Decifra-me ou te devoro: o que o Boston Celtics deve fazer para frear Giannis Antetokounmpo

Classificado para as semifinais da Conferência Leste após uma varrida implacável sobre o Indiana Pacers, o Boston Celtics trabalha agora para eliminar o Milwaukee Bucks, única equipe a conquistar 60 vitórias na temporada 2018/2019 da NBA e que vem de quatro vitórias consecutivas sobre o Detroit Pistons no primeiro round dos playoffs. A missão celta, entretanto, é mais complicada do que se imagina: além de frear a melhor campanha da liga, o Alviverde procura uma maneira de minimizar o impacto do ala Giannis Antetokounmpo, que lidera a franquia de Wisconsin nos dois lados da quadra e já se consolidou como um dos maiores jogadores de basquete do planeta.

Aos 24 anos e em sua sexta temporada na NBA, Giannis Antetokounmpo saiu do mais completo anonimato para um desempenho avassalador na temporada 2018/2019, onde registrou as impressionantes médias de 27,7 pontos, 12,5 rebotes, 5,9 assistências, 1,5 tocos e 1,3 roubadas de bola, além de 57,8% de aproveitamento nos arremessos, tudo isso em 32,8 minutos, um tempo de quadra baixo para alguém com a importância do grego. Com duplo-duplo de média, alto índice de acerto de jogadas e o Milwaukee Bucks disparado na liderança do Leste, Antetokounmpo se tornou forte candidato ao prêmio de melhor jogador da temporada (MVP) e figura em algumas listas para o troféu de melhor defensor (DPOY).

Em pouco mais de um ano, o Boston Celtics enfrentou o Milwaukee Bucks e Giannis Antetokounmpo em dez partidas: foram sete duelos no primeiro round dos playoffs da Conferência Leste de 2018 e três jogos na temporada 2018/2019 da NBA. No mata-mata, o Celtics levou a melhor e reduziu um pouco da força do grego, mas teve dificuldade na fase de classificação deste ano. Confira os números:

  • Antetokounmpo contra o Celtics nos playoffs de 2018: 25,7 pontos, 9,6 rebotes, 6,3 assistências e 1,4 roubadas de bola em 40 minutos, com 57% de aproveitamento nos arremessos.
  • Antetokounmpo contra o Celtics na temporada 2018/2019: 31,0 pontos, 10,7 rebotes, 4,3 assistências, 1,7 tocos e 1,3 roubadas de bola em 35,3 minutos, com 59,3% de aproveitamento.

Em entrevista ao site CelticsBlog, treinadores e assistentes da liga, que preferiram manter o anonimato, deram algumas dicas sobre como Boston pode diminuir o impacto de Giannis Antetokounmpo em quadra. As principais orientações desses comandantes foram: manter jogadores grandes e com certa agilidade na frente de Giannis, forçá-lo a chutar de média e longa distância, e cometer faltas duras para intimidá-lo, mas tomando cuidado com jogadas que possam terminar em cesta e lances livres, já que, por mais que não seja espetacular nesse tipo de arremesso, o ala grego pode aproveitar essa situação para engrossar a pontuação e encaminhar a vitória do Bucks.

Depois de uma semana para treinamentos e estratégias, o técnico Brad Stevens faz mistério sobre o plano de marcação para Giannis Antetokounmpo, mas o torcedor do Boston Celtics já sabe que essa difícil missão passa por, no mínimo, quatro atletas de diferentes características. Vamos a uma análise rápida sobre cada um deles.

Al Horford

Principal defensor do garrafão do Boston Celtics, Al Horford deve ser o marcador de Giannis Antetokounmpo nos momentos decisivos da série, mas não poderá ficar na cola do grego em todos os momentos, já que o dominicano, com 32 anos, não tem a mesma energia do ala do Bucks, e ainda terá que ficar de olho em Brook Lopez, pivô da franquia de Wisconsin.

Utilizando da experiência para compensar as menores ferramentas físicas, Al Horford se saiu bem na marcação de Giannis Antetokounmpo nesta temporada. Nas 41 posses em que enfrentou o dominicano nesta temporada, Giannis fez 16 pontos, com sete acertos em 14 arremessos, distribuiu três assistências e sofreu uma falta, mas cometeu quatro desperdícios de bola e sofreu quatro tocos. Nessas 41 posses, o Bucks marcou apenas 40 pontos.

Nos playoffs de 2018, Horford também teve números interessantes contra Antetokounmpo. Em 161 posses, o ala do Bucks anotou 62 pontos, com 24 acertos em 44 arremessos, distribuiu oito assistências e sofreu oito faltas. Por outro lado, o camisa 34 cometeu nove erros e sofreu três tocos, um de Horford e dois de marcadores que estavam na dobra.

