encabeçar um pacote. Com isso, espera-se que Nesmith ganhe mais espaço e comece a evoluir, para um dia se tornar um arremessador mais confiável vindo do banco.

Derrick White por sua vez, chega para ser o “playmaker auxiliar” que o time tanto sentiu falta no começo da temporada com a saída de Fournier.

Mas ao contrário do francês, White é um atleta muito veloz e um defensor de elite, o que faz dele uma adição muito mais valiosa para o futuro da franquia.

Seu contrato de 4 anos também pode ser mais atraente que o contrato expirante de Richardson em uma possível troca na próxima temporada.


Quem pode chegar

Como podemos ver, o Celtics ainda possui três vagas em aberto no seu elenco.

Essas vagas podem ser preenchidas por jogadores que sejam dispensados de suas equipes nos próximos dias (algo comum de ocorrer após a deadline).

No entanto a franquia está no limite do CAP, e qualquer nova contratação, mesmo que pelo salário mínimo da liga, significará a entrada da franquia na “Taxa de luxo”.

Pensando nisso, eu imagino que o Celtics só vai adicionar algum jogador agente livre, se esse for do perfil que realmente adicione valor a equipe para o playoff desse ano.

Alguns dos nomes especulados para serem dispensados nos próximos dias são John Wall, Gary Harris, Goran Dragic, Eric Bledsoe, D.J. Augustin e DeAndre’ Bembry.

Particularmente, eu vejo Wall, e talvez, Gary Harris como nomes que realmente podem impactar para esse ano, mas ainda vejo com ceticismo a aquisição de qualquer um deles.

Ao meu ver, a efetivação de Kornet e Hauser no time principal foram os movimentos finais para o elenco desse ano.


Avaliação final

Como dito no começo do artigo, já era sabido que o Celtics tratava essa temporada como um ano para recalcular rotas e efetuar pequenos ajustes em busca de formar uma nova equipe mais coesa para o ano que vem.

Stevens então seguiu o plano e foi cirúrgico em seus movimentos.

Se livrou de todos os contratos que não tinham valor comercial, gerou 20,3 milhões em exceções comerciais e de quebra trouxe dois atletas muito úteis para cobrir lacunas do elenco e reforçar o banco de reservas.

O Celtics não é um time completo e qualificado para brigar pelo título ainda, mas um passo interessante foi dado nessa semana.

O Celtics agora soma 44,2 milhões em exceções comerciais, o que permite a equipe ultrapassar em muito o CAP no ano que vem, montando um elenco com banco bem profundo e qualificado, algo que tem sido muito difícil nos 3 últimos anos.

Se o Celtics foi bastante ativo nessa deadline e agência livre, espere por muito mais movimentos ao fim dessa temporada.

Author avatar
Daniel Emiliano
https://danielemiliano.com.br
Daniel é publicitário, web designer e ilustrador residente em Campinas/SP. Em 2008 uniu paixão e profissão e deu vida a um Blog de notícias e opiniões sobre o Boston Celtics.Com ajuda de outros apaixonados o Blog foi tomando proporções inimagináveis e hoje é este Celtics Brasil, o maior site sobre uma equipe da NBA no Brasil.

6 comentários

  1. Fernando Henrique

    Boa Daniel!
    Eu aprovei completamente a primeira trade deadline do Stevens. O White era um jogador que eu queria em Boston já tem um tempo, acretido que ele vai ter um bom encaixe por aqui. Mas vale ressaltar algumas questões importantes:

    O time é obrigado a preencher pelo menos mais duas vagas do elenco em até 15 dias, o Stevens já confirmou que os alvos serão bons arremessadores do perímetro. Torço pro Gary Harris levar o buyout, mas fontes já afirmaram que pode ser difícil de acontecer.

    Outra coisa, estamos cerca de 3,2M abaixo dos impostos. Porém, se o Brown for convocado pro All star essa margem desce pra 1,4M, já que ele tem inventivos de salário e uma das metas é essa convocação. Caso se confirme a lesão do Lavine isso começa a ficar bem possível de acontecer, e então o Celtics teria que contratar jogadores da g league passíveis de receber salários bem baixos. Mantendo assim, é possível pegar dois veteranos do mercado de buytouts como o Harris e o Satoransky, por exemplo (que mesmo dispensados precisam receber o salário mínimo de veteranos, acima do 1M).

