Celtics vive em uma montanha-russa nesta temporada

A temporada 2017/2018 da NBA sequer chegou à sua metade, mas, ao que tudo indica, será lembrada pelos torcedores do Celtics por ter sido uma verdadeira montanha-russa de emoções.

Antes mesmo da temporada começar, Danny Ainge nos presentou com uma das offseasons mais intensas da história, ao negociar a primeira escolha-geral do 2017 NBA Draft e o principal jogador do elenco.

Em seguida, o otimismo tomou conta do coração da torcida celta. Vimos a equipe de Massachusetts virar favorita ao título nas casas de apostas e na imprensa.

No dia 17.10.2017, contudo, descemos a montanha-russa. Logo na abertura oficial da presente temporada, perdemos Gordon Hayward, talvez para todo o resto da competição. O desânimo voltou a bater em nossa porta e, naquele momento, o objetivo, para muitos, passou a ser, simplesmente, desenvolver os jovens talentos e honrar a nossa camisa.

Brad Stevens e seus comandados, entretanto, recusaram-se a aceitar tão pouco. Poucos dias depois, o maior campeão da NBA deu início àquela que, até hoje, é a maior sequência de vitórias consecutivas da atual temporada, ao vencer 16 partidas de forma ininterrupta. Naquele período, tivemos a oportunidade de derrotar fortes adversários, tais como Golden State Warriors, San Antonio Spurs, Oklahoma City Thunder e Toronto Raptors. O Celtics ostentava a melhor campanha da liga, com 22 vitórias e apenas 4 derrotas. Mais uma vez, subimos a montanha.

Desde então, fatalidades aconteceram e o Celtics vem sucumbindo. São 5 derrotas nos últimos 9 jogos e, além de já ter perdido o posto de melhor campanha da liga, Boston vê sua liderança na Conferência Leste cada vez mais ameaçada. O pessimismo voltou a dar as caras. O que aconteceu? Vejamos.

Mesmo na fase áurea de vitórias consecutivas, o Celtics foi assolado por lesões. Perdemos Al Horford por alguns jogos, vítima de nova concussão. Em seguida, Kyrie Irving foi o “escolhido” da vez, ao ter recebido, acidentalmente, uma cotovelada de Aron Baynes, o que o rendeu algumas microfraturas faciais e a necessidade de usar máscara por muitos jogos.

Já no corrente mês, vimos Jaylen Brown desfalcar o Celtics por dor nos olhos. Quando voltou às quadras, no jogo contra o Spurs, no Texas, teve que usar óculos especiais, para proteger a vista.

Dias depois, nos foi revelado que Marcus Morris, que vem enfrentando uma misteriosa lesão no joelho esquerdo desde o começo da temporada, perderia algumas semanas de jogos, a fim de recuperar-se plenamente dessa dor que o acompanha há meses. Até a presente data, o camisa 13 permanece fora de ação.

Daniel Theis foi outro a não conseguir escapar da maré de lesões. No jogo contra o Denver Nuggets, sofreu um golpe de um jogador adversário, durante uma briga por rebote, e fraturou o nariz. Assim como o armador Kyrie Irving, o big man alemão vem precisando utilizar máscara, para poder seguir ajudando sua equipe, enquanto se recupera.

Por fim, no duelo de anteontem, o estopim: contra o New York Knicks, o Celtics não pôde contar com Jaylen Brown (com dor no Tendão de Aquiles) e Shane Larkin (dor no joelho esquerdo).

Por conta disso, Brad Stevens só teve 10 jogadores a sua disposição, sendo 5 calouros (Jayson Tatum, Semi Ojeleye, Abdel Nader, Guerschon Yabusele e Daniel Theis). Como esperado, o Celtics não teve forças e caiu para seu tradicional rival, por 102×93.

Agora, olhemos o calendário de jogos do Celtics. O clássico de dois dias atrás, contra o New York Knicks, representou a 35ª atuação de Boston na atual temporada. 35 jogos em apenas 66 dias. Ao mesmo tempo, nenhuma outra equipe do Leste, até anteontem, havia superado a marca de 32 partidas disputadas.

Vejamos de outro modo. O último confronto do Celtics representou sua 2ª partida em 2 dias consecutivos. Ou, se preferir, o 3° jogo em 4 dias. Ou o 5° jogo em 7 dias. Ou o 8° jogo em 12 dias!

