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Crônica: Louis Corbett, Celtics, TD Garden e uma lição de vida

Todos nós temos sonhos. Alguns, até fáceis demais e perfeitamente realizáveis, sendo apenas questão de tempo e precisando de um mínimo de vontade para acontecer. Outros, bem mais difíceis, requerem muito esforço, podendo demorar anos ou mesmo uma vida toda para ser realizado. E quando uma gravíssima doença pode impedir até mesmo o direito de sonhar? Foi o que aconteceu com o jovem Louis Corbett, de apenas 12 anos.

Neozelandês de Auckland, Lui foi diagnosticado aos quatro anos com retinite pigmentosa, uma doença hereditária e incurável, que acaba causando a perda gradual da visão em pouco tempo. Tim Corbett, pai de Louis, resolveu agir em meio a esse grave problema e tomou uma importante decisão: levar o filho em uma grande viagem de férias, para conhecer o mundo e aproveitar bem os últimos momentos de saúde plena, além de reforçar o banco de imagens na memória do garoto. Aí entra na história o empresário e vizinho da família Warren Casey, que divide seu tempo entre a Nova Zelândia e os Estados Unidos e resolveu fazer uma grande doação para que Tim levasse o filho ao tão sonhado passeio na América.

E como a história do garoto chegou até as páginas do Celtics Brasil? Simples: ao contrário dos neozelandeses de sua idade, Louis não se interessa tanto por críquete, esporte tradicional na Oceania, ou mesmo por rugby, cuja seleção dos All-Blacks é um orgulho e símbolo nacional. Louis é fã de basquete. Como a maioria dos leitores deste site, ele é fanático pelo Boston Celtics, e um dos seus maiores sonhos era conhecer o tradicionalíssimo TD Garden, cujo teto carrega os 17 banners de campeão da franquia e os 21 números aposentados.

A história de Louis logo chegou aos ouvidos de pessoas ligadas ao maior campeão da história da NBA. Esposa de Wyc Grousbeck, um dos proprietários do Celtics, Corinne Grousbeck soube de Lui através de informações repassadas por torcedores e jornalistas através do Twitter. Responsável por uma escola para cegos em Boston e com um filho de 21 anos que possui uma doença similar a de Louis, Corinne entrou em contato com os Corbett e os convidou para assistirem o confronto entre o Alviverde e o Golden State Warriors, no dia 5 de março. Com o apoio do time que tanto ama, Louis teria o seu sonho realizado.

Na data marcada, lá estava Louis, acompanhado pelo pai e pelo irmão Jerome. Como era de se esperar, a recepção foi digna de um astro: depois de conhecer o casal Grousbeck, Lui conheceu toda a área do TD Garden, visitou a loja oficial da franquia e conheceu todo o elenco celta, além do treinador Brad Stevens. Para o jogo, o Celtics reservou três lugares na primeira fileira para Louis e sua família, bem ao lado do banco de reservas. Durante uma pausa na partida, ele foi anunciado pelo locutor do TD Garden e foi aplaudido por todo o ginásio. Depois do jogo, muitas entrevistas, onde cativou os repórteres de Boston pelo sorriso fácil e pelas declarações: entre outras coisas, Louis revelou que considera Larry Bird o maior ídolo da história celta.

Claro, a história de Louis comoveu os atletas celtas. Atleta favorito do jovem, o armador Rajon Rondo não escondeu a alegria por ter proporcionado um momento inesquecível a Louis. “Ele veio no vestiário antes do jogo. Não sabia que eu era o seu jogador favorito. Trocamos algumas palavras. Ele é uma criança muito feliz, humilde. Apesar do que ele está passando, ainda tem um sorriso no rosto”, disse o capitão. Stevens, por sua vez, também deixou suas palavras sobre o jovem. “Histórias como essa são edificantes para todos nós. Espero que ele tenha tido uma grande noite”.

Do dia histórico para Louis, apenas um ponto negativo: como se tornou triste rotina nesta temporada, o Celtics não conseguiu fazer um bom jogo e acabou perdendo para o Warriors por 108 a 88, em partida que marcou também o retorno de Brian Scalabrine a Boston, como auxiliar da equipe visitante. O resultado foi lamentado depois por Stevens, que chegou a pedir desculpas a Louis por não ter conquistado uma vitória em um momento tão especial para ele. Lui ouviu, mas não respondeu, não lamentou. Apenas sorriu.

Talvez seja esta a lição que Louis Corbett ensine a todos nós, que temos uma paixão em comum com ele. Por mais que Boston não esteja tão ‘Strong’ e que, em breve, o TD Garden verde e iluminado seja somente uma lembrança feliz, a felicidade de estar ali, de ser Celtics e de realizar um sonho que parecia impossível foi maior que tudo. Maior que a campanha ruim. Maior que o seu grave problema. O próprio Louis ensina: “é sempre bom pensar pelo lado positivo”.

Parabéns pelo sonho realizado e pelo sangue celta, Louis. Estamos torcendo por você.

Confira aqui o vídeo feito pelo Boston Celtics sobre a visita de Louis ao TD Garden (em inglês).

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Gustavo Arruda
Gustavo, 28 anos, é maranhense de São Luís, jornalista formado pela UFMA e repórter do Imirante.com. Fanático por esportes, principalmente futebol e basquete, é torcedor celta desde 2003, quando ouviu pela primeira vez o TD Garden lotado entoando "Let's go, Celtics!", e escreve no Celtics Brasil desde julho de 2011, com mais de 1.700 textos publicados. Nas horas vagas, é goleiro, armador, tio do João Gabriel e da Alice, e também dá seus pitacos sobre o maior campeão da NBA no Twitter: @gustavoarruda01.

3 comentários

  1. Rodrigo

    A história desse garoto é fantástica. O que mais impressiona é a humildade e a coragem. Ele não tem pena de si mesmo, não fica se lamentando. Só agradece pelas oportunidades e está sempre sorrindo. Tem uma reportagem dele no site do Fantastico.

    Acho que ao ccontrário da maioria aqui, sou pai. Isso mexe com um pai. É incrível.

  2. Renato Lgb

    Essas historias que dão força pra gente continuar.

    Que se derrame a alegria dessa criança sobre todos nós, e que essa forma como esse menino encara a vida seja um exemplo para todos nós.

    Nos dias de hoje, ainda mais no Brasil, não temos tanta gente para nos espelhar, mas a Graça de Deus sempre estará por ae, em todos os cantos, basta a gente se esforçar pra enxergar.

  3. JOTAPLAYS

    Eu vi a a passagem dele, e nem sei se foi completa, no NBA action na tv, e achei espetacular. Me espanta como equipes da NBA conseguem fazer isso tão bem… Aproximar o torcedor ao time, aos jogadores.

    Diferente do que a maioria dos esportes fazem. Ir à quadra, estar perto, ter sempre o contato… Tudo que NBA CARE’s faz fora de quadra, os programas e etc… Sensacional. Fico sem palavras.

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