Semi Ojeleye

Peça pouco utilizada por Brad Stevens na temporada 2018/2019 da NBA, Semi Ojeleye foi uma carta na manga nos playoffs de 2018 e dificultou a vida de Giannis Antetokounmpo. Na ocasião, o grego foi marcado pelo ala celta em 142 posses, anotando 38 pontos em 33 arremessos e sofrendo seis faltas. Levando em consideração essas posses com Ojeleye na cola de Giannis, o Bucks fez 150 pontos.

Na temporada regular, Ojeleye teve mais dificuldade na marcação a Antetokounmpo, que fez 19 pontos, acertou sete dos 10 arremessos que tentou e sofreu três faltas em 40 posses contra o ala do Celtics. Por outro lado, o Milwaukee Bucks fez apenas 42 pontos nessas jogadas.

Jaylen Brown

Opção pouco citada por torcedores e jornalistas como possível desafiante de Giannis Antetokounmpo, Jaylen Brown é um defensor menor, mas é rápido e já mostrou que pode dar trabalho ao grego. Em 19 posses contra Brown, Giannis arremessou apenas três vezes e preferiu passar a bola, resultando em cinco assistências para o Bucks. Nos playoffs de 2018, Brown e Antetokounmpo se enfrentaram em 31 posses, e o ala de Milwaukee só optou pelo arremesso em duas oportunidades.

Marcus Morris

Atleta experiente, mas questionado pela torcida do Boston Celtics por sua irregularidade, Marcus Morris também é uma opção para a marcação de Giannis Antetokounmpo, mas o retrospecto recente não favorece o ala-pivô celta. Em nove jogos, o grego anotou 47 pontos sobre Morris, com 15 acertos em 27 arremessos, além de sofrer oito faltas.

Mas e aí, como parar o Giannis?

Antes de mais nada, é importante ressaltar que parar Giannis Antetokounmpo em sua totalidade é impossível. É óbvio que o ala do Milwaukee Bucks ainda contribuirá com seus 25 pontos e 50% de aproveitamento nos arremessos, mas existe a chance de diminuir esse impacto, e o Celtics tem a capacidade de fazer isso.

Para vencer Antetokounmpo e o Bucks, Brad Stevens e o Boston Celtics precisam de uma estratégia em que o grego fique o maior tempo possível com Al Horford, mas revezando sempre que possível, seja com Ojeleye ou Morris, ou utilizando uma dobra rápida e inteligente, principalmente com Jaylen Brown. Outra saída é fechar o garrafão e pagar para ver o arremesso de média distância do camisa 34, que não é dos melhores. É possível vencer e diminuir esse impacto, mas será necessário muito empenho e comprometimento tático das peças envolvidas.

E você, torcedor? Acredita que é possível frear Giannis Antetokounmpo? Deixe sua opinião nos comentários!

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Gustavo Arruda
Gustavo Arruda
Gustavo, 27 anos, é maranhense de São Luís, estudante de Jornalismo e repórter esportivo do Imirante.com. Fanático por esportes, principalmente futebol e basquete, é torcedor celta desde 2003, quando ouviu pela primeira vez o TD Garden lotado entoando "Let's go, Celtics!", e escreve no Celtics Brasil desde julho de 2011. Nas horas vagas, é goleiro, armador, tio do João Gabriel e dá seus pitacos sobre o maior campeão da NBA no Twitter: @gustavoarruda01.

5 Comentários

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  2. Fernando Silva disse:

    AH seria a melhor opção, mas o grego vai se habituar à marcação e cansar nosso atleta.

    Eu usaria Semi, Brown e Morris nos 3 primeiros quartos.

    Deixaria AH para os momentos mais decisivos.

    Semi e Morris devem ser MUITO físicos.

    Não se trata de agredir mas ser duro e limpo.

    Cada machadada uma minhoca e vamos em frente. Isso mesmo, não me importo se ambos forem servir Gatorade depois de tantas faltas.

    Se Semi e Morris saírem do jogo por faltas, Brown assume a tarefa.

    Garrafão fechado e deixemos o grego chutar (ou aprende, ou perde).

    Nos finais de jogo, AH nele (de preferência depois de ter ficado uns 5 min descansando).

    KI, GH e Tatum precisam chamar a responsabilidade na pontuação.

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  3. Joao disse:

    4 a 0 celtao

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  4. Sander disse:

    O Theis também pode quebrar o galho em algum momento na marcação do grego. Mas estou confiante que iremos passar.

    Obs: Espero que o Smart volte logo, pois estamos esquecendo que o Middleton joga muito contra a gente também.

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  5. Erondi Nunes disse:

    É óbvio q é possível para-lo, pois não é um jogador completo (Durant, Leonard e LeBron são) , tem falhas em seu jogo.

    Talvez o mais importante seja minar seus companheiros, se ele anotar 50 e o resto anotar só 30 ganhamos a série.

    Lembrando q essa tática de deixar o “imparável” jogar sozinho, já foi usado varias vezes por diversos times diferentes.

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    • Fernando Silva disse:

      Sim. É uma opção.

      Talvez Stevens a use em algum momento na série,.principalmente se o elenco de apoio dos.Bucks começar a funcionar.

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