  2. Renato

    Estou gostando muito do trabalho do Stevens, até agora tudo que ele fez estou de acordo:
    1- Contratou o Udoka, um cara que vinha como grande promessa, especialista em defesa e com otimo relacionamento com as estrelas do time.
    2- Trocou o Kemba pelo Horford, apesar de ter sido enviado uma escolha draft no negócio, sem dúvidas o Horford velho acrescenta muito mais ao time do que o Kemba que era um ponto fraco defensivo e um peladeiro em quadra, fora isso ainda diminuiu um de contrato que o Kemba tinha aqui.
    3- Transformou 2 roler players em um jogador jovem de grande potencial, que de imediato contribui com defesa e organização de jogo, naturalmente perdemos 1 escolha draft para balancear o negócio, mas prefiro 1.000 vezes transformar escolhas em jogadores reais, do que viver de loteria.
    4- Trocou um contrato expirante em um contrato de longo prazo, por um jogador que ja conhece o elenco e que e util como reserva.
    5- Adquiriu várias exceções comerciais, como explicado na matéria.

    O melhor de tudo no trabalho do Stevens, é que ele faz contratos negociáveis, o Celtics hoje tem talento suficiente para se envolver na troca de qualquer jogador All Star que fique disponível, e tem os salários certos para fazer acontecer o negócio.

  3. Oberdan Gonzalez

    Muito bom texto Daniel. Parabéns.

  4. R2

    Mesmo sabendo que estamos em um ano para a adaptação do Udoka, com baixíssimas pretensões reais, ainda vejo esse time como a 4a ou 5a força no leste, atrás apenas de Bulls, Nets, Heat e talvez 76ers (agora com a troca tenho dúvidas).
    Então, esquecendo a temporada atual (apesar de torcer para que tenhamos condições de chegar a uma semi), olhando para o mercado e o estilo conservador do celtics no mercado, não consigo imaginar na offseason um movimento que permita ao time alçar voos mais altos no próximo ciclo.
    É claro que precisamos de um gatilho de 3 confiável no time e que um armador mais qualificado seria muito bom, mas olhando para o cenário atual e as peças que estão disponíveis no mercado, quem faria esse time virar a chave, como aconteceu com o Suns com a chegada do CP3, no Heat com a chegada do Buttler, no Bulls com Derozan…

  5. Luiz Paulillo

    Prezado Amigo Celta,

    Sou torcedor Celta da cabeça aos pés, mas tenho umas dúvidas quanto à próxima “off season” e a “tread deadline”.

    Seria viável negociar esses atletas, sem estourar o teto salarial?

    Jogadores:

    Seria possível, ao Celtics, fortalecer seu elenco com bons jogadores, mas que estão em baixa, como é o caso do J. Wall e E. Gordon, bons armadores, mas que estão “encostados” em Houston?

    Seria possível trazer um pivô a altura do Boston Celtics, mas que está jugando em uma franquia de menor expressão, como é o caso K. Porzings (ao menos, eu acho um bom pivô)?

    Seria possível repatriar um ala, que também está em baixa, mas nos Celtics jogou bem, como é o caso do M. Morris Senior?

    Agradeço.

    • Celtics não tem espaço no CAP para contratar jogadores livres na FA.
      Entretanto temos 60 milhões em TPE (exceção comercial), que podem ser usadas para viabilizar trocas por jogadores com contrato mediano.
      Wall só será possível se for dispensado pelo Rockets, pois seu contrato é milhonário e não temos como fazer “um pacote” por ele.
      Sobre pivôs, estamos extremamente bem servidos na posição com Williams, Horford e Theis. Não vejo motivo nenhum para o Celtics ir atrás de jogador para esse setor.
      O foco provavelmente será em trazer veteranos para reforçar o banco, deixando o elenco mais robusto.

Postar comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado.