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50 anos de Len Bias, a lenda celta que nunca entrou em quadra

Na vida, no trabalho, na família, em diversos âmbitos da convivência humana, uma expressão é utilizada pela maioria das pessoas e com certa frequência: “e se?”. “E se tivéssemos feito isso?” “E se aquilo não tivesse acontecido?” “E se não tivéssemos deixado aquilo acontecer?” Uma indagação que, por não apresentar uma resposta certa, é, na maioria das vezes, torturante. Esta pode ser a definição para um dos maiores mistérios da história da NBA, ocorrido com um então jovem que, nesta segunda-feira (18), completaria 50 anos de vida: e se Len Bias não tivesse morrido?

Nascido em Maryland em 18 de novembro de 1963, Leonard Kevin Bias era um jovem conhecido por sua personalidade tranquila, que logo demonstrou seu talento para o basquete, sendo chamado para defender o Terrapins de sua terra natal na NCAA. Com pouco mais de dois metros de altura, o promissor atleta não demorou a estourar de vez: com brilhantes atuações, uma enorme habilidade e um porte atlético impressionante, não demoraram a surgir comparações com outro jovem ala, que já mostrava seu talento em Chicago.“Len Bias é explosivo, um jogador emocionante. É o mais próximo de Michael Jordan que sairá em um longo tempo”, disse, na ocasião, o olheiro celta Ed Badger, sem negar a comparação com o camisa 23 do Bulls.

Com a Universidade de Maryland, Bias fez história, marcou época. Com a camisa 34, ele foi eleito MVP e atleta do ano em sua conferência, além de estar, por duas vezes, na lista de melhores jogadores dos Estados Unidos, tendo médias de 23 pontos, sete rebotes e 54,4% de aproveitamento nos arremessos. Com tanto sucesso no basquete universitário, o talento de Bias tinha um caminho certo e óbvio: a NBA. Jogar entre os grandes. Em um grande. E o destino acabou colocando o atleta no maior time de toda a liga: o Boston Celtics.

Dono da segunda escolha do NBA Draft de 1986, como parte do acordo que levou Gerald Henderson ao Seattle Supersonics, o time verde da capital de Massachusetts era o lugar dos sonhos para qualquer jovem talento. Afinal de contas, quem não toparia jogar no recordista de títulos (16 conquistas), vencedor de três das últimas dez edições e novamente finalista do maior torneio de basquete do planeta? Alguém diria não a atuar junto com Larry Bird, Dennis Johnson, Robert Parish, Kevin McHale e companhia limitada? Nem os loucos diriam. Bias não disse.

Claro, o menino de Maryland se encantou de cara com a possibilidade: levado pelo lendário Red Auerbach, técnico vencedor na década de 60 e então presidente da franquia, Bias esteve no antigo Boston Garden na primeira partida das finais de 1986, contra o poderoso Houston Rockets de Hakeem Olajuwon e viu, atrás do banco de reservas, a vitória por 112 a 100. Logo após o jogo, o ala foi simples e enfático ao falar com o GM celta Jan Volk: “Please, draft me (por favor, me escolham)”.

Uma semana após o término das Finais, vencida pelo Celtics, chegou o dia do NBA Draft, no Madison Square Garden, em Nova York. Com o pivô Brad Daugherty sendo selecionado pelo Cleveland Cavaliers na primeira escolha geral, a parceria tão desejada por ambos estava perto de se concretizar. Na voz de David Stern, comissário da NBA, a confirmação: “com a segunda escolha no Draft da NBA, o Boston Celtics seleciona Len Bias”. Não faltava mais nada para fazer surgir o sorriso no rosto da jovem promessa. A alegria de todos era imensa, e com razão. Naqueles momentos, todos já se perguntavam: o que será do Celtics com Len Bias para aumentar a artilharia tão talentosa? Auerbach, empolgado, já falava que o calouro seria o sexto homem da equipe, tal como havia sido Kevin McHale em anos anteriores. Aliás, não era só a camisa 2 aposentada no TD Garden a estar eufórico. Torcida, dirigentes, atletas, o próprio Bias. O futuro parecia sorridente para todos. Parecia.

Apenas dois dias após ser escolhido como o dono da camisa 30 do Boston Celtics, Bias voltou para Maryland e foi celebrar com os amigos de dormitório. Depois de muita conversa e festa, o pequeno grupo resolve comprar e consumir cocaína. E, três horas depois, Len fecha os olhos e começa a respirar com dificuldade. O atleta afunda na cadeira e começa a ter convulsões, para desespero de todos. Resolvem chamar uma ambulância, que chega e leva a promessa celta para um hospital. Após muito esforço, a notícia surpreendente e fulminante: após quase três horas de tentativas, uma parada cardiorrespiratória mata Leonard Kevin Bias. Tinha 22 anos.

Primeiro a receber a notícia, Auerbach não acredita de cara. Pensa se tratar de alguma brincadeira. Entretanto, bastou ligar a TV para ver a realidade passar nos seus olhos. A notícia atingiu os fãs de basquete, a NBA, o mundo dos esportes, todos cientes de que uma futura estrela havia partido antes da hora. Os celtas, inconsoláveis, perguntavam-se: como um jovem craque pode ser tão irresponsável e usar drogas? Como Auerbach nunca conseguiu perceber isso? Como poderia um atleta morrer desta maneira? Perguntas e mais perguntas brotaram, até hoje surgem. Nenhuma resposta. Só a dor.

A dor da morte de Len Bias atingiu o Celtics com força: na necessidade de se reconstruir aos poucos e tendo que lidar com a perda de quem poderia liderar a manutenção das vitórias, a equipe celta foi perdendo forças. Larry Bird, ídolo maior daqueles tempos, prolongou a carreira até 1992 por causa da tragédia, mas o corpo já não era mais o mesmo e ele não contribuiu tanto para o sucesso do Celtics, que viria a sofrer outro duro golpe com a morte de Reggie Lewis, aos 27 anos. Sem sucesso na reconstrução, o Celtics passaria pela pior fase de toda a sua história vitoriosa.

Hoje, quase 30 anos depois, o maior campeão da história da NBA se recuperou. Demorou 21 anos até voltar a erguer a Larry O’Brien, mas reconquistou o direito de ser temido, voltou a ser competitivo e, atualmente, passa por mais um ciclo de renovação após a gloriosa era do ‘Big Three’. Muitas coisas já se passaram no mundo, no basquete, na NBA, no Celtics e em Boston. Mas a dor do “e se Len Bias não tivesse morrido naquela noite de 19 de junho de 1986” atinge a todos até hoje.

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Gustavo Arruda
Gustavo, 28 anos, é maranhense de São Luís, jornalista formado pela UFMA e repórter do Imirante.com. Fanático por esportes, principalmente futebol e basquete, é torcedor celta desde 2003, quando ouviu pela primeira vez o TD Garden lotado entoando "Let's go, Celtics!", e escreve no Celtics Brasil desde julho de 2011, com mais de 1.700 textos publicados. Nas horas vagas, é goleiro, armador, tio do João Gabriel e da Alice, e também dá seus pitacos sobre o maior campeão da NBA no Twitter: @gustavoarruda01.

10 comentários

  1. Renan Allysson

    Excelente texto!

    Sobre o Len Bias: muito triste sua história, para todos. Foda.

  2. Thiago Reis

    Sempre que leio essa história fico muito puto e triste, que mole deu Bias, tinha tudo para ser uma estrela, muitos na época diziam ser do mesmo nível da sensação da liga MJ. Pra completar, anos depois perdemos Reggie Lewis, no auge de sua carreira. Realmente esses problemas extra quadra nos tirou uns 2 títulos.

  3. Danilo Jeolás

    As mortes de Bias e Lewis e o declínio de Bird, custaram no mínimo uns oito playoffs e talvez uns dois ou três anéis.

  4. Vinicius

    Quem é o cara que foi selecionado na frente dele pelo Cleveland no draft? Deu um bom jogador?

    • Danilo Jeolás

      Bom pivô sim, foi o maior pontuador da história dos Cavs, até ser ultrapassado pelo Lebron, além de ter tido médio próxima a 10 rebotes por jogo.

      Se aposentou com menos de 30 anos, ainda tinha lenha para queimar, mas não gostava muito de basquete, o lance dele era Nascar, foi dono de equipe e hoje é comentarista da modalidade nos EUA.

    • Lucas Lemuel

      Era uma versão melhorada do Brook Lopez. Mas se aposentou muito cedo, ele tinha um histórico de problema nas costas(me corrijam se eu estiver errado).

  5. Maurício Gree

    Ótimo texto, triste história e consequências sofridas. me lembra a história do Geraldo Assobiador, Flamengo dos anos 70, mas os contrario do Celtics o FLA teve suas maiores galraria pouco depois mesmo com essa perda…

  6. Théo Oliveira

    O documentario que a espn fez 30 for 30 Without Bias
    é emocionante. Otimo texto gustavo!!!

  7. valmir cesar

    len bias foi triste a historia dele e de ben wilson

  8. Eduardo Amaral

    Len Bias teria sido tão bom quanto Michael Jordan foi, pena que uma noite irresponsável tenha tirado a sua vida.

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