Para quem vem acompanhando as partidas da equipe, os sinais de exaustão estão notórios. A equipe não consegue mais impor um ritmo acelerado de jogo, tampouco defender com a intensidade que costuma, visto que os corpos dos jogadores pedem repouso, mas o calendário da NBA não permite tal descanso.

O jornalista Gary Washburn, do Boston Globe, notou o cansaço do elenco celta já no primeiro quarto do duelo realizado no Madison Square Garden:

Ao final do mês de Dezembro, o Celtics terá disputado absurdas 17 partidas em apenas 31 dias. A média é de 1 jogo a menos de 2 dias. Insta frisar que não estamos incluindo o cansaço proveniente das viagens.

Quando chegarmos a 2018, tudo tende a melhorar mais uma vez. Primeiramente, porque teremos os jogadores lesionados, como Marcus Morris e Jaylen Brown, de volta. Quiçá, Gordon Hayward.

Além disso, o calendário de jogos, finalmente, cederá descanso ao nosso elenco. De Outubro ao final de Dezembro do corrente ano, o Celtics terá disputado 40 jogos em 75 dias. De Janeiro a Abril de 2018 (quando terminará a temporada regular), Boston terá realizado 42 partidas em 98 dias.

Com o time saudável e descansado, novas sequências de vitórias surgirão e voltaremos para o topo da montanha-russa. Mais uma vez.

 

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Rômulo Portugal
Rômulo Portugal
Rômulo é carioca, advogado, e fã de futebol, NBA e NFL. Acompanha o Celtics desde 2003. Seu fanatismo pelo maior campeão da NBA o fez torcer para os demais times de Boston. Como bom carioca, é Vascaíno. Tem Paul Pierce como primeiro e grande ídolo na NBA.

7 Comentários

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  2. Sander disse:

    É nítido o cansaço do time, nossa defesa não está conseguindo manter o ritmo. Precisamos do elenco completo com o Morris, pois ele ajuda muito na marcação e mete umas bolinhas tbm.

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  3. Victor disse:

    O importante é chegar bem para os playoffs

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  4. Marcelo SM disse:

    Então, com todos esses problemas (e alguns mais, como testes que o técnico tem feito), estamos em 1º!? A temporada promete…

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  5. Everton disse:

    E contra os Knicks Tatum jogou com o dedo quebrado…

    Essa inconstância é normal. E depois do primeiro jogo, confesso que estamos beeem melhores do que eu imaginei.

    Só acho que Danny Ainge está demorando demais para contratar alguém para o lugar do Hayward.

    E Tatum poderia assumir definitivamente ser a “segunda força” ofensiva no lugar de Horford que é mais inconstante que o calouro. E Tatum tem potencial para isso. Tem que tentar mais arremessos e infiltrações.

    Agora é uma sequência difícil até dia 31.
    Bulls hoje (23) em casa. Bulls vindo numa fase boa, mas da para o Celtics ganhar. (Não sei se o Brown joga hj, se jogar ganhamos fácil. hehe)
    Wizards no Natal (25), em casa. Vamos ver com esse novo time do Boston… Mas tem tudo pra ser maior “porradaria” como ano passado. Mas Celtics vencem!!!
    Dia 26 descansa, dia 27 pega Hornets fora (esse jogo é aquele que os titulares tem que detonar nos 3 primeiros quartos e descansar no final), e dia 28 Rockets em casa (pode ser a final da NBA). Dias 29 e 30 descansa, e dia 31 Brooklin em casa (vencemos fácil).

    Depois em janeiro com time inteiro todo jogo é só alegria. hehe

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    • Renato disse:

      Ainge está certo. Essa exceção para trazer um jogador expirante será mais útil na pausa all star onde as equipes sabem melhor sua realidade na temporada e ocorrem vários buy out. Até trade e melhor nesse período.

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  6. Renato disse:

    O Celtics e uma equipe mediana no ataque (Sem Hayward e Morris) e a melhor na defesa, ocorre que o desgaste físico gera muito mais impacto para equipes defensivas do que ofensivas, tendo em vista que ataque e talento, e defesa e raça, entrega, disposição. Celtics ainda tende a ser a melhor equipe do leste, na pior das hipóteses segundo lugar

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  7. Fernando Silva disse:

    Estou certo que teremos uma melhora significativa com alguns dias de repouso.

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