Primeiro negro a ser contratado na NBA e lenda do Celtics, Chuck Cooper é incluído no Hall of Fame

Primeiro jogador negro a ser recrutado no Draft da NBA e contratado por uma franquia, em duas movimentações realizadas pelo Boston Celtics, Chuck Cooper foi anunciado, neste sábado (6), como integrante póstumo do Hall da Fama do Basquete (Naismith Memorial Basketball Hall of Fame). Falecido em fevereiro de 1984, aos 57 anos, Cooper se junta a outros dois pioneiros negros na liga: Nat “Sweetwater” Clifton e Earl Lloyd, que atuaram na temporada 1950/1951 da NBA.

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Atleta do Duquesne Dukes no basquete universitário, capaz de jogar como ala-armador e ala, Chuck Cooper foi selecionado pelo Boston Celtics na 14ª escolha do 1950 NBA Draft, realizado no dia 13 de abril de 1950. Então proprietário do Celtics, Walter Brown ignorou o preconceito e disse que não se importava se Cooper era “negro, listrado, xadrez, com listras ou bolinhas”.

Chuck Cooper disputou quatro temporadas da NBA pelo Boston Celtics, com médias de 6,7 pontos e 5,9 rebotes. Depois disso, o ala defendeu Milwaukee Hawks / St. Louis Hawks (hoje Atlanta Hawks) e Fort Wayne Pistons (hoje Detroit Pistons), até deixar a liga em 1956. No mesmo ano, Cooper teve uma rápida passagem pelo Harlem Magicians, time pertencente ao Harlem Globetrotters, onde decidiu encerrar a carreira. Em entrevista à ESPN, Chuck Cooper III, filho do ex-ala, disse que seu pai se aposentou do basquete por estar decepcionado com o seu papel nas equipes, e não devido a um acidente de carro, como se acreditava. “A NBA não estava preparada para as estrelas negras”, afirmou Cooper III.

Em meio ao pioneirismo, Chuck Cooper suportou forte preconceito racial, dentro e fora de quadra, assim como Bill Russell sofreu anos depois em Boston. Enquanto atleta celta, Cooper tinha que ficar em hotéis e restaurantes diferentes de seus colegas de equipe por ser negro, chegando até mesmo a dormir em trens por causa do racismo. Red Auerbach, lendário treinador do Celtics, disse que Cooper “passou pelo inferno” como jogador da NBA, enquanto o armador Bob Cousy chorou em uma entrevista, enquanto refletia sobre o drama vivido pelo ala.

Por causa de sua história de superação, Chuck Cooper já foi tema de vários debates sobre uma possível homenagem do Boston Celtics. A camisa 11, utilizada pelo ala, não está entre as 23 aposentadas pela franquia, e é utilizada, inclusive, por Kyrie Irving, cestinha da atual equipe celta. Dono da camisa 34 aposentada em Boston, Paul Pierce é enfático ao defender a homenagem a Cooper.

“Por que não? Há provavelmente um monte de números lá em cima que não deveriam nem ser aposentados. Ele fez algo inovador, mudou o curso da história sobre jogadores negros em Boston. Sua foto deveria estar em todos os lugares, e seu número aposentado. É surpreendente que não seja”, criticou Pierce.

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Gustavo Arruda
Gustavo Arruda
Gustavo, 27 anos, é maranhense de São Luís, estudante de Jornalismo e repórter esportivo do Imirante.com. Fanático por esportes, principalmente futebol e basquete, é torcedor celta desde 2003, quando ouviu pela primeira vez o TD Garden lotado entoando "Let's go, Celtics!", e escreve no Celtics Brasil desde julho de 2011. Nas horas vagas, é goleiro, armador, tio do João Gabriel e dá seus pitacos sobre o maior campeão da NBA no Twitter: @gustavoarruda01